quinta-feira, junho 04, 2015

Shakespeare, Gaudí e Miró : poema e fotos


Gaudí
Arte me sensibiliza. Emoção me fragiliza. Beleza me enternece. Gripe me enfraquece. Precisava  de um evento surpreendente e bonito. Aconteceu. Um amigo - Celso Junior - por quem eu tenho carinho e admiração, enviou-me o Soneto número 12 , de William Shakespeare, com tradução de Ivo Barroso. Era um texto que eu não conhecia e que me fazia falta conhecer. Gracias, portanto, a quem escreveu e a quem me deu a chance de conhecê-lo.

Gaudí
Soneto número 12 (William Shakespeare - tradução de Ivo Barroso)

Quando a hora dobra em triste e tardo toque

E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.



Gaudí
Para quem prefere o original:

When I do count the clock that tells the time,
And see the brave day sunk in hideous night;
When I behold the violet past prime,
And sable curls, all silvered o'er with white; 

When lofty trees I see barren of leaves,
Which erst from heat did canopy the herd,
And summer's green all girded up in sheaves,
Borne on the bier with white and bristly beard, 

Then of thy beauty do I question make,
That thou among the wastes of time must go,
Since sweets and beauties do themselves forsake 

And die as fast as they see others grow;
And nothing 'gainst Time's scythe can make defence
Save breed, to brave him when he takes thee hence.


Miró