sexta-feira, agosto 16, 2013

Dakota do Sul: Custer State Park

A caminho do Custer State Park
Nem se precisa conhecer bem os Estados Unidos para já se ter visitado vários parques. São muitos e estão distribuídos por todo o pais. A grande maioria deles são estaduais. Há, no entanto, os grandes parques nacionais, como Badlands, Gran Canyon, Yosemite, Yellowstone e Theodore Roosevelt. O Serviço Nacional de Parques ( NPS) é uma agência do governo que administra os parques e monumentos nacionais e outras propriedades de valor histórico. Já fiz a lista dos parques todos que desejo conhecer. 

Na entrada, o símbolo do parque
Já no final de nossa visita a Dakota do Sul, estivemos, durante um dia, percorrendo o Custer State Park. Com baixa velocidade e muito cuidado com os animais, que , soberanos, passeiam calmamente por todos os espaços, cruzamos por  estradas lindas, com deslumbrantes paisagens por todos os lados.

Dona do pedaço!
Neste período de férias, vêem-se famílias em carros que parecem levar metade da casa e crianças que se encantam com surpresas que acontecem a todo momento. Não só crianças. Eu realmente fiquei surpresa e encantada, por exemplo,  com a tranquilidade com que este animal atravessou a estrada , enquanto nós, que paramos o carro, esperávamos que ele terminasse a travessia.



O Custer State Park tem uma área de, aproximadamente , 30 mil hectares.Vivem , nesse espaço, assim como muitos outros animais, um cervo de cauda branca (Odocoileus), o whitetail, um cervo nativo de tamanho médio, encontrado no Canadá, no México e nas Américas. Têm hábitos principalmente noturnos , mas podem ser vistos a qualquer momento, no ano todo.

Bisão, perto da estrada, passeia tranquilo
Vivem , nesse espaço também, 1300 bisões, que constituem o maior rebanho existente, em espaços públicos, no mundo. Eles podem crescer até dois metros de altura e pesar até uma tonelada. Foram reintroduzidos no parque após a caça e o abate que os reduziu  de 60 milhões para 250 mil. Os bisões são animais muito fortes, que podem subir terrenos íngremes e pular cercas. Às pessoas, recomenda-se cautela ao aproximar-se deles.

Construções típicas
Muitos alojamentos são oferecidos no Custer, cada um com identidade própria e diferenciada. Estão , ainda, disponíveis para aluguel,  nesses alojamentos, jeeps, camionetes, motos, lanchas e botes. Para informações, pode-se acessar custerstatepark.info. É bom saber também que o Walmart permite que, gratuitamente,  trailers e carros passem a noite no estacionamento desse supermercado, economizando, assim, uma diária de hotel. Exige-se, entretanto, que seja feita uma reserva por telefone, combinando a hora de chegada.
Granito
Em toda esta área, encontram-se formações de granito em bonitas cores. Mais resistente do que o mármore, o granito é uma rocha ornamental, bastante usada na construção civil, em razão de sua durabilidade, estética e praticidade - é fácil de limpar e de conservar em bom estado. Os Estados Unidos é grande exportador e usuário de granito.

Ponte na estrada de saída do Parque
Custer State Park é um passeio que recomendo para jovens, adultos e adultos com crianças. Estradas que serpenteiam pelas montanhas; florestas com árvores gigantes; riozinhos, cascatas, lagos e fontes; indicações  e orientações claras e frequentes; possibilidade de , a qualquer momento, poder ver e fotografar bisões, cães de pradaria, carneiros selvagens e outros bem mais raros, como o lince e o coyote. E, mais ainda, a profunda sensação de beleza, harmonia e paz.

Rochas no interior do Park

"Ah! Querem uma luz melhor que a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas que vejo!
A mim este sol, e estes prados,e estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol que o Sol,
O que quero é um prado mais prado que estes prados,
O que quero é flores mais flores que estas flores.
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira."


Fernando Pessoa

Bye,Bye..

quinta-feira, agosto 15, 2013

Dakota do Sul: Crazy Horse Memorial

Crazy Horse
Como ocorre na preparação de qualquer visita a monumentos, necessário se torna uma leitura preliminar do contexto em que esse monumento foi planejado e construído e a razão por que o levaram a existir. Para bem admirar Crazy Horse, podemos, por exemplo, recordar o filme Dança com Lobos, dirigido por  Kevin Costner e rodado aqui mesmo, em Dakota do Sul e nestes parques....

Crazy Horse

....ou podemos retroceder e lembrar sangrentos conflitos entre índios e não índios nos Estados Unidos, como o que  ocorreu entre o exército comandado por George Armstrong Custer e os guerreiros sioux e cheyenne,  liderados pelo chefe Touro Sentado. 

Crazy Horse em construção

Verdade que , desde 1874, quando a expedição de Custer descobriu indícios de ouro em Black Hill, esses povos indígenas perderam a paz. Com tratados enganosos, foram levados a abandonar suas terras, ocupadas, a seguir, por  mineiros, especuladores e colonos, que transformaram essas montanhas antes sagradas em terras para aventureiros.

Crazy Horse ...como deverá ficar
O oeste americano foi conquistado. Desde tempos imemoriais, essa região era ocupada por índios de diferentes etnias. Após a Independência, o país avançou para o oeste, forçando os povos indígenas a migrar e, com isso, abandonar muito de seu estilo de vida. O mesmo já havia acontecido na conquista da Região dos Grandes Lagos. História também vivida pela América do Sul e também contada na ótica dos vencedores. Lá, como aqui, faz-se hoje releitura e a mea culpa.

Escultura no Crazy Horse Memorial

O Crazy Horse Memorial foi a resposta dos índios à escultura dos Presidentes. Numa área próxima a Rushmore , está sendo construída a escultura que ,quando for completada, será a maior do mundo, em homenagem a um grande líder sioux, o guerreiro Crazy Horse, nascido nesta região, que costumava dizer:  Minhas terras são onde estão enterrados os meus mortos.

Foto de parte do projeto
A estátua desse Grande Líder Indígena Crazy Horse terá mais de 170m de altura. Até agora, somente foi concluído o rosto, que tem altura superior a 25 metros. O início da obra foi em junho de 1948. Seu final pode ser daqui a 100 anos. A retirada de pedras à base de dinamite é um trabalho infindável - não há, portanto,  previsão para término.

Projeto total da escultura
Um escultor americano, Korczak Ziolkowski, de origem polonesa, assumiu , com a ajuda da esposa Ruth e de sete filhos,  a construção dessa obra. Ele havia sido assistente de Gutzon Borglum, o escultor do Mount Rushmore, em 1939. Pouco depois desta data, o chefe Sioux Henry Standing Bear escreveu-lhe perguntando se ele faria uma escultura gigante dedicada aos índios americanos - para que os homens brancos soubessem que os homens vermelhos tinham grandes herois também.

Grande portão do Crazy Horse Memorial

Korczak dedicou o resto de sua vida a essa escultura. Morreu em 1982, com 74 anos. A escultura , entretanto, continua em execução, como iniciativa privada. A família ainda está à frente do projeto e segue os passos do pai, um grande idealista, com visão histórica e visão de futuro,  que acreditava na iniciativa e poder de realização individual.

Detalhe do Museu do Memorial

Numa área fantástica, o Memorial tem, além da escultura, o studio-home e workshop de Korczak Ziolkowski, o Indian Museum of North America, uma loja de presentes, o Native American Educational Center, tudo num grande e bonito espaço, que se adentra através de um magnífico portão de ferro, todo ele decorado com elementos da flora e da fauna local, esculpidos em cobre. É passeio para um dia...ou mais para quem gosta de trilhas e aventuras.

Portão do Crazy Horse Memorial
"O que salvamos, o perdemos.
 O que pensamos, já o fomos.
 Ah, e só guardamos o que demos
 E tudo é sermos quem não somos."


Fernando Pessoa

terça-feira, agosto 06, 2013

Dakota do Sul, o estado do Monte Rushmore.

Mount Rushmore, Dakota do Sul

Gostaria de , um dia, dizer que eu realmente conheço os Estados Unidos. Conhecer Dakota do Sul foi um avanço neste mapa de 50 estados, tão diferenciados entre si. É um lugar bonito e interessante de visitar, localizado na região centro-oeste, limitando-se  ao norte com Dakota do Norte, ao sul com Nebraska, a leste com Minnesota e Iowa, e a oeste com Wyoming e Montana. Sua capital é Pierre, a segunda menor capital de estado, nos US, com 14 mil habitantes.
Inesquecível visão do Mount Rushmore
O nome do estado provém dos índios sioux, que chamavam a si mesmos de dakota, palavra cujo significado é  amigo. É o 17º maior estado americano em área do país. A agropecuária tem sido historicamente sua principal fonte de renda. Dakota do Sul possui 33 mil fazendas, que cobrem mais de 90% de sua área total. É um dos grandes produtores nacionais  de trigo, milho, sementes de girassol,  leite e carne. Vivem ainda aqui  60 mil indígenas.

Rio Missouri

O rio mais importante de Dakota do Sul é o Missouri, que  divide o estado no sentido norte-sul. O Missouri e seus afluentes banham praticamente todo a área, com exceção da região nordeste.  O maior lago de Dakota do Sul e o artificial Lago Oahe,  o reservatório da Represa Oahe. A estrada I-90 , por onde viajamos, corta o estado no sentido leste-oeste.

Painel do Corner Palace
Para conhecer o Corn Palace, um grande auditório em estilo mourisco, construído em 1921, visitamos a pequena e movimentada cidade de Mitchell, com cerca de 20 mil habitantes, neste grande centro produtor de gado, milho e outros cereais. Muitos turistas e viajantes vêm a Mitchell para ver, no Corn Palace, principalmente os paineis, que , de fato,  são belíssimos.

Painel do Corn Palace
Feitos todos com palhas e com espigas de milho de diferentes variedades e diferentes cores, os paineis, distribuídos tanto na fachada do prédio, quanto nas suas grandes paredes internas, são modificados anualmente e movimentam artistas da região desde quando o prédio foi construído. Retratam cenas agrícolas de Dakota do Sul. Havia uma exposição no local - com muita quinquilharia chinesa. Gostei mesmo só dos paineis e dos arranjos feitos com palhas, plantas e espigas de milho.

Interior do Corn Palace

Nossa próxima visita foi a um lugar totalmente dispensável : uma pequena cidade cuja atração principal é centro dela , que se assemelha a cenários de filmes do Velho Oeste - um quarteirão com lojas, armazém, restaurantes, pequenos museus, igreja, prefeitura , correio,delegacia e muita gente circulando ( turismo interno mesmo ). O que de mais interessante eu vi nesse lugar, num setor artesanato típico, foram as fundas ou bodoques da minha infância rural.

Artesanato da região
Com grande expectativa, chegamos a Rapid City, que é hoje, a grande cidade das Black Hills,  montanhas sagradas dos índios Dakota, Lakota e Cheynne, para onde eles se retiravam à procura de orientação do Grande Espírito. Com 70 mil habitantes, boa estrutura hoteleira e bons restaurantes, é a segunda maior cidade de Dakota do Sul, atrás apenas de Sioux Falls.

Esculturas no Monte Rushmore
Atualmente, a importância dessas belas e grandiosas montanhas decorre, em grande parte, de sua proximidade com  Mount Rushmore, Crazy Horse e Custer State Park, objetivos principais desta nossa viagem. Fomos , a partir de  Rapid City,  pela US 385, cheia de curvas e cercada por panoramas fantásticos,  até essa área de 201 km por 105 km , onde começamos vendo o Mount Rushmore National Memorial.
Memorial a partir da estrada

Entre 1927 e 1941, o escultor Gutzon Broglum e 400 trabalhadores esculpiram no Monte Rushmore, em Black Hills, os rostos de quatro presidentes dos Estados Unidos: George Washington, o primeiro presidente dos EUA, Thomas Jefferson, autor da declaração da independência, Theodore Roosevelt, que conquistou maior conhecimento e liberdade econômica, e Abraham Lincoln, que lutou pela união do país durante toda guerra civil.  Essa escultura é uma das atrações turísticas mais conhecidas do mundo, rendendo ao estado de Dakota do Sul o cognome de The Mount Rushmore State.

Foto da foto: escultor trabalhando
 Os gigantescos rostos, de 15 a 21 metros de altura, foram construídos com modernos instrumentos de engenharia, dinamite e martelos pneumáticos, a 150 metros de altura.Ideia do pintor e escultor Gutzon Borglum, inicialmente, era para ser feito apenas um busto, mas houve muita indecisão em relação a qual deveria ser construído. Após a decisão do primeiro busto a ser construído, foram montados os primeiros andaimes em 1927.  Borglum morreu pouco tempo antes de completar o seu trabalho. Terminada por seu filho, Lincoln, a obra foi inaugurada em 1941.

Estrada de acesso ao Memorial

Muito interessante é o museu que abriga  ferramentas, desenhos,vídeos  e  fotos que contam a história da construção do Monumento dos Presidentes. Numa dessas fotos, Gutzon Borglum, o escultor, trabalha ao lado do nariz de um dos presidentes; em outra, está ele trabalhando praticamente dentro de uma orelha. Rushmore vale uma visita - com certeza. No  local, há restaurantes, lojinhas, mirantes e passeios orientados. Deixaremos para o post seguinte mais duas atrações magníficas desta região: Crazy Horse e Custer State Park. Imperdíveis visitas também.

"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pelas mãos das Estações
A seguir e a olhar."


Fernando Pessoa 

sábado, agosto 03, 2013

Traçando os Estados Unidos

Madison, capital de Wisconsin
Illinois, Wisconsin e Minnesota, juntamente com Indiana, Ohio e Michigan, compõem a Região dos Grandes Lagos. Já escrevemos, aqui, no Correndomundo, sobre esses estados, com exceção de Ohio, ainda não visitado.


Dakota do Sul
Na continuidade, escreverei sobre Dakota do Sul, Nebraska e Iowa, estados que , com Dakota do Norte, Kansas, Missouri e Oklahoma, compõem a Região das Grandes Planícies.

Campos de trigo em Minnesota
Postarei , a seguir, sobre a interessante Dakota do Sul, mantendo a cronologia e o percurso desta viagem.

sexta-feira, agosto 02, 2013

Minnesota, a terra dos dez mil lagos.

Visão constante de lavouras e fazendas em Minnesota

De Minnesota, a terra dos 10 mil lagos, apelido carinhoso que lhe foi dado, eu conhecia apenas o aeroporto de Minneapolis e St. Paul, as cidades gêmeas , separadas pelo Mississippi. Aeroportos, entretanto, não são muito informativos das cidades a que servem. Considero, portanto, que não conheço St.Paul, a capital do estado, nem Minneapolis, a  maior cidade do estado, que dizem ser exuberante e bonita. Desta vez, atravessamos Minnesota mais ao sul, observando sua belíssimas fazendas, seus campos bem cuidados e seus parques fantásticos.

Alteração da paisagem predominante no Meio-Oeste
Localizado ao norte da centro-oeste, já fazendo divisa com o Canadá,  é o maior estado da região em extensão territorial e o seu maior centro financeiro, imobiliário e industrial. Dizem que o solo da região sul de Minnesota é um dos mais férteis do mundo, daí ser esse estado um dos líderes nacionais na produção de trigo e soja. Tive a sorte de ver o trigo já maduro, em grandes lavouras. O amarelo dos trigais é visão inesquecível em qualquer país do mundo.

Grandes fazendas com grandes rebanhos

Minnesota também possui um dos maiores rebanhos de gado bovino do país. Aqui, como em Wisconsin,  não se percebe a hegemonia  milho e  soja. O estado é um dos líderes na produção de leite dos Estados Unidos. Muito deste leite é utilizado para a fabricação de queijo e manteiga. Daí por que o chamam de  Bread-and-Butter State - estado do pão-e-manteiga -  por ser um dos maiores produtores de trigo e o maior produtor de manteiga do país.

Preparação de alimento para o rigoroso inverno

Pode-se observar também , ao longo das estradas, o plantio e o preparo de forrageiras, que garantirão a alimentação dos animais num inverno que é bastante rigoroso. O estado é generosamente servido de água. Seu próprio nome tem a ver com isso. Minnesota vem de duas palavras da língua indígena Sioux, mine, que significa água, e sota, que significa "cor-do-céu". A expressão mine-sota - águas cor-de-céu - era usada pelos sioux para descrever o  rio Minnesota.

Parque escolhido para nossa visita

Nesse estado, onde a  maioria dos moradores são descendentes de escandinavos e alemães e onde tem havido considerável aumento de população com imigrantes africanos, asiáticos e latino-americanos, encontram-se muitos parques e alternativas para um turismo de baixo custo. Para nós, não foi somente cansativo, foi também divertido visitar o Great River Bluffs State Park - um parque interessante em que as árvores não nativas são colhidas ao atingir a maturidade e substituídas por espécies nativas, numa política de restauração do habitat natural.

Início da caminhada pelo Park.
Idealizado em 1960 e aberto oficialmente em 1976, Great River Bluffs State Park , com 546 ha, foi construído numa faixa de terra, longa e estreita, acompanhando o rio Mississippi sem ir, entretanto, pelas suas margens. Apenas uma pequena faixa está junto à margem do rio, onde miradouros permitem ver toda a beleza do Mississippi. Dizem que é bonito...porque nós não conseguimos ver.

Km de estradinhas
Passava pouco do meio dia e fazia um calor do cão quando iniciamos a caminhada pelo parque. Sol forte , eu sem protetor solar e usando sandálias, caminhei entusiasticamente durante a primeira hora. Encantavam-me as árvores de grande porte e as cabras que, de vez em quando, podiam ser avistadas. Continuei , mapa na mão, mas já sem muito entusiasmo.

Retorno pela mesma estrada!

Quando pensava que logo depois da curva iria encontrar o tal miradouro, vinha outra estradinha reta que parecia não ter fim. Não queria desistir sem chegar ao objetivo. Abruptamente, entretanto, a estrada terminou com o aviso de que estava temporariamente interrompida. Difícil foi o retorno!

quinta-feira, agosto 01, 2013

Wisconsin, a America´s Dairyland


Bonitas fazendas em toda a região
Wisconzi foi simpatia à primeira vista. É um estado bastante agrícola, mas  vai além do milho, da soja e do feijão, tanto que é conhecido como Terra Americana dos Laticínios - um  lugar onde se produzem deliciosos queijos, como me foi possível constatar, além de outros produtos derivados do leite.Imaginem que produz, por ano, um bilhão de quilos de queijo e é o segundo maior produtor de leite dos Estados Unidos. Na Região dos Grandes Lagos, tornou-se o meu estado favorito, juntamente com Illinois.

Queijos de Wisconsin
Está situado na margem do Lago Superior, no extremo norte do país, na região centro-oeste. É uma área muito fria, neve bastante no inverno e a temperatura pode chegar a alguns graus abaixo de zero. Wisconsin tem mais de dez mil lagos mil lagos. Tem  flora e fauna  bem variada, e os animais selvagens tem um status especial e são protegidos por rígidas leis para evitar sua extinção. Cerca de 48% do estado é coberto por florestas.O primeiro homem branco a chegar a Wisconsin, em 1634,  foi o explorador francês  Jean Nicolet, um comerciante de peles.

Quadro do Museu de História em Madison - WI

Os primeiros exploradores europeus , portanto,  foram os franceses. Wisconsin integrou a colônia francesa de Nova França até 1763, quando passou a ser controlada pelo Reino Unido. Em 1783, após a independência dos Estados Unidos, tornou-se território americano. Em 29 de maio de 1848, passou a ser o  30º estado norte-americano.  Wisconsin é palavra de origem nativa norte-americana. Não se sabe exatamente o seu significado, que tanto pode ser agrupamento de águas como campos selvagens de arroz. Hoje esse estado é reconhecido pela qualidade de vida e bem-estar social.

Muitas flores em Wisconsin

Wisconsin foi um dos destaques como local de nascimento do progressivismo político na história dos Estados Unidos, durante as décadas de 1890 e 1900. Pioneiro na adoção de direitos trabalhistas, reformas econômicas, sociais e educacionais, foi o primeiro estado a abolir a pena de morte no país. Também o primeiro Jardim de Infância norte-americano  e a  primeira Universidade  a aceitar cursos onde o ensino era realizado a distância - via correspondência - foram em Wisconsin.Sua capital é Madison. Bonita cidade, sobre a qual escreveremos a seguir.

Palácio do Governo em Madison - WI

Este Madison não é o mesmo do romântico filme - com Clint  Eastwood  e Meryl Streep - As Pontes de Madison ( The Bridges of Madison County ) que, segundo um amigo meu, faz muita gente delirar com a possibilidade de viver uma grande paixão, por quatro dias, sem que o outro cônjuge fique sabendo. Lembram desse filme? Após a morte de Francesca Johnson (Meryl Streep), uma proprietária rural do interior do Iowa, seus filhos descobrem, através de cartas que a mãe deixou, do forte envolvimento que ela teve com um fotógrafo (Clint Eastwood) da National Geographic, quando a família se ausentou de casa por quatro dias. Estas revelações fazem os filhos questionarem seus próprios casamentos. ( http://www.adorocinema.com/filmes).

Palácio do Governo, cuja cúpula tem 60 m de altura.
Localizada entre os lagos Mendota e Monona, Madison tem uma bela localização. Criada em 1836, para ser capital do território, passou a capital do estado quando Wisconsin atingiu esse status, em 1848. Tem hoje cerca de 220 mil habitantes. Por sua fama de cidade com tendências políticas liberais, atraiu um público jovem e não jovem dedicados às artes e atentos aos movimentos culturais e ambientalistas. Dizem que é uma das melhores cidades americanas para viver e trabalhar.

Cidade de universitários

É sede da prestigiada Universidade de Wisconsin, criada no mesmo ano em que foi criado o Estado, em  1848, e  que conta hoje com  45 mil estudantes, mais da metade de pós - graduação, em seus 105 cursos de doutorado. Percebe-se a presença e a movimentação de muitos jovens estudantes, nas ruas, nos parques, nas redes de trilhas para bicicletas,  nas livrarias , nos museus, nas galerias de arte e nos acolhedores e restaurantes para vegetarianos.

La Crosse em WI

Visitamos mais duas cidades de Wisconsin - La Crosse e Baraboo.  Outras cidades e locais ficaram para serem visitados na próxima viagem, como Milwaukee, a maior cidade do estado, com cerca de 600 mil habitantes, famosa por suas cervejarias e  berço de um dos maiores ícones culturais americanos: as motos Harley-Davidson ;  um conjunto de ilhas  - Apostle Islands - e a Green Bay, que Gugu, meu filho, disse ser um lugar belíssimo. Motivos suficientes para planejar um retorno.

Centro de La Crosse

La Crosse, fundada em 1842, é uma cidade pequena, com pouco mais de 50 mil habitantes,  arborizada e bonitinha. Tem casas bem conservadas e um campus da Universidade de Wisconsin - La Crosse. Para os turistas,  pode ser base para explorar as belezas dos rios Wisconsin e Mississippi. Um morro, com altura de 180 metros e próximo da cidade, oferece vistas muito bonitas do vale do rio Mississippi. Como é lugar de passagem, é interessante reservar algumas horas para visitá-la.

Casa de Queijos em Baraboo

Baraboo, com  população ao redor de 10 mil pessoas, soube construir uma identidade que a fez conhecida e, óbviamente, diferenciada.  No período entre 1884 e 1918, foi sede de inverno do Ringling Brothers Circus, o maior dos Estados Unidos, com sede na Flórida. Passou, então, a ser a Cidade do Circo, onde ainda se promovem espetáculos.  No antigo lugar em que o Ringling  passava o inverno, está o Circus World Museum, que expõe a maior coleção de carroções de circo, usados no anos dourados do início do século XX. No http://www.circusworldmuseum.com,  pode-se observar como uma pequena cidade pode transformar-se em polo turístico por ter descoberto e cultivado algo novo e diferente.

Ponte sobre o rio Wisconsin

Para quem - como eu - gosta de arquitetura de pontes, o estado oferece magníficas visões, seja do rio Wisconsin, seja do Mississippi. A viagem torna-se também muito agradável  quando a gente se aproxima do estado de Minnesota e acompanha as tantas curvas dos rios, as ilhotas, a vegetação e a água que se espalha, trazendo riqueza à terra.

Rio Wisconsin muito próximo da estrada


"Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."


Fernando Pessoa