terça-feira, novembro 24, 2009

Rodin na Bahia/2009




















Faz mais de 30 anos que vi, entre emocionada e deslumbrada, em Nova Iorque, uma exposição de obras de Auguste Rodin. Por sorte , voltei a ver Rodin aqui, no magnífico Palacete das Artes, na Bahia. Estão quatro obras instaladas nos jardins e sessenta e duas expostas no interior do Palacete.







































Algumas dessas obras são bem conhecidas do público, como O Pensador, que foi até motivação para nome dado a inquérito no Rio Grande do Sul. A mim me emocionam particularmente duas esculturas: O Beijo e A Meditação. Gostaria muito de fotografá-las, mas o Museu proíbe fotografias internas.
Rodin escreveu: “Esforcei-me por fazer sentir em cada intumescência do torso ou dos membros o afloramento de um músculo ou de um osso que se desenvolvia em profundidade sob a pele. E desta forma a verdade das minhas figuras , em vez de superficial, parecia desabrochar de dentro para fora como a própria vida...” ( in O Modelado, de Paulo Gsell). E ele reamente consegue isso! A exposição tem como título “Auguste Rodin – Homem e Gênio”. Gosto do Gênio, o Homem me recorda a dor de Camille Claudel, tão bem expressa no belo filme que leva o nome dessa escultura.

sábado, novembro 21, 2009

"Bahia de São Salvador ..."



Já faz dez anos que mostro a Bahia para visitantes brasileiros e estrangeiros – e o faço com prazer. Agora é a vez de Ronald conhecê-la. Alerto-o de que se precisa de “olho limpo” para apreciar devidamente Salvador – é uma cidade de beleza diferente !

Estamos fazendo o roteiro comum aos turistas: Solar do Unhão, Pelourinho, Dique do Tororó, Igrejas, orla, Elevador Lacerda, Mercado Modelo, Sorveteria da Ribeira, museus, Colina do Bonfim, passeio às ilhas. Talvez possamos ir à Praia do Forte. Eu gosto de Camamu, mas desisti de ir após ouvir assustadores relatos de violência - lá e em Itaparica. Pena!

Amo as cores, os sons, as formas e os cheiros desta cidade. Sou "impregnada"pela Bahia.
Impressiona-me, no entanto, o custo da permanência aqui. Caríssimo - principalmente transporte e alimentação.
O encontro com amigos também aumenta minha vontade de retornar sempre, mas por poucos dias.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Viagem: atitudes























O vôo era às 8h. Cheguei ao aeroporto às 7h. Embarque no horário. Tudo certinho. Na hora de o avião decolar, um acidente – pouso “de barriga” de um pequeno avião com derrame de óleo na pista. Informam-nos desse acidente e do consequente atraso de todos os vôos. Saímos do avião e esperamos, em POA , numa sala, cerca de duas horas. Conexão , em Guarulhos, perdida. Deveríamos ter chegado em Salvador ao meio-dia. Saimos, entretanto, de São Paulo, às 18 h. De correr mundo , aprendi que nada disso é problema. Aviso meu filho que não me espere no horário combinado. Almoço no restaurante autorizado pela Cia. Aérea. Compro “A rainha do castelo de ar”, terceiro e último volume da sensacional Trilogia Millennium , escrita pela sueco Stieg Larsson. São livros policiais fantásticos e atualizados. Calma, paciência e bom humor são condições imprescindíveis para viajar. Quem não as possui, melhor ficar na vizinhança. Já perdi mala seguramente mais de 20 vezes. Sempre as encontrei, ainda que, algumas vezes, passados alguns dias. Não discuto ou brigo com funcionários de restaurantes, lojas, hotéis e cias.aéreas. Prefiro escrever , depois, uma longa carta aos responsáveis principais. Falhas, em geral, demonstram falta de treinamento e avaliação dos empregados. Melhor ir direto a quem estabelece as políticas de pessoal. Tenho obtido boas respostas com essa atitude.Chegada tranquila em Salvador. Alegria de estar aqui!

sábado, novembro 07, 2009

Haja pipoca!

Tenho, entre outras, duas grandes paixões: cinema e artes plásticas. Hoje tornei a ver Moulin Rouge, filme de que gosto muito, baseado na vida e obra do pintor francês Toulouse - Lautrec. Texto inteligente. Plasticidade impressionante.Lindo. Procuro, agora, Baleias de Agosto ( 1987) , um filme que não me canso de ver e que enfoca a questão do envelhecimento - comecei a vê-lo antes dos 50 anos!
Fiz, há poucos dias, uma relação de 40 filmes que eu gostaria de rever: seleção a partir de lembranças de diferentes períodos da minha vida. Projetos para o verão!
" Uma obra-prima não passa de ser uma obra qualquer
E, portanto, uma obra qualquer é uma obra-prima
Se este raciocínio é falso não é falsa a vontade
Que eu tenho de que ele seja de fato verdadeiro
E para os usos do meu pensar isso me basta".
Fernando Pessoa

quarta-feira, novembro 04, 2009

Construção de projetos para 2010

Penúltimo mês do ano. Hora de projetar 2010. Os três primeiros meses não implicam muito tempo de estudo : espaços já conhecidos.
Para os meses seguintes, o projeto de uma visita demorada à China ocupa meu tempo maior de preparação e estudo. Começo sempre pela Geografia Física . Sinto a necessidade de situar-me no espaço. Ron, que esteve lá em 2009, ajuda-me, agregando muitas informações. Aos poucos, situo-me também no tempo, através de elementos da História. Faz-me falta um quadro de referências para ver melhor. A partir daí, a cultura e a arte tornam-se meus focos principais.
Prometo a vocês, Pedro e Massimo, que escreverei muito sobre esse país, que já me parece fantástico.
"Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.
Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento."
Fernando Pessoa

quarta-feira, outubro 28, 2009

Santa Bárbara!São Jerônimo!





















Após uma caminhada ao redor da casa, cheguei agora mesmo, até o computador , com o intuito de desligá-lo. Vem chuva forte , pensava eu, porque pretiou pro lado dos castilhano. Dei-me conta, então, da facilidade com que eu altero a linguagem conforme o lugar em que me encontro. Quando eu morei na Bahia, após as dificuldades iniciais, assumi itens lexicais muito próprios da região. Ao perguntarem, por exemplo, como estava meu trabalho, eu respondia : direitinho! Uma única palavra que me parecia uma resposta plena : direitinho! Normal! Sem grandes feitos ou grandes problemas. Em Napoli, eu gostava da imagem de mulher apaixonada, sem muito senso crítico , que me dava a expressão usada para designá-la: galinha morta. Galinha morta, assim, cabecinha caída, sem reação, aceitando tudo. Em Roraima, a expressão, usada para designar o café da manhã, parecia-me perfeita: segura peito! Aqui, na Bela União, já me surpreendi dizendo ocalitro e alvoredo, conforme dizia meu intercolutor! E muitas vezes, evidencio admiração , ao final de uma história, dizendo um prolongado: Iiii...ééé??? Vestígios da minha convivência com áreas do sertão nordestino.






















Vou desligar o computador. Vem chuva mesmo. Minha mãe tinha razão, se preteia pro lado dos castelhanos, periga até tormenta. Pobres das minhas orquídeas e rosas tão floridas.
Santa Bárbara, São Jerônimo! (Nunca entendi o clamor acolherado a esses dois santos quando há perigo ou medo de tempestade - mas digo).

sábado, outubro 24, 2009

Para desejar um belo domingo...

Solvang - CA



Fernando Pessoa:
"Quanto faças, supremamente faze.
Mais vale, se a memória é quanto temos,
Lembrar muito que pouco.
E se o muito no pouco te é possível,
Mais ampla liberdade de lembrança
Te tornará teu dono."

segunda-feira, outubro 19, 2009

Verdades infantis

Quando passei pela sala, aqui na Bela União, escutei Pedro dizendo:
- Minha avó é uma mulher muito bonita!
Não resisti e acrescentei : é bonita e jovem.
Pedro imediatamente esclareceu:
- Bonita tudo bem...mas jovem foi já faz muitos anos.
.....................................................................................................................
Pedro e Gonçalo brigaram.
Pedro saiu correndo e caiu. Nada grave.
À noite, Pedro sentiu-se mal e vomitou.
Gonçalo ficou muito sensibilizado e disse:
- Pedro, eu não desejei isso para ti. Um tombo, tudo bem...

domingo, outubro 18, 2009

Pensando!




É domingo, domingo tranquilo, morno, bonito , véspera do aniversário do Mile, meu irmão - mais filho do que irmão.
No dia em que ele completou dois anos, meu pai morreu. Eu tinha, então, onze anos. Mile e eu sempre fomos muito próximos. Na verdade , sempre moramos juntos, ele na minha casa ou eu na casa dele.

Mile é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Além de inteligente, ele é sensível, perspicaz e naturalmente do bem. Eu poderia contar, durante dias e dias, histórias lindas dele. Merecia um livro. 

 Por que não escrevemos livros? Será pela cultura de sacralização da escrita? Será pelo medo da crítica que atingiria nossa vaidade? Ou simplesmente por preguiça, acomodação ou medo de abrir o "armário dos guardados"?

 Escrever é um ato de decisão somente. O que contar todas as pessoas têm. Basta pagar uma editora - são tantas e tão diversas - e nossos blocos de notas virarão livros. Pode ser apenas um volume! Ou um para cada filho. Belo exercício de memória. Bela recordação para nossas crianças. Sim! precisa-se de persistência, justamente o que me falta. Pedro e Massimo que me perdoem.
                                                                                                                                                             

segunda-feira, outubro 12, 2009

Sobre chuva e festa na Bela União


São difíceis os caminhos da Bela União. Com a chuva intensa e incessante de ontem, mais difíceis ainda! Não obstante isso, mais de 50 pessoas se reuniram aqui para comemorar, no Brasil, meu casamento com Ronald - meu segundo casamento , assim, de "papel passado", 45 anos depois do primeiro.
Somos os mesmos - minha família, meus amigos - apenas trazíamos antes nossas histórias do trabalho e os nossos filhos pequenos - hoje trazemos, juntos ou em fotografias, os nossos netos e nossas novas histórias de vida. Nossas crianças já têm as suas crianças.
Somos os mesmos - velho continua sendo quem tem 10 anos a mais do que nós. Nossa capacidade de rir, conversar, emocionar e surpreender permanece.
Muitos amigos não conseguiram estar aqui fisicamente: estavam, entretanto, nas nossas recordações. Senti falta e saudade dos que não chegaram aqui e dos que não chegaram até aqui. Faltará sempre o Benetti e sempre nos lembraremos dele.
Fiquei muito feliz com os que vieram - eles constituem a minha família de espírito , como escreveu a Verinha Siqueira. `A noite, eu fiquei relembrando cada um deles e agradecendo a Deus pela alegria de encontrá-los.

Relembro que, Rolandinho e eu, fizemos uma grande festa, no meu apartamento, em Santa Maria, para comemorar que estávamos vivos. Devíamos fazer mais festas com esse motivo, pois as perdas são inexoráveis.
Não consegui conversar com todos como gostaria. Pouco tempo e muita chuva. Quase não conversei com Dirce, Mário, Rosana, Clóvis, Odete. Queria que todos tivessem permanecido por mais tempo. Gugu, Pedro, Mile, Fernando, Fabianinha, Marcel, Igor, Lilian , Zeli, Ary, Melina, Fábio e Neneca foram ajuda, presença e apoio em todos os momentos.


Distribuímos, durante a festa, pacotinhos de sementes de flor, trazidos da regiao do Ron, meio - oeste americano. É primavera. Sementes são flores futuras. Flores que gostaríamos de dar a cada um como agradecimento pela partilha e pelo convívio. Esse agradecimento se estende também aos que não puderam vir, por diferentes razões, incluindo eu haver me atrapalhado e deixado de avisá-los. Avisei alguns quando eu ainda estava em Illinois. Ainda bem que Soraia avisou Marietinha e Walter e Rosana avisou Adalberto e Vera.


Ronald e eu agradecemos muito a lembrança bonita que essa festa deixou em nossas vidas.