sexta-feira, janeiro 25, 2008

"Amigo é coisa pra se guardar ..."

Gugu me pediu para eu escrever sobre os amigos dos meus filhos. Ele gostaria de que "os pequenos da família" pudessem um dia ler sobre essas pessoas. Eu posso escrever sim. Sobram-me lembranças - e saudades.
Assim, com esse registro, atendo também ao objetivo deste blog: transmitir informações aos nossos descendentes, contando a eles, com afeto, um pouco de nossa história.

É madrugada. Estou na praia e estou sem sono. Não preciso levantar-me cedo, portanto disponho de tempo. Posso escrever, pensar, recordar momentos e pessoas importantes na minha vida e na vida das "crianças".

As recordações nao têm cronologia nem hierarquia. Simplesmente jorram - e eu as registro assim.

Recordo Fabiana, em seus primeiros aniversários, já acompanhada de muitas amigas e amigos, crianças lindas que se tornaram belos e batalhadores adultos: Cristiane, Desirée, Gutinho, Neto, Daniela, Maninha, Eleonora, Anizereth, Adriana.

Fabiana tinha e tem ainda um amigo muito especial, que é André Ricardo. Quando eu saí de Santa Maria, Ricardo, com toda a sensibilidade e generosidade que o caracteriza, ofereceu-se para ficar com a Gata ( assim mesmo, nome próprio, por isso escrito com letra maiúscula), uma siamesa velhinha, os mimos do Patati. Gata ficou com ele até morrer.
Ilka, minha grande amiga, e eu esperávamos nossos bebês para o mesmo período. Quando eu fui para o Hospital fazer cesareana, ela solidariamente me acompanhou. Nasceu Gugu e, quinze minutos depois, nasceu Viviana; cinco minutos mais, e nasceu Valéria. As meninas sempre o consideravam o mais velho, assim como eles consideravam Valéria a caçula dos três. Foram as primeiras e maravilhosas amigas de meu filho. Os outros filhos da Ilka e do João ( Ricardo,Sérgio e a minha afilhada Adriana) sempre foram amigos da Fabiana e do Patati. Criaram-se muito próximos.

Meus filhos eram amigos dos meus amigos. Recordo nitidamente alguns deles chegando à minha casa, sábado à tarde, com revistas, CDs, livros. Não vinham visitar a mim. Vinham visitar os meninos. Esses amigos transmitiram valiosos ensinamentos a meus filhos, além de serem referência afetiva para eles. Até hoje, pessoas , como Daudt, Maria, Fausta e Neusa ( do Centenário) ,Rosana, Benetti, Rolando, Nica, Ronaldo, Antoninho, Déborah, Clóvis, Ronai, Pithan, Ana, Marta, Afrânio, Neneca, Cláudio Lovato, Luís Antônio, Odilon, Odete, Edmea,Luís Behares, Adalberto, Maria Alzira, continuam sendo amigos de meus filhos, sempre lembrados por eles. Na Bahia, agregamos a esses amigos algumas pessoas muito especiais - Oscar Lepikson,Tomás, Sebastião, Lúcia Matos , Pe.Pedro, Ramón e Anajar - por quem Gugu e eu temos um grande afeto.
Dos tempos do Colégio Centenário, onde os meninos estudaram, lembro de dois amigos do Patati : XS ( penso que o nome era Alexsandro) e João Batista. De Alegrete, lembro mais do Gabriel Moojen e do Caco. Já na UFSM, ele teve amigos maravilhosos: Verinha Mazza, Iva, Fábio, Otto, Jaques, Luciano Sulzbach, Adriano Vargas, Flavio Zimermann,Guinot , Luciano Juchen, Miriam Pfluger, Edson (SP), a Marcinha Jappe. Quando Patati foi picado por uma cascavel e esteve em estado gravíssimo, eu recordo , um por um , os meus amigos, durante muitas horas, em frente ao CTI . E ali estavam também os amigos do meu filho e , muitas vezes, os pais desses amigos. Nessas horas, quando a dor e a angústia pareciam ser maiores do que eu mesma, o apoio e a solidariedade foram também intensos, constantes e inesquecíveis.
Gugu sempre foi muito generoso e acolhedor. Quando pequeno, em Camobi , era amigo de . Mariozinho, Melina, Gustavo, Fernanda e Gabriela, Cristhian, Rodrigo e Adriane, Lucas e Marcos. Depois, na UFSM, ele era amigo de amigos do Patati e de outros que vieram mais tarde, quando Patati já havia viajado para trabalhar. Lembro, com carinho, da Maíra, da Taiara e do Tadany, que muito transitaram pela minha casa; de Henry, Naiane,Vianei,Daniela Oda,Thais e Larissa Verissimo, Andres, Roberta Perdomo, Luciano Gifonni. Na Bahia, Gugu deixou outros bons amigos : Filipe, Juares, César,Hermerson, Maria Helena, Thais, Rosalia e Gabriela. Tanto na Bahia quanto no Sul, GAdicionar vídeougu sempre foi muito amigo do Betinho e do Hélvio, meninos que aprenderam, especialmente com a mãe deles, a serem amigos dedicados e verdadeiros.

Fabiana , Patati e Gugu , em diferentes momentos de suas vidas, foram amigos de Fabricio. Tão longa e efetiva convivência, fez com que Fabricio fosse assumido como mais um dos meus filhos.Hoje ele vive na India, e nós sentimos saudades dele.

Durante um ano, morou conosco Ryan, um menino do Canadá. Antes disso , Patati havia morado com Ryan em Saskatoon. Alegre, inteligente, íntegro e muito "gente boa" marcou sua passagem pela nossa casa com afeto e amizade. Sempre o recordamos.


É. Eu deveria ter escrito sobre os amigos dos meus filhos há bem mais tempo. Hoje , quando penso neles, relembro imagens, falas, sorrisos, risadas, discussões, aprendizados, mas já não recordo muitos nomes. Bom seria que todas as pessoas escrevessem diários ou blogs, guardassem cartas, agendas e fotografias, fizessem, enfim, registros que impedissem o esquecimentos de pessoas e fatos, bonitos e marcantes, partes da história de quem amamos tanto.
Penso agora por onde andam essas meninas e esses meninos? Que caminhos escolheram para trilhar? Qual o destino de cada um?

"O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo.
O que for o teu desejo, assim será tua vontade.
O que for a tua vontade, assim serão teus atos.
O que forem teus atos, assim será teu destino."
Brihadaranyaka Upanishad IV , 4.5

domingo, janeiro 20, 2008

Aos pequenos de minha família



Quando eu era menininha e vivia na Bela União, minha mãe, nas longas noites de inverno, depois de limpar a cozinha e enquanto costurava, remendava, "escolhia" feijão ou iniciava o preparo de algum alimento para o dia seguinte, contava-nos histórias dela e de nossas familias materna e paterna.
Minha mãe falava também de sua infância, de suas irmãs e irmãos, de seus pais, tios, padrinhos, primos e primas. Falava sobre lugares, roupas, objetos, boas maneiras e costumes em geral da região .

Desde cedo fui apresentada e inserida numa família muito grande. Desenvolveram, dessa maneira, em todos nós, o senso de historicidade : antes de nós, começara já a nossa história. Aprendi, assim, quem eram e como eram e como se chamavam meus parentes - alguns já mortos , como tio Oscar e tia Lola, e outros que eu não cheguei a conhecer. Eram histórias bonitas. As histórias "feias " seguramente não podiam ser contadas para as crianças.

Eu amava essas narrações, intercaladas por descrições minuciosas de cenários, comportamentos e caracteríticas pessoais .Quando eu aprendi a escrever, fazia listas com os nomes das pessoas da família ( estratégia que usei muito na escola, quando trabalhei com crianças, visando à fixação da grafia, o uso de maiúsculas com substantivos próprios e à integraçao delas no universo familiar ).

Aprendi o nome de minhas tias e tios maternos : Luís, Lourival ( Lorito), Oscar, Claristina, Carmela, Ítala, Maria Júlia, Lola, Alda. Aprendi o nome das minhas tias e tios paternos: Bernardo, Joaquim Luís, Constantino, João, Tobias, Napoleão, Estêvão, Alberto, Maria Antônia, Constância(Pina) e Maria Rosa.
Pensei nisso hoje, ao falar para o Pedro ou relembrar com ele o nome de seus tios , dos primos de sua mãe e dos filhos desses primos. Dei-me conta de que a família cresceu muito, os contatos já não são freqüentes e muitos dos "pequenos" eu nem os conheço. Não consegui relacionar o nome de todos os filhos dos meus sobrinhos, de quem eu sou tia-avó. Procurei fotos e fiz uma amostragem. Crianças, adolescentes e jovens lindos - lindos mesmo esses bisnetos dos meus pais.
O poeta e jornalista angolano Aires de Almeida Santos escreveu " os netos são filhos com açúcar"... imaginem os bisnetos!

domingo, janeiro 13, 2008

"Filhos... Filhos?Melhor não tê-los!"


















Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

..................................

Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos

..................................

Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão.
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Li esse Poema Enjoadinho quando eu não tinha filhos, quando a filha era eu ( Vinicius de Morais o escreveu na década de 60) . Achei-o bonitinho. Hoje ele me parece incompleto. Passa a fase de beber shampoo - e os meus beberam. Passa a fase da adolescência - belissima, mas mesclada de angústias e inseguranças.... Tornam-se adultos - a fase hoje das minhas crianças. E, então, vão embora! E têm que ir. Mas vem a saudade - essa saudade que me faz falta o poema referir.

Recordo quando Patati , que estava terminando a Universidade , reclamou do pouco tempo de que eu dispunha para estar com ele. E me disse: "logo eu vou embora e não teremos mais esse tempo para conversar e conviver". A afirmação me pareceu estranha. Meus filhos sempre estiveram comigo. Eu sentia como se isso fosse para sempre. Já faz 12 anos que ele foi morar em Atlanta. Fabiana havia saído antes de Patati. Gugu saiu há quase dois anos. Foram-se!

Aprendi com minha mãe que não se deve chorar facilmente. "Quem por tudo chora, por nada tem sentimento" dizia sempre ela. Eu raramente choro. Hoje, entretanto, chorei de saudades dos meus filhos. Recordei-os em todas as suas idades. Lembrei-me de suas histórias, de suas roupas, de seus brinquedos, de suas festas de aniversário, de seus problemas na escola, de seus amigos, de suas doenças, de suas alegrias, de suas dores, de suas paixões. À saudade deles acrescentei também a saudade de outros filhos que a vida me deu: Mile, Claudinha, Frederico, Fernando, Fabianinha, Cláudio, Edmara e Fabricios ( o Menine e o do Canto). Todos tão maravilhosamente diferentes entre si. Todos tão bonitos e tão boa gente. Todos , com exceção da Fabianinha, neste momento, estão geograficamente distantes de mim. Todos , contudo, tão presentes no meu afeto e nas minhas lembranças.


Quando penso nos meus filhos, penso nos meus erros e acertos. Nos erros, principalmente, embora a gente nunca consiga delimitar ou visualizar essa fronteira entre acerto e erro . Já faz alguns anos, recebi uma mensagem do Patati .Esquecendo os conselhos da minha mãe, chorei muito ao recebê-la!Deixo-a aqui para os meus netos ( licença, meu filho?):


"A minha mae gosta de jardins e plantas. Em todas as casas que nós moramos, ela plantou um jardim enorme. Arvores frutiferas, flores, arbustos. Plantas que, depois de muitos anos, depois que a casa já tinha esquecido da gente, certamente dao frutas e alegria e sombra para pessoas que a gente nunca conheceu. Ela plantava sem nunca se perguntar para quem plantava ou quem colheria os frutos.

A minha mae gosta de gente. Por todos os lados onde ela passou, ela cultivou gente. Como plantar um jardim. Encontrar boas pessoas, coloca - las no lugar correto, dar as condiçoes para que cresçam, o apoio, o ombro para chorar quando precisam, o puxao de orelha quando necessario, principalmente o entendimento de que cada pessoa cresce diferente, e que o papel do jardineiro nao é de crescer a planta, é só de fazer o possível para que a planta possa crescer.

A minha mae gosta de ser mae. É a maior mae do mundo. É mae minha, do gugu, da Fabiana, do tio mile, da fabianinha, do fernando, do fabricio, de tanta gente que eu conheço, de outras tantas que eu nunca conheci. O mais incrivel é que mesmo tendo que dividir a minha mae com tantos outros filhos, eu nunca tive falta de mae. Sempre teve amor para todo mundo - e de sobra.



Eu te amo muito Mae, feliz dia das maes!


Patati


Obs. Sempre que a leio, choro.Apesar do exagero, quero acreditar no meu filho.Me faz bem.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Amanheci pensando assim...

"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e todo o mundo lá fora
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."


Fernando Pessoa

domingo, dezembro 30, 2007

2008 : promessas e simpatias





















Passei muitos anos da minha vida escrevendo, a cada início de ano, que meus dois problemas começavam com a letra "E ": economizar e emagrecer. Promessas para o ano novo giravam em torno desses dois verbos. Pretendo ignorá-los hoje. Certamente não vou engordar por isso...nem gastar mais.























Minha agenda terá metas simples e quantificáveis. Responderei a todas as mensagens e cartas que receber. Terei outro cachorro além do Tobi. Plantarei, no mínimo, vinte oliveiras e vinte pessegueiros. Tentarei localizar os afilhados que perdi de vista. Farei uma viagem. Levarei um presente que trouxe da Índia para a Marta e outro para a Maria do Carmo. Visitarei a Antonieta. Não perderei mais o telefone do Luisinho.






















Começarei a escrever um livro sobre minha região. Pedirei ao Dudu que me dê notícias. Passarei uma semana com Alex e Gisela. Pedirei ao Mile , no mínimo, duzentas vezes, que ele deixe de fumar. Idem para a Fabiana. Idem para o Cláudio. Diminuirei, pela metade, o quantidade de sapatos que tenho. Tricotarei casacos para o Pedro, Raven e Raiz. Não olharei novelas, mas lerei os resumos para participar das conversas sobre o tema. Direi às pessoas que amo o quanto elas são importantes para mim.
























Comerei lentilhas, uvas e sementes de romã. Se a multidão permitir, chegarei, logo depois da meia-noite, até o mar e pularei três ondas. Usarei roupa amarela. Deixarei luzes acesas e portas e janelas abertas para entrar sorte ( e se entrar um assaltante? melhor não arriscar!) . Acenderei velas na praia.



Bela União





















Mais ainda, agradecerei pelo ano que finda, pela conclusão do curso da Melina, pelo prêmio que a Alda ganhou, pela temporada em Floripa com a Zeli, pela saúde de meus filhos, pelas reformas e contruções na Bela União... Aproveitarei o convívio dos que estão próximos. Pensarei com saudade nos amigos e familiares distantes. Rezarei pedindo que 2008 nos preserve a alteridade, a generosidade e a alegria. Afinal, estamos vivos - e isso é o que importa!


Bela União



Aproveitarei o convívio dos que estão próximos. Pensarei com saudade nos amigos e familiares distantes. Rezarei pedindo que 2008 nos preserve a alteridade, a generosidade e a alegria. Afinal, estamos vivos - e isso é o que importa!





quarta-feira, dezembro 26, 2007

"Natal , Natal das crianças..." 2007





















Bonita, simples , tranqüila, assim foi nossa festa de Natal. Zeli , como nos anos anteriores, foi o charmoso e divertido Papai Noel, que veio da rua, acompanhado de batidas de sino. Das crianças presentes, o "Bom Velhinho " só emociona mesmo a Gonçalo. Joaquim tem seis meses. Pedro, Juliano e Cadinho compõem o cenário e seguem as regras do jogo, para encantar o pequeno Gonçalo.Presentes foram entregues; fotografias feitas, como essas das crianças e do Mile , meu irmão.





















Eu preparei a ceia. Fiz tudo, até trocar embalagens de confeitaria para pratos de casa - e, assim , dar um "ar caseiro" que me permitisse insinuar que eu havia feito tudo. Um sucesso! Muito divertido foi o troca-troca dos presentes sorteados e as negociações estabelecidas. Saudades imensas de Gugu e Patati. Ainda bem que eles telefonaram. Antes da ceia, cada um agradeceu algo acontecido em 2007. Agradecemos muito por estarmos reunidos mais uma vez, com saúde, ânimo e alegria. Foi um verdadeiro Natal em familia.

domingo, dezembro 23, 2007

"É Natal, ..."
























Faz três dias que estou em Torres. Organizo cuidadosamente as festas de fim-de-ano. Sinto saudades de muitas pessoas. Sinto saudades de meus filhos. Mas, como sempre, faço festas de agradecimento e de esperança. Estamos todos bem ( Stanno tutti bene ), como no filme de Guiseppe Tornatore. Quero poder, em 2008, conviver com as pessoas que eu amo, ser gentil e ser grata com o mundo, ter paciência e ser cuidadosa com os outros e comigo mesma (Esta foto é de meu amigo Alex Arintzis) 

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Brasil / Uruguai : "Fronteira da Paz"


Uma diversão, para quem vive na região da Campanha, é ir a Livramento/Rivera, cidades divididas por uma avenida e com uma linha divisória que possibilita fazer-se uma fotografia com um pé em cada País. Literalmente.

Chego cedo e tomo café na Confeitaria City, onde, quando criança, pela primeira vez, vi encantada uma vitrine cheia de doces. A City trocou de lugar faz pouco tempo, mas continua com muitos doces em exposição.

Almoço no Restaurante do Hotel Brasil /Uruguai, onde Luisinho, meu irmão uruguaio, jurava que o garçon principal tinha mais de 50 anos de trabalho naquele hotel, reconhecendo clientes e sabendo o que costumavam pedir. Para nossa amiga Raquel, antes de qualquer pedido, trazia seu uísque preferido - e sem gelo.

Sou fascinada por fronteiras. Estudei-as, do ponto de vista lingüístico e educativo, durante 20 anos. Mas essa "Fronteira da Paz", como é conhecida , é muito especial para mim. Recorda-me as roupas novas de inverno. Recorda-me os alfajores, o doce-de-leite, o queijo, os caramelos - tudo com gosto de infância. Recorda-me as discussões acadêmicas, o dialeto de brasileiros e uruguaios, o encontro com amigos, grandes amigos, como Luís Behares, Raquel , Susana, Adolfo, Beatriz, Guillermo...Recorda-me os amigos de diferentes cidades que, por acaso , sempre encontramos ali.

Ontem estive em Rivera. O mesmo café, o mesmo restaurante, as mesmas compras. Os encontros também: minha irmã, meu cunhado e uma amiga, vindos de Bagé; um casal de Santa Maria, pessoas muito queridas.
Comprei coisinhas para Natal e Ano Novo e coisinhas para o veraneio. Comprei uma webcam, com que fiz a foto acima ( eu com cara de sono). Rivera é o lugar onde classe média vai às compras é bem divertido...Havia muita gente nas ruas e nas lojas - e , em final de semana, é bem mais. Formam-se filas nas ruas e nas lojas.

O dólar, a menos de dois reais, torna os preços favoráveis para os brasileiros. Voltei superfeliz. Acrescente-se , ainda, que meu gosto por viagens não implica tamanho de cidade ou distância: importa-me estar em movimento. Sempre.

terça-feira, dezembro 11, 2007

"... chegadas e partidas."



Já escrevi que a vida é isto: uma sucessão de chegadas e partidas. Hoje amanheci pensando em tornar mais prática essa afirmação, algo como "um contínuo fazer e desfazer malas". Arrumar malas é iniciar a viagem. Faço-as e desfaço- as muitas vezes, enquanto leio sobre os lugares que planejo visitar. Leio muito, buscando informações sobre geografia,
história, arte, costumes, lugares , clima, custos , hotéis, tudo. Vejo fotos. Planejo. Escolho. Sonho....

Neste momento, organizo a bagagem para Torres, onde devo permanecer até março. Não é propriamente uma viagem - é uma troca de domicilio. Passarei lá Natal e Ano Novo. E eu amo essas festas de fim-de-ano. Gosto até do "stress"que as antecede. Há muitos anos, minha familia se reúne em Torres. Primeiro, os meus filhos e meus sobrinhos eram as crianças . Hoje, as crianças começam a ser os filhos deles. A cada ano, mais um. Este será o primeiro Natal do Joaquim, filho do Fabrício e da Lu. Primeiro Natal também do Massimo, mas ele estará em Atlanta. Patati e Gugu não virão , mas Pedro deverá ficar suas férias comigo. Aprende-se, a cada ano , a lidar com as ausências e a saudade - e a esperança de reencontros e retornos.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Tributo à Figueira Caída




Vó Balbina que morreu há 50 , com seus 102 anos, contava que a figueira já estava ali quando ela "se deu por gente"... Sempre escutei essa história na família. Sempre a considerei uma árvore sagrada - árvore da sabedoria, árvore mencionada em textos bíblicos e, acima de tudo, para nós, árvore de nossos antepassados e de nossa infância.


Também escutei histórias de fantasmas, sentados à sua sombra - ou almas tranqüilas a mirar seus galhos - e histórias de tesouros enterrados junto a ela. Essas lendas povoaram meu universo infantil.


Nossa Figueira foi sempre muito fotografada , pois , junto a ela, compondo um conjunto e um cenário, com solidez e beleza, estava a "mesa de pedra ", grande, antiga e imponente também. Temos inclusive uma tela, aqui na Bela União, que retrata as duas.


A velha figueira , que devia se chamar Fenix , renasceu grandiosa e produtiva muitas vezes. Somente eu retirei dela mais de 20 outras figueiras , que já estão produzindo frutos. Agora, ela estava com bem mais de um metro de diâmetro e parcialmente oca - mas com muitas folhas muito verdes e muitos figos de tamanhos diversos.
Veio uma tormenta faz 3 dias. Ventos fortes e granizo. Arrancou uvas, pêssegos, ameixas, peras, laranjas... Quebrou árvores. Danificou hortas e jardins. Pior, arrancou a figueira.

( Confesso que algumas vezes pensei em usar o "espaço"da figueira para construir uma Biblioteca, mas não teria nunca coragem para "detoná-la". Ainda bem que tenho álibi : eu estava em Alegrete quando ela foi derrubada pela tormenta!)
Mas, quando a vi no chão,chorei. E meu primeiro pensamento foi para Massimo e Pedro: eles não conheceriam a velha figueira.
Súbito presencio uma cena surpreendente e triste: um beija-flor voa todo o tempo ao redor da árvore caída. Depois pousa em um galhos e fica quietinho, parado. A cena era tocante e impressionante. Imaginei que ele tivesse ninho ali. Busquei a câmera. Fiz fotos. E ele ali. O beija-flor voou quando eu já estava imaginando que era um pássaro machucado que nao se podia mover.Mandei examinar galho por galho da árvore à procura de seu ninho. Não havia nada de ninhos. Até quatro horas depois, quando a Figueira foi arrastada para longe, o beija flor esteve por perto. Creio que lhe prestava uma última homenagem.