sexta-feira, setembro 28, 2012

" Foi o Vinte de Setembro..."


















Pela primeira vez, escrevo sobre uma festa em que não estive. Mas o Vinte de Setembro, em Alegrete/RS, é festa de todos os anos...e, em outros anos, já assisti a ela. Sei como é - uma belezura! E, em 2013,  prometo a mim mesma estar presente. Consiste, realmente, num dos maiores - até deve ser o maior - desfile de cavaleiros e amazonas que se faz em todo o mundo. E não estou contando grandeza!



















São mais de oito mil cavalos, encilhados e com gente em cima, que desfilam pela cidade, num longo percurso, sendo aplaudidos e fotografados por muitos. Bem... o cheiro que fica na cidade, embora diferente, é tão forte quanto o que fica na Bahia depois do carnaval. Pelas fotos, vi que continuam a desfilar muitos velhos gaúchos, a cada ano mais velhos ( estou me especializando em escrever óbvios) e crianças, que distribuem sorrisos e acenos do alto da passarela que as conduzem com segurança.



















Famílias inteiras desfilam, incluindo jovens criados na cidade  e sem vivência campesina. Bonito de ver a postura deles, tão  certos de que representam um Estado culturalmente muito forte. Desfilam também cenários e cenas do cotidiano rural antigo e/ou atual, como, por exemplo,  o carreteiro - não o arroz, mas o próprio que vai com a carreta , puxada a bois; o bolicho, com seu dono, o bolicheiro, vendendo rapaduras e  alguma bebida leve e branca; as prendas, moças bonitas e já não tão casadoiras como antigamente, mostrando suas roupas tradicionais delicadamente coloridas.




















Não desejo ideologizar essa festa - muito menos construir discursos sobre ela. Por mim , podem  maragatos e chimangos exibirem-se à vontade durante a  Semana Farroupilha, uma semanana de igualdade e fraternidade.  Melhor a confraternização, ainda que passageira,  do que o enfrentamento constante e agressivo. Sou bem brasileira. Gosto do meu País. Sou bem gaúcha. Gosto do meu Estado. Tenho forte identidade regional , principalmente no acento linguístico característico de fronteira e no gosto pelas atividades do campo.



 

















Acredito que as identidades regionais , com o passar dos anos, fortalecem-se, aprofundam-se, reforçam-se  e  modificam-se também. Importante que não se percam e que apareça o sentido de pertencimento e  que ele aflore, mesmo como resistência, neste mundo massificado, onde uma bruma  triste faz com que todos pareçam iguais, em meio a brutais diferenças.



Muito obrigada à familia Marcanth pelas cessão das fotos.



















Aqui, no Rio Grande do Sul, temos muito o que exibir e do que nos exibir : música, culinária, vestuário, paisagens, histórias e História.  E temos o Alegrete, tão particular e tão característico.   As coisas ruins do Estado...bem ...não é hora, nem dia, nem semana de falar sobre elas. Olhando as fotos postadas aqui, feitas por Vinicius Marcanth, filho da Fátima , que é filha do famoso fotógrafo Jorge Marcanth - uma família de gente que tem olhos para ver  e o faz com precisão e sensibilidade - sinto a mais difícil das saudades ,  a saudade da festa que não vi e dos momentos que não vivi e " nada do que for , será...."

domingo, setembro 23, 2012

Para pessoas...Pessoa

Jacus na Bela União
"Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"
Fernando Pessoa

quarta-feira, setembro 19, 2012

"Andar,andar,andei "




O retorno dos Estados Unidos foi longo, demorado, cansativo. Carro,ônibus,avião,carro. Paxton/Champaign/Chicago/Atlanta/Brasília/Porto Alegre/ Bela União. Muito tempo fora, muita bagagem,cansaço total. Sílvio Etchepare, nosso querido e solidário amigo, esperou-nos no aeroporto e , com ele, fizemos a última e mais difícil parte da viagem - cinco horas do aeroporto à fronteira com Alegrete. Encontrar meu irmão e meu sobrinho Cléber, desfazer malas, entregar presentes,  separar e ordenar roupas e objetos, contar e ouvir novidades...foi tudo de bom! A próxima viagem já está delineada: Deserto de Atacama. Sem perda de tempo, pois pode faltar tempo de vida.



"Partir!
Nunca voltarei.
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia."
Fernando Pessoa

segunda-feira, setembro 17, 2012

Cahokia : A Cidade do Sol



Minha imagem de Illinois estava presa à imagem dos campos planos e das grandes lavouras de milho e soja, que , diariamente, vejo nas proximidades de Paxton. Viajar para o Sul desse estado - depois de parar no outlet de Tascola para comprinhas dos indispensáveis supérfluos - fez-me descobrir , ao longo do rio Mississippi, campos diferentes, com florestas e colinas, que propiciaram nuances históricas também  diferentes daquelas com as quais eu mais convivo.


                                                                         


Esse desenho dos campos, com lugares de estratégica visão e com possibilidade de monitorar o movimento dos rios Mississippi e Missouri ,  atraiu inicialmente os índios e, posteriormente, comerciantes e missionários franceses. Os índios, é óbvio, vieram bem antes e deixaram as marcas que nos levaram à visita feita ao Cahokia Mounds State Historic and World Heritage Site, a 145 km ao sudoeste de Springfield, onde estão os vestígios do maior assentamento pré - histórico indígena norte-americano, ao norte do México : a Cidade do Sol.























O GPS nos orienta direto para o museu, que, na verdade, não é museu, é um bonito Centro Interpretativo do sítio arqueológico de Cahokia ( foto 1), sítio reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Mapas, desenhos, figuras, reprodução de casas, cerâmicas e documentários em vídeo mostram, além de informações dos primitivos habitantes  descobertas no local, as etapas do  trabalho  realizado , ao longo de vários anos, por dedicados arqueólogos.



 



















O sítio possui mais de uma centena de montículos feitos de terra e madeira que , no conjunto, mostram a organização das pessoas que nele viveram seu apogeu, no período compreendido entre 1050 e 1250.A distribuição deles indicava ,ainda, um calendário solar, que demarcava as estações.O Monks Mound ( foto 3) , que cobre 6 ha e atinge a uma altura de até 30 metros, tem o topo achatado, onde se pode chegar , subindo por escadas, e de onde se tem fabulosa visão panorâmica dos vales próximos e dos arco de St.Louis (MO).























Cahokia Mounds State Historic Site é a afirmação mais abrangente das civilizações pré-colombianas na região do rio  Mississippi. É um exemplo de estruturação pré-urbana ,  uma oportunidade de estudar, através da distribuição dos Mounds, um tipo de organização político-social e econômica , não explícito em fontes escritas.






















É interessante observar que a base econômica dessas comunidades era a cultura do milho - muito importante, até hoje, para o estado de Illinois. " O sítio arqueológico de Cahokia, assim chamado por uma subtribo da Illini que ocuparam a área quando os franceses chegaram, serve como um ponto de referência para o estudo das civilizações pré-colombianas na área do Mississippi de aproximadamente 900 a 1600....























...Dentro da vasta zona de planícies e planaltos a ocupação da terra e do desenvolvimento da população sofreu uma evolução original durante a última fase da pré-história, uma vez caracterizada por avanços agrícolas e por um sistema social que favoreceu a concentração urbana....


 


















......Antropólogos estimam uma população sedentária de uma média de 10 mil habitantes, cuja organização social e profissional, estilo de vida e ritos funerários foram trazidos à luz por uma série de escavações". Embora muitas informações tenham sido obtidas, permanece, como mistério, o motivo que levou ao desaparecimento dessa população.






















No Centro Interpretativo, vídeos são constantemente exibidos. Tours são organizados para escolas e para grupos de visitantes. Há um espaço para venda de artesanato indígena e jóias com inspiração na cultura nativa,  variedade de souvenirs e  livros, em 13 línguas, incluindo Braille. Cahokia Mounds está localizado em Collinsville, Illinois, nas estradas Interstates 55/70 e 255, há quinze minutos do lado leste de St. Louis, Missouri. Informações podem ser obtidas em www.cahokiamounds.com

terça-feira, setembro 11, 2012

De Pessoa para pessoas





"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do
abismo. 
Não sei onde me levará, porque não sei nada. 
Poderia considerar esta estalagem uma
prisão, porque estou compelido a aguardar nela;
poderia considerá-la um lugar de sociáveis,
porque aqui me encontro com outros. 
Não sou, porém, nem impaciente nem comum.



                    


Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. 
Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e
canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.




Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência.
Gozo a brisa que me dão e a alma que
me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro.

Se o que deixar escrito no livro
dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. 

Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."

Fernando Pessoa

segunda-feira, setembro 03, 2012

Pequenas Viagens, grandes conhecimentos!

Antiga Casa de Governo em Vandalia























Mover-se no mundo não implica apenas grandes viagens. Implica mover-se até onde é possível, considerando todas as interferências e dificuldades de tempo, gosto e dinheiro. Mover-me , para mim, é vital. Quando morava  em Alegrete, era uma festa ir a Quaraí, São Francisco, Uruguaiana e todas as demais cidades dos arredores. Ir a Artigas, Rivera e Paso de los Libres, então , tinha o sabor de uma viagem internacional. Morando em Santa Maria, organizei um programa para conhecer a região central - e gostava muito de subir a serra nos finais de semana.









































Trabalhando, durante um ano,  na UPF, amei visitar muitas cidades que eu não conhecia, como Serafina Correia e Selbach.  Nos seis anos em que fiz assessoria,  na SEC e na UFMS, em Campo Grande, ao programa de formação de professores-índios, tive dois fantásticos companheiros de andarilhagem - os  doutores Gilson Martins e Marina Vinhas. Conheci todo o MS, da Cabeceira do Pantanal às suas maiores e menores cidades.























Em Roraima, nem se fala! Nos dezessete anos em que viajei a trabalho para lá, conheci cada canto daquele maravilhoso Estado, desde quando era Território. Em Rondônia, fiz maravilhosas viagens de barco pelos rios Madeira e Marmoré. Inesquecíveis. Também visitei muitas cidades lá, nos intervalos das aulas de cursos em que atuei. O mesmo aconteceu com muitos outros Estados. Morar  na Bahia foi, então,  uma bênção especial. Deixei lá amigos, afilhados e meu filho caçula. Trouxe saudade e muito conhecimento dessa parte do Brasil. Foram sete anos de venturas e aventuras.



Capitólio de Springfield




















Há vários países que conheço razoavelmente , como a Itália por exemplo. Quando eu queria demonstrar, aos próprios italianos, que a conhecia muito bem, dizia : conheço até Tolfa - levada pela minha amiga Lídia -  o que ocasionava surpresa ou  a pergunta: onde fica essa cidade? Tudo isso  é para contar que , nos Estados Unidos, também continuo fazendo listas de cidades que conheço ou que desejo conhecer. Tarefa difícil já que, só em Illinois, são 1174 cidades. Estou, entretanto, lutando para conhecê-lo bem, com a diversidade - geográfica, histórica e cultural - de cada estado, que mais parecem países dentro de um grande país.



Abraham Lincoln - Springfield




















Uma das minhas últimas andarilhagens foi a Vandalia, uma pacata e pequena cidade com um bonito passado histórico.  Em 1819, o Congresso doou terras para o novo estado de Illinois, destinadas à localização de sua capital. A área, bastante  arborizada,  da margem oeste do rio Kaskaskia foi  a escolhida, e muitos trabalhadores começaram logo a tarefa de construir ali  uma cidade.
Vandalia tornou-se a  capital de Illinois em 1820.




Naperville - Illinois




















Durante o governo do estado, no tempo em que esteve  localizado em Vandalia, os legisladores promulgaram um ambicioso programa de obras públicas e promoveram  o desenvolvimento econômico e cultural da região. Foi em Vandalia que Abraham Lincoln iniciou sua carreira como político e advogado. Mais tarde, por questões de poder político, a capital de Illinois foi transferida para Springfield, onde se encontra até hoje.








































Depois de cinco meses nos Estados Unidos, estou organizando minhas bagagens para partir. A primeira bagagem é pesada e carregada de afeto em forma de presentes. A segundo não pesa, mas é muito grande, carregada de informações, bonitas lembranças e tentativas de aprofundar a compreensão deste mundo diverso e complexo.



Ronald e Daniel, seu pai adotivo.



















Acredito, entretanto, que informações , conhecimentos e experiências pouco servem se não nos ajudam a ser gente melhor - gente boa mesmo, principalmente sem preconceito com pessoas ou povos.


"Não quero a noite
senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir."


Fernando Pessoa


Ronald e  sua irmã  Nina


segunda-feira, agosto 27, 2012

St. Louis - MO e o Gateway Arch-Jefferson

Ponte sobre o Mississippi





















Sou apaixonada por rios e lagos, por água parada ou água em movimento. Meu desejo de ir a St. Louis, cidade do estado de Missouri, concentrava-se em ver o rio Mississippi - e  vi. E andei de barco por ele. E fiz fotos dele.Lindo. O Mississippi é o segundo rio mais longo dos Estados Unidos,só perdendo para o rio Missouri, seu afluente. Juntos, somam mais de seis mil km e formam a terceira maior bacia hidrográfica do mundo - a 1a. é a bacia Amazônia.



Ponte em construção








































Nasce no lago Itasca, em Minnesota e corta ou margeia dez estados americanos. As maiores cidades , ao longo do Mississippi , cujo nome significa Grande Rio ou Pai das Águas , são: Minneapolis, Sain Paul, Memphis, New Orleans e Saint Louis. Dada sua importância e beleza, o rio está bem presente em canções, como Big River de Johnny Cash, Louisiana de Randy Newman ,When the Levee Breaks dos Led Zeppelin. e Moon River do filme de 1961 Breakfast at Tiffany's. Na região em que estive, o Mississippi separa o estado de Illinois do estado de Missouri, tendo, de cada lado dele, as cidades de St.Louis (IL) e St Louis (MO). Várias pontes fazem a ligação entre essas duas cidades e estradas desses dois estados, pontes antigas que mostram interessante arquitetura.



Vista do Arco a partir do Mississippi







































Uma nova ponte está sendo construída - as obras estão iniciadas, igualmente, nas duas extremidades. Na segunda foto, a construção vista a partir desse rio, num passeio feito em barco, com uma hora e meia de duração. Depois de ver o rio, fui, aos poucos, conhecendo St.Louis (MO), uma cidade  bem falada aqui na região. Não imaginava, entretanto, que me encantaria  com essa cidade, fundada, em 1764,  por um francês, comerciante de peles, e  localizada ao sul do lugar onde o Missouri deságua no Mississippi e que só se tornou parte dos Estados Unidos com a compra da Louisiana em 1803. St.Louis (MO) tornou-se o Portal para o Oeste, pois por ali entravam os barcos que iam, pelo rio Missouri, nessa direção. Hoje, é uma cidade turística, movimentada e bonita.



Elegância do Arco de 192 m de altura


























A grande atração dessa cidade é mesmo o Gateway Arch-Jefferson National Expansion Memorial , o famoso Arco, que se situa num parque fantástico e que simboliza o local de entrada do colonizado leste - Califórnia e Oregon principalmente - para as inexploradas terras do oeste. Localizado no lugar original onde, em 1764, o comerciante de peles Pierre Laclede deu início ao acampamento que originou a cidade, o Gateway Arch tem 192 metros de altura e um dos elevadores mais fantásticos do mundo - citado entre os quinze mais fantásticos, ele é o quinto . Essa última informação me foi enviada por Hemerson Ramos, meu amigo residente em Dublin .Thanks!



Courthouse vista do topo do Arco







































O elevador do Gateway Arch tem oito cabines que comportam cinco pessoas em cada uma delas, separadamente. Fomos encaminhados para a frente de onde estavam nossos lugares - cabine no.2. Quando as portas se abriram e saíram os passageiros anteriores, acomodamo-nos, as portas foram fechadas  e fomos levados - 192 m acima - até uma parte plana, no topo do arco, com oito " janelinhas" de cada lado, de onde tivemos uns cinco minutos para fazer fotografias. Há também escadas internas com 1076 degraus, para uso de pessoal especializado somente. De um lado era possível fotografar, pelo vidro, é claro, a cidade de  St. Louis ( IL ) ; pelo outro lado, St.Louis (MO). A vista é incrível. Apesar do medo, consegui fazer algumas fotos - naturalmente meio tremidas porque eu tremia um pouco e ria de assustada.



Vista de St. Louis ( IL) do topo do Arco




















Muito interessante a vista que se tem de dois espaços que, por diferentes razões, são importantes para a cidade. O primeiro é o onde se localiza a majestosa Old Courthouse, um dos prédios mais antigos de St. Louis (MO).Ali, ocorreu o julgamento inicial de Dred Scott, que aprofundou, em 1857, com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos,  as diferenças raciais no país, e que contribuiu para a eclosão da Guerra Civil , iniciada em 1861.



Do topo do Arco, vista do Estádio do Cardinal




















O segundo espaço , mais contemporâneo e leve, é onde está o vermelho estádio do Cardinal, time de baseball , esporte muito popular aqui, entre crianças e adultos e cujas regras são para mim um verdadeiro mistério! Em tyoda a cidade é possível comprar camisetas, cheveiros e mil coisas com a figura do nosso conhecido cardeal , pássaro de rara beleza, com sua crista vermelha . Nos jogos do Cardinal, torcedores de diferentes regiões se deslocam para St.Louis onde, além do jogo, são apresentados diferentes e alegres shows.



Eero Saarinen e seus objetos de estudo







































O Arco, que é todo de aço e pesa mais de 17 mil toneladas,  foi iniciado em fevereiro de 1963 e concluído em outubro de 1965. O projeto arquitetônico dele é de Eero Saarinen, filho do arquiteto finlandês Eliel Saarinen. Eero estudou na Universidade de Yale e foi responsável  pelo desenvolvimento de projetos vanguardista entre eles, esse de St.Louis(MO). Apesar de ter morrido com 51 anos, recebeu muitos prêmios por seus inovadores trabalhos. Muitas fotografias dos estudos e experimentos de Eero podem ser vistas nos museus e nos espaços do Arco. Bem interessantes. Também vi muitos cartazes com diferentes representações desse Arco no Parque onde ele está situado: crianças pulando corda, cestas de frutas, cestas de flores. Imagens criativas e bonitas.



Quadro do Museum of Westward  Expansion





















O Museum of Westward  Expansion, que está na base do Arco, mostra elucidativas cenas e históricos objetos representativos da entrada para o Oeste, com muitos detalhes da expedição de 1803/1806 de Meriwether Lewis e William  Clark. Esses exploradores subiram o rio Missouri , viajando de barco. Depois, viajaram a pé, pelos estados de Montana e Idaho. Eram acompanhados pelo famoso guia indígena Sacagawea e seu filho pequeno. O total do percurso foi de oito mil quilômetros, pois chegaram até a Costa do Pacífico.



Parques com belos lagos





















Há muito o que ver em St.Louis ( MO) . Parques , como o do Arco e o Forest Park, este último, com 526 hectares , é um dos maiores do país; um bairro de restaurantes e de entretenimento - Lacjede´s Landing - onde antes eram armazéns de algodão, comida e tabaco; o St. Louis Art Museum, que inclui obras de artistas nacionais e regionais; a famosa cervejaria , fundada em 1860 por imigrantes alemães, a Anheuser-Busch Brewery, que criou a marca Budweiser lager; o Missouri Botanical Garden , que possui um jardim japonês, um jardim inglês e um jardim aromatizado; o bonito campus da universidade, com interessante arquitetura e com muitas esculturas espalhadas por seus jardins.

Sorriso nervoso no alto do Arco.




















Além disso, muitas flores e ávores  nas ruas;
diversificados  restaurantes e cafeterias;
muitos lugares para compras -
de onde fugi rezando um Pai Nosso:
 ....não nos deixeis cair em tentação!
Cidade para ver e retornar.


segunda-feira, agosto 20, 2012

Festa de Família em Remington




















Além de todas as andarilhadas rápidas pelas cidades vizinhas - Rantoul , Champaign, Decatur, Tuscola, Shelbyville, Pana, Taylorville, Mattoon e outras mais - no último fim de semana, fomos a Remington, no estado de Indiana, numa festa de família. Nessa festa, depois do almoço, que estava excelente, teve um momento que me comoveu muitíssimo : a apresentação do coral , integrado por toda a família e liderado por seis irmãos - três mulheres e três homens, todos ao redor de oitenta anos, com vozes educadas e afinadíssimas. 




















Cantaram oito hinos - religiosos, é claro - iniciados, aleatoriamente, por um dos participantes. Que vozes! Que harmonia! Emocionante mesmo. Inesquecível. Para alguém, como eu, que deseja um dia poder dizer que realmente conhece os Estados Unidos, essas manifestações culturais de diferentes lugares constituem valioso acréscimo.

"Flor que não dura 
Mais do que a sombra dum momento 
Tua frescura 
Persiste no meu pensamento."
Fernando Pessoa





















Ontem, bem cedo, partimos de Paxton e chegamos a Cahokia, um lugar fantástico, sobre o qual farei um post ainda nesta semana.

"Deuses, forças, almas de ciência ou fé,
Eh! Tanta explicação que nada explica! "

Fernando Pessoa

Após visitar essa área, já no início da noite, chegamos a St. Louis , principal cidade do estado de Missouri, onde permaneceremos por dois dias. É uma bela cidade. Escreverei outro post sobre ela.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Family Reunion/2012

Todos os anos, Ronald e eu participamos, em Illinois, de duas reuniões anuais de família: a Reunião dos Kupferschmid - the foster family of Ronald -  e a reunião dos Mckinney , the biological family.  
A reunião da família Kupferschmid aconteceu em junho último, com a presença de todos os filhos, vindos de diferentes países e de diferentes estados - com mais idade, entre os participantes, estão Daniel e Lora, os amorosos pais/avós/bisavós.







Na reunião dos Mckinney ( Vaughn ), os mais velhos somos Ronald e eu - com 20 ou 30 anos, eu não acreditava que esse dia de mais velha ia chegar! Em comum, nas duas reuniões , muitas crianças e muitas histórias novas, além da preparação de muitas comidas. Os participantes trazem também seus jogos preferidos e encontram parceiros entre os parentes. 




Essas reuniões  acontecem anualmente, no verão, durante um dia inteiro, quase sempre, aos domingos, em parques públicos - a de ontem foi no belíssimo Parque Kitchell, na pequena e simpática cidade de Pana. Apesar da falta de chuvas - estamos presenciando uma das maiores estiagens dos últimos quarenta anos - o Parque está bastante verde, com grandes árvores, parques infantis, muitas flores e equipamentos para receber vários grupos ao mesmo tempo.  


Os vários quiosques do Parque, que precisam ser agendados, com antecipação, dão condições para preparar e servir refeições. É claro que, como em qualquer festa neste país,  tem hamburguer, cachorro-quente, batata frita, saladas diversas, muita maionese e tortas doces. Nota-se também presença de comidas mexicanas.





Gosto de observar o comportamento das crianças, que bem refletem a cultura familiar e local. Meninos e meninas, por exemplo, brincam juntos e intercambeiam brinquedos. Duas meninas emprestaram para dois meninos , seus primos, as bonecas e os carrinhos delas, porque preferiram fazer acrobacias num escorregador bem alto. Os meninos, assumiram-se como pais e demonstraram o mesmo cuidado com os bebês que vi alguns pais demonstrarem. 


Como era Dia dos Pais no Brasil, fiz algumas fotos para mostrar essa preparação paterna, tão bonita de se ver e que, tanto quanto eu sei, não é generalizada nem aqui, nem em outros países.  Como escreveu a Janete França Barbosa , no FB hoje, o que está dentro de ti é o que se materializa.


A tradição das reuniões anuais de família  é um acontecimento que me dá uma certa inveja. Não é uma tradição nossa, brasileira. Quando mesmo, com raras exceções,  que as famílias - incluindo avós, tios, tias, irmãos, irmãs, primos , primas, cunhados, cunhadas - costumam encontrar-se, além de casamentos, velórios e divisões de herança?