quarta-feira, dezembro 08, 2010

Kairouan : Patrimônio da Humanidade na Tunisia

Tradicional tapete de nós.

Em 1988, Kairouan foi declarada, pela UNESCO,  Patrimônio Cultural da Humanidade - e com razão. É a cidade mais antiga da Tunísia , fundada em 670 d.C., e  a cidade muçulmana mais sagrada na África. Oqba Ibn Nafi, fundador da cidade, foi quem a declarou sagrada após "uma inspiração divina que lhe veio através de presságios".



Centro Histórico

Local hoje de peregrinação religiosa, penso incluí-la no meu  currículum de preparação para o céu!
Encantaram as visitas às cisternas, à mesquita , ao mausoleu e a um centro de artesanato tradicional.
As cisternas, ou "banhos"de Aghlabiti foram construídos em 860 d.C. Parecem piscinas atuais dos hotéis luxuosos da Tunísia.


Banhos de Aghlabiti

A maior  mede 128 m de diâmetro e tem profundidade de 4,5 m. É considerada uma das melhores obras da engenharia hidráulica árabe. Antes, os 15 reservatórios eram alimentadas por um aqueoduto de 35 km de comprimento. Hoje a água é coletada das precipitações de inverno. Com essa água, os antigos tunisianos irrigavam e cultivavam milho.É bem interessante de ver.


A Grande Mesquita
Na Grande Mesquita ,  os visitantes só podem entrar no pátio e fora do período de rezas, mas podem espiar de fora, de onde eu fiz a foto 2. Está  localizada no centro da medina - e a  medina está rodeada por uma muralha de 7 km.


A Grande Muralha da Mesquita

É a quarta mesquita mais importante  no mundo muçulmano , depois de Meca, Medina e Jerusalém. É a única que, visitada sete vezes, dispensa o dogma de peregrinação à Meca. Tem muitas colunas que, segundo a lenda, quem não consegue passar entre elas, não chega ao paraíso. Nem tentei!


Na Mesquita...

De impressionante beleza sào os mosaicos, os capitéis das colunas e o minarete da Mesquita - este um dos mais antigos do mundo: 730 d.C. Penso que sete vezes eu não voltarei lá...mas uma a mais bem que eu gostaria!


Grande reservatório de água

Gosto da história de Sidi Sahbi, que teria sido amigo do Profeta Maomé e carregava com ele três pêlos da barba do Profeta, motivo por que seu mausoleu e conhecido como o Mausoleu do Barbeiro - também um local de peregrinação. Junto a ele hoje, está um local de acolhimento a peregrinos, uma escola islâmica e uma mesquita.

Detalhe da Mesquita

Tornei-me resistente a vendedores em geral  porque me falta paciência para o exercício da pechincha. Não fora isso, eu teria comprado ao menos um tapete de oração em Kairouan, onde são famosos os tapetes de nós e são belíssimos os desenhos tradicionais pertencentes , de memória, a cada família. De fato, resisti.


Mosaico numa casa de tapetes

É uma cidade muito interessante, bem mais conservadora que Tunis,Sfax ou Sousse, mas acolhedora com os turistas. Tunísia sempre foi um lugar de passagem  para pessoas de muitas partes da África que iam a Europa e vice - versa. Acredito que, por essa razão, aprenderam a bem conviver com tipos humanos diversos. Eles são gentis e atenciosos.



Pessoa/Pessoas

Acordei relembrando fatos passados... ruins!
Ocorreu-me, então, este texto de Fernando Pessoa, com toda a lucidez que ele tem:

"O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa,
viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito"

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Tunísia : infos gerais


Venda de gasolina na estrada

A partir de Tunis , por onde chegamos num vôo da Alitalia -Roma/Tunis-  com duração de  01h30min, fizemos 2 200 km dentro da Tunísia, numa perua ou numa 4x4. Éramos Ronald,  eu e um casal de médicos de Porto Rico, pessoas muito agradáveis e inteligentes, mais um guia e um motorista - Kais e Amar - ambos gentis e competentes. Chegamos quase nas  fronteiras da Argélia e da Líbia e percorremos trechos tanto próximos ao Mediterrâneo , quanto próximos ao Saara. Verdadeira maratona durante 10 dias!

Na estrada de acesso à Libia, um fato interessante: a venda de gasolina , clandestina, mas ostensivamente, à esquerda e à direita, ao longo de uns 100 km. O litro de gasolina, na Tunísia, custa aproximadamente um dólar; na Líbia, meio dolar - lucro bom para a população rural da região. Nesse trecho, não vi postos de gasolina convencionais.


Bric - pastel de ovo
Os tunisianos me pareceram acolhedores e gentis, e o país bem mais ocidentalizados que outros da região, embora as marcas da cultura muçulmana sejam bem fortes.Nas ruas, convive o uso de roupas modernas e elegantes com trajes tradicionais - lindos e elegantes também.

A Tunísia é uma república constitucional. Tornou-se independente da França em 1956. Seu primeiro presidente foi Habib Bourguiba, que repousa em grandioso mausoleo. Impressionou-me a presença do presidente  atual , no governo há 23 anos, reeleito a cada cinco anos, com 99% dos votos. Mais do que presente, pareceu-me onipresente. Sua fotografia, grande e bem tratada,  está em toda a parte: nos órgãos oficiais, sítios arqueológicos, bares, restaurantes, ruas, estradas.... Desconfio que está até no interior das casas. 
Berbere

Não tive muitos problemas com a comida, salvo com a carne de cordeiro, que eu odeio em qualquer lugar do mundo e é prato relevante na cozinha árabe. Faltava-me tranquilidade nas refeições porque tinha medo que me aparecesse um cuscuz com carne de carneiro. Descobri um outro prato pelo qual não me interessei : um pastel, de que não lembro o nome, recheado com batata amassada, salsinha verde e um ovo cru, que se torna meio - frito- meio - cozido, quando o pastel é mergulhado na gordura quente. Amo tâmaras! Fui salva, o tempo todo,  por elas, em especial por uma, tenra e de sabor suave, denominada  dedos de luz.

O governo criou zonas turísticas, onde estão os hotéis de cadeias internacionais, imensos cinco estrelas, em grandes espaços e com grandes piscinas. Por um lado, fica-se bem acomodado e adaptado; por outro, perde-se o contato com o cotidiano da cultura local e fica-se distante dos centros históricos.

É interessante viajar de carro pela variedade de paisagens, especialmente as montanhas, o vale do Medjerba e a área pré - desértica ou desértica. Nosso motorista era um rapaz tranquilo, o oposto de um motorista com que viajei no Egito, que andava a 180 km nas estreitas e acidentadas estradas do deserto. Viajei calma, desta  vez, sem pensar em testamento ou na possível existência de outra vida.

domingo, dezembro 05, 2010

Delenda est Cartago!

Delicadeza no mármore imenso


Inicio o histórico da Tunísia, tão pleno de lendas e grandioso no que ainda dele resta, por Cartago, que emociona, encanta e impressiona - tanto assim que, na noite seguinte à minha visita, Cartago foi cenário de um sonho em que eu  conversava com Clóvis Guterres, meu amigo - irmão, sobre o cotidiano daquele lugar.


Cartago


Ali está , na vizinhança hoje do Palácio Presidencial - este com  policiamento ostensivo e proibição de fotografá-lo - banhado pelo azul e calmo Mediterrâneo, a cidade fundada pela princesa fenícia, cujo nome pode ter  sido Dido ou Elissa. Ali está Cartago, fazendo-nos recordar toda a grandeza que ostentou um dia.



Entrada nas termas de Cartago



Dido, Princesa do Tiro,  veio do Líbano, perseguida por seu irmão Pigmaleão,  depois que este assassinou seu marido.  Os fenícios permitiram a ela comprar uma área de terra que fosse do tamanho do  couro de um touro. Dido fez do couro tiras muito finas e com elas delimitou a área de Cartago. É a lenda.


Cartago


Parece mesmo que , na prática, os fenícios queriam uma ocupação perto do Mediterrâneo para combater possíveis avanços de outros povos. A cidade ganhou tal fama e poder , tornando-se um grande centro de cultura e de negócios. Mais ainda, tornou-se , entre 500-400 a.C., um estado independente - o que despertou a concorrência e o ódio de outros povos.



Outro delicado trabalho em mármore


De Cartago, partiu o general Anibal, com um exército bem treinado e 35 elefantes. A derrota de Anibal começou com o frio, ao atravessar os Alpes. De volta a Cartago, ele foi duramente criticado pela classe dominante e constrangido a abandonar a cidade. Suicidou-se.



Cartago e o Mediterrâneo


Dei-me conta ,agora, que, por sorte, não tive , na Tunísia, a chamada "Praga de Anibal", um forte distúrbio  estomacal ou intestinal que costuma atacar, mais ou menos durante 12 horas, a  turistas e viajantes. Outra vez, também no Norte da África, em Marrocos, passei mal durante 24 horas, com praga não sei de quem, que me deu vômito e diarréia terríveis.







De 263 a 146 a.C. , aconteceram as três guerras púnicas que  acabaram fazendo a primeira destruição de Cartago ( Como escreveu Ronaldo Mota faz poucos dias, "inveja e burrice andam sempre juntas" - e como são destrutivas! ).



Ao fundo, o porto cartaginês


Cartago foi, mais tarde,  reconstruída como  primeira colônia romana na África. Desenvolveu-se e tornou-se, outra vez grandiosa , então  como parte do império romano. Teve novos invasores - vândalos, bizantinos e árabes - que a transformaram em ruínas. Grandiosas ruínas! Permaneceu o mito.


Grandiosas ruínas!


domingo, novembro 21, 2010

Tunisia e Tunis


Ulisses,ouvindo o canto das sereias.

A Tunísia é um pequeno país em extensão, com onze milhões de habitantes, situado entre a Cordilheira do Atlas e o Mar Mediterrâneo. Possui 1300 km de costa e belas praias, frequentadas, principalmente, por europeus.


Centro de Tunis

O Saara ocupa 40% de seu solo ( aprendi que Saara, em árabe, significa deserto. Logo é inadequado dizer Deserto do Saara, que seria como dizer deserto do deserto).


Mosaicos do Museu Nacional

A base de sua economia assenta-se na exportação, em escala mundial, de fosfato,  de azeite de oliva e de tâmaras. Assenta-se , ainda,  no turismo sempre crescente.



Domingo na Igreja

Parece-me, no entanto, que o maior tesouro tunisiano é constituído por seu patrimônio histórico, vinculado, entre outros,  a Cartago, que foi declarada Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, em 1979.

Torre do Relógio: Tunis
Hoje, além de visitar Cartago, fui ao Museu de Bardo, admirável pela arquitetura do palácio onde está alojado e pela coleção de mosaicos romanos, pertencentes, em especial, ao período situado entre os séculos II e IV.


Antigos mosaicos

Encantou-me, entretanto, mais do que os mosaicos romanos, o mosaico grego ( parte dele na foto 1), que conta a fascinação de Ulisses pelo canto das sereias.


O canto das sereias

Inesquecível a Medina de Tunis - Patrimonio da Humanidade - com sua mesquita do século VIII ao centro, circundada pelo grande mercado ( souk), onde se vendem de tapetes e jóias finas  a frutas e especiárias.

Comércio variado

A cidade nova também tem seus encantos. A charmosa Torre do Relógio , na Avenida Habib Bourguiba , a Catedral de São Vicente de Paula e Santa Olivia, o antigo Hotel e o Teatro Municipal, todos numa mescla de estilos arquitetônicos, fazem com que seja um prazer passear por ali e ver a gente tunisiana, principalmente os jovens, a passear também.


Portas de Sidi Bou Said
Junto a Tunis , está o povoado de Sidi Bou Said , construído sobre um penhasco à beira do Mediterrâneo. Tem todas as  suas casas pintadas de branco,. com portas e janelas azuis - sempre do mesmo tom de azul , que lembram ilhas da Grécia.


Sidi Bou Said

Suas galerias de arte e restaurantes constituem uma atração , mas, de fato, a atração maior para mim, foram as portas de Sidi Bou Said. Lindas!


Sidi Bou Said

Gostei de Tunis com seus labirintos, sua catedral, sua parte moderna, suas formas diversas, suas cores, seus cheiros e sua vivacidade.


Centro de Tunis

PS. Sou uma fotógrafa muito amadora. Tenho uma maquininha comum. Não faço montagens nem uso photoshop. Faço fotos simples e honestas. A beleza é do cenário...nada mais.


Ronald e eu

sábado, novembro 20, 2010

"Lá vou eu..."

Aeroporto Fiumicino outra vez, esperando o vôo Alitalia 864, com destino a Tunis.
Faz-me falta a Zeli. Sempre estamos rindo e conversando. Ronald também sente falta dela, do Igor e da Lilian. Ron reclama da ausência do Mile em nossas viagens. Mile é o companheiro dele para olhar máquinas, carros , motos e tudo o mais que tiver um motor que funcione.
Ontem jantamos com Lidia, minha querida amiga italiana, num restaurante tipicamente romano. Eu comi, como primo piatto, uma sopa de feijão branco - aquele dos grãos bem graúdos - com quadradinhos de massa caseira (foto). Uma delícia! Como secondo piatto, muitas verduras cozidas e bem temperadas: alcachofra, acelga, vagem fininha, brócolis.
Lidia e eu conversamos por um tempo não suficiente: foi um tempo apenas para relato de notícias, sem conseguir comentá-las ou detalhá-las. Para isso, precisaríamos de muitos dias.
Espero-a, no Brasil, em janeiro.
Desta vez, vi Roma detalhadamente - como da primeira vez que a visitei há 20 anos. Outras tantas vezes que nela estive, eu vinha de longas viagens e preferia ficar , em Canale, na fazenda da Lídia, num lugar tranquilo e bonito, dormindo, descansando e vendo lugares lindos e muito próximos, como Braciano, o Castelo e o Lago do mesmo nome.
Precisa-se , realmente, de muitos dias para conhecer um pouco da "Cidade Eterna"- para revê-la também! Sonho trazer Pedro, meu neto, aqui. Posso pedir horas-extras na terra? Meses? Anos?

sexta-feira, novembro 19, 2010

Ciao! Fro.m Roma, to Tunísia


Ronald,Zeli,Lilian e Igor





















No terminal de trens do Aeroporto de Fiumicino,espero para voltar a Roma Termini, estação que fica perto do hotel , onde devo permanecer, até amanhã, quando Ronald e eu viajaremos para a Tunísia. 
Despedimo-nos , aqui no aeroporto, de Zeli, minha irmã, Igor e Lílian, meus sobrinhos, que começam a voltar para o Brasil, fazendo Roma/Madrid/São Paulo/ Porto Alegre. Estou chorando, embora saiba que, em breve , estaremos todos juntos. Volto sempre ao meu assumido conceito de saudade: alegria de haver tido, tristeza de não ter mais. Foram semanas lindas as que passamos “andarilhando “ pela Europa. Todos eles são pessoas agradáveis, gentis, curiosas e disponíveis – dividimos informações , alegrias e malas o tempo todo! Realmente, um ótimo convívio.Uma parceria que deu certo , como diria o Igor.


Eu, Zeli, Lilian e Igor (Paris)




















Daudt , meu sábio amigo – irmão, disse-me uma vez que só se viaja com pessoas que a gente já comeu um saco de arroz juntos. Verdade-verdadeira! Companhias imprevisíveis podem comprometer o sucesso e o bem-estar de uma viagem. Companhias, entretanto, como Zeli, Igor e Lílian ( e Ronald , é claro!) são fantásticas. Elas  acrescentam o afeto e o prazer da partilha em momentos diversos. Foi bom rever lugares de que tanto gosto - como Barcelona, Lucerna, Lugano, Brugges,Verona, Koblenz e Amsterdam. Melhor, ainda, foi estar , nesses lugares, com pessoas amadas.

domingo, novembro 07, 2010

Barcelona


Gaudí



















É antiga minha paixão por Barcelona. Vivacidade , beleza. natureza e história : tudo ao nosso alcance – ao alcance de nosso caminhar. E , se a gente quiser ir mais longe, os meios de transporte públicos são freqüentes e confortáveis.




















Ficamos  hospedados junto às Ramblas, próximo à Praça Catalunya. É lindo caminhar à noite, já que estamos numa cidade onde isso é possível de ser feito sem medo – sempre falo da minha tristeza de sentir medo ao andar na rua, entre pessoas!


Gaudí



















Barcelona e Gaudí são inseparáveis para mim. Vale a pena perseguir Gaudí pela cidade toda. Gosto também de Miro – costumo visitá-lo em Montjuic. Desta vez, não fui à casa de Dalí, em Figueres.
Para minha alegria ser completa, visitei o Estádio do Barcelona já que sou Barça desde criancinha.


Vista de Barcelona desde Montjuic




















Continua forte a defesa da preservação da Língua Catalã – jardins da cidade levam o nome de poetas que escreveram sua obra nessa língua. Realmente, esta cidade , colônia romana no século XIII , não pára de crescer. Impressionou-me o aumento do antigo porto e os muitos navios de cruzeiro que fazem sua parada perto dali.




Barcelona me traz muitas recordações , de festas, de passeios, de reuniões de trabalho. Aqui estive uma dezena de vezes e gostaria de ter tempo e ânimo de continuar a volta.



















Barcelona me traz muitas recordações , de festas, de passeios, de reuniões de trabalho. Aqui estive uma dezena de vezes e gostaria de ter tempo e ânimo de continuar a volta.

terça-feira, novembro 02, 2010

Toledo

Amo a arquitetura de Toledo: palácios, igrejas, mesquitas, sinagogas. Acima de tudo, como Fernando Pessoa, eu amo o Tejo:

  
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Tejo , passando por Toledo
 Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."
Fernando Pessoa

PS. Recebi de Pedro Leal Fonseca, que hoje é médico em Santa Catarina, mas que eu continuo chamando-o de Pedrinho, como quando eu o conheci, criança ainda. Irei postar aqui, com a devida licença dele.

Olá Aldema. Lendo a poesia de Fernando Pessoa que está no seu blog lembrei da "profecia de Serra de Sintra":

Tejo, perto de Toledo


"Patente me farei aos do Ocidente

Quando a porta se abrir lá no Oriente.

Será coisa pasmosa quando o Indo,

Quando Ganges trocar, segundo vejo

Seus espirituais efeitos com o Tejo"










segunda-feira, novembro 01, 2010

Madrid

Faz 4 dias que estamos na Espanha, depois de uma viagem ótima  Porto Alegre/Guarulhos/Madrid  e uma conexão de Metrô Aeroporto de Barajas/Hostal na Gran Via. Do aeroporto, toma-se a linha 8 ( rosa) até a estação Nuevos Ministérios, linha 10 (azul marinho).Pela linha 10, vai-se até a Estação Alonso Martinez, onde se troca para a linha 5 (verde) e pode-se descer na Estação Gran Via, quase ao lado do hostal . Dois táxis – somos 5 pessoas - custariam , no mínimo, 100 euros. Fazendo esse percurso de metrô, gastam-se 7 euros. Os hostais são tipicamente espanhóis. Apartamentos grandes de belos edifícios, que seus proprietários  alocaram ali , em média, 6 apartamentos – quarto e banheiro – confortáveis, econômicos,bem cuidados e atendidos pela família. Há 20 anos, hospedo-me na Gran Via 15, com excelente localização e muitos hostais no mesmo prédio. Hospedo-me no Hostal Avenida,  4º. Andar . Pertence a um jovem casal, gente boa e gentil.

Praça Maior

Realizo o sonho de viajar com família: Ronald (meu marido), Zeli (minha irmã) Igor e Lilian ( meus sobrinhos), pessoas tranquilas, inteligentes, bem informadas e de fácil convívio - além de bastante divertidos!Já traçamos Madri, cidade que conheço bem e de que gosto muito. Novidade mesmo foi visitar o Estádio do Real Madrid . Fui lá porque o Igor queria muito conhecê-lo-  o que não se faz por um sobrinho amado!. Sou Barça de carteirinha! Lembrei-me muito de Ramón, meu amigo-irmão, grande torcedor o Real.
No Museu do Prado, a visita, sempre emocionante, a Goya, Velasquez , El Greco e Rafael. Prado está , nestes dias, com uma exposição belíssima de Renoir. Um dia de visita ali é sempre pouco.
O clima está bom. Temperatura de 12 graus. Paisagens lindas de outono.
Na sequência, Toledo e Barcelona.