sábado, outubro 12, 2013

Cincinnati, simpatia à primeira vista.

Morros de Cincinnati

Antes de viajar para Ohio, perguntei a Gugu, meu filho caçula, que cidade ele me aconselhava a visitar nesse estado. Aconselhou-se Cincinnati, como sendo a mais bonita, dinâmica, vibrante  e acolhedora cidade da região. Fui e fiquei encantada, a começar pela geografia. Localizada na intersecção do Erie Canal com os rios Miami e Ohio, sai da parte plana do vale e se constrói sobre morros, alguns bastante íngremes, com ruas sinuosas que se desenham entre o verde intenso de arbustos e de belas e bem cuidadas árvores.

Rio Miami
Cincinnati - Cincy como é carinhosamente chamada -  localiza-se  na margem norte do rio Ohio, na fronteira Ohio/Kentucky, bem perto de Indiana. Fundada em 1788, tem hoje cerca de 350 mil habitantes. Já foi chamada de Porcópolis, quando era grande criadora de suinos. Hoje, diversificou-se, e o tempo da unanimidade dos porcos ficou para trás. É a terceira maior cidade do estado - antes dela, Cleveland e Columbus.

Casa de Harriet Beecher Stowe


Desde cedo, a cidade se  construiu como  destino estratégico de fronteira - fronteira entre o sul escravista e o norte industrializado. Desses encontros numa terra de contrastes, consolidou-se  a formação política e cultural de seus habitantes - embora seja, historicamente, branca, teve a participação de fortes grupos a favor dos movimentos  abolicionistas.

Parque Eden

Calcula-se que hoje 80% da população seja de brancos. Em 1940, o Census Bureau informou a população de Cincinnati como 12,2 % de negros e 87,8 % brancos .  É a cidade de Harriet Beecher Stowe, autora do conhecido livro Uncle Tom´s Cabin que , no Brasil,  ficou conhecido como A Cabana de Pai Tomás e emocionou muitas gerações. A casa da escritora, com árvores magníficas e bem conservados jardins, tornou-se lugar de visita aconselhada .

Museu de Arte de Cincinnati

Destaco, a seguir, o que mais me encantou na cidade:  The Cincinnati Art Museum, um dos mais antigos museus de arte dos Estados Unidos, fundado em 1881, localizado no bonito Parque Eden e aberto ao público das 11 às 17 horas. Possui uma coleção de mais de sessenta mil obras de arte, abrangendo seis mil anos. Essa coleção, exclusiva do museu, inclui a arte antiga do Egito, da Grécia e de Roma, bem como artes do Oriente, da África e das Américas.

Vista interna do Museu

Inclui , ainda, roupas e tecidos, estampas, desenhos, fotografias, móveis,  pinturas, esculturas, arte decorativa e arte contemporânea .Na coleção de pintura, obras de antigos mestres europeus, como Ticiano, van Dyck, Hals, Rubens, e Gainsborough, e obras dos séculos XIX e XX por Picasso, Vincent van Gogh,  Renoir, Derain, Braque, Modigliani, Miró e Chagall.

The Elphinston Children

A coleção americana detém obras de Copley, Cole, Edward Henry Potthast , Harnett, Wyeth, Wood, Hopper, Diebenkorn e Rothko, bem como os principais artistas da década de 1970 e 1980. Um dos marcos mais notáveis ​​do Museu de Arte é a única coleção de arte antiga de Nabateu, fora da Jordânia. Belíssima também é a coleção de móveis e objetos de porcelana. Pena que a visita só pode durar 6 horas ...cada dia.
Escultura em móveis

Vê-se, no site ,que o Museu de Arte tem intensa e variada programação. Lamentei não poder visitar , de 7 a 10 de novembro próximo, a mostra de arte e flores, com interpretações florais de quase uma centena de obras de coleções permanentes do Museu e de trabalhos individuais e em grupo de profissionais que desenvolvem atividades com flores e jardins. Disseram-me que esse evento gratuito é um dos favoritos de Cincinnati.
Emigrantes da Carolina do Norte : by James H. Beard
Saí do Museu de Arte  plena da comovente beleza de tudo o que vi. Ocorreu-me a afirmação de Fernando Pessoa  : " Arte, têm que ter qualidades que se dirijam ao melhor público de um grande número de épocas."  Sim. Ali encontrei arte. Saí agradecida também por ter conhecido Edward Henry Potthast, um pintor impressionista fantástico ( 1857 - 1927 )  - nascido em Cincinnati, Ohio.