quinta-feira, agosto 13, 2015

Notícias desde Atlanta...

Para vocês
Compartilho esta rosa, que ganhei ontem num supermermercado, com todas as pessoas que se lembraram de mim, desejando-me boa viagem ou boas viagens. Estou bem de saúde e estou em paz. Procuro acolher a alegria e a tristeza como parte da aventura de estar viva. Por sorte, guardo a curiosidade e a ânsia de conhecimento. Ainda bem!

Vizinhos " da frente" 
A curiosidade e a ânsia de conhecimento me proporcionaram  - ou reavivaram - algumas observações e informações sobre os Estados Unidos, pais de que aprendi a gostar com toda a diversidade mostrada pelos cinquenta estados que o integram - embora  desses cinquenta, eu só conheça vinte e oito. Mencione algumas a seguir, mais a título de curiosidade.

Casa no Jardim
A preocupação com a obesidade - especialmente com a obesidade infantil -  vem sendo demonstrada em muitas campanhas de esclarecimento à população, incluindo, entre elas,  campanhas institucionais, lideradas por Michelle Obama. Essas campanhas estão fortemente centradas nos programas escolares. Parece terem sido bem sucedidas , já que pesquisas apontam para acentuadas diminuições de peso, especialmente em crianças de 2 a 5 anos.

Massimo com uniforme da Escola
Vêem-se e ouvem-se muitas campanhas, palestras e matérias contra o consumo de refrigerantes, mostrando os malefícios que causam e apontando-os como uma das importantes causas da obesidade em todas as faixas etárias. É a hora e a vez dos produtos orgânicos, havendo , para eles, grandes setores nos supermercados.

A doce Lea, parte da família há 11 anos
Além das conversas sobre obesidade e do incentivo ao consumo de produtos orgânicos, escutam-se, frequentemente e com intensidade semelhante àquelas sobre feminismo, direitos civis e opções sexuais, as conversas sobre bem-estar social, alternativas em arte, cuidados com o planeta, controle do consumo excessivo,  compras desnecessárias, e  excesso de lixo.

Aqui estou...
Esta minha primeira semana em Atlanta foi tranquilamente vivida  e bem aproveitada. Comprei ,com auxílio da minha nora, todas as encomendas ; li   matérias interessantes sobre turismo em Cuba e no México; brinquei com meu neto e conversei muito com Valéria e Patati. Assisti a um Talking TED, https://www.youtube.com/watch?v=UyyjU8fzEYU, que menciono abaixo.

Patati
Jill Bolte Taylor, cientista e neuroanatomista, teve uma oportunidade única e seguramente  não desejada. Uma manhã, ela percebeu que estava tendo um derrame. Como isso aconteceu ,como ela sentiu suas funções cerebrais escaparem uma por uma - expressão, movimento, compreensão - foi por ela estudado e narrado , lembrando  momentos do que lhe acontecera.

Massimo e Valéria
Estou, portanto, em Atlanta e estou bem. Amanhã, iniciarei uma visita ao México, especificamente para ver as cidades coloniais. Irei para o aeroporto de UBER, sistema de transporte já em uso há quase dois anos  No meu roteiro, além da Cidade do México, está Guadalajara, Guanajuato, Queretaro, Morelia, Patzcuaro, Tlaquepaque e São Miguel Alende. Darei notícias. 

"Lá vou eu...."

"Sabeis decerto que o maior amor não é aquele que a palavra suave puramente exprime. Nem é aquele que o olhar diz, nem aquele que a mão comunica tocando levemente noutra mão...."

Fernando Pessoa

Meu neto
                          

sexta-feira, agosto 07, 2015

Partiu ....Atlanta


Cheguei!
A novidade da vez foi o vôo direto Porto Alegre/Miami - sem a conexão em São Paulo, que eu detesto. Após uma espera de 4 horas - nada agradável - fiz Miami/Atlanta. Cheguei bem. Estou ótima. Gosto dos Estados Unidos  -   verdade que gosto do mundo todo - mas as relações afetivas influem bastante nesse meu gostar daqui. Desejo-lhes um fim de semana tranquilo e agradável.

Massimo

quarta-feira, agosto 05, 2015

Vamos a Gramado?

Centro de Gramado em Julho
Como não havia café colonial em Nova Petrópolis, porque era segunda-feira, Pedro e eu decidimos ir a Gramado... na verdade, uma escapada que já havíamos pensado fazer. Em 40 minutos, vai-se de uma cidade a outra, percorrendo uma estrada linda - sem eu estar dirigindo, percebia-lhes os detalhes.

Centro de Gramado
É uma cidade muito bonita, embora tão preparada para o turismo que, por vezes, parece articial. É salva pela natureza que a impregna e toma conta de seu entorno. Está sempre com muitas araucárias e muitas flores, que seguem a ronda das estações. Agora, são os amores-perfetos, as camélias e as magnólias; depois, vêm as azaléias; e , em novembro e dezembro, o reino das belas hortênsias.


Antigas magnólias

Ostentando o título de roteiro turístico mais seguro do Brasil, Gramado é realmente para visitar com família, sejam adolescentes e crianças. A saudade - que sempre defino como alegria de ter tido, tristeza de não mais ter - foi intensa lá: saudade de meus amigos, de meus filhos pequenos, de meus sobrinhos, das roupas e dos brinquedos escolhidos, dos chocolates devorados. Agradeci ao meu neto por estar comigo - sozinha eu não teria ido..



  




















Traçamos a cidade. Era um passeio de rever e relembrar. Lá estava a Casa da Bruxa, onde se degusta excelente chocolate quente; a rua coberta, ainda  meio descoberta pelo inverno que atinge as plantas; a igreja matriz, construída com a solidez e a beleza da pedra local; a rotatória - novidade para mim - com a representação de  grandes eventos, como o Natal-Luz, o Festival de Cinema e a Feira do livro; as malharias, as cafeterias o artesanato local...


Rotatória e prêmios de eventos
Minha única crítica a Gramado é o descaso com os banheiros públicos da Estação Rodoviária. Além da limpeza não parecer uma prioridade, as portas estavam pichadas e mal conservadas. Inadmissível numa cidade tão linda. Entrei num banheiro em que a porta ostentava a frase: Deus é minha única esperança... Seria a esperança de um banheiro público decente ou a esperança de usuários que não escrevessem nas portas?


Beleza da Araucária
No dia seguinte, enfrentamos um Café Colonial. Exagero dos exageros. Por mim, jamais entraria em um, embora sejam bem atendidos, bonitos e com 70 ( setenta mesmo! ) itens servidos, entre doces , salgados, tortas, pães, carnes, sucos, vinhos e ... café - mas sempre tenho de acompanhar alguém a essas orgias gastronômicas.

Pedro no Café Colonial de Gramado
Ao passear com Pedro, tenho um objetivo bem definido: que ele tenha agradável e alegre lembrança da vó. Essa será, sim,  uma herança permanente. Ele e eu temos outras viagens planejadas. Que o Universo conspire a nosso favor - como diz Rosana.

Igreja Matriz de Gramado
"Quando era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,
E nada conseguido ou intentado!
Mais velho,digo, com igual enfado:
Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção......"

Fernando Pessoa




terça-feira, agosto 04, 2015

Nova Petrópolis: Festival Internacional do Folclore

Festival 2015
Chegando em Porto Alegre, convidei Pedro para um recorrido na região, começando por Nova Petrópolis, onde se realizava o 43o. Festival Internacional do Folclore, de 17 de julho a 02 de agosto de 2015. Para a aventura ser completa, iríamos de ônibus. Selecionei um ônibus - semidireto -  que vai a Caxias. Imperdoável erro. De POA a Nova Petrópolis, o ônibus fez 16 ( dezesseis! ) paradas. E a distância é 130 Km. Viagem para antropólogo, como diria meu amigo Luis Behares...

Praça Central de Nova Petrópolis
Da rodoviária, onde Giselda e Gabriela, minhas queridas sobrinhas, estavam nos esperando, fomos ao Restaurante Paladar - comida caseira, cuidadosamente preparada, em buffet livre, por  um   preço  equivalente a cinco euros. Após o almoço, percorremos Nova Petrópolis, cidade conhecida como Jardim da Serra Gaúcha, começando pela Praça das Flores. O texto a seguir foi copiado do site http://www.festivaldefolclore.com.br/secao.php?pagina=1 Nesse mesmo link, pode-se ver a programação - intensa e variada - do Festival.

Detalhe da Praça das Flores
"O Festival Internacional de Folclore é um evento de valorização das tradições e dos costumes legados pelos antepassados, numa mescla das mais distintas manifestações culturais. É um intercâmbio artístico-cultural entre os inúmeros grupos participantes, iniciado em 1973, por um grupo de amigos.


Grupo de Danças Folclóricas Margaridas 

O evento ocorria no mês de julho, estritamente voltado para apresentações de danças folclóricas alemãs, incentivando a participação de grupos locais e visitantes. Com o passar do tempo, tomou grandes proporções.Iniciou na Praça da República, em 1985 passou para o Parque Aldeia do Imigrante, posteriormente, em 1999 para o entro de Eventos, em 2002 retorna ao Parque. Seguiu alternando Centro de Eventos e Parque até 2010 quando retorna à Praça da República na Rua Coberta.

Grupo de Danças Folclóricas Margaridas 
Em 2005, o Festival foi reestruturado, abrindo espaço para outras manifestações artístico-culturais, de etnias distintas . Tornou-se internacional em 2009 e hoje é a maior festa cultural da cidade de Nova Petrópolis, trazendo diversos grupos folclóricos oriundos de cidades gaúchas, diferentes Estados e países de todos os continentes, enriquecendo o evento.Novos grupos surgiram e a festa, que inicialmente acontecia em um final de semana, atualmente se estende por 16 dias.

Danças na Praça
O Festival atualmente é realizado em distintos espaços públicos, oportunizando a participação do público em geral e proporcionando o enriquecimento cultural. O palco principal localiza-se na Rua Coberta, junto à Praça da República, onde também ocorre a exposição de artesanato. Além disto, o evento proporciona a apresentação de danças junto às comunidades do interior, nas tradicionais noites culturais, além de contemplar escolas e empresas do município. 


Detalhe da Rua Coberta
O espaço do CTG Pousada da Serra é palco da integração entre os grupos participantes, com a realização de oficinas distintas, com troca de experiências, durante as nominadas mostras culturais. A presença de grupos de danças de diversos estados brasileiros e países, a feira e a exposição de artesanato, a participação de grupos teatrais e bandinhas típicas, o destaque à culinária alemã, o desfile, o baile de integração, a celebração da vida, da paz e da diversidade e a oportunidade de apresentação para grupos escolares e grupos de APAE reafirmam a preocupação do evento em integrar áreas culturais e oferecer o livre acesso a todas as classes sociais e faixas etárias.

Monumento ao Cooperativismo
É no Festival Internacional de Folclore de Nova Petrópolis que a diversidade une: a cultura gaúcha e as tradições germânicas, preservadas nesta cidade, dão espaço a outras realidades culturais, enriquecendo o evento e incentivando a interculturalidade, sem distinção de raças e crenças, unindo fronteiras.

Doces artesanais
Atualmente, este evento é realizado pela Prefeitura Municipal em parceria com a Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs e conta com o apoio da IOV – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares, mostrando a força da tradição, a preservação cultural através da dança, gastronomia, música, competições germânicas e o cultivo da diversidade.

Casa do Artesão de Nova Petrópolis
Em plena era da globalização, Nova Petrópolis destaca-se pelo trabalho de preservação cultural desenvolvido pelos seus grupos folclóricos, mantendo sua identidade cultural e desta forma, colaborando para a riqueza cultural do nosso Estado."

Monumento ao Imigrante
Após ver danças e cantorias, fomos às compras. Nova Petrópolis sempre teve melhores preços - com a mesma qualidade - que os produtos de Gramado e Canela. Eu havia prometido ao Pedro um café colonial. Guardem esta informação : às segundas-feiras, as cafeterias da cidade não servem esse tradicional café. Ficamos frustrados. Fomos, entretanto, recompensados com a beleza das flores e das araucárias.

Labirinto Verde
"Qualquer caminho leva a toda parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva aonde indica a ´strada
Outro é sozinho
Um leva ao fim da mera ´strada, para
Onde acabou.
O outro é abstrata margem"

Fernando Pessoa



Flores de Nova Petrópolis

segunda-feira, agosto 03, 2015

"Soy de Bilbao..."


Detalhe da Catedral de Bilbao
Aprendi com Pedro e Maria Jesus, meus amigos de Bilbao, que basta expressar o desejo de ser biscayno para que assim se torne. Quem nasceu em qualquer país ou cidade, portanto, se afirmar sou de Bilbao... será. Gostei tanto da cidade e do País Basco, que parti dizendo: voltarei! sou de Bilbao.



Entrada do Teatro



     
















Comunidade Autônoma do País Basco e capital da Província de Bizkaia, com cerca de 400  mil habitantes  , situada nas proximidades da fronteira com a França, Bilbao impressiona por vários motivos, entre os quais  a localização, os museus, o traçado urbano, o porto, a proximidade com Guernica, os rios, o mar, as pontes,  a gastronomia, o bilinguismo - espanhol e basco -  e os habitantes locais , tão acolhedores e simpáticos.

Impressionante Teatro Arriaga Antzokia
A cidade está no fundo do vale formado pelos  os rios Nervión e Ibaizabal, rodeada por duas cadeias montanhosas, com altitude média não superior a 400 metros de altura. Esses rios, a partir daí, recebem o nome de Ría de Bilbao. É interessante que os rios -  nesta região e em outras - passam a chamar-se ría quando são grandes e deságuam no mar. Em alguns casos, ría corresponde a foz ou estuário.

Praça Central
Cheguei a Bilbao -  400 km de Madrid - no trem procedente de Burgos, cidade onde eu permanecera por dois dias, especialmente para ver sua famosa catedral e o monumento a El Cid Campeador. Fui , imediatamente, conquistada por El Botxo , nome carinhoso que os morados dão à cidade e que significa buraco em euskera , a língua basca.

Praça Central
É bem interessante escutar a língua basca. Sendo oficial, ela aparece escrita,  junto com a  língua espanhola, em toda a cidade,  nos pontos turísticos e nas placas informativas. Como é muito antiga e não tem origem latina - anterior, portanto,  ao período de ocupação do império romano -  é difícil para a gente entendê-la. Nas escolas, a educação é bilingue em castelhano e basco. São oferecidos currículos diferenciados de acordo com predomínio de uma ou de outra língua.

La ría de Bilbao
A cidade surgiu na Idade Média, como um povoado de ferreiros, agricultores e marinheiros. Em 1300, recebeu de Diego López de Haro, Senhor de Bizkaia, o título de Vila e a jurisdição sobre la ria, para que servisse de porto exportador de lã castelhana e porto de entrada de mercadorias estrangeiras.Em 1511, foi criado o Consulado de Bilbao, que intensificou  a exportação de lãs e tecidos, a importação de bacalhau e a fabricação de navios.

Centro histórico
Centro de Bilba

A mineração de ferro e a fundação do Banco de Bilbao - nos séculos XIX e XX - marcaram o período de forte industrialização nos setores siderúrgico, naval, químico e metalúrgico. Seu antigo porto tornou-se o maior do Mar Cantábrico. A cidade, no entanto,  tinha a fama de ser feia e desinteressante. Com o fim do ciclo do ferro, ficou também pobre. Seus habitantes, entretanto, não desanimaram e buscaram alternativas. Transformaram-na em cidade prestadora de serviços e a colocaram, com destaque , no mapa turístico da Espanha.

Calle del Perro

Antiga Estação Santander




















Além do Museu Guggenheim, Bilbao possui outros museus importantes, como o Museu de Belas Artes, o Museu Basco de Etnografia e História e o Museu Arqueológico. Realiza muitos  eventos anuais , como  o Festival Internacional de Cinema Documental e a Feira Internacional de Mostras. Mantém a Orquestra Sinfônica, a Sociedade Coral de Bilbao e a Real Academia de Língua Basca. Seu maravilhoso Teatro Arriaga -  inaugurado em  1890 - tem programação constante e atraente. Seu time de futebol esteve sempre na  primeira divisão. A cidade faz por merecer os  turistas que a visitam.

Detalhe da arquitetura do Museu

Praça Unamuno







Cidade medieval, nascida com vocação comercial, pioneira na industrialização e conservadora de suas tradições, Bilbao possui intensa, moderna e trepidante vida urbana. Percorri , com meus amigos Pedro e María Jesus, as Sietes Calles del  Casco Viejo - Sete ruas do Centro Histórico - a principal zona de animação tanto diurna quanto noturna. 

Centro  Histórico
É uma delícia caminhar pelas sete estreitas ruazinhas e por suas adjacências, com muitas construções renascentistas, barrocas, neoclássicas e modernistas. É uma delícia ver tantas cores e tanta vivacidade e tanta gente nos bares ao final  da tarde. Há  muito comércio, incluindo livrarias e galerias de arte. Muito bom caminhar aqui , embora o transporte público seja abundante e de boa qualidade - tem até um  metrô novinho. 

Modernos meios de transporte 
Penso voltar a Bilbao no próximo ano - se possível na Semana Santa , quando há intensa programação: de procissões a concertos. Se não for nessa semana, poderá ser durante as datas das Feiras Internacionais, grandiosas e com programações atraentes.  Penso também estar mais tempo na região, para visitar Santander, uma bela cidade, distante de Bilbao pouco mais de 100 km. Veremos o que nos reserva o tempo, senhor dos destinos...


Bilbao na minha coleção de portas

" A novela inacabada,
Que o meu sonho completou,
Não era de rei ou fada
Mas era de quem não sou


Para além do que dizia

Dizia eu quem não era...
A primavera floria
Sem que houvesse primavera."

Fernando Pessoa


Partindo de Bilbao. Gracias Pedro e Maria Jesus