terça-feira, janeiro 04, 2011

Sfax: histórica cidade da Tunisia


Centro de Sfax




















Situada entre Mahdia e Gabes, na Costa Este , Sfax é a segunda maior cidade da Tunísia.Tem uma Medina impressionante, não só internamente como também externamente , pelo movimento e comércio no seu interior e pela extensão e imponência da muralha que a cerca. A arquitetura é mesclada com  estilos diversos, mas tem prédios interessantes, como o prédio da prefeitura. Desde o tempo dos romanos, foi uma cidade rica pela sua frota naval e pela produção de óleo de oliva, que tanto interessava à Europa.


Muralha da Medina de Sfax




















Possui um porto bastante movimentado, mercados, museus, mesquitas e uma antiga Medina e uma parte nova e moderna. Talvez seja a mais ocidentalizada das cidades tunisinas.Valeu a pena conhecer Sfax principalmente pela Medina ,que está muito bem conservada e tem traços bem definidos da arquitetura islâmica. O hotel , em que me hospedei ( Lês Oliviers ) era perto da mesquita, o suficiente para ser acordada, ao nascer do sol, pelo chamado às orações! E , a partir daí, ouvir o mesmo chamado, de três em três horas, até o sol desaparecer.

Djerba, a Terra dos Comedores de Lotus


Chegada a Djerba




















Distante cinco quilômetros do continente e cento e vinte quilômetros da Líbia, Djerba é uma ilha fantástica , situada no Golfo de Gabes. É a maior do Norte da África. Pode-se chegar a ela por barco ou usando Kantara, uma antiga ponte romana, feita para ligar o continente à Ilha. É conhecida por suas praias lindas, seu clima agradável e sua riquíssima história. Celebrada na Odisséia como a Terra dos Comedores de Lótus. Segundo a lenda, Ulisses esteve em Djerba e aqui perdeu parte de sua equipe porque eles, alimentamdo-se de flor de lótus, oferecida pelos nativos, esqueciam a Pátria Mãe e passavam a desejar viver na ali para sempre.




Ghriba - antiga Sinagoga




















Djerba foi administrada por Carthago e , em seguida, passou a ser administrada pelos romanos. A riqueza da Ilha vinha do peixe, do óleo de oliva ,da cerâmica e, hoje, também do turismo, principalmente de europeus. A maioria da população é sunita - os Sunitas pertencem à corrente que se considera sucessora direta do Profeta Muhammad Maomé.Vive ,ainda, aqui uma pequena população hebraica, que , há cerca de dois mil anos, ergueram a Sinagoga Ghriba, hoje importante meta de peregrinação e conceituado centro de estudos avançados para rabinos. Ghriba é muito bonita. Seus mosaicos são de rara beleza.









Hotel em Djerba-piscina e praia














Em Houmt Souk , a cidade mais importante e capital da Ilha, fiquei encantada com as cerâmicas e seus preços muito baratos. Comprei apenas um pequeno pratinho. A produção de cerâmica concentra-se Guellala, reduto do povo berbere. Encontram-se em Houmt Souk ( souk quer dizer mercado) muitos artigos em couro, tapetes, mosaicos, cachimbos entalhados, jóias e uns potes de barro, com os quais se pescam polvos, há mais de três mil anos, desde o tempo dos Fenícios . Encontram-se,aí também, uma boa produção de tâmaras, azeitonas e figos.






No filme Guerra nas Estrelas, o deserto do planeta Tatooine, ninho de piratas e contrabandistas, teve seu cenário em Djerba. Nesta Ilha se encontram o Mar Mediterrâneo e o Saara, o maior deserto do mundo. A zona turística, onde estão localizados os grandes hotéis, tem espaços lindos, em que as piscinas formam um belo conjunto com o mar e o céu, tudo de uma inesquecível combinação de azul

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Matmata: Cenário de Guerra nas Estrelas

Casa Troglodita


Há 43 km ao Sul de Gabes, visitei Matmata. É um vilarejo a 650 metros acima do nível do mar, onde vivem 5 mil berberes em casas trogloditas, e que ficou famoso como cenário do primeiro Guerra nas Estrelas. Distante 15 km dali, está a Nova Matmata que oferece elementares condições de hospedagem e alimentação.

As casas trogloditas são construídas numa colina de arenito, seguindo o mesmo modelo há quatrocentos anos. Faz-se um buraco arredondado, que será o pátio central da casa – um pátio sem cobertura por onde entrará o sol. Ao redor desse pátio, são escavadas as diferentes partes da casa, como a cozinha e os quartos. Dar-se-á, ali, o controle natural da temperatura , que se manterá constante ao redor de 18 graus – no deserto essa temperatura chega a 50 graus.



Cenário de Guerra nas Estrelas

O turismo em Matmata é hoje significativa fonte de renda. Além da venda de artesanato, pode-se escolher uma casa e visitar a família. Usualmente a dona da casa oferece aos visitantes um pão tradicional, dividido em pedaços, e um ponte de azeite de oliva com açúcar , onde o pão pode ser embebido. Tenho a memória do gosto daquele pão com azeite – o melhor que comi na minha vida. Excelente! Matmata foi um dos lugares bem interessantes que visitei neste surpreendente país.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Tunísia: El D'Jem

 


El D'Jem


Entre os maiores legados romanos que se pode visitar na Tunísia, está El D'Jem, um anfiteatro, o terceiro maior do mundo, só menor que o de Roma e o de Pádua. El D'Jem está na cidade púnica de Thysdrus, que ficou com os romanos na terceira guerra , no ano 146.


Thysdrus foi uma cidade rica e importante, tanto para os fenícios quanto para os romanos.Suas terras sempre foram excelentes para o cultivo de oliveiras - e o azeite de oliva, uma riqueza espalhada pela região. Hoje, Sahel, onde se situa El D'Jem,  é uma importante área turística tunisiana, com boa infraestrutura.

El D'Jem

Impressionante como esse anfiteatro está bem conservado, já que foi construído entre 230 e 238. Pareceu-me mais bem conservado que o Coliseu de Roma. As tomadas externas do filme O Gladiador foram feitas aqui. Saliente-se que a Tunísia toda já forneceu cenários para muitos filmes, entre eles  Guerra nas EstrelasO Paciente Inglês.


Com capacidade 35 mil pessoas, era o lugar onde os governantes recebiam seus convidados,especialmente os integrantes das caravanas que cruzavam o deserto para fazer negócios com outros países da região. A fera vinha em jaula, por um sistema de roldanas,  até o palco onde era solta na presença do gladiador que a enfentava. Há uma porta, pequena e discreta, por onde eram retirados os mortos.A arquitetura me encantou, mas a história do que ali se passava me deu náusea.

"Uma ave é sempre bela porque é uma ave
E as aves são sempre belas
Mas uma ave sem penas é repugnante como um sapo
E um montão de penas não é belo
Deste fato tão nu em si não sei induzir nada
E sinto que deve haver nele alguma grande verdade"

                                          Fernando Pessoa

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Natal e Ano novo



Finalmente deixei de ser exagerada nos fins de ano. Em razão disso, estou desejando a todos um Natal Lindinho e um Ano Novo Interessante.
Gostaria mesmo de que fôssemos  fortes e bonitos  como esta  Rosa do Deserto.
Beijos
Aldema






quinta-feira, dezembro 16, 2010

Nostalgia

Saara

Areia escorre entre meus dedos envelhecidos,
dedos que, fragilizados agora, teimam em manter-se como eram
na sustentação da areia que escorre.
Sobrará um pouquinho?
Teimosamente apertado sim,
embora a dor do aperto
Não compense o prazer da sustentação.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Chebika, Tamerza e Mides - Oasis de Montanha

Chegada no Oasis de Chebika



















Chebika, Tamerza e Midès estão entre  os mais famosos oásis de montanha na Tunísia. Os três ficam bastante perto da fronteira com a Argélia e  perto também de Tozeur ( 60 km ). A viagem Tozeur/Chebika , entretanto, parece longa porque as estradas são tipicamente estrada de deserto, inclusive mudando seu traçado, algumas vezes, em função dos ventos. Os ventos eventualmente constroem e destroem dunas, mudando-as inclusive de lugar.







































No tempo do Império Romano, esses oásis foram utilizados como pontos de observação, porque estavam em lugares altos de onde os romanos podiam comunicar-se com outros postos através de sinais com espelhos.Durante séculos, os povos desses oásis produziram tudo o que necessitavam para alimentar-se.  A descoberta do fosfato na região, entretanto, mudou essa situação pois os habitantes dos oásis abandonaram, ainda que em parte, o cultivo da terra e foram trabalhar na mineração.


Oasis de Montanha






































Houve , com isso, mudanças nos costumes e as tradiçoes, acentuada hoje pelos numerosos turistas que visitam os oásis e visitam também, no alto de uma montanha , o que restou de um avançado posto romano de observação. A maior atração de Chebika é esta cascata, de onde jorra água limpa e morna, formando um pequeno lago e daí, alimentando um sofisticado e eficiente sistema de irrigação - o que possibilita o cultivo de frutas diversas.








































Quem nos mostrou  o oasis, através de uma longa e difícil caminhada (uffa!), foi um habitante local ( foto 3) , um berebere, falante de seis idiomas, aprendidos, segundo ele, aqui mesmo, no contato com gente de todo o mundo. Tamerza é o maior oásis de montanha da Tunísia. Tem um panorama espetacular, que pode ser visto no filme O Paciente Inglês , dirigido por Anthony Minghella. Tem-se aqui dois bons hotéis, com vista privilegiada - no Hotel des Cascades o café é bom e isso para mim já marca muitos pontos! Também em Tamerza está o mausoleu de Sidi  Tuati, local de peregrinação, desses que eu coleciono para fazer curriculum para o céu.


Morador do Oasis de Chebika




















A vida em Midès é similar aos outros dois oásis. A economia baseia-se no comércio de frutas , principalmente romãs, e tâmaras. Em Midès , impressiona muito um cânion , estreito e profundo, circundado por vegetação abundante. Ele ainda é um oásis menos visitado do que os outros onde estivemos. Nota-se isso pela infraestrutura que oferece a quem chega. Fora as rosas do deserto e alguns pequenos tapetes, nada mais há para venda  - e num local como este, quanto mais turistas, mais vendores.








































Depois de visitar Midès, Tamerza e Chebika voltei a pensar que, de fato , é a água jorrando que decide a sorte das pessoas, a cada ano, no deserto - ou na minha casa, onde , há dois meses, não chove.



terça-feira, dezembro 14, 2010

Tozeur, cidade dos tapetes.


Palmeirais e plantas em três níveis

O que torna esta pequena cidade mais interessante é proximidade dela com o Saara. Surgiu como um oásis de montanha e um ponto de paragem para as caravanas que vinham do subsaara fazer negócios com as cidades da costa do Mediterrâneo.


Mosaicos de Tozeur

Sua maior riqueza é o palmeiral – visitamos um que tem um milhão de palmeiras. A produção maior é da espécie denominada “ dedos de luz”, uma tâmara muito doce e quase transparente, preferida para exportação.


Mosaicos da Mesquita Principal de Tozeuar
A produção de tâmaras, a produção de fosfato, nas montanhas do Atlas,  e o turismo , principalmente internacional, constituem a base econômica da região. Presenciei dois fatos interessantes aqui. 


O burro e a moto

O primeiro foi uma briga, junto a uma feira de frutas e verduras, quando o dono de uma carroça , puxada por um pobre burrinho que se rebelou e quis disparar. Ao fazer isso, o animal bateu numa moto e fez cair a sinaleira. Apareceu furioso o dono da moto. Enquanto ele falava alto e gesticulava muito, o dono da carroça tentava consertar a sinaleira e falava também, talvez desculpando-se.


Muitas esculturas em madeira

Eu queria falar árabe naquela hora , para entender a briga e defender o burro, a meu ver a maior vítima. Juntou gente e, nessas circunstâncias, aumenta o burburinho. Por sorte, apareceu o dono da feira, que falou mais alto – a própria voz da autoridade - como convém a quem tem um lugar de poder. Os dois litigantes foram baixarando a voz, baixando a cabeça e , por fim, retiraram-se. Dispersaram-se também os observadores - inclusive eu , que continuei lamentando não conhecer a língua árabe.

Tapeçaria

O segundo fato está vinculado a minha patetice e à minha impossibilidade de reconhecer pessoas famosas. Nós estávamos hospedados no Hotel Sofitel Palm Beach Tozeur ( www.palmabeachtunisia.com ) Uma manhã, passei por um homem que me pareceu familiar.Nada demais. Depois vi que muitas pessoas o olhavam e comentavam isso entre si e observei  que ele parecia escapar dessa admiração. Entrou num carro, acompanhado de outras pessoas e se foi. Perguntei a um empregado do hotel quem era aquela pessoa. É Antonio Bandeiras, disse ele, que está fazendo um filme ambientado no deserto e nos palmeirais. Sobrou-me fazer aquela cara de Ah é,é?  


Mesquita de Tozeur

Visitamos Dar Cherait, um museu muito interessante, que reproduz cenas de costumes berberes. Visitamos a Mesquita, com desenhos geométricos em toda a sua fachada, riquíssima em mosaicos e artísticos tapetes. Fiz belas fotos ali.




Passeamos pela cidade antiga e pelo palmeiral de três níveis: no primeiro nível , estão as verduras; no segundo, as árvores frutíferas ( romãs, bananas, figos,laranjas) e , no terceiro, as tamareiras. Passeamos pela cidade antiga e pelo mercado ( suk).





Numa noite, fomos a uma festa típica, daquelas feitas para entreter turistas. cavaleiros e cavalinhos treinados , fazendo acrobacias; dança do ventre com bailarinas gordas; equilibristas e música Foi bem interessante. A proximidade com o deserto e a possibilidade de adentrar ao Saara faz , desta visita, algo obrigatório para quem vai à Tunísia.


Interior da Mesquita 

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Sbeitla

 





















Perto da moderna cidade de Sbleitla, encontram-se as ruínas da cidade romana Sufetula,  que teve grande prestígio, sendo, no seu início , uma cidade independente e tornando-se, depois, colônia romana. Seu início foi nos ultimos anos do século I. O grande interesse dos romanos por ela tinha a ver com a excelente localização para o cultivo de oliveiras. Foi construída com pedras de coloração dourada - que ficam brilhantes ao sol! Depois dos romanos , vieram os bizantinos e, no século VII,  foi tomada pelos árabes.






















Em poucas ruínas de cidades antigas, eu caminhei,conseguindo imaginar como os habitantes da cidade passeavam, por onde iam aos templos,  às salas de ginástica, aos banhos públicos ou termas, - divididas para vários grupos; como eles chegavam ao fórum, passando pela Porta de Antônio - construção iniciada por Adriano - como passavam pelo Arco do Triunfo; como iam   ao anfiteatro , ao mercado e, mais tarde, às igrejas e ao batistério. O conjunto está bem conservado e é de uma beleza impressionante.





















Pela primeira vez, vi , ao mesmo tempo, três templos - Juno, Jupiter e Minerva - num grande espaço, independentes um do outro, embora conectados entre si. Dos séculos IV e V , estão as ruínas da Basílica de São Vito, da Basílica Bellator e da Igrejas de São Servo, esta construída sobre um templo pagão. O Batistério deixa ver ,ainda, os belos mosaicos de que estava totalmente revestido. O anfiteatro foi restaurado e hoje abriga apresentaçoes musicais, já que possui excelente acústica. A cidade de Sbeitla vive, em grande parte, dos viajantes e turistas que visitam as fantásticas ruínas romano-bizantinas de Sufetula - cujo destino é ser grandiosa em todos os tempos.

sábado, dezembro 11, 2010

Chott El-Djerid

Rosas do Deserto com lago ao fundo

A Tunísia possui muitos lagos salgados. Entre eles, está Chott El-Djerid,  o maior lago salgado do  Norte da África, com mais de 50 mil quilômetros quadrados. Situa-se entre o Golfo de Gabes e a fronteira da Argélia. Sua cor é de um azul belíssimo, contornado pelo branco das salinas. Diz-se que as miragens aqui são frequentes. Pode-se atravessá-lo , como o fizemos, por uma estrada de 64 km de extensão, que permanece aberta o ano todo. É deste lago que saem as rosas do deserto, uma pedra de gesso cristalizada na água profunda do lago. É um símbolo da Tunísia do Sul, que se pode comprar , no geral, por um dólar ou menos (foto)