segunda-feira, maio 27, 2013

Istambul : fotos e comentários breves


Tulipas em profusão

Já estou nos Estados Unidos e, por engano, deletei o texto sobre Istambul. Sobraram-me breves anotações em papeizinhos avulsos. Decidi, entretanto, postar sobre essa fascinante cidade hoje, de modo a não interromper a sequência cronológica que venho mantendo até agora. Com base nessas anotações e na minha memória, escreverei sobre Istambul, em tópicos, a partir das fotos que felizmente não perdi e de lembranças armazenadas nesta viagem e em viagens anteriores à Turquia.



Pequena Santa Sofia


A Turquia é o sexto país mais visitado do mundo e uma das economias que mais cresce na Europa. Em matéria de turismo, é a bola da vez - e não acredito que, no caso brasileiro, este boom tenha sido determinado pela novela das oito. Desde antes, muitos brasileiros viajavam principalmente para Istambul , cidade belíssima , com muitas atrações, bons restaurantes e hotéis, paraíso de compras - e preços razoáveis em tudo. Uma vez, cheguei nessa cidade, de navio, ao amanhecer. Vi uma das imagens inesquecíveis na minha vida de andarilha : o perfil da cidade com incontáveis minaretes - a cidade tem duas mil mesquitas.Lindo mesmo.



Igreja que foi transformada em mesquita


Pela primeira vez, visitei esta igreja, construída em 527, pouco antes da outra Santa Sofia e transformada em mesquita, depois da tomada de Constantinopla, em 1453. Foi fundada pelo imperador Justiniano e pela imperatriz Teodora. É muito bonita, pequena em comparação com a outra, e parecendo não bem cuidada. Chama atenção, no entanto, pelas colunas de mármore vermelho e verde, pelos capiteis e pelos delicados frisos. Os dois santos que  nominam essa igreja foram centuriões romanos que se converteram ao cristianismo. É interessante visitá-la.



Antigo cemitério junto à Pequena Santa Sofia


Desde adolescente, gosto de cemitérios - observo arquitetura, olho esculturas, analiso fotos, leio textos. Visito-os como a um museu.  Paradoxalmente, não vou a cemitérios onde repousam pessoas que amo e que têm vida na minha memória e saudade. Neste cemitério, junto a Igreja de São Sérgio e São Baco, também conhecida como Pequena Santa Sofia, minha imaginação acelera-se. Diz-se que o tamanho dos ornamentos guardam relação com a altura dos mortos. Haveria, assim, crianças entre os adultos. Os barretes seriam  indicativos de profissão, condição social ou religiosa. Os textos, não os pude ler.



Cidade de duas mil mesquitas


Desta vez, dediquei-me, em especial,  a parte asiática de Istambul, por acreditar que  era o momento de detalhar a cidade. Pouco vi da parte europeia. Arrisco uma sugestão a quem a visita  pela primeira vez e dispõe de dois ou três dias somente. Faça um cruzeiro pelo Bósforo, visite o Palácio Topkapi, a Santa Sofia e a Mesquita Azul . Faça compras no Gran Bazar. Parta com a consciência de que conhece um pouco de Istambul e de que precisa voltar a vê-la. Se retornar, vai gostar mais ainda.



Ponte entre a parte asiática e a europeia de Istambul


O Cruzeiro pelo Bósforo é realizado, no mínimo, em quatro horas e percorre cerca de trinta km do Estreito de Bósforo, canal que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro e que divide o lado asiático do lado europeu de Istambul. Considero esse Cruzeiro imprescindível não só porque se pode ver mansões e palácios nas margens, mas também porque, com ele,  pode-se  dimensionar melhor essa vibrante e caótica metrópole com mais de dez milhões de habitantes.



Detalhe da entrada do PalácioTopkapi



Não sei o tempo necessário para visitar todo o Palácio Topkapi. Em três visitas, não consegui visitar nem a metade dele - verdade que tenho (re)visitado alguns espaços e que , todo ele, está distribuído por 700 quilômetros quadrados.Inaugurado em 1459, residência de sultões por 400 anos, espelha o poder otomano em toda sua opulência e grandiosidade. A distribuição de pátios, residências, salões, banhos, jardins pavilhões, bibliotecas, harém e tendas lembram a antiga estrutura de acampamentos de nômades. O harém chegou a ter 700 mulheres e é um dos espaços mais ricos e bonitos. Topkapi foi aberto ao público, como museu, em 1924.



Detalhe dos magníficos jardins do Topkapi


Nesta viagem,  não visitei nem  Santa Sofia, símbolo bizantino e otomano, nem  Mesquita Azul, que tem 20 mil peças de azulejos desenhados a mão, nem  Gran Bazar. Sobre esses três lugares já há postagens aqui, no Correndomundo. Preferi visitar, minuciosamente, o Bazar das Especiarias, também conhecido como Bazar Egípcio - é sensorial, genuíno, pequeno e com menos turistas. Inesquecível passear em meio a cheiros de especiarias, cores exuberantes, formas diversas e diferentes - e ter, ainda, a possibilidade de provar doces de mel, frutas secas, azeitonas e queijos.



Doces com frutas e mel


O Bazar das Especiarias foi construído no início do século XVII, como extensão da Mesquita Nova e com a finalidade de arrecadar dinheiro para suas obras assistenciais.  É conhecido também como Bazar Egípcio por ter sido feito com recursos oriundos de impostos  pagos por importações do Egito. Especializou-se em temperos orientais, tão importantes na culinária local. A localização de Istambul sempre favoreceu a rota de comércio entre o oriente, local onde eram cultivadas a maioria das especiarias, e a Europa. Além de alimentos, podem-se comprar, nesse local, utensilios domésticos, roupas, brinquedos, plantas, perfumes e quinquilharias mil. Não resisti aos doces e frutas secas. Amarguei, depois, carregá-los. Pensava, entretanto, que presentes são atos de amor.



Detalhe das Muralhas de Teodoro


Do Mar de Mármara até o Chifre de Ouro, as Muralhas de Teodósio - fileira de muros duplos - estendem-se por  quase 7 km. Têm elas onze portões fortificados e 192 torres e serviram para proteger Constantinopla, do lado em que era terra, por mais de mil anos. Foram construídas por Teodósio II em 412-422. Resistiram a muitos ataques e só foram vencidas pelos otomanos na Tomada de Constantinopla. Pena que, em 1950, uma secção foi demolida para dar lugar a uma avenida. Para percorrê-la, penso que é melhor usar um táxi coletivo, micro-ônibus, denominado dolmus.



Palácio Dolmabahçe


Construído em 1856 pelo sultão Abdul Mecit, Dolmabahçe é um palácio barroco que ostenta suntuosidade e grandiosidade, como se quisesse disfarçar a decadência do império otomano, já em declínio no período de sua construção. Seus portões, jardins e fontes são exageradamente bonitos e podem ser fotografados pelos visitantes. Internamente, fotografias são proibidas. Lamentei não fazer fotos de uma escadaria, em formato de ferradura dupla, feita de latão e cristal Baccarat , tendo corrimão de mogno polido. Um luxo só!



Fonte do Cisne no Palácio Dolmabahçe


O Palácio só pode ser visitado em um dos dois passeios orientados e explicados por um guia do próprio local. No jardim, muitas flores, estátuas e fontes, como essa do Cisne, de rara beleza e leveza, apesar dos exageros ornamentais. Na entrada do palácio, o maior lustre que já conheci, presente da rainha Vitória ao Sultão. No dormitório, onde morreu, em 1938,  Atatürk - pai dos turcos, como ficou conhecido -  o relógio está parado às 9h5min - hora final de uma vida dedicada à modernização da Turquia.



Fortaleza da Europa vista a partir do Cruzeiro pelo Bósforo


Ainda sobre o cruzeiro pelo Bósforo, penso que o melhor mesmo é comprá-lo no hotel, pois o preço não é muito diferente de ir por conta-e- risco e ganha-se tempo na locomoção. Lembre que o trânsito de Istambul é mais do que caótico! Na Itália, costuma-se dizer que em Milano, dirige qualquer pessoa; em Roma , dirige quem dirige bem; em Napoli, dirigem os napolitanos. Pois bem, acredito que , em Istambul, dirigem os turcos... que sabem dirigir de ré, que descem e trocam sinais de trânsito e entram em ruas com sentido contrário. Chega a ser divertido.



Chifre de Ouro, visto do teleférico



Do alto de uma colina, nas proximidades de um cemitério, admiramos a magnífica vista do Chifre de Ouro - como sou gaúcha, a palavra chifre me faz tremer...mesmo que seja de ouro! Descrito como o maior porto natural do mundo, contribuiu para a riqueza e o poder de Constantinopla. Corre a lenda de que teria águas douradas porque, durante a invasão otomana, os bizantinos ricos jogaram ali muitas jóias valiosas. Para descer até o porto, pode-se usar o teleférico, que não chega a ser assustador (para mim) porque é pequena a distância percorrida.



Minha perdição foi aqui: doces e frutas secas.


Já escrevi que Istambul é excelente para compras e para o exercício da pechincha. O vendedor sempre vai oferecer por 100% do que ele gostaria de vender. Você pode oferecer 25% do valor que lhe foi dado. Vá subindo de 5 em 5 - provavelmente ele fará o mesmo ao baixar o preço. Não se stresse. Faça teatro. Dê a entender que desistiu. É provável que se consolide a compra em 50% do valor inicial : um resultado bom para os dois lados.



Estação Sirkeci


Quem costuma ler livros policiais, certamente já leu Assassinato no Expresso Oriente de Agatha Christie e já ouviu falar no Trem dos Reis ou Rei dos Trens - o Orient Express que, em 1889, começou a interligar Paris a Istambul , numa viagem de três dias e de 2900 km. A Estação Sirkeci foi contruída para receber esse famoso trem. Trabalha-se hoje na recuperação do belo prédio da estação, com portas, janelas, arcos e diferentes trabalhos de pedra, harmoniosamente distribuídas. Edifício interessante de visitar. Se não for tomar um trem para a parte europeia da Turquia...ao menos tome um café no seu bonito restaurante e pense em aventuras e aventureiros. 



Fotografei a foto de outro...

Há muito mais o que ver em Istambul - cidade linda, de gente bonita, de mescla de culturas, de cheiros, formas e cores marcantes. Tem gosto de quero mais. Quero mais é voltar! Quero ver museus e mesquitas que ainda não vi. Quero ver a Europa e a Ásia que vivem e convivem nesta parte tão bonita do mundo.