quarta-feira, maio 01, 2013

Ilha da Madeira - 2a.parte

Vista de Funchal desde o Pico dos Barcelos
Nosso tempo na Ilha foi insuficiente. Precisa-se bem mais de cinco dias para conhecê-la realmente. Os passeios são variados e distantes entre si. Em razão disso, percorremos , detalhadamente,  apenas  Funchal,  a capital. A seguir, lugares imperdíveis e comentários breves  do que mais nos impressionou.

Detalhe do Convento de Santa Clara
O chamado núcleo religioso , integrado pelas igrejas São Pedro, Santa Clara, Sé e Santa Maria , é de comovente beleza . O Convento - e a Igreja do Convento - de Santa Clara é visita sempre aconselhada, que dura cerca de uma hora  e impressiona muito.No dia em que lá estivemos, para intensificar ainda mais o momento, havia um pianista executando Mozart magnificamente.



Os azulejos da Igreja e do Convento são belíssimos e harmoniosos com o entorno. Há pátios e  jardins com muito verde e muitas flores. O início da primavera está bem marcado por cores, formas e perfumes. Penso que abril é um mês interessante para visitar a ilha - ainda não há superpopulação de turistas, o clima é agradável e já se podem muitas flores, com destaque para as bromélias.

Um dos altares da Igreja do Colégio
Exemplo típico de templo jesuíta, com grande e alta nave, a Igreja de São João Evangelista, conhecida como Igreja do Colégio, começou a ser construída em 1629. Em razão da sua grandiosidade e monumentalidade, entretanto, a decoração de seu interior só foi concluída no século XVIII. D. Sebastião, em 1569, em carta de doação e dotação, permite a fixação de comunidade jesuítica para que procedessem à edificação de um colégio adequado ao ensino e à prática da função religiosa.
Detalhe do calçamento das ruas
As ruas centrais de Funchal são calçadas com pedras portuguesas, que formam  tradicionais e criativos desenhos. É preciso, no entanto, estar atento, pois pequenas saliências ou reentrâncias podem provocar quedas escandolosas em pessoas distraídas, que estão a olhar uma interessante e bonita varanda. ( Além do supermico, com direito a muitas pessoas prestando socorro, ainda deixei lá a pele do joelho esquerdo.)

Praça do Município
Funchal é uma cidade sem edifícios altos, com um centro compacto, que pode ser todo ele percorrido a pé. Muito arborizada - neste mês, destaque para os jacarandás, cobertos por flores azuis - e com muitos prédios históricos. Na Praça do Município, encontram-se a Câmara Municipal, num palácio barroco do século XVIII; o Museu de Arte Sacra, num prédio do século XVII; e a Igreja do Colégio, fundada pelos Jesuítas no século XVI. Bonita,limpa e tranquila, a praça e a cidade. Da Praça do Município, caminham-se duas quadras em direção ao mar, e  chega-se à Catedral da Sé, finalizada em 1517.

Mercado dos Lavradores
Gostando como gosto de mercados e feiras de rua, imaginem minha alegria no Mercado dos Lavradores, onde  se podem ver , além de belos mosaicos, vendedoras de flores em trajes típicos,  lindas bromélias  e  strelitzas, frutas para mim desconhecidas, como  maracujá-banana e manga-limão. Diferente de outras ilhas, a maior riqueza daqui não vem do mar, mas da terra. A Ilha da Madeira é predominantemente agrícola, sendo a banana uma de suas maiores produções, seguida pela uva, que permite a fabricação de famosos vinhos.

Minha porta Preferida

Havia, em Funchal, no centro antigo, uma área degradada, em que as casas estavam  sem pintura e sem manutenção. Criaram, então, o projeto Arte de Portas Abertas, que  transformou  a Rua Santa Maria em fantástica atração turística . Pintores e artistas plásticos foram convidados a fazerem ali suas intervenções, dando nova fisionomia  às casas. Turistas visitam a rua como visitam galerias de arte e museus - e fotografam o tempo todo. O projecto propõe-se a abrir as portas da cidade do Funchal à Arte e à Cultura.

Teleféricos de Funchal
Faço coisas que odeio, simplesmente porque sou curiosa. Odeio teleférico, mas queria ver o Jardim Tropical Monte Palace e encarei esse meio de transporte que tanto me desagrada, durante 20 min, por cerca de 5 km aéreos. Fui lembrando da historinha de um homem que estava passando mal durante um vôo. A comissária de bordo perguntou-lhe, então,  se estava sentindo falta de ar. Ele respondeu : Não!!! Estou sentindo falta de terra.

Escultura no Jardim Tropical Monte Palace
O Jardim ocupa uma área de 70 mil m2 e foi reflorestado com plantas de muitos países  e com plantas da Laurissilva, floresta da Ilha, classificada pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial. Além da espetacular vegetação, tem lagoas repletas de peixes, alamedas com belos paineis de azulejo, 40 paineis sobre a História de Portugal, muitas esculturas, pagodes, budas, lanternas e águas em movimento. Tem , ainda, restaurantes, cafeterias, lojas de souvenir e um museu, construído também pela Fundação Berardo, criada pelo empresário português José Manuel Rodrigues Berardo, que adquiriu este local em 1987. Merece uma visita de, no mínimo, umas 4 horas.

Artesanato da Madeira

Minha amiga Suely Telma lembrou - me que, nos enxovais antigos, era imprescindível uma toalha de linho, bordada na Ilha da Madeira. Fiquei imaginando quanto uma toalha dessas custaria hoje, se o bordado acima, custa 300 euros.  Não comprei nem um lencinho, mas olhei muitos bordados típicos daqui, como se olha, com admiração,  uma verdadeira obra de arte - e fiz fotos. Lamentavelmente não consegui visitar o Museu do Bordado que me disseram ser muito bonito.

Apresentação típica da Ilha

Fomos jantar em um restaurante - do tipo caça-turista - apenas para ver apresentações de conjuntos de danças típicas da Madeira e de música com cantoras de fado.  Foi interessante, especialmente porque as pessoas que dançavam não eram profissionais, dançavam como se dança em casa ou em  festas familiares. Podia-se, assim, ter também uma pequena amostra da cultura local.

Bacalhau pois pois
Come-se bem na Ilha da Madeira, e os preços não são exorbitantes. Há muitos restaurantes e próximos uns dos outros. Indicaram-nos o Restaurante Londres, na Rua da Carreira, 64. Gostamos muito. O atendimento é excelente; a comida, muito boa. Especializado em pratos nacionais e regionais, serve bem, com destaque para o bacalhau com grãos e a espetada - prato típico da ilha. Quando perguntei em que constituía a espetada, recebi prontamente a resposta: ora pois, num  espeto com pedaços de carne.
Museu da Quinta das Cruzes
Aprendi que a quinta madeirense organiza-se pela Casa, Capela, Casinha do Prazer (sic!) Parque Ajardinado e pequena horta. A Quinta das Cruzes, hoje quase no centro da cidade, ocupa um hectare e apresenta essa divisão.  Foi a morada inicial de João Gonçalves Zarco. A Casa mostra um estilo de vida através da sua arquitetura, dos móveis ( portugueses e estrangeiros) , dos tapetes, das joias e das demais  obras de arte . A Capela, está datada de 1692 e evoca Nossa Senhora da Piedade.No Jardim, pode-se observar flores, arbustos, árvores e as belas peças do Parque Arqueológico,


Detalhes de Funchal
Diverti-me muito com o nome de ruas e locais da Ilha. São muito pitorescos, como: Caminho do Avista Navios, Rua Velha da Ajuda, Rua do Cabrestante, Rua das Virtudes, Caminho da Água de Mel, Travessa das Encruzilhadas, Caminho do Vigário, Rua dos Netos, Estrada dos Marmeleiros,Praça da Autonomia, Pico dos Barcelos, Câmara dos Lobos. Gostaria muito de saber a história de cada um desses nomes, como se conta que, há muito tempo, piratas invadiram a Ilha e começaram a assaltar igrejas e conventos. Freiras fugiram e se esconderam num local distante e quase inacessível. Hoje esse lugar se chama Curral das Freiras.

Quinta das Cruzes
 Não visitei a Ilha do Porto Santo, outra integrante do Arquipélago de Madeira. Contaram-me que é belíssima. Como disse , o tempo foi insuficiente. A partir desta viagem, em Portugal, os Açores constituem minha prioridade. Tentarei ir. Veremos porque...
"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada..."

Fernando Pessoa