domingo, abril 26, 2015

Córdoba - 2a.parte


Mesquita/Catedral de Córdoba:
A Mesquita/Catedral de Córdoba é símbolo do maior esplendor da cidade e uma mostra da superposição de civilizações que se sucederam neste lugar, como se pode constatar pela  cronologia seguinte.

Campanário com seus 93 metros de altura
No ano 600, fundou-se a igreja cristã-visigoda de São Vicente, no lugar onde hoje está a Mesquita/Catedral. Em 785, o emir Abderramán I a converteu em Mesquita. De 822 a 987, fazem-se nela ampliações e embelezamentos.

Imponente e multicolorida
Em 1236, depois da tomada de Córdoba por Fernando III de Castilla, convertem-na em templo cristão. Os cristãos , portanto,  em lugar de destruí-la, decidem transformá-la. Em 2004, o Vaticano nega o pedido feito pelos muçulmanos espanhóis para celebrar ali ofícios religiosos. Hoje seguramente ela é a maior atração turística da cidade.

Entrada com magníficas  laranjeiras, oliveiras e palmeiras
Como Mesquita, é a maior do mundo islâmico no Ocidente. Sua superfície total alcança 24 mil metros quadrados. Está cercada por muralhas feitas com enormes pedras quadradas, onde se vêem muitas portas interessantes, como a Porta do Perdão, construída no século XIV, em estilo Mudejar - um estilo próprio da Espanha, um ponto de encontro entre o Cristianismo e o Islamismo.

Colunas e arcos em branco e terracota
Na terceira ampliação da Mesquita, feita pelo ministro Almanzor, em 987, que a deixou com o tamanho que hoje tem, havia 1013 colunas. Posteriormente, as reformas feitas para transformá-la em um templo cristão, deixaram-na com 856 colunas, as que se mantêm até hoje.

Dimensões impressionantes
Mesmo antes de entrar na Mesquita/Catedral, há muito o que ver, como o belíssimo Jardim das Laranjeiras, que se pode visitar gratuitamente, a qualquer hora. Também no interior desse templo pode-se entrar gratuitamente todas as manhãs - com exceção dos domingos - das 8h30min às 10h. Nesse período, não são permitidas as visitas de grupos - o que torna esse tempo mais sereno e acolhedor.

Sobriedade e beleza
Precisa-se de tempo e calma para ver, detalhadamente, sua parte interna, como as  capelas, cada uma com suas especificidades;  o coro, uma incorporação cristã de 1750, com impressionante teto barroco;o mihrab, um local de oração que  assinala a direção da Meca, destacando-se nele os cubos de mosaico de ouro - enfim, tudo o que promove a sensação de amplitude e infinitude.

Nas imagens, a delicadeza das cores.
Córdoba fez jus a tão bela mesquita. Era a maior cidade da Europa ocidental, com uma economia próspera, baseada na agricultura e no artesanato, e com uma população que chegou a 500 mil habitantes. Abderraman III ( 912 - 961 ) deu-lhe esplendor e sabedoria. A corte dele era frequentada por eruditos judeus, árabes e cristãos. Era um centro de saber econvivência na época e era também um lugar e peregrinação para os muçulmanos que não podiam ir à Meca ou a Jerusalém.

Riqueza de cores e variedade de estilos 
O que mais me impressionou na Mesquita/ Catedral foi a grande variedadede  de estilos e de gostos arquietônicos, resultado de todos os anos e de todas as culturas que se entrelaçaram na construção desse templo - lamentável, entretanto, que sua influência no sentido de harmonizar culturas e religiões não se transladou para o mundo, apesar dos esforços de sábios como o muçulmano Averrões e o judeu Maimónides, que muito lutaram para combater a ignorância e a intolerância.

A beleza das muitas portas da Mesquita/Catedral

Obs. No próximo mês, pretendo volver a Córdoba. Três fortes motivações carregam-me para lá: 1) o Festival de los Pátios Cordobeses, quando, além da escolha dos mais belos pátios particulares, há um intenso programa de concertos de Flamenco nas praças, pátios e jardins; 2) a visita ao Alcázar dos Reyes Cristianos e 3) assistir a um show com os cavalos andaluzes - contaram-me detalhes muito interessantes dessa apresentação.

Achados expostos no Templo
"Dorme, que a vida é nada! 
Dorme, que tudo é vão! 
Se alguém achou a estrada, 
Achou-a em confusão, 
Com a alma enganada."
Fernando Pessoa
Porta externa

segunda-feira, abril 20, 2015

Sevilha e Andaluzia I - Córdoba : 1a. parte

Ponte Romana no rio Guadalquivir
Comprei bilhete com minha Carta Dorada : menos 40 % ! Trem de alta velocidade (AVE), em 1h50 min, cheguei a Códoba e fui hospedar-me no Hostal Azahar, que eu havia reservado quando estava ainda no Brasil. Excelente localização; centro histórico, numa esquina defronte da Mesquita/Catedral - e com várias cafeterias muy cerca. Era tudo o que eu precisava.

Flores de laranjeira 
Encontrei, logo na chegada, o perfume  das flores de laranjeira. Que delícia! Em janeiro deste ano , quando estive em Sevilha, vi novamente o que tanto me impressionara, há anos, quando a visitei pela primeira vez: os laranjais. Inverno, era o momento das frutas maduras. Eu sabia, entretanto, que, retornando na primavera, não veria tantos frutos, mas teria o intenso aroma das flores. Assim foi. Senti Córdoba, como de resto outras cidades da Andaluzia, intensamente perfumada. Docemente perfumada. Inesquecível.

Detalhe da cidade desde a Ponte Romana
Depois de um imprescindível café, já com os mapas devidamente estudados, saí para o primeiro passeio da manhã. Pecorri toda a restaurada Ponte Romana, que cruza o rio Guadalquivir, na direção sul em relação à Mesquita. Cheguei, assim,  à Torre de la Calahorra, erigida em 1369, por ordem de Enrique II, como reforço de defesa à cidade. Na Torre, está o Museu das Três Culturas que objetiva a tolerância e o diálogo, lembrando que ali conviveram árabes, judeus e cristãos.

Molino de la Albolafia: roda d`água islâmica
Ao retornar, pude ver , com mais atenção, a própria Ponte Romana, com seus 16 arcos e , na metade dela, uma escultura, dedicada a São Rafael, protetor de Córdoba, segundo  lenda do século XVI. Num dos lados da Ponte, podem-se ver restos de rodas d´água islâmicas, os antigos moinhos árabes. O Molino de la Albolafia foi recuperado e a ele se acrescentou uma nova roda já que a original foi desmontada por ordem da rainha Isabel, que se sentia irritada com o ruído  do equipamento.

Porta da Ponte Romana
Ao final, está a Porta da Ponte, tendo a sua esquerda o Triunfo de São Rafael, o maior dos muitos monumentos ao Arcanjo existentes na cidade. Esse foi realizado por um artista francês, Michel de Verdiguier, entre 1765 e 1781.

Triunfo de São Rafael


Terminada essa parte do passeio e apreciando-o muito, fui a um  restaurante tradicionais da cidade, experimentar a típica comida de Córdoba. Comi um Salmorejo  - sopa fria, feita à base de pão, tomate, pimentão, azeite de oliva, alho, sal e água - e  rabo de toro com batatas. Diverti-me com o nome, pois o prato era similar ao espinhaço com mandioca, tão comum no Alegrete - óbvio que as especiarias eram bem diferentes.

Rabo de Toro 
Minha ansiedade para ver o histórico bairro  La Judería foi plenamente recompensada. De indescritível beleza, é mesmo um labirinto de ruas estreitas e prédios caiados com flores nas janelas. Os gerânios eram a flor da vez. A rua das flores - de onde se vê , ao fundo, o campanário da Mesquita/Catedral, é uma das mais bonitas.

Na Judería
Os judeus foram importantes e dinâmicos cidadãos da Córdoba Islâmica - e a Judería medieval, um de seus legados, é testemunha e presença forte até  nossos dias. Muito da cultura judaica pode ser visto neste lugar. Das três sinagogas medievais que restam na Espanha, por exemplo, a única que está na Andaluzia é a de Córdoba, que foi construída em 1315 - embora não mais tenha  sido utilizada como lugar de culto desde a expulsão dos judeus da Espanha, em 1492.

700 anos!
Nesse sentido, uma visita interessante é à Casa de Sefarad ( www.casadesefarad.es), bem no centro do bairro. Trata-se de um museu, inaugurado em 2008, onde se pode  ver muito da tradição sefardita-judaico-espanhola, com destaque para a música e para as mulheres intelectuais, entre elas escritoras, cantoras e pensadoras. Realizam-se ali, durante o ano,  recitais musicais e eventos com contadores de histórias.

Cerâmicas de Córdoba
No Palácio do Congresso, encantei-me com uma exposição de cerâmica tradicional - delicada e rica em cores e formas. Assim como as joias e os trabalhos em couro, a cerâmica ocupa um lugar especial no artesanato de Córdoba, artesanato que inclui também delicados trabalhos em bordados, pequenas esculturas em madeira de oliveira e objetos diversos em metal.Nas ruazinhas de La Juderia, há muitas lojinhas com produtos artesanais interessantes.

Verde manganês na cerâmica mais tradicional
A colônia romana de Córdoba foi fundada em 152 a.C. Ocupava boa parte da atual Andaluzia. Em 711, foi conquistada foi conquistada pelos muçulmanos. No período compreendido entre 912-61  foi a maior cidade da Europa Ocidental, chegando a ter 500 mil habitantes - hoje tem ao redor de 330 mil.

Muralha de Córdoba
Tinha mesquitas, aquedutos, observatórios, universidade e uma corte multicultural, frequentada por sábios judeus,árabes e cristãos. No final do século 10, conheceu o declínio com o terrível general Al- Mansour. Somente no século 19 , o declinio começou a ser superado.

Vale um  passeio noturno pelas muralhas
Muitos  passeios eu os fiz por ter encontrado , em Córdoba, a jornalista Carla Rossa, que está morando nesta cidade por um ano. Com seu conhecimento, sensibilidade e alegria, acompanhou-me inclusive nesse belo passeio noturno pela cidade. Obrigada,Carla. Sendo como és, tornas este bem mais bonito. Mereces que a UFSM se orgulhe de ti.

Obrigada,Carla.
A maior atração de Córdoba é a Mesquita/Catedral. Sobre ela, escreverei outro dia. Há muito o que dizer e muitas fotos para mostrar. Falta-me tempo hoje, pois devo me organizar para, amanhã bem cedo, viajar à República de Malta. Mantenho o desejo de conhecer novos lugares - é a primeira vez que visito Malta - e de incentivar minhas crianças a viajarem.

Porta da Ponte
"Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido -
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso - e é hoje talvez o melhor de mim - é que nem os Deuses fazem viver..."

Fernando Pessoa

Detalhe do Coro da Mesquita/Catedral

sábado, abril 18, 2015

Sevilha e Andaluzia : Introdução

Andaluzia:  encanto das ruas estreitas...
Gostaria muito de dizer aos meus netos que conheço bem a Andaluzia, região considerada o berço da Espanha e lugar de tradições muito fortes. Por essa razão, eu a incluí, com prioridade, nesta programação espanhola. Necessito ,pois, de tempo e energia para concretizar esse desejo.

.....outras ruazinhas.....
Serão aproximadamente  três meses com muitas andarilhadas,  iniciadas no mês de abril. Ótimo mês. Primavera, temperatura agradável, feiras, flores e festas por todo lado - se bem que a Andaluzia sempre encontra motivos para festas, em qualquer estação do ano.

...ruazinhas com excelentes tabernas...
Em janeiro p.p., Pedro, meu neto, e eu estivemos em Sevilha alguns dias. Pleno inverno! Tínhamos como objetivo a Festa de Reis, que foi realmente uma grande festa. O relato dela está aqui no Correndomundo ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/2015/01/sevilha-colorida-vivaz-e-apaixonante.html )

....ruazinhas com muitas flores...
Em janeiro, portanto, com o passeio  a Sevilha, estava iniciada a temporada andaluz . Na semana última, a continuidade veio com três novos passeios : Córdoba, Jerez de la Frontera e Cadiz. Escreverei, separadamente, sobre cada uma delas. 

....e uma surpresa ao final....
Fiz a lista de algumas das  cidades que pretendo ir, como  Carmona, Huelva, Granada, Málaga, Ronda - e daí aos Pueblos Blancos - Algeciras, Jaén, Vejer de la Frontera e Tarifa, não necessariamente nessa ordem. Haverá intercalações nesses passeios; na próxima semana, por exemplo, estarei na República de Malta. Ao retornar, irei primeiro a Granada...depois, veremos....

...ruazinha com Campanário ao fundo, em Córdoba....
"Nem tudo é dias de sol,
E a chuva , quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade.
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,...."


Fernando Pessoa

...em Jerez de la Frontera

sexta-feira, abril 17, 2015

Bom fim de semana com Pessoa, pessoas e portas!

Portas: Mesquita de Córdoba
“Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam dessa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.”
Fernando Pessoa.

Portas : Córdoba

"Não me compreendo nem no que, compreendendo, faço.
Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço.
Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim."

Fernando Pessoa

Portas : Córdoba
"Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo".

Fernando Pessoa

Portas: Córdoba

"O que há em mim é sobretudo cansaço — 
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."
Fernando Pessoa

Portas : Córdoba
"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender ..."

Fernando Pessoa

Portas: Jerez de la Frontera

domingo, abril 12, 2015

Espanha - primeiras notícias...

Símbolo de Madrid
Fiz Porto Alegre/Lisboa, Lisboa/Madrid. Poderia ser uma viagem agradável, mas as 4 horas de espera pela conexão em Lisboa tornou-a cansativa. No aeroporto de Lisboa, encontrei uma grande livraria. Distraí-me tanto que me roubaram, do bolso da mochila, minha Canon compacta e meus óculos de leitura - sorte que os trazia em duplicata....mas comprei um livro bem interessante, desses que a gente lê em tempos de espera.

Autor Sueco...
Ficou mais interessante ainda porque está traduzido em português de Portugal - transcrevo, a seguir, uma amostra de texto: "Gostava de saber quanto tempo deverá esperar porque está mesmo com fome.Só comeu as (sic!) sanduiches que levava..." Lembrei-me, então, de um dos livros da Trilogia Millennium, escrito por Stieg Larsson, que, no Brasil, foi traduzido com o título A Menina que Brincava com Fogo e, em Portugal, foi traduzido como A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e  um Fósforo. Gostei.

Primavera nas ruas de Madrid
Eu estava tão cansada quando cheguei em Madrid, que vim de táxi para o Hostal Avenida, onde estou morando....sim! considero que três meses já é morar...Usualmente eu teria vindo de ônibus ou de metrô e pago menos de três euros. De táxi, entretanto, paguei 30 euros. Dormi até o dia seguinte, ao meio-dia. Saí para almoçar, comprar um telefone celular e uma bolsa - mania minha de comprar bolsas. Caminhei muito. Revi lugares e encantei-me com a primavera nas ruas.

Centro de Madrid
Levantei-me cedo hoje, bastante decidida a cumprir a programação que fizera ontem à noite. Comecei pela Estação de Atochas, onde fui comprar, por 6 euros, a Tarjeta Dourada, que dá desconto de 25% nos finais de semana e 40% nos outros dias, para velhinhos irem a qualquer lugar de trem. Logo recuperei os euros pagos pela tarjeta, comprando uma passagem para viajar a Cordoba amanhã- viagem de  1h45min num trem de alta velocidade.

Jardim interno de Atocha
Em Atocha mesmo, comprei 10 bilhetes de Metrô, para quando estiver com preguiça de caminhar. Gostei de saber que uma linha de Metrô foi ampliada, e a nova estação chama-se Paco de Lucia.Grande Paco de Lucía.  Aproveitei para caminhar mais, ver a programação do Centro de Arte Reina Sofía e dar uma espiada na Muchacha en La Ventana - obra de Salvador Dalí, minha preferida. Vi também uma bela  exposição, na rua, em grandes paineis, com o título Caracterizando nossa Realidade.

Puerpério
Caminhei até o El Rastro, mercado municipal de antiguidades, velharias e bugigangas. Outras vezes já estive nesse local de encontro de pessoas desta cidade. Já garimpei ali objetos bem interessantes. Hoje nada comprei. Tenho tempo e não tenho vontade de carregar pacotes. A diversidade de pessoas e de objetos me encantam. Um bom programa para uma manhã de domingo.

Detalhe de El Rastro
Devo ter caminhado mais de um quilômetro dentro desse imenso mercado. Quase ao término dele, encontrei a Santa Iglesia Colegiata de San Isidro. Entrei. Era hora da Missa. Música comovente e linda. Sentei-me, descansei um pouco, fiz uma oração, agradecendo a transferência de Adriana e Gugu para Porto Alegre e pedindo  melhoras para a perna da Rosana. Pela foto abaixo, podem observar a idade aproximada dos que ali estavam - como repete o meu irmão, depois dos setenta, é difícil ser ateu...
Igreja de Santo Isidro, padroeiro de Madrid
Após a missa, ainda tive vontade de ver a Plaza Mayor, com toda  sua beleza arquitetônica  e muita, mas muita gente circulando - um interminável desfile de turistas e habitantes locais.     Lembrei-me de 
que o primeiro grande evento realizado nessa praça foi a beatificação do Padroeiro de Madrid,  Santo Isidro. Lembrei-me também de que , na Inquisição Espanhola, muitos, considerados hereges, foram presos a postes e queimados e outros foram estrangulados e enforcados nesse lugar. 

Plaza Mayor
Quem conhece Madrid, deve reconhecer a extensão que caminhei. Merecia, portanto, uma recompensa, em forma de um bom almoço, apesar da dieta que estou seguindo. Fui ao restaurante do El Corte Ingles, no 7o. andar desse grande magazine, preferido dos brasileiros, como já ouvi algumas vezes aqui. Pedi um prato com dois ovos - aconselhado na dieta! - acompanhado de foie, batatas camponesas e cebola caramelada - completamente desaconselhados! Tracei tudo.

Restaurate de El Corte Ingles

 " Uma coisa é a verdade,
Outra a realidade.
O que existe não tem
Que ver com haver alguém.
Alheio a nós o mundo,
Num sentido profundo,
Por leis e reis se guia
Em que a nossa energia,
O nosso sentimento,
O nosso pensamento
São elementos falsos...

Assim, a pedra incerta
Que a criança irrequieta
Atira ao vácuo do ar
Vai às vezes parar

Onde magoa ou fere
Não o que a criança quer
Mas o que o Fado quis
Por isso a pedra infeliz
O Destino atirou,"


Fernando Pessoa

Uma Capela da Igreja de Santo Isidro