sexta-feira, março 09, 2018

Fernando Pessoa - bom fim de semana com flores, pedras e rios.




Li hoje quase duas páginas
Do livro de um poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.







Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.






Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.






Mas flores, se sentissem, não eram flores
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.







É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores e dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.






Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente.
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era Natureza

Fernando Pessoa





terça-feira, março 06, 2018

2018 : roteiros e "gente como a gente" ....3a. Parte























O roteiro do meu último mês de permanência na Europa, em 2018/1, está parcialmente aberto. Não consegui entrar em acordo " comigo mesma " sobre o que fazer e o que ver ou rever na Espanha. Decidido  mesmo é que irei a Granada de que tanto gosto e à histórica Antequera. Nessas  duas cidades, permanecerei durante uma semana, fazendo viagens rápidas  a  duas outras  cidades da maravilhosa Andaluzia.






Decidido também está que continuarei a explorar os Pueblos Blancos. Já tenho, por essa razão,  uma reserva de hotel para hospedar-me durante uns 10 dias, em Arcos de la Frontera,   cidade a partir da qual visitarei outros  tantos Pueblos. Como essa permanência será em final de maio e início de junho, terei que considerar a temperatura, já que, nessa região, pode-se chegar facilmente até 45  graus.





Pueblos Blancos são  históricos e encantadores vilarejos ou cidades de montanha, com casas caiadas - todas muito branquinhas é óbvio - no mais tradicional estilo mouro. São muitos, com diferenças e com atrações diversas, o que torna difícil a seleção do que ver. A cada ano, elejo alguns para visitar. Adianto, entretanto, que Ronda continua sendo a minha favorita na região.







Em Arcos de la Frontera,  a mais populosa cidade da Província de Cádiz, será, como escrevi acima, minha base, a partir da qual visitarei outros  tantos Pueblos.   Em Arcos, fundada por romanos,  pode-se visitar, entre outras atrações,  o Castelo dos Duques, famoso pela sua fachada barroca e renascentista, as muralhas e, no centro histórico, os arcos de estilo gótico.






De Arcos de la Frontera, penso fazer um bate-e-volta a El Bosque, que está distante apenas 27 km e localizado ao pé da Sierra de Grazalema. Nesse pueblo, me encantaria ver os moinhos de água e o seu famoso Jardim Botânico.  É um Pueblo Blanco  que está na entrada do Parque Natural dessa Serra. El Bosque pode ser um dos caminhos para se chegar a  outros povoados que me interessam, como Ubrique, Grazalema - no centro da serra do mesmo nome - e Puerto de el Boyar.







Os Pueblos Blancos já por mim selecionados para visitar em 2018, além de Arcos de la Frontera e El Bosque,  são:  Bornos, Ubrique, Grazalema, Olvera, Zahara de la Sierra, Setenil de las Bodegas e Algodonales. Posso, obviamente,  suprimir alguns desses ou trocar por outros, à medida que for fazendo descobertas na região. É importante saber  que não existe uma rota dos Pueblos Blancos. Eles estão dispersos da costa à montanha. A  rota, cabe a cada viajante fazer a sua.





Em Bornos, sei que há uma histórica torre fortificada, construída pelos árabes,  e que  são famosos seus mosteiros, conventos e igrejas, bem como o Castelo/Palácio dos Ribera, que dizem ter um belíssimo jardim renascentista. Ainda não sei em que momento incluirei Vejer de la Frontera neste recorrido - mas quero muito ver essa cidade, que se localiza no alto de uma colina.  







Em Ubrique, o mais rico e maior pueblo da Sierra de  Grazalema,  encontram-se ruínas
da ocupação romana; em Setenil de las Bodegas estão as casas que foram construídas aproveitando a encosta; já Olvera tem fama de ser imponente e bela.     Espero surpresas agradáveis e valiosas descobertas no desenrolar deste roteiro.




   


Percebo que este esboço de roteiro está confuso e talvez sem uma consistente lógica espacial.Isso aconteceu porque me dediquei ultimamente a estudar os países da ex-yugoslávia e mais um pouco da Jordânia e deixei a última parte do meu roteiro para finalizar ainda durante a viagem. Depois de estudar mais e até mesmo depois de percorrer os Pueblos Blancos, farei, com certeza, um texto definitivo e de melhor qualidade. Prometo!

























" E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,  porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta.  E nada que se pareça com isso devia ser o sentido da vida...."

Fernando Pessoa

Em Darmsala, esperando passar o Dalai Lama.


domingo, fevereiro 25, 2018

2018 : roteiros e "gente como a gente" ....2a. Parte




No post anterior, escrevi sobre o roteiro para os primeiros 45 dias da temporada europeia/2018 - 1, basicamente na Espanha e no Leste Europeu. Realmente uma maratona! Poucos dias de descanso e, na continuidade, iremos, Isolda e eu, num voo direto da Ibéria, para Amman ( Amã ), a capital da Jordânia. Não permaneceremos, porém, apenas na capital. Faremos também algumas incursões pelo interior do país.





Amman, entretanto, não será apenas uma base para, a partir daí, explorar Petra, meu interesse maior nessa parte do Oriente Médio. Pretendo também fazer uma visita, o mais detalhada possível, a Amã, que está instalada sobre 18 colinas, todas localizadas entre o deserto e o Vale da Jordânia.






Minha lista do que ver nessa capital pode estar sofrendo superfaturamento :  de longe, fica difícil avaliar tempo e espaço. Prefiro, no entanto, fazer uma lista, ainda que  bem flexível, por ser exagerada ou incompleta,  a  perder-me  na variedade de opções oferecidas e terminar por ver muito pouco.






Da minha lista, constam:   banho turco em um hamman e uma limpeza de pele; compra de temperos e especiarias no mercado central da cidade; chá de menta e cardamomo , acompanhado de um doce de queijo; visita ao centro histórico, especialmente ao Teatro Romano e à Igreja Ortodoxa de São Jorge; caminhada pela rua Arco-Íris e ida à Galeria Nacional de Artes.






A partir de Amã, faremos viagens que justificam a viaje, como a Petra,  a Cidade Rosa, que eu já disse ser meu interesse maior. Quem viu  o filme  de  Steven Spielberg  Indiana Jones  e a Última Cruzada  deve ter visto  cenas locadas  em Petra e admirado seus magníficos monumentos esculpidos na rocha, considerados  Maravilhas da Humanidade.






Já marcamos um bate-e-volta que me parece bem importante visto que irá  ao Castelo de Ajlun, uma fortaleza construída em uma montanha em 1185, e a Jerash, uma cidade antiga, localizada a 45 km de Amã, conhecida como a Pompeia da Ásia, Nessa cidade, encontram-se as mais bem conservadas ruínas romanas do Oriente Médio.






Outras visitas e aventuras estão programadas, como ao Monte Nebo de onde se tem uma vista do Mar Morto, do lado jordaniano, e uma chegada nesse  mar, onde pretendo, fazer fotos,  molhar o pé  - nada de flutuar na água! - e comprar um creme para o rosto, que é um hidratante fantástico. 





Está programada, ainda, uma visita a Al Beida, cidade conhecida como  Pequena Petra e um passeio até Wadi Rum. No deserto de Lawrence da Arábia, certamente Isolda fará um passeio, numa 4X4 conduzida por debuínos, entre rochas e areia e em alta velocidade - passeio do qual  quero muita distância . Sou medrosa!







Como sempre acontece,  poderão surgir outros passeios, além de deliciosas comidinhas e pequenas compras - muito pequenas mesmo. Novamente pela Ibéria, retornaremos a Madrid. Minha amiga Isolda retornará ao Brasil, e eu ainda permanecerei na Espanha por mais 30 dias. Em fotos e textos, procurarei passar informações diversas, que incentivem outras pessoas a viajar.






" Ter pressa é não saber chegar.
Vou devagar.
Vou devagar porque o que é sorte,
E o que é morte,
Não as busco, não as evito,
Vem-me buscar.
Por isso vou sob o infinito
Sem me apressar."

Fernando Pessoa            




  

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

2018 : roteiros e "gente como a gente" ....1a. Parte




Estão terminando minhas férias do Correndomundo, as primeiras depois de 12 anos. Foi preciso dar um tempo após um final de 2017, marcado por perdas e tristezas. Recomeço valorizando a vida cada dia, cada hora, cada instante. Penso que a consciência de nossa impermanência neste mundo bonito e confuso, nos faz mais tolerantes e mais resilientes. Ainda bem.






Durante essas férias, olhei milhares de fotos de gente do mundo - a diversidade me encanta e comove. Selecionei, quase ao acaso,  algumas para mostrar-lhes enquanto escrevo sobre  espaços  que, no mês próximo, começo a percorrer. Serão, inicialmente, três meses, destinados a ver e a rever lugares, tanto na Europa, quanto no Oriente Médio. Sairei do Brasil rumo ao meu canto: Madrid.






Começarei, em março,  pela Espanha, porque esse país é minha paixão atual. Após me acomodar em Madrid, já tenho bilhetes e hoteis  - hoteis reservados pelo booking.com aqui mesmo no blog - para estar alguns dias em Santiago de Compostela, Pontevedra, Lugo, Ourense e Vigo.  Novo intervalo madrileño, e  nova pequena viagem - Santander, Bilbao  e Donastia ( San Sebastian ).






Início de abril, então juntamente com minha amiga Isolda, faremos o trecho Madrid / Budapeste, a fascinante capital da Hungria - com Buda de um lado do Danúbio,  Peste do outro, ligadas por fotogênicas e históricas pontes. Como diz Pedro, cidade grande, bonita, surpreendente e própria para belas caminhadas.







Não serão muitos dias em Budapeste, mas o tempo calculado é suficiente, por exemplo,  para ver o Parlamento, a comovente instalação Sapatos no Danúbio, o Mercado Central, o Museu do Terror, a Igreja de São Matias, a Galeria Nacional, a Praça dos Herois. É suficiente  também para traçar o calçadão da  Váci e  percorrer a Andrássy, tomar um café na Gerbeaud, experimentar a deliciosa comida húngara no Mercado, subir ao Monte Gellért e ouvir música cigana.








De Budapeste para  Zagreb, a capital de Croácia. espera-nos  uma viagem de 5h, daquelas que encantam os antropólogos pela diversidade dos passageiros. Na sequência, virão 30 dias, certamente  muito movimentados, percorrendo os países da Ex - Yugoslávia, visitando todos eles, não só as capitais, como também algumas cidades famosas por sua beleza e seu  legado histórico.








Partindo, portanto, de Budapeste, chegaremos aos Balcãs,  primeiro a Zagreb, a capital da Croácia e Lubljana, a capital da Eslovênia. Incluiremos desses países, além das capitais, mais  quatro cidades. De avião, iremos de Zagreb a Belgrado, capital da Sérvia.  Da Sérvia, provavelmente de ônibus, viajaremos para  Bósnia Herzegovina, país onde nos espera Sarajevo e Mostar.







O roteiro todo, desta etapa,  abrangerá  além da  Eslovênia, Croácia e Sérvia também  Bósnia Herzegovina, Montenegro, Kosovo e Macedônia. Albânia ainda não está incluída no roteiro - o que poderá acontecer mediante pequenos ajustes de tempo.







Saindo de Skopje, capital da Macedônia, percorrendo cerca 300 Km, provavelmente de trem,  entraremos no Norte da Grécia, chegando  à bíblica Thessaloniko.  Na continuidade, chegaremos a antiga Neapolis - hoje Kavala - e à casa de meus queridos amigos, Alex e Gisela, onde já estive diversas vezes e a partir de onde conheci muitas cidades e ilhas fantásticas, ainda pouco acessada pelo turismo internacional.






De Kavala, retornaremos para Madrid, via Thessaloniko/Bruxelas, pela Brussels Airlines. Faço sempre a comparação entre o companhias aéreas, observando não só o preço, mas também o tempo de duração da viagem. Compro os bilhetes  com uns três meses , no mínimo, de antecedência, conseguindo, assim, preços melhores. As passagens de ônibus eu as comprei na FlixBus. Como é a primeira vez que  uso essa empresa, ao retornar escreverei minhas impressões sobre ela.






















É necessário elaborar  detalhadamente roteiros quando se vai viajar. Deixa-se , no entanto, a possibilidade  de ajustes mesmo no desenrolar da viagem. Já passei por situações difíceis e completamente inesperadas, como a morte de meu marido numa viagem à Escócia. Embora planeje tudo com com muito cuidado, não esqueço o velho ditado: O Homem planeja, e Deus ri..."
























Na continuidade deste post, escreverei sobre os projetos de viagem para maio e junho próximos. A novidade da vez será a Jordânia. Já estou finalizando os preparativos para a viagem toda - bagagem cada vez menor e, com certeza,  cada vez menos compras. A maioria das companhias aéreas estão cobrando por malas despachadas. Ainda bem que posso viajar somente com bagagem de mão.

























Por e-mail ou aqui pelo Correndomundo, continuo a responder perguntas sobre possíveis roteiros e a oferecer sugestões visando a contribuir para que mais pessoas viajem com tranquilidade e alegria. Escolhi viagens como meu foco de militância na velhice - não importa para onde; importa mover-se.






















" Para ser grande, sê inteiro: nada
Exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe tudo quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa












sábado, janeiro 20, 2018

Enfim, Férias...


Horto das Oliveiras : Jerusalém


Acordei decidida a ter férias do Correndomundo por um mês. Voltarei, portanto, no final de fevereiro. Tenho três motivos para essa decisão,  tomada pela primeira vez, depois de 11 anos e 8 meses ininterruptos deste blog : falta de motivação, necessita de tempo para planejar detalhes das viagens de 2018 e a consciência aguda da nossa transitoriedade. 



Rio Jordão


Correndomundo começou como um blog dirigido a minha família restrita e ampliada. Aos poucos, no entanto, fui descobrindo que minha família, com exceção dos meus filhos, acessa muito pouco o que escrevo. Nem quero saber os motivos - alguns só Freud para explicar! Como não é um blog de negócios, ele me dá zero renda - sou preguiçosa até para ganhar dinheiro. Outra motivação, portanto, que não existe. 



Horto das Oliveiras


Nesse item da motivação, fui bastante recompensada pelos leitores espalhados por diferentes países, cidades e recantos -  colegas, alunos,  amigos reencontrados e outras pessoas até então desconhecidas para mim. É para essas pessoas todas que estou comunicando minhas férias - ao mesmo tempo em que lhes agradeço a alegria do companheirismo e da solidariedade.



Jerusalém


O ano de 2018 me parece muito propício a viagens que foram deixadas para mais tarde. O cronograma e o roteiro do primeiro semestre já está concluído - com  passagens e hoteis já reservados. O segundo semestre já tem a listagem de países para onde ir, faltando detalhar as cidades e fazer as reservas todas.


Grécia : Mosteiros de Meteora


Com a morte da minha irmã caçula, aguçou-se, mais ainda, minha consciência de transitoriedade e de rapidez com que passa o tempo. Não quero me cobrar, nas revisões de vida,  certamente tardias,  alguma viagem que desejei muito fazer e deixei para um vago depois... Sim, sempre ficará algo por fazer. Não acredito num final com " O campo arado, a mesa posta, cada coisa no seu lugar"  



Bilbao


Planejar viagens já é viajar. Ricardo Freire, diretor do conhecido blog https://www.viajenaviagem.com/, um dos poucos blogs mais antigos que o meu, foi perfeito nessa denominação. Viajar na viagem é o que mais faço neste momento - e preciso mais tempo para isso, mais motivação, mais pressa e menos preguiça. PS. Querido Sanz, o livro vai sair, mas em data que ainda não está marcada. Prometo que sai.




quarta-feira, janeiro 17, 2018

Amanheci assim...








"O que me doi não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão....





São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.






São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma, 
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma."

Fernando Pessoa