sábado, junho 23, 2007

Uttaranchal - sobre seus cantos e encantos






















Eu nao queria sair da India sem conhecer um pouco do Estado de Uttaranchal. Havia lido muito sobre suas cidades e, como diz a Rosana, sobre seus cantos e encantos. Lamento que fiquei apenas uma semana. Como viajava de carro, entretanto, foi possivel visitar quatro cidades, incluindo a capital, Dheradum, que tem quase nada de interessante.
























Eh impressionante o ziguezague que se faz aqui por conta das estradas inexistentes para conectar , as vezes, cidades do mesmo Estado. Para ir a Uttaranchal, sai de  Himachal Pradesh, entrei em Punjab, depois em Haryana, onde dormi na cidade de Panchkula. Voltei a passar pelo Himachal Pradesch para, entao, chegar a Dheradum. 























Nao fiz nem uma viagem de carro que a velocidade media superasse a 25 km/hora. Para fazer , um dia, 240 km, gastamos 10h!!! Eu olhava o mapa e ficava toda contente porque estavam perto as cidades que eu queria conhecer!Para percorrer os 30 km que separa Dheradum e Mussorie , leva- se quase duas horas.























Em Panchkula, visitei o Templo Sikh, onde fotografei parte do Templo e um sikh, impecavel com seu turbante de sete metros de tecido.Os sikhs sao muito atuantes na India, tanto religiosa como politicamente, e profundos seguidores dos principios de sua religiao,surgida a mais de 500 anos, tendo como um dos seus objetivos o combate a divisao do povo em castas. Eles dominam o Estado de Punjab, um dos mais desenvolvidos do Pais.

























O assassinato de Indira Gandhi ( ela nao era parente  de Mahatma Gandhi) foi uma resposta dos Sikhs a atuacao dela contra o sikhismo. Dizem que os dois segurancas - sikhs - que a mataram foram queimados vivos.  Quando fui a Amritsia , capital de Punjab, e  visitei o Golden Temple, chorei, como chorei em Auschwitz ao ver os desenhos das criancas. Mas chorei, no Museu  sobre o massacre dos Sikhs, ao ver as fotografias , quando vivos e quando assassinados, de muitos homens daquela religiao, alguns com o rosto rebentado a tiros. Um horror! 

























De Old Manali a Dheradum, passa-se por lugares belissimos, como Kullu Valey , por onde corre o Rio Beas e por onde se percorre uma estrada linda de montanha ( fotografei as placas, caso voces queiram mais informacoes...)Kullu Valey eh conhecido como o Vale dos Chales. Eu havia comprado alguns clales na regiao tibetana. Em Kullu , nao resisti e comprei outros - lindos e baratos, de lã ou de seda. Ainda, ao longo do Rios Beas, estah a cidade de Mandi, que tem uma mesquita de impressionante beleza.























Almocei na estrada, no restaurante do Hotel Raja, em Jaro, Sunder Nagar, Distrito de Mandi - um restaurante tipicamente indiano, comida trivial muito boa e populacao local. Se eu jah nao estivesse acostumada com os olhares das pessoas, ficaria constrangida. Neste restaurante, como de resto em muitos lugares onde fui, as pessoas me olham, chamam a atencao de outras que tambem se viram para me olhar, comentam, apontam...muito engracado!






















A segunda cidade de Uttaranchal que visitei foi Mussorie. Eh uma cidade de montanha, com muito turismo interno.Poucos os estrangeiros que se veem aqui. Entre Dheradum e Mussorie, a distancia eh de 30 km, e a diferenca de altitude eh de 1300 m, dai a razao por que se leva, em geral, duas horas para ir de uma cidade a outra. Fiquei muito bem impressionada com os banheiros publicos de Mussorie. Numa situacao de extrema emergencia ,recorri a um deles ( existem muitos nessa pequena cidade ). Para minha surpresa e bem - estar, encontrei-os limpissimos, bem cuidados e bonitos, com instalacoes ocidentais e indianas. Um exemplo!





















Fiquei dois dias em Mussorie, num hotel bom, que parecia ter apenas o andar terreo - os outros cinco andares ficavam montanha abaixo. A cidade estava movimentadissima nessa epoca que lembra um pouco Gramado, principalmente pela variedade de ofertas de compra de artesanato e produtos tipicos dos Vales.  Fazia 20 graus ali -  e eu pensava nos 45 graus experimentados em Delhi e Varanasi.




















De Mussorie, fui para Rishikesh, a capital mundial da yoga. Cheguei num domingo de manha e me surpreendi com a primeira imagem - milhares e peregrinos chegando, gente de todo o tipo,carregando bagagens nas costas e oferendas nas maos. 





















Em Rishikesk, em 1968, viveram os Beatles, com suas familias, incluindo as criancas, durante dois meses. Eu havia lido muita coisa sobre a cidade, mas nao havia lido que uma ponte movedica atravessava o Ganges - e eu teria que passar por ela para chegar a lugar principal dos Templos e das peregrinacoes. Nem pensar! Fiquei tonta, assustada e ...desisti! Imaginem se eu nao cruzo por aquela ponte pequena que liga Torres ao Passo de Torres, ia cruzar por essa que eh larguissima! Almocei e fui  para Haridware , sem conhecer a parte mais bonita de Rishikesk e tendo pesadelos de que precisava atravessar aquela ponte com meus filhos bem pequenos.





















Haridware estah localizado bem onde o Ganges, o rio sagrado da India,  emerge do Himalaya. Aqui ocorre a mega Kumbh Mela, a cada 12 anos, que reuniu, no ultima vez , 20 milhoes de peregrinos - a proxima ocorrera em 2010. Eh uma cidade mistica , com impressionante numero de templos. Assisti aqui aa cerimonia diaria do anoitecer e  aa do amanhecer. Pelas fotografias se pode ter uma ideia do numero de pessoas. 





















Da moca que vende barquinhos de flores para soltar no Ganges, comprei um , mas nao o levei...era muita gente aglomerada ali... apenas pedi a ela que me permitisse fotografa - la. Eh muito impressionante o que  acontece diariamente nas margens do Ganges. Haridware e Varanassi foram as cidades que mais me emocionaram. Pretendo um dia voltar a visita-las  e visitar tambem Nainital, que nao fui desta vez e que desejo muito conhecer. Haja vida para tudo o que quero fazer !























Lembro o poeta indiano Rabindranath Tagore, premio Nobel de Literatura:
" Despertei e vi que a vida era soh servico. Servi e vi que o servico era alegria" E eu acrescento : e descobri, depois do servico,muita coisa para fazer com  alegria.

Himachal Pradesh
























Do Estado de Himachal Pradesh, conheci Shimla,  Dharamsala, Mcleod Ganj, Dharmkot, Kullu Valey, Manali, Vashich, Bilaspur, Mandi, Solan e Naggar. Muitas vezes, porém, mais interessante do que conhecer as cidades, é conhecer seus arredores, os vales, os rios, as estradas de montanha....o Himalaya , por exemplo. Interessante tambem foi viver em meio aos tibetanos, pois em Mcleod Ganj estah exilado o Dalai Lama e ali eh mesmo um territorio do Tibete. A cultura toda eh tibetana, incluindo obviamente a culinaria.























Postei aqui uma foto em que estou assistindo a passagem , numa rua central, do Dalai, considerado Chefe de Estado, com direito a batedores e a todas as honras... Eu estava em peh, quando ele passou, porque nao conhecia a regra de que nunca se fica mais alto do que a pessoa que a gente admira e considera uma autoridade. Percebi que errara, quando todos se abaixaram ao aparecer o carro que o conduzia.



















Em outras duas fotos, paisagens que eu via enquanto tomava cafeh. Uma outra em que procuro mostrar como as ruas estavam sempre com muitos monges budistas. E outra , ainda, com mulheres carregando  folhas que vao servir para os animais se alimentarem ou se aquecerem no inverno. Todos os dias, elas passavam  em frente ao hotel onde eu estava...muito bem vestidas, com joias e roupas lindas e curvadas ao peso do fardo que transportavam.




















Tenho boas recordacoes da parte tibetana da India. Aqui, tive uma supergripe, com muita febre e tosse. Fui muito bem cuidada por Fabricio, Krithika, Gugu, pessoal do Green Hotel, onde eu estava hospedada. Tive aulas de yoga com Zoli, um amigo do Gugu, que  se preocupou em me ensinar exercicios para respirar melhor. Consultei com o medico do Dalai Lama e estou ainda tomando os remedinhos tibetanos. Passeei muito. Vi cenas e cenarios inesqueciveis. O mundo tem sido generoso comigo.


sexta-feira, junho 22, 2007

Old Manali e Vashich

























Tive muitas horas de deslumbramento no trajeto Mac Load Ganj / Vashich. Como a velocidade dos carros alcança, nessa região, um limite de 30 km/h , há tempo suficiente para olhar e admirar a paisagem circundante. Vashich é um desses povoados que se custa a descobrir no Himalaia. O ponto de referencia é a proximidade com Old Manali - uns 5 km. Experiência fantástica viver aqui, num hotel bem indiano, na rua principal. Percorri a região, a pé ou de carro. Convivi com as pessoas da localidade e fui muito bem recebida pelos amigos de Fabrício e Kri. Foi um tempo tranquilo, de inesquecíveis vivências.
























Tive tempo aqui ateh para ensinar Fabricio a fazer trico. Ele aprendeu rapidamente e fez um casaco para Raiz, seu filho,  com lã que haviamos comprado em Kullu Valley, enquanto eu fazia uma echarpe para Khritika. Eu sempre sonhei ensinar trico para pessoas que ficam muito tempo em filas de espera - como, por exemplo, os motoristas de táxi - mas sempre esbarrei em preconceitos originados a cultura de que isso eh  trabalho de mulher. 






















Da janela do meu  apartamento ou do terraco onde serviam o cafeh, em Vashich, eu via essa paisagem linda do Rio Beas e via algumas montanhas jah branquinhas e outras de um verde lindo. Inesquecivel o Himalaya. Tambem, se olhasse para a esquerda, enxergava Old Manali e o verde belissimo que o cerca. Em Old Manali, estive em dois templos antigos de comovente beleza. Sobre um deles, existe a lenda de que ali atracou a Arca de Noe. Ao redor dos templos , parques com arvores imensas e um comércio variado e ativo. 

Gostei de Old Manali. É old mesmo!
Na parte nova de Manali, distante a uns cinco quilometros da parte velha,  há muitos hoteis, alguns bastante bons. Manali e seus hoteis sao conhecidos como lugar onde jovens casais indianos passam a Lua de Mel. Lembrei-me, agora, que Águas de Lindoia, no Brasil, também era lugar de jovens casais paulistas e mineiros passarem a Lua de Mel. A cidade ateh ficou conhecida pela denominacao de Cemiterio de Virgens. A cidade continua a existir:  soh perdeu a denominacao!





















Manali e Vashich constituem o inicio de viagens mais aventurosas , para reconhecimento e exploracao do Himalaya. Queria muito ter ido a Ladak. Faltou- me coragem para enfrentar o medo de aviao naquela regiao, embora se diga que piloto para encarar um vôo ali tem que ser muito bom. Sobrou-me o medo de enfrentar  muitas horas de carro no periodo em que as estradas estao transitaveis.  Limitei-me a percorrer, num jeep e com um motorista da região,  seis horas de estrada até as proximidades da montanha que, naquela região, separa  Índia da China.
Fiquei em Vashich quinze dias - quinze  excelentes dias, que compensaram  a dificuldade de chegar até lá...e de sair também.

domingo, junho 10, 2007

Visita a Naggar






Estive ontem na pequena cidade de Naggar ( uma hora de carro desde Vashich ). Esta a 1760 m de altitude, eh arrumadinha e muito interessante de ser vista. Durante 1500 anos foi a capital de Kullu Valey. Tem dois locais belissimos para serem visitados.
O primeiro eh o Castelo, que foi sede de governo e hoje eh um museu. O Castelo mais parece uma bela casa de fazenda, com uma varanda de madeira em toda a sua volta e de onde se pode ver o Beas Valley. Lindo lugar. Eh todo feito de pedras e madeiras intercaladas, formando barras ao longo de suas paredes. Junto ao Castelo, um pequeno Templo , feito de madeira delicadamente trabalhada , parecendo uma renda.
O segundo ponto eh a Roerich Gallery, antiga casa do pintor russo Nikolai Roerich, que viveu ali muito anos, em companhia da mulher , a escritora e pintora Helena Roerich , e do filho , pintor com trabalhos magnificos ( comprei algumas reproducoes de obras dele). Nikolai, era pintor, designer, cientista e escritor, muito conhecido no mundo todo pela sua obra e pela sua atuacao politica em favor da paz e em defesa da arte e a cultura. Morreu em Naggar, em 1947. Foi o criador de um simbolo da paz e, com esse simbolo e um texto, conseguiu a assinatura de mais de 60 chefes de Estado, num pacto em que se comprometiam a nao atacar monumentos culturais durante as guerras. Vale a pena ver seus trabalhos neste site: http://www.agniart.com/eng/folder-10588-1~Fine-art-posters~Roerich-Nicholas

quinta-feira, junho 07, 2007

India: notícias e fotos from Himalaia






















Da varanda do meu apartamento, tenho boa visao do vale estreito entre montanhas imensas. No centro do vale, vejo o leito do rio Beas, coberto de pedras brancas e , neste periodo, com uma estreita correnteza de agua fria e transparente que vem de montanhas mais altas e que correm no centro do desenho do rio. Estou a dois mil metros de altitude, em Vashich, enxergando, do outro lado do rio, a cidade de Manali, mais exatamente Old Manali, ja que a parte nova fica a alguns km dali. Segundo a lenda, foi em Manali que Noeh ancorou sua arca.























Nao pensava que o Himalaya fosse assim, tao exuberante, fascinante e sedutor. Parece que estou "aconchegada" pelas montanhas imensas que me cercam.Esta segunda foto eu a fiz da varanda do apartamento do hotel Surabhi, onde estou hospedada.Ontem , aas 06h, fomos - Fabricio, Krithika, Raven ,Raiz e eu - para Rohtang La, pouco antes do inicio do Spit Vale. Ali, nos 4000 m de altitude, estah vizinha a fronteira com a China - fronteira que nao pode ser ultrapassada, pois uma imensa e inacessivel montanha faz a divisa entre os dois paises.























Nao posso dizer que foi facil tanto ir quanto voltar Senti a mesma dor de cabeca que havia sentido em grandes altitudes no Peru. Mas valeu!Fomos ate a entrada do Spit Vale, caminho para Ladak, por uma estrada que soh fica aberta dois meses por ano...e ainda assim, com neve dos dois lados.Ladak precisa transportar, por exemplo, todo o oleo de que vai necessitar para os outros dez meses. Isso determina um transito intenso, numa estradinha que parece ter sido projetada para um carro soh. Como resultado, duas horas e meia de carro para percorrer 60 km.
























Vinda de um calor de 45 graus e procurando ter o minimo de bagagem, eu nada tenho de abrigo para o frio. Em razao disso, apareco, na foto com a Raven, " vestida" com um cobertor.
Como sou uma " campesina" por opcao , me encanta fotografar animais, como o touro YAK , que soh vive em montanhas a partir de cinco mil metros. Este , foi trazido para ser fotografado e para carregar criancas nele montadas. E bem mansinho e tem um pelo suave e longo ( Mile, se tu conseguires a montanha, eu consigo os yaks!)





















Tambem as cabras e os cavalos foram fotografados com o mesmo sentimento: saudades de casa.(Eh interessante sentir essa paz indiana, essa paciencia com tudo. Ficamos bastante tempo esperando a passagem dessas cabras... e ninguem se irritou com isso). A valorizacao da vida se percebe na India em todos os momentos, atraves do cuidado e da preservacao de animais e de plantas ( as vezes , uns bichinhos exageram , como esses passarinhos que teimam em participar do cafeh da manha comigo). 
Na India as campanhas contra o uso de material plastico eh intensa. A populacao cuida muito para nao poluir as montanhas e rios. Bares e restaurantes adotam garrafas de vidro reutilizaveis. Tudo eh embrulhado em jornal. Ao supermercados, levam-se cestas ou sacolas de casa ( lembro que, na Slovakia as sacolas de plastico dos supermercados sao vendidas...logo o consumo delas eh menor). 










































Gugu continua em Mc Leod Ganj no curso de meditacao, que termina daqui a 4 dias. Deve chegar aqui no dia 12, aa noite. Eu estou em Vashich com Fabricio e familia. Eles sao amorosos e cuidadosos comigo. Conhecem muita gente local - o que faz tambem com que eu seja muito bem acolhida por todos. Uma verdadeira bencao.Dia 14 proximo, comeco a " descer" . Devo ir a Rishikesh, Haridwar, Mussorie e Dhera Dun e , dia dezoito, chegar a Delhi, de onde pegaremos o aviao para Bangalore. Em Delhi, quero ficar o tempo suficiente de ver a Galeria de Arte Moderna da India.






















Chegando em Bangalore, temos ainda 10 dias para conhecer outros lugares . Eh provavel que a gente viaje para o Sul, onde as monsoes ( periodo de chuvas fortissimas) comecaram na semana passada. Pretendo conhecer Chenai e Madurai. Nossa passagem para chegar a Frankfurt estah marcada para  julho. Gugu voltarah ao Brasil no inicio de agosto. Eu ainda nao tenho data certa de retorno. " Deixa a vida me levar...."

sexta-feira, junho 01, 2007

Sempre saudades...







Sobre as fotos
- meu peh com apenas quatro tornozeleiras, mas vou ainda comprar mais e mais largas - como as mulheres indianas. Belissimas.

- Gugu e Fabricio , no Templo do Dalai Lama, autorizados que foram a fotografarem-se com essas senhoras que usavam roupas tipicas tibetanas. O aventalzinho listrado, juro que nao o uso!

- Mc Leod Ganj eh assim : monges em bando ( qual serah o coletivo?) por toda parte, todos os dias.

- Gugu e eu em Amritsar, num dos lugares que me emocionou mais que o Vaticano: o Golden Temple . Amritsia eh a cidade dos Sikhs, aqueles que usam um turbante com sete metros e meio de tecido. Lah, toquei na arvore sagrada e fiz um pedido - saude e paz para as pessoas que eu amo. Tocar e fazer pedido ... minha especialidade! Do seio de Julieta em Verona a pedras de altar em qualquer igreja ou templo...nunca se sabe!

- Essa ultima foto, ao acaso numa rua em Dehli, eh soh para mostrar a elegancia das mulheres indianas.

Aqui, 8h30min...no Brasil , meia-noite! Silvio me conta agora que o Mile foi para Bela Uniao...Me bateu uma saudade de casa...vivo com saudades! Saudades de espacos e afetos. E quando viajo, adiciono mais espacos, mais afetos e ... mais saudades: "alegria de ter tido, tristeza de nao mais ter...."Estou me preparando para sair de Mc Leod Ganj, onde " morei" durante vinte dias. Aqui eh Tibete ... apesar de ser India. Durante esse tempo, fiz Yoga, massagem, tratamento com medicos tibetanos e recuperei-me de uma crise de bronquite. Aprendi muito. Guardarei imagens do Himalaia na mente e no coracao.

Eu soh nao gostava mesmo de duas coisas: uma, a " assembleia " de cachorros na frente do hotel `a noite...algumas vezes mais de cinquenta, penso eu... ficavam horas latindo.Outra, as buzinas de carro.Buzinar aqui eh um ato de boas maneiras, um delicado aviso de que vou passar ou estou passando, com o qual ninguem se irrita. E buzinam o tempo todo. Nas estreitas estradas de montanha isso se torna necessario - um carro pode ter que esperar pelo outro...ou dar uma reh ou ficar quase no precipicio para o outro conseguir passar. Tudo, porem, com muita calma, sem stress. Buzina-se, portanto, sempre antes das curvas. Buzinam na cidade tambem. Aqui, em Mc Leod Ganj ou em Dharmsala, as ruas sao bem estreitas. Acontecem engarrafamentos de onibus, carros, riquixas, motos e gente...muita gente nesta epoca de temporada em montanha.A policia, a vizinhanca e os transeuntes ajudam a " desentalar" as maquinas. Imaginem encontrarem-se nessas ruas estreitas e sem calcadas , que soh daria mesmo para transitar um carro, dois onibus cheios de turistas , um indo , outro vindo....Gugu e eu ficamos um dia, durante quase uma hora, assistindo a uma cena dessas. Um divertimento a mais...e haja buzina!

Gugu estah em outra montanha fazendo curso de meditacao, durante dez dias. Eu devo sair terca daqui para Manali com Fabricio, Krithika e criancas. Visitaremos, ainda, umas cinco cidades, antes de chegar a Dehli, de onde partiremos de aviao para Bangalore. Daqui a exatamente dois meses, Gugu e eu retornaremos a Europa.







Por favor, escrevam, deem noticias! Se nao escreverem, eu nao toco e nem beijo arvore ou qualquer outra coisa, pedindo bencaos a voces. Beijos.
Mc Leod Ganj, 2 de junho de 2007.

domingo, maio 27, 2007

Essa...poderia ser dispensada!





















Comecou com rinite...tosse...febre... e lah estava eu passando mal...Na minha bagagem, gracas ao Pithan, um kit completo para esses sintomas. Mas, como sempre faco, uso meu Kit + a medicina local. Lembro-me agora de quantos chás, benzeduras, implastos e simpatias experimentei na Amazonia, no Pantanal e lah na minha casa tambem...Aqui, recorri `a medicina tibetana. O medico eh um senhor , seguramente com mais de noventa anos, que atende tambem ao Dalai Lama. Entrei na sala um pouco assustada. Fabricio e Gugu ficaram comigo. O medico sente o meu pulso, primeiro o esquerdo, depois o direito, olha-me atentamente e vai ditando, para o medico auxiliar, os medicamentos. Manda-me voltar na proxima semana, trazendo uma amostra da primeira urina do dia. A unica informacao sobre meu estado, jah a escutei de medicos ocidentais: devo emagrecer - e um dos medicamentos receitados, segundo ele, ajudarah nisso. Junto ao consultorio, uma farmacia com todos os medicamentos tibetanos em grandes recipientes rotulados e cheios de bolinhas, pouco maiores que uma ervilha! Preparam-me um tratamento para sete dias: quatro conjuntos de catorze bolinhas. Junto vem a instrucao que devem ser mastigados e engolidos com agua morna ou quente. Descubro que sao durissimos e alguns apimentados ou salgados. Descubro tambem - e compro logo - que existe um recipiente de metal especifico para triturar esses remedios( servirah depois para fazer caipirinha...porque eh igual ao que se usa no Brasil com essa finalidade). A consulta eh gratuita e pago pelos medicamentos o equivalente a cinco reais ( preco que pago tambem para duas refeicoes). Amanha eh meu dia de voltar lah.

Com o objetivo de nao ter mais esses chiliques alergicos e aproveitar bem minha temporada na montanha, estou fazendo ainda massagens ( tibetanas naturalmente) e Yoga. O professor de Yoga eh da Servia ( ex-Iugoslávia ), amigo do Gugu , que o conheceu em Varkala e que felizmente fala um pouco de italiano. Eh excelente. Depois da primeira aula, dormi doze horas.Estou muito bem agora. Sinto saudades da familia e dos amigos. O dia estah belissimo, sol lindo e temperatura agradavel. Mc Leod Ganj, 27 de maio de 2007.

quinta-feira, maio 24, 2007

Dharmkot - meu dia de Maharani






















Eh cedo. Sao 06h. Estou na varanda envidracada do amplo apartamento que ocupo num hotel de montanha, a 2200 m de altitude, no estado de Himachal Pradesh, em Dharamkot, " povoado" que fica depois de Daramshala e Mac Leod Ganj. O Hotel tem tres apartamentos para duas pessoas cada um. Eh dirigido por um casal: ela , inglesa; ele, irlandes. Estudo o mapa da India.Leio um guia turistico.Penso em muitas pessoas.
Sao 08h. Continuo na varanda...Neste angulo, vejo quatro montanhas. A primeira montanha com uma caracteristica que a torna mais bonita: nela ha centenas de " bandeirinhas" coloridas, que portam mantras, `a espera de que o vento espalhe as palavras nelas escritas...Ali, nessa montanha, foi cremado um riponche - e no local ha muitas cerimonias e visitas de monges budistas ( estou na parte tibetana da India jah faz 10 dias).























Logo depois dessa montanha, vejo duas outras muito verdes e mais uma imensa , totalmente coberta de neve. Tento reter detalhes dessas imagens - e agradeco por te-las visto um dia...Vou agora tomar banho. O banheiro eh tambem imenso, todo em marmore verde e com uma banheira circundada por paredes de vidro, por onde se pode continuar vendo outros angulos dessa parte do Himalaia.O hotel tem cinco empregados`a disposicao - minha...porque hoje sou a unica hospede. O cafe sera servido no jardim na hora em que eu pedir. Jantei aqui ontem.A comida eh deliciosa. Fizeram minha sopa preferida. Muitas frutas e chas logo depois. Cama com lencois de puro algodao branco; acolchoado e travesseiros de plumas - um luxo aqui.Dormi muito bem.Tratamento de Marani - soh faltou o Maraja... mas seria querer demais!

OBS. Preco da diaria? 50 dolares! E eu ainda ganhei a estada de presente do Fabricio e da Khritika! Postarei as fotos do hotel e da regiao quando conseguir uma lan house mais " esperta".

quinta-feira, maio 17, 2007

Para as mulheres...e os homens curiosos!








Pensava escrever hoje sobre Shimla, Amritsar ou Dharmsala - tao impressionantes! Pensei também escrever sobre o Rajasthan, por onde foz uma viagem incrível, visitando palácios e fortes magníficos e conhecendo cidades como Bikaner, Jaisalmer e Jaipur, a capital e  cenário de quase todas as fotos aqui postadas.





Ainda faco isso... ainda escrevo sobre essas cidades .... mas me deu vontade de escrever sobre " coisinhas" de cotidiano, que eu queria contar a Neneca, Zeli, Cibele, Alda, Fabiana ,Rosana, Carla, Maria, Odete ....e tanta gente mais! Vamos as "conversinhas"!






Roupas: num momento de lucidez, deixei minha mala em Bangalore e comprei uma mochila um pouco maior que a minha de estimacao. Sorte! viajar pela India com bagagem eh mais do que autopunicao...eh impossibilidade mesmo.






Como decorrencia, trouxe muito pouca roupa, um par de tenis, uma sandalia, duas bolsinhas - uma com remedios, outra com produtos de higiene pessoal- mais um mapa e um " i pod" ... Minha unica compra pessoal foi um lenco - belissimo - que uso para cobrir a cabeca e, assim, poder entrar em alguns templos , como o Templo de Amritsar ( seda pura, batik, imenso e me custou menos de 50 reais).





O estado das minhas roupas eh deploravel! Trocadas frequentemente, em temperaturas de ateh 47 graus, lavadas a mao e passadas a ferro com brasa, estao parecendo trapos de " usar lah fora". Nessas horas, olho as mulheres indianas e me impressiono com a beleza das roupas - como dizia o filho de uma amiga minha de Roraima: " tudo roupa de missa ou de casamento"!





Hoje foi meu limite:mandei-as para a lavanderia e estou usando, aqui na internet, meu pijama de dormir!Como estou em McLeod Ganj, onde se encontram pessoas dos mais diferentes paises, as roupas, desde que sejam " decentes", parecem todas " normais".






Uma amiga indiana me explicou que usar roupas discretas eh respeitar o marido e ser solidaria com as outras mulheres , porque , assim, nao andam "provocando" os maridos alheios! Ombros descobertos, nem pensar! coisa de fotografia da Playboy.





Sapatos: de chegada, rebentei uma sandalia. Enquanto olhava as pinturas do teto de um palacio, em Jaipur, pateta como sou, nao vi um buraco no piso... torci o peh e me " esparramei " no chao...fui socorrida pelo Gugu e por um indiano - um indiano tao bonito que eu levantei rapidamente com a maior classe...ainda que me remoendo de dor. Lembrei-me depois de uma amiga que, ao ser assaltada, o bandido perguntou-lhe a idade... Ao contar essa historia, ela costuma finalizar dizendo: mesmo em pânico, me lembrei de diminuir dez anos!!!E eu , mesmo com dor, disse que nao se passara nada!





Pes e maos: um drama quando a gente viaja, nao eh mesmo? Principalmente aqui, quando precisamos andar descalcas frequentemente. Manicure e pedicure sempre foram presencas importantes na minha vida. E conheci muitas. Uma vez, em Ponta Pora, bem na fronteira com o Paraguai, eu tinha pes e maos tao horriveis, que entrei num salao daqueles que a gente pensa " vou sair com as unhas limpas, mas com alguma doenca contagiosa", e me " entreguei" para uma " profissional". Imediatamente, ela fez um diagnostico e uma prescricao de arrepiar: disse-me que eu estava com uma bacteria nos pes...e que deveria deixa-los de molho em QBOA bem morna por, ao menos, meia hora...




Ontem, em Mcleod Ganj, Fabricio, seguindo a indicacao de uma senhora amiga dele, levou-me a um salao de beleza , tibetano naturalmente, como tudo aqui. Soh comecei a contar essa historia porque encontrei o tratamento dos meus sonhos: fazer o peh inclui ateh o tornozelo; fazer a mao, ateh o cotovelo.Muitos oleos, cremes e massagens. Uma delicia, com duas horas de duracao...e um custo de 12 dólares.





Comprinhas: nem gosto de pensar! roupas baratissimas e lindas! Cortes de seda com 7 metros custam , em media, 50 reais e podem estar divididos em tres estampas combinadas. Echarpes belissimas ( Zeli, encontrei algumas , semelhantes `as que compramos em Istambul, soh que rebordadas!) , bolsas, joias - imaginem a beleza das tornozeleiras de prata ou de ouro - chas, especiarias, objetos para casa, papeis artesanais...quanta coisa linda!




Coisas lindas , por preco muito baixo e nada daqueles produtos massificados, que se encontram iguais em qualquer parte do mundo.E eu aqui, disciplinadissima, sem comprar nada. Tambem pudera ... o discurso contra o consumismo eh muito forte e constante! Penso resistir! ainda nao sei se ao discurso esse ou `as comprinhas!





Fiz  fotos da chegada dos noivos para cerimônia de casamente.A noiva deve usar 16 jóias! Vou tomar um cafeh. Gugu estah na montanha. Estou sozinha e quero , ainda hoje, ir a Dharmsala, continuidade de McLeod Ganj. Se quiserem saber mais, eh soh perguntar. Neneca, tenho informacoes preciosas para tua area de estudo e pesquisa. Beijos a todas(os)




Obs. Texto de maio de 2007.