segunda-feira, outubro 12, 2009

Sobre chuva e festa na Bela União


São difíceis os caminhos da Bela União. Com a chuva intensa e incessante de ontem, mais difíceis ainda! Não obstante isso, mais de 50 pessoas se reuniram aqui para comemorar, no Brasil, meu casamento com Ronald - meu segundo casamento , assim, de "papel passado", 45 anos depois do primeiro.
Somos os mesmos - minha família, meus amigos - apenas trazíamos antes nossas histórias do trabalho e os nossos filhos pequenos - hoje trazemos, juntos ou em fotografias, os nossos netos e nossas novas histórias de vida. Nossas crianças já têm as suas crianças.
Somos os mesmos - velho continua sendo quem tem 10 anos a mais do que nós. Nossa capacidade de rir, conversar, emocionar e surpreender permanece.
Muitos amigos não conseguiram estar aqui fisicamente: estavam, entretanto, nas nossas recordações. Senti falta e saudade dos que não chegaram aqui e dos que não chegaram até aqui. Faltará sempre o Benetti e sempre nos lembraremos dele.
Fiquei muito feliz com os que vieram - eles constituem a minha família de espírito , como escreveu a Verinha Siqueira. `A noite, eu fiquei relembrando cada um deles e agradecendo a Deus pela alegria de encontrá-los.

Relembro que, Rolandinho e eu, fizemos uma grande festa, no meu apartamento, em Santa Maria, para comemorar que estávamos vivos. Devíamos fazer mais festas com esse motivo, pois as perdas são inexoráveis.
Não consegui conversar com todos como gostaria. Pouco tempo e muita chuva. Quase não conversei com Dirce, Mário, Rosana, Clóvis, Odete. Queria que todos tivessem permanecido por mais tempo. Gugu, Pedro, Mile, Fernando, Fabianinha, Marcel, Igor, Lilian , Zeli, Ary, Melina, Fábio e Neneca foram ajuda, presença e apoio em todos os momentos.


Distribuímos, durante a festa, pacotinhos de sementes de flor, trazidos da regiao do Ron, meio - oeste americano. É primavera. Sementes são flores futuras. Flores que gostaríamos de dar a cada um como agradecimento pela partilha e pelo convívio. Esse agradecimento se estende também aos que não puderam vir, por diferentes razões, incluindo eu haver me atrapalhado e deixado de avisá-los. Avisei alguns quando eu ainda estava em Illinois. Ainda bem que Soraia avisou Marietinha e Walter e Rosana avisou Adalberto e Vera.


Ronald e eu agradecemos muito a lembrança bonita que essa festa deixou em nossas vidas.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Lá vamos nós...



Estamos no Aeroporto Regional de Bloomington - Illinois. Depois Atlanta/Rio/Porto Alegre/família/casa. Ronald e eu estamos felizes com esta viagem e estamos carregando uma bagagem “grandinha”, plena de valores afetivos. Cuidamos o peso de cada mala para que não ultrapassassem os 50 pounds permitidos por unidade - duas unidades por pessoa. Assim, não pagamos excesso. Estive em lojas fantásticas pela variedade, qualidade e preço. Presentes de Natal solucionados!
Depois do check in , almoçamos, num típico restaurante americano, com Daniel e Lora, pais adotivos de Ron. Gosto muito deles - e eles, de mim. De Paxton a Blomington, são 80 km. Daniel não dirige mais, mas vieram nos trazer com Lora dirigindo. Impressionante como os velhos aqui são independentes e fazem sua rotina. Ontem, estacionou um carro ao meu lado na frente do correio, em Paxton. Desceu dele uma senhora que retirou do carro um andador e, segurando-se nele, entrou no prédio do correio, de onde saiu, minutos depois, carregando cartas e um pequeno pacote. Num posto de gasolina, vi uma senhora abastecer o carro, pagar, buscar pano e escova e limpar os vidros. Sozinha, claro! Sem exagero, essas duas mulheres deviam ter maioridade quando eu nasci. Quero muito ser assim. Muitos velhos, velhos mesmo, nas cidades pequenas e nas fazendas.

Voltando às comidas, quero contar que comi “tudo” Comi sem remorso, sem culpa, sem restrições e com muitos gordos por perto. Senti a partilha! Estou voltando , depois de 45 dias, com dois quilos a mais. Pela primeira vez, não me sinto injustiçada. Engordei porque comi mesmo. Vem , agora, a” penitência”.
Lembrando dieta, aprendi , com Lora, a fazer uma sobremesa fantástica: maçã, com casca, cortada em pedaços fininhos, abacaxi, machimelo também em pedaços e iogurt ou creme de leite. Tanto pode ser com sal e acompanhar pratos com frango grelhado, como pode ser com adoçante ou açúcar e servida como sobremesa. Até passa por ligth.

Ficaremos seis meses no Brasil. Como sempre, saudades daqui, saudades de lá, saudades da Itália, saudades da Bahia, saudades de Roraima, saudades da Índia..e de tantos outros lugares. Será mesmo saudade essa lembrança boa de lugares fantásticos e esse desejo de revê-los?

terça-feira, setembro 22, 2009

Sobre cotidiano

Parece que o meu destino é mesmo andarilhar. Ou é destino ou é decisão. Aproveitei este mês para conhecer detalhadamente a região. Transito, o tempo todo, entre: Pana, Paxton, Bloomington, Champaign, Decatur, Springfield, Rantoul, Gibson, Montecelo,Taylorville, Shelbyville, Tuscola, Mattoon e tantas outras cidades principalmente de Illinois. Neste período do ano, as estradas são um pouco monótonas: percorrem-se quilômetros, muito planos, com plantaçoes de milho à direita e plantaçoes de soja `a esquerda. Tudo muito verde. Depois muda: soja à direita, milho à esquerda. Na última semana, mudanças na paisagem: milho e soja amarelando! Logo o verde será substituído pelo amarelo. Saudades de algum morrinho!
Descubro, cada dia, uma característica ou traço da cultura local que eu ainda não apreendera. Tem sido ótimo conviver com o hábito de servirem café , num copo imenso, em todas as refeições, em qualquer restaurante. Recebemos muitos convites para almoços, piqueniques, festas. Na semana passada, fui a dois eventos muito interessantes. O primeiro, um almoço na casa de Pauline, uma senhora que foi missionária no Equador durante vinte anos e hoje vive numa fazenda em Gibson. Pauline tem elegância, agilidade e vivacidade que encanta a qualquer pessoa. Meu sonho é chegar à idade dela e me parecer com ela. Ela me ensinou a fazer uma torta de maçã fantástica e muito fácil . A massa é feita com duas xícaras de farinha, uma xícara de manteiga e meia xícara de água. Depois de bem amassada e aberta cobre-se uma forma com a metade dessa massa. Descascam-se as maçãs (muitas) e cortam-se em pequepos pedaços , que são postos na forma. Sobre essas maçãs picadas, polvilha-se uma xícara de açucar e meia xícara de farinha , Acrescentam-se pedacinhos de manteiga. Cobrem-se as maçãs com o restante da massa aberta , faz-se aquele "enfeitinho" nas bordas e põe para assar - os primeiros 15 minutos em fogo alto ( 180) e os restantes , em torno de 45 min, em fogo baixo. Fica uma delícia. Adorei a visita a Pauline. O segundo evento foi um almoço em Bloomington, no que resta da Escola Militar onde Ronald foi aluno interno durante quatro anos de sua adolescência. Funciona, nesse lugar , um centro comunitário, com muitos eventos voltados à terceira idade. Tem um parque lindo e uma escultura fantástica, colocada ali pelos ex-alunos com o objetivo de manter a memória do lugar. Foi distribuída uma publicação dirigida aos ex-alunos, com a listagem dos que se inscreveram para a festividade deste ano e , no final , a lista dos que morreram após o último encontro , há dois anos. A concretude da transitoriedade me abalou muito. Ronald está entre os mais jovens - ainda bem - sempre temo o único estado civil que eu não ainda não experimentei!
As igrejas aqui constituem o ponto de encontro de muitas pessoas e talvez a referência maior de amizade, convívio e solidariedade. Penso em escrever sobre isso. Amanhã cedo, viajaremos para Michigan. Ficaremos por lá alguns dias. Espero fazer boas fotos . Sei que a região é linda. Estou curiosa.
"Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto.."
Fernando Pessoa

terça-feira, setembro 15, 2009

Labor Day em Pana





Gosto de Pana porque vive aqui , numa casa histórica , minha amiga-irmã Eni ( http://www.panaillinois.com/mansion.htm ). É uma cidade com pouco mais de seis mil habitantes.

No desfile comemorativo ao Dia do Trabalho, dia sete de setembro, estima-se , no entanto, que mais de dez mil pessoas assistiram a ele ou dele participaram. Escolas e bandas vieram de cidades vizinhas para desfilar em Pana. Desfilaram , além de escolas e bandas locais, fazendeiros, comerciantes, profissionais liberais, grupos da terceira idade ( ou seria quarta?) , funcionários públicos, famílias, misses, rainhas, partidos políticos e igrejas. Muitos carros alegóricos ou caminhões vinham com essas rainhas ou misses sentadas sobre fardos de feno - esta é uma região realmente rural. Os muitos carros antigos me encantaram - como me encantaram a perfeição das demonstrações de ginástica rítmica e olímpica. Ao longo do trajeto, pessoas que levaram cadeiras, ficaram ali muitas horas , participando, ativamente, da festa. Todos os que desfilaram, distribuíram doces e brindes para os assistentes. Meus amigos juntaram, para levar a uma instituição de caridade, duas sacolas de itens diversos,como: caramelos, chocolates, lixas de unha, escovas de dente, chicletes, pirulitos e outras coisas mais. O desfile teve características de uma festa popular, com um único momento solene: quando passaram dois carros do exército, os assistentes todos levantaram e aplaudiram demoradamente. Particularidade da região, pensei eu.

Também em Pana, visitei a Feira Anual de produtos agrícolas principalmente. A novidade de que mais gostei foram os concursos. Muitos e dirigidos às famílias: arranjos de flores naturais , artificiais e silvestres; artesanato divididos em categorias diversas; doces, bolos e pães caseiros; produtos de horta e pomar; costuras, pinturas, esculturas e fotografias. No conjunto , mais de cinquenta categorias. Prêmios em dinheiro. Prêmios pequenos : 20, 10 , 5 dólares, mas um incentivo grande à participação.
Bem que se poderiam fazer concursos semelhantes em Alegrete ou Rosário do Sul. Pensando nisso, reuni materiais informativos e fiz fotos dessa parte da Feira.
Agora, preciso descobrir para quem faço essa proposta.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Chicago II



É fácil mover-se em Chicago. Muitos dos lugares que eu selecionara para visitar , estavam concentrados no centro da cidade , no "Loop " ( assim chamado por ser um circuito que volta ao mesmo lugar) ou na Magnificente Mile, perto de onde eu estava hospedada.

Fazer um sightseeing é uma boa opção para a primeira visita a qualquer cidade grande ou cidade com muitas atrações. A vista panorâmica dá a possibilidade de fazer belas fotos. As informações dadas ajudam na compreensão do que se vê.
Só a arquitetura dessa cidade já vale a visita. Chicago, no entanto, oferece muito mais. O Field Museum é fantástico. Imenso! Uma parte dele oferece informações sobre a água no mundo, detalhando , ainda, movimento, tratamento e distribuição dela em Illinois. Interessante também a parte dedicada aos piratas - um documentário sem os encantos e os exageros da ficção sobre o tema. Claro que fui ver a parte dedicada aos índios americanos, especialmente a cultura material de grupos diversos. Precisa-se de, no mínimo, dois dias para ver o Field Museum. Perto dele, está o Aquário, que não tive interesse em ver porque conheço o de Atlanta, que dizem ser maior e mais bonito.
Também é interessante passar algumas horas no Navy Pier. Ao ser construído, em 1916, era o maior parque do mundo. Usado como centro de treinamento na Segunda Guerra, foi reaberto em 1995. Não chega a ser estupendo, mas oferece uma linda vista do Lago Michigan. Perto do Navy Pier, está o Museu das Crianças , um centro de atividades voltado para a família. O Museu da Ciência e da Indústria me fez lembrar muito os apaixonados por informática. Jogos interativos fantásticos. Inspiração advinda dos videogames. Experimentei pilotar um carro de corrida. Gastei, logo de início, todas as minhas "vidas". Ron fez dez vezes mais pontos do que deu. Pago mico, mas nao morro curiosa! Gostei da parte dos meios de transporte: carros antigos, locomotivas, navios , aviões...e uma fantástica maquete da região com trens em funcionamento.Há tanto o que contar, mas estou com preguiça!

Como amo papéis, não posso finalizar sem referir às livrarias. Só ali, eu poderias ficar alguns dias! Duas visitas a Chicago mostraram-se insuficientes. É mesmo uma bela cidade.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Chicago I


Chicago ( Illinois ) é atualmente a terceira maior cidade dos Estados Unidos. Estende-se por quase 50 km ao Sudoeste do Lago Michigam. Injustamente, sempre relacionei Chicago a Al Capone e nada mais. Depois, ouvi de Patati e Gugu referências muito elogiosas a essa cidade. Como sempre faço, depois de saber que ia conhecê-la, procurei ler bastante sobre ela.
Foi a primeira vez que viajei de trem nos USA. De Champain , que tem seu nome grafado asssim mesmo, a Chicago, são 2h30min. Com trens bons, eficientes, baratos, mas com poucos turistas e sem o charme das estações e dos trens europeus. chega-se próximo ao centro da cidade - sem o transtorno de procurar estacionamento.
Hospedei-me no "Comfort Suites" , hotel com excelente relação custo/benefício e localizado na avenida principal , há uma quadra do consulado brasileiro ( GM.IL352@choicehoteis.com).
A cidade impressiona, já à primeira vista, pela arquitetura arrojada e pelos edifícios altíssimos. Vai-se, então, descobrindo por que Chicago é famosa como centro de inovação arquitetônica. Ali convivem estilos diversos - de elementos greco-romanos às grandes criações da "Escola de Chicago". Penso que Téssia e Brenner iriam gostar muito daqui.
A cidade sofreu um incêndio devastador em 1871. Um grupo de arquitetos remodelou-a posteriormente. Uma das partes mais afetadas pelo incêndio é onde está hoje a Avenida Michigan com seu trecho mais elegante, a Magnificent Mile. Nesse trecho, encontram-se muitos nomes conhecidos internacionalmente: Guess, Armani, Zara, Coach, Banana Republic e tantos outros. Numa parte dele, parece que se está em Milano, centro de moda, tantos pelas grifes quanto pelos preços altos.
É uma cidade bonita, clara, bem ajardinada, com parques e museus fantásticos, seja pela grandiosidade seja, pelo acervo, como é o caso Museu das Comunicações, bastante enfocado na história do rádio, o que me fez lembrar muito da minha amiga Aurea, assim como a Tribuna de Chicago me fez lembrar a Rosana.
Na próxima semana, voltarei a Chicago. Desta vez, quero ver o Instituto de Artes.
PS. Nesta última foto, uma passarela que me faltou coragem para encarar.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Retorno a Illinois


Levantei cedo. Banho,café,última revisão de bagagens e documentos, choro – parece-me que chorar ao despedir-se de filho é instituição materna – hora de partir.
Valéria me leva até a estação do MARTA. Ao entrar no trem , um pequeno acidente : enfio uma unha do pé no canto da mala. Dói , sangra e me faz esquecer todos os problemas existenciais. Choro de dor. O trajeto até o aeroporto é longo. Vem a calma e até a vontade de rir. Relembro outros tantos desastres , todos oriundos da minha patetice e lerdeza.


Chegada tranquila ao aeroporto. Eu havia feito check in na noite anterior e pago os quinze dólares pela única mala que eu levava. Tudo ok até pesarem minha mala. Passara três quilos do limite. Eu deveria pagar, por esse excesso, noventa dólares. Decidi retirar a mala e tentar diminuir esses miseráveis três quilos . Retirei da mala dois livros, uma bolsa e um sapato. A mala foi pesada novamente. O excesso agora era de 800 gramas. Retirei vidros de vitaminas e uma echarpe. Agora sim: peso exato. Mala despachada.


Começava outro problema: que fazer com todo o “excesso”?
Eu passaria a carregar duas bolsas muito cheias . E a bolsa de viagem, que já estava estourando , recebeu um “reforço”. A saída era jogar fora algumas coisas. Talvez o belíssimo livro , em inglês, sobre o Brasil , que eu comprara na FNAC, em Porto Alegre, como presente para Kevin e esposa? Não! Talvez a embalagem com um pedaço de bolo ( supergostoso) , que Valéria, tão gentilmente, mandara para Ron? Decididamente não! Talvez um sapato meu ( além de novo , custou caro).

Também não! Computador? Câmera? Acessórios eletrônicos? Perfumes? Presentes? Nem pensar! Resolvi carregar tudo!Levar presentes ainda é o meu mais concreto ato de amor. A passagem pela segurança foi um vexame. Precisei de cinco recipientes para acomodar o que passaria pelo RAIO X. E aguentei , com cara de idiota, o evidente desagrado dos que vinham depois de mim. Ultrapassada essa fase, sentei e tentei reorganizar minha superbagagem de mão e reunir forças para carregá-la.


O obstáculo seguinte foi uma escada rolante que me levou ao trem interno. Entrar no trem não foi fácil. Descer idem! Outra escada rolante e entrei no terminal C – portão 52! Longe esse portão. Precisei de três “paradas técnicas”. Quebrei uma unha da mão. Rebentei a correntinha protetora que Ronald me dera para eu viajar ,em razão dos muitos acidentes aéreos. Machuquei um dedo. Pensei comprar uma mala pequena com rodinhas – só não o fiz porque me lembrei das tantas outras vezes que fizera o mesmo e da coleção de malas que disso resultara. Encarei!
Enfim, cheguei sã e salva ao portão de embarque. Agora é só entrar e sair do avião em Bloomington, onde me espera Ron.
Várias vezes eu ri, em meio a todas as dificuldades, porque veio, de algum cantinho da minha memória, um “versinho”que uma tia minha costumava cantar , ao final da história triste de uma moça que desejava muito casar e , pagando uma promessa, enfrentava o frio e a chuva. Era assim:
“Dorme corpinho arrenegado
Hoje tu estás com frio
Amanhã , tu estás casado”.

Quando eu voltar – e nas minhas próximas viagens – Ronald estará comigo.

terça-feira, agosto 25, 2009

Auguri!

Amanhã é o aniversário do meu filho, Paulo de Tarso, a quem eu chamo de Patati. Talvez essa data tenha desencadeado tanta nostalgia, tantas recordações, que me impediram de dormir. Noite longa e insone! Rememorei o dia anterior ao nascimento dele, 25 de agosto. Trabalhei , nesse dia, durante três turnos - eu estudava e tinha três emprego. À noite, no terceiro turno de trabalho, consegui dar as quatro aulas programadas. Cheguei em casa às 22h30min. Havia entrado, prematuramente, em trabalho de parto.
Eram , ainda , tempos duros de repressão. A memória do 1964 estava viva e doída. Eu protelava, por isso, à ida para o hospital , esperando passar a meia-noite, querendo que meu filho nascesse no dia 26. O médico - Dr. Romário - entendeu -me e concordou em fazer a cesareana depois do "Dia do Soldado". Somente quem viveu naquele período politicamente difícil entenderá isso, que hoje pode parecer uma bobagem. Nasceu Patati com oito meses de gestação, magrinho e feio. Ficou três dias numa caixa de vidro, em meio a fios e aparelhos. Eu ia vê-lo três vezes por dia, durante alguns minutos. Sentia um medo terrível de que ele não sobrevivesse. No quarto dia de sua vida, retornamos à casa. Uma semana depois , retornei a um de meus empregos, um pré-vestibular onde eu ensinava Língua Portuguesa. Eu tinha 27 anos, tinha força e determinação. Queria ser uma boa profissional. Patati cresceu sadio, inteligente e bonito. Nunca o imaginei o adulto de hoje. Ele era apenas o menininho que eu desejava tanto, após ter tido uma menina. Os filhos crescem e se vão. Rápido demais! São tão lindos e tão diferentes entre si.

"Há pessoas a quem o arranhar das paredes impressiona
E outras que se não impressionam
Mas o arranhar das paredes é sempre igual
E a diferença vem das pessoas. Mas se há diferença entre este sentir
Haverá diferença pessoal no sentir das outras coisas
E quando todos pensem igual duma coisa é porque ela é diferente para cada um".
Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 19, 2009

" Lá vou eu..."


Bela União / Rosário do Sul / Porto Alegre. Alguns dias ótimos com Ary, Zeli, Juninho, Fabianinha,Pedro. Depois, Porto Alegre/São Paulo / Miami / Atlanta. Viagem boa, apesar do medo de avião. Acreditem! Eu realmente tenho medo!
Voltei "às boas"com a VARIG. Rejeitei inicialmente a fusão dela com a GOL. Sensação de perda e fracasso. Aos poucos , fui assimilando essa fusão. Consolidei-a quando o programa de milhagem passou a ser comum às duas. Tenho "cartão ouro" desde a sua criação. Já emiti dezenas de bilhetes com Smiles. Agora, melhorou ainda mais. Duas outras companhias, que eu costumo usar - Air France e a American Airlines - integram esse programa de milhagem. O Smiles me dá, além de bilhetes aéreos, acesso à sala VIP - com café, pão de queijo e internet!
De Porto Alegre a São Paulo, tudo ótimo. Uma espera de seis horas em Guarulhos já me cansou um pouco.

Logo no início do vôo para Miami, senti que teria problemas. E tive! comecei com caimbras nas pernas e , depois, dores muito fortes. Chamei um comissário de bordo e falei sobre a dor que estava sentindo. Sugeriu-me que eu caminhasse um pouco. Enquanto eu caminhava, ele "descolou"um lugar na excelente classe executiva da American Airlines. Assim que deitei, dormi profundamente - até sonhei que estava apanhando bergamotas ! Acordei sem dor e com o café sendo servido.
  


Em Miami, fiz alfândega, respondi por que havia estado no Egito este ano, mostrei a passagem de retorno e ...tudo bem.

Mais quatro horas de espera e, enfim, a conexão para Atlanta. Desci em Atlanta, maldizendo o peso da minha bagagem. De trem, fui do aeroporto à estação onde Valéria e Massimo me esperavam. Ótimo. Uma semana aqui e , depois, Atlanta / Bloomington / Pana.
PS. Impossível não fazer algumas comprinhas: liquidação de verão, preços baixos , roupas lindas, muitas novidades.Paraíso do consumo.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Fernando Pessoa.

"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."