domingo, novembro 04, 2012

San Pedro de Atacama




















"Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado."


Fernando Pessoa























A pequena San Pedro de Atacama, com pouco mais de 5 mil habitantes,  é um oásis no meio do Atacama. San Pedro é o seu Patrono; Atacama, provém do idioma Cunza e significa Cabeceira do País. Localizada na II região de Chile, no deserto mais seco do mundo, compensou meus espirros , tosses e crises alérgicas, com a beleza de suas ruazinhas empoeiradas, com a encantadora arquitetura de suas casinhas de adobe e com a paz que transmite aos visitantes.



 



















Foi conquistada pelos Incas, em 1450, e, depois,  pelos espanhóis, em 1540. Situada  aos pés do Vulcão Lincancabur, pertencente a Cordilheira dos Andes, é também  a capital arqueológica do Chile, pois , ao seu redor,  encontram-se  muitos sitios, como  o de Quitor e o da Aldeia de Tulor. Seu pequeno centro está restrito a um retângulo de seis quarteirões, sendo a Caracoles sua rua principal, onde se encontram os principais restaurantes, lojas de artesanato e agências de viagem.























A Praça das Armas é um dos atrativos da cidade e o lugar onde população local e turistas se encontram nos finais de tarde. Nela, está a Igreja, declarada , em 1951, Monumento Nacional. Feita com parede de adobe - palha e barro - e madeira de chañar e algarroba, tem o teto revestido com madeira de cactus. Bonita, bonita. Na mesma praça, encontram-se a prefeitura, o correio, a polícia, o museu e um escritório de informações turísticas.










































Todas as construções são de pedra e adobe, esteticamente combinados e trabalhados, juntamente com as madeiras, bambus e plantas ornamentais. Os tijolos de adobe não são cozidos - simplesmente secam ao sol. Hotéis e restaurantes são muito bem transados.Dá gosto de ver. Há hotéis para todos os go$to$, desde o Awasi, com 8 quartos e um carro para cada quarto; o Explora, com cinco  piscinas onde se pode escolher a temperatura preferida; o Alto Atacama, ao lado das ruínas de Pukara de Quitor,  com seus lençóis de lã de alpaca. Preferimos ficar hospedados no Kimal - no setor Poblado Kimal -  um três estrelas honesto, bem no centrinho, com cabanas espaçosas, varanda e ambiente agradável.
























Assim como tem bons hoteis, San Pedro tem também bons restaurantes. O meu preferido ficou sendo o La Estaka - na foto ao lado -  na rua Caracoles, a rua principal. Excelente! Também gostei do Paacha, na mesma rua, com decoração intimista e comida tradicional chilena. Como em todo o Chile, pode-se pedir salmão em   qualquer restaurante, que provavelmente estará muito bem preparado.























Neste mês de outubro, o clima estava muito agradável - clima de primavera durante o dia; clima de inverno à noite. Em resumo, clima típico dos desertos. Vê-se , o tempo todo, movimento de ir-e-vir de turistas, chegando e partindo do mundo todo; saindo e voltando dos passeios ao redor de San Pedro, já que a cidadezinha é o melhor ponto para explorar a região. Informações podem ser buscadas pelo site: www.sanpedroatacama.com
























A partir de San Pedro de Atacama,visitamos o Vale da Lua, o Vale da Morte, o Salar de Atacama, as lagoas Cejar, Chaxa, Miscanti e Miniques, a Aldeia de Tulor, o Pukara de Quitor, o povoado de Toconao, o vale de Jere, os Geyser de Tatio e Machuca. Não fomos ao Salar de Tara e ao vulcão Licancabur - passeios que consideramos difíceis para nossa faixa etária. Os lugares são - como diz um amigo meu - de ajoelhar e rezar. Todo o tempo, eu lembrava pessoas a quem eu gostaria de mostrar tudo o que via -  essa beleza que nem cabia nos meus olhos.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Calama: descobrindo o Atacama




















O Chile não está dividido em estados. Divide-se em 15 regiões, representadas por números romanos e cortadas, sequencialmente, de norte a sul. O Deserto de Atacama, com  2440 m acima do nível do mar , é o mais alto  e mais seco deserto  do mundo e está localizado na II região do Chile, que tem como capital Antofogasta, importante cidade costeira. Voamos pela Austral Airlines, de Santiago a Calama, em 2h20min , num vôo em que diversas línguas podiam ser escutadas.






















Sendo o Chile um país compridinho, implica que fomos do centro para o norte, na direção de Arica, cidade do próprio Chile, da Bolívia e do Peru. Depois do deslumbramento inicial por tudo o que se via através da janela do avião, aconteceu o pouso que nos pareceu, ao início, no meio do nada e de lugar nenhum. Era o pequeno aeroporto de Calama, a empoeirada  segunda maior cidade da região. Estávamos, portanto , no deserto.





















Custou-me acostumar os olhos à paisagem. Era tudo surpreendente. A primeira sensação foi de sede, muita sede - não sei se pela secura mesmo ou pela emoção da chegada. Um carro, que já nos esperava, levou-nos a San Pedro do Atacama, que seria a  base para, a partir daí, viajar e conhecer lagoas, vulcões, dunas, formações rochosas estranhas, tudo com textura e colorido de plasticidade perfeita.




 




















Embora já tenha viajado por desertos em outros países, como Tunísia, Marrocos, Egito, penso que minha sede maior provinha do queixo caído e da boca aberta pelo deslumbramento do que enxergava - como esta ponte sobre um rio onde , em algum momento, teve água.

























"Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios."

Fernando Pessoa


Santiago: fotos e comentários breves




















Muito interessante o Centro Cultural Palacio de La Moneda, na Praça da Cidadania. São três andares subterrâneos, com exposições , cinema  e artes visuais. É um bom lugar para se ter informações sobre o que acontece na cidade. Visita obrigatória também por seus arredores.






















Em Santiago, encontra-se variado artesanato de todas as partes do Chile, mesmo das mais distantes, como a  Patagônia , o  Atacama e a Ilha de Chiloé. Há peças belíssimas em couro, metal, pedras e lã . As cerâmicas têm cores e desenhos delicados. Um bom endereço é o Centro Artesanal Los Domenicos.























As peças que me foram mais difíceis resistir foram as de cobre com lapizlasuli, uma bonita pedra azul-marinho, só encontrada no Chile e no Afeganistão. As mais bonitas que vi,  podem ser encontradas em www.tromilen.ch























A Universidade do Chile , que está completando 170 anos, tem prédios e espaços que merecem ser vistos.Com muitas carreiras consolidadas, a Universidade investe, continuamente, em pesquisa e pós-graduação.























À semelhança da Europa, pode-se ouvir boa música nas ruas do centro da cidade. Escutei Vivaldi, magnificamente apresentado por estas três moças. Música de parar e ouvir, sem vontade de ir adiante.























Além da imponência dos prédios históricos, Santiago mostra arrojada arquitetura, moderna e criativa, como este grande edifício  inspirado no design de um celular. Aqui , está instalada a Companhia telefônica do Chile - é óbvio.





















O Cerro San Cristóbal , com seus 800 metros de altitude e densa vegetação, emerge no meio de Santiago e dominas a cena dessa cosmopolita cidade. Ao seu redor, vê-se uma cidade palpitante, que cresce e surpreende pela arquitetura adotada.






















O Cerro de Santa Lucia está localizado bem no centro da cidade, perto da Biblioteca Nacional. Com 70 metros de altura, oferece linda vista da cidade e dos Andes. Na base do morro, vê-se uma grande pedra com a gravação de uma carta enviada por Pedro de Valdívia ao rei espanhol Carlos V, descrevendo as belezas da nova terra conquistada pela Espanha. Há muito verde, muitas flores e muitas esculturas em Santa Lucia. A seus pés. foi fundado Santiago.






















O transporte público local é bastante eficiente . O Metrô , que corta a cidade e nos afasta de um trânsito difícil, tem estações muito bonitas, limpas e bem cuidadas, valorizadas por muitas obras de arte.Inaugurado em 1975, abrange cinco linhas e oitenta  e cinco estações. É rápido e seguro. Parece, no entanto, que sua capacidade já está sendo ultrapassada - cheíssimos mesmo em horários que não são de pico.





















Admirável a limpeza da cidade de Santiago. Penso que é a capital mais limpa e cuidada da América do Sul. No centro, há calçadões, bastante movimentados, como o Paseo Ahumada e o Huérfanos, que são  lavados diariamente por equipamentos como este.





















Santiago é uma cidade muito bem sinalizada. As placas são padronizadas e, em todas elas, pode-se ver o nome da rua , a numeração da quadra e a direção de cada uma. Estão localizadas em postes , junto às esquinas, seguindo sempre o mesmo padrão de orientação - o que facilita muito a mobilidade dos  turistas .






















É uma graça esse bonequinho nas sinaleiras cronometradas da cidade. Ele aumenta a velocidade da sua corrida à medida que o sinal se aproxima do momento de fechar.




























Na Praça das Armas, está localizada a Catedral de Santiago. Em estilo barroco, imponente e suntuosa, sofreu , ao longo de sua existência, várias reconstruções e reformas, por conta de incêndios e terremotos que a danificaram. Foi erguida no espaço de uma  outra igreja, que havia sido  construída no século 16. Dentro dela, está o candelabro que iluminou a primeira sessão do Congresso, após a independência do Chile. Impressionante a grandiosidade do altar dessa catedral.




























A Igreja de San Francisco, toda construída com adobe, é um dos monumentos mais antigos do Chile, já que data de 1618. De cor avermelhada e de comovente beleza, torna-se uma visita obrigatória, que pode ser alcançada por Metrô, descendo na Estação Universidad de ChileAdobe é aquele tijolo grande, feito com barro e palha, em geral , palha de trigo.




























Santiago , fundada em 12 de fevereiro de 1541, é capital de um país onde a maioria de seus habitantes consideram-se católicos praticantes e onde a igreja católica teve, historicamente,  grande influência. Em razão disso, o divórcio só foi aprovado em 2004, sendo o Chile um dos últimos países que considerava o casamento como vínculo indissolúvel.




























Vi , em Santiago, lojas com interessante comércio de roupas para trabalhadores. Eram uniformes para todos os gostos, tamanhos e especificidade de profissões - de babás a motoristas. Não me surpreendeu por tratar-se de um país onde os escolares, de diferentes níveis, andam impecavelmente uniformizados, até com gravata azul-marinho.




























O Museo Colonial San Francisco , cuja entrada para senior tem 50% de desconto, tem , em seu acervo, importante coleção de pinturas do período colonial  e de painéis que mostram a vida de São Francisco de Assis e a genealogia e  história da Ordem Franciscana. Pode-se caminhar pelos jardins que circundam o museu e observar a parte externa do belo edifício que o abriga.Faltou-me tempo para visitar outros museus muito interessantes, como o Museo de La Solidariedad Salvador Allende e o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos - bom motivo para retornar.




























Com entrada pela ponte Pedro de Vadivia, o Parque das Esculturas , à margem norte do rio Mapocho, exibe esculturas de artistas chilenos, expostas a céu aberto, tem uma sala de exposições com mostras permanentes e transitórias e , em seus gramados e jardins, recebe a população de pessoas que perto dali estudam e trabalham. Lugar bem agradável de visitar.






















Santiago tem 7 milhões de habitantes - o Chile todo tem 17 milhões. Já pela limpeza e organização  das cidade, já pela boa educação que se percebe nos chilenos, pode-se intuir que os problemas internos estão sendo enfrentados, com possibilidade de melhora. O Chile me passa uma imagem de seriedade, de polidez, de trabalho - meio caminho para um projeto de bem-estar social.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Chile: revendo Santiago

Prédio dos Correios





















Há 41 anos, minha amiga Gladys Almeida Schlüter e eu estivemos alguns dias em Santiago, depois de atravessar, de carro, pela primeira vez, a Cordilheira dos Andes. Inesquecível essa viagem, entre outros motivos,  porque eu estava com três meses de gravidez e precisei de repouso logo na chegada. Um susto! Conseguimos, mesmo assim, fazer todos os tradicionais  passeios pela capital chilena . Lembro-me bem de ter levado daqui roupas lindas - todas branquinhas -  para o bebê , cujo sexo, até então, só se ficava sabendo quando a criança nascia.



Desde o Cerro Santa Lucia




















Lembro-me bem da minha primeira imagem da Cordilheira : parecida com essas montanhas de papel amassado e multicolorido , que se faz em presépios de Natal. Indescritível beleza. ( A foto ao lado foi feita hoje, no alto do Cerro Santa Lucia. Apesar da visibilidade não estar boa, pode-se ver , ao fundo, a mesma Cordilheira que tanto me encantou em todas as vezes em que aqui estive.)



Praça de Armas








































Retornei, ao longo desse tempo, só mais duas vezes ao Chile, sendo esta, portanto, minha quarta viagem a este país que surpreende e encanta, mas não é frequente em nossas agendas de viagem. Realmente deveríamos vir ao Chile com mais frequência e andarilhar por seus 4.700 km de extensão com largura média de 180 km, chegando, no trecho mais estreito, a 70 km de leste a oeste.  Todo o seu território é três vezes o estado de São Paulo, mas tem uma diversidade muito acentuada: o norte, com  deserto; o centro, com grandes cidades e o sul, com muito gelo. As geleiras da Patagônia alcançam 12 mil anos. A quantidade de vulcões chega perto de  3 mil - e alguns ainda mostram sua força e podem nos assustar. 



La Moneda





















A história chilena, tanto remota quanto recente, tem muitos pontos de contato conosco e, com certeza, por isso  nos emociona tanto. Como exemplo, basta relembrar os confrontos entre  hispânicos e indígenas e , bem mais tarde, entre conservadores e socialistas, que resultaram  no suicídio do presidente Salvador Allende e no golpe militar que fez presidente a Augusto Pinochet.



Museu de Arte Colonial de San Francisco





















Os chilenos são elegantes,  gentis e educados; a comida é muito boa,  e o vinho dispensa comentários. Falam um espanhol agradável de ouvir, mas, algumas vezes, difícil de entender pelos palavras diferentes das usadas no espanhol rio-platense, que é bem mais nosso conhecido. Com uma maravilhosa família chilena, que encontrei no Egito, aprendi a expressão al tiro, que estou usando com frequência...al tiro! Rapidamente.



Detalhe da Catedral de Santiago








































Santiago, a capital, cortada pelo rio Mapocho , é uma cidade agradável e com muito o que ver, a começar pela Cordilheira dos Andes - avistada quando a poluição permite. Com mais de 7 milhões de habitantes, cadeias famosas de hotéis, históricas igrejas, excelentes restaurantes, um belo artesanato,  muitas livrarias, galerias de arte e museus, arquitetura fantástica, transporte público de boa qualidade, pista de esqui a 40 km e vinícolas ainda mais perto, é preciso ainda mais? Se for preciso mais, pensem em Neruda, Gabriela Mistral, Violeta Parra  e nas  atrações que podem ser vistas em dois ou três dias - acredito, entretanto , que bom mesmo era estar durante alguns meses aqui e poder percorrer todo o país. Eu realmente gostaria de morar um pouco por aqui.




Centro Cultural da Palacio de La Moneda





















Ainda tenho muito o que escrever sobre Santiago, mas é tarde.  Estou com sono. Iremos para o aeroporto às 05horas. Em San Pedro de Atacama, escreverei mais. Vou dormir, cantarolando:

"Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
perfecto distingo lo negro del blanco,
y en el alto cielo su fondo estrellado,
y en las multitudes el hombre que yo amo.











































Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
graba noche y día grillos y canarios,
martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
y la voz tan tierna de mi bien amado.
................................................................
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto,
y el canto de todos, que es mi propio canto."



terça-feira, outubro 16, 2012

" Andar,andar, andei..."



Tudo pronto!
envelope com documentos;
uma só mala para mim e para Ronald;
mochila com poucas coisas e ....
lá vamos nós.
Primeira parada, Santiago, a bonita capital chilena;
depois,  Deserto de Atacama - primeira vez que o visito ;
por último,  Buenos Aires das minhas muitas recordações.
Agradeço ao Cosmos minha paixão por viajar - se existe a paixão,
sempre se dá um jeito de ir.

"Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu..."

Fernando Pessoa

sábado, outubro 06, 2012

Vamos a Rivera?



















A pergunta-título é frequente em conversas dos moradores da fronteira do Rio Grande do Sul. O Uruguai é realmente um país-irmão ou um vizinho-amigo. Nele, compravam-se as roupas de inverno para toda a família e muitos apetrechos , incluindo o tradicional poncho azul, para todos os gaúchos do campo. Com o surgimento dos free shops, o fluxo de compradores aumentou e diversificou-se. Já não se compram unicamente botas; compram-se tênis de grifes internacionais. Compram-se queijos , doce de leite, bebidas, enlatados, roupas, perfumes e muchas cositas más. De viagra a chocolate suiço.





















Nem importa  tanto a cotação do dólar. Importa a parrillada, a sonoridade da língua espanhola, os amigos de muitas cidades que  encontramos lá, principalmente nos sábados ou nos feriados nacionais daqui. Importa o agradável passeio que se pode fazer. Sinto-me, realmente, indo para o exterior, ainda que percorra pouco mais de 100 km para chegar a Rivera. Ontem , estive lá, porque fui a Livramento fazer outro passaporte.

                                                                                   



















A novidade da vez foi o Free Shop , cuja loja-âncora é a tradicional Sineriz. O shopping é grande, num local agradável, fora das ruas principais, com amplo estacionamento. Parece não estar ainda totalmente concluído. Algumas coisas , entretanto, são lamentáveis, com destaque para a escolha musical. O tempo todo em que lá estive, precisei suportar música brasileira sertaneja. O Brasil tem excelente produção musical - MPB boa não falta. Se preferem música regional, o RGS tem músicas de boa qualidade também. Fazer compras ouvindo sertanejo é desanimador. Não interessa se é sertanejo primário, secundário, universitário, as letras e a linha melódica dor-de-corno é deprimente. 




















O Uruguai não precisa disso. Nem nós. Já basta fazer compras nos supermercados da nossa região sendo agredida por música alta e de má qualidade. Gostaria de saber quem orienta os estabelecimentos comerciais nessas escolhas. É música para cortar os pulsos, não para comprar.
Observei também um certo descuido com os banheiros, que estão novos , mas não estão bem limpos - precisam de Bom Ar ou equivalente. Outro fato lamentável - externo, todavia, ao Shopping - é o descuido com as áreas de estacionamento. Vi embalagens plásticas  e  latinhas de refrigerante e de cerveja jogadas no chão. Muito feio isso.





















Coincidentemente, quando estávamos a caminho de Livramento, passou por nós um carro - um bom carro - com uma família de cinco pessoas. Surpresa, vi o homem jogar, pela janela,  uma garrafa plástica na estrada e , logo depois, a mulher jogar uma caixa de papelão. Senti pena das crianças com esse exemplo predatório, sem educação e sem consideração com o meio-ambiente. Depois, elogiamos a limpeza das ruas e das estradas de outros países - onde, certamente, são limpos porque ninguém lá faria uma grossura dessas. Triste mesmo, mas  fácil de melhorar, se cada um fizer a sua parte ou se houver política definida e aplicável para esses casos.


























Voltando ao shopping, lá tem mais o que ver, além da  ampla e diversificada Sineriz. A Ta-Ta , também tradicional loja uruguaia, está no mesmo prédio e é um misto de loja com supermercado, vendendo produtos de limpeza, pães, verduras, carnes e muito mais. O espaço destinado a  alimentação me pareceu bom. Os atendentes, gentis e disponíveis. Os preços, normais.Tomei um café com pasteizinhos, muito bem preparados, na cafeteria Punta Ballena, onde o pessoal  também se mostra eficiente e cortês.Voltarei, na próxima semana, a Livramento para buscar meu passaporte, na Polícia Federal.





















Não deixarei de ir, ainda que rapidamente, a Rivera. São pequenas viagens que se faz com grande alegria. Vale o movimento, o ir-e-vir , o aproveitar cada dia , pois:

"O próprio viver é morrer, 
porque não temos um dia a mais na nossa vida 
que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela"
Fernando Pessoa



sexta-feira, setembro 28, 2012

" Foi o Vinte de Setembro..."


















Pela primeira vez, escrevo sobre uma festa em que não estive. Mas o Vinte de Setembro, em Alegrete/RS, é festa de todos os anos...e, em outros anos, já assisti a ela. Sei como é - uma belezura! E, em 2013,  prometo a mim mesma estar presente. Consiste, realmente, num dos maiores - até deve ser o maior - desfile de cavaleiros e amazonas que se faz em todo o mundo. E não estou contando grandeza!



















São mais de oito mil cavalos, encilhados e com gente em cima, que desfilam pela cidade, num longo percurso, sendo aplaudidos e fotografados por muitos. Bem... o cheiro que fica na cidade, embora diferente, é tão forte quanto o que fica na Bahia depois do carnaval. Pelas fotos, vi que continuam a desfilar muitos velhos gaúchos, a cada ano mais velhos ( estou me especializando em escrever óbvios) e crianças, que distribuem sorrisos e acenos do alto da passarela que as conduzem com segurança.



















Famílias inteiras desfilam, incluindo jovens criados na cidade  e sem vivência campesina. Bonito de ver a postura deles, tão  certos de que representam um Estado culturalmente muito forte. Desfilam também cenários e cenas do cotidiano rural antigo e/ou atual, como, por exemplo,  o carreteiro - não o arroz, mas o próprio que vai com a carreta , puxada a bois; o bolicho, com seu dono, o bolicheiro, vendendo rapaduras e  alguma bebida leve e branca; as prendas, moças bonitas e já não tão casadoiras como antigamente, mostrando suas roupas tradicionais delicadamente coloridas.




















Não desejo ideologizar essa festa - muito menos construir discursos sobre ela. Por mim , podem  maragatos e chimangos exibirem-se à vontade durante a  Semana Farroupilha, uma semanana de igualdade e fraternidade.  Melhor a confraternização, ainda que passageira,  do que o enfrentamento constante e agressivo. Sou bem brasileira. Gosto do meu País. Sou bem gaúcha. Gosto do meu Estado. Tenho forte identidade regional , principalmente no acento linguístico característico de fronteira e no gosto pelas atividades do campo.



 

















Acredito que as identidades regionais , com o passar dos anos, fortalecem-se, aprofundam-se, reforçam-se  e  modificam-se também. Importante que não se percam e que apareça o sentido de pertencimento e  que ele aflore, mesmo como resistência, neste mundo massificado, onde uma bruma  triste faz com que todos pareçam iguais, em meio a brutais diferenças.



Muito obrigada à familia Marcanth pelas cessão das fotos.



















Aqui, no Rio Grande do Sul, temos muito o que exibir e do que nos exibir : música, culinária, vestuário, paisagens, histórias e História.  E temos o Alegrete, tão particular e tão característico.   As coisas ruins do Estado...bem ...não é hora, nem dia, nem semana de falar sobre elas. Olhando as fotos postadas aqui, feitas por Vinicius Marcanth, filho da Fátima , que é filha do famoso fotógrafo Jorge Marcanth - uma família de gente que tem olhos para ver  e o faz com precisão e sensibilidade - sinto a mais difícil das saudades ,  a saudade da festa que não vi e dos momentos que não vivi e " nada do que for , será...."