segunda-feira, abril 30, 2012

República da Irlanda : Dublin

Estátua de bronze de Molly Malone
É um dos lugares onde Deus passa as férias.

Aprendi, com um amigo nordestino, essa expressão e costumo usá-la quando um lugar me encanta. Dublin encantou-me. Cidade bonita, muitas flores e muito verde, arquitetura surpreendente,  pessoas alegres, educadas e gentis, muito o que visitar e apreciar. Interessante também as manifestações patrióticas, os símbolos próprios ostensivamente exibidos, o declarado, mas polido , afastamento da Inglaterra.

Fundada por Vikings, que a dominaram até 1170, é capital e  maior cidade da República da Irlanda, com cerca de 600 mil habitantes. Inicialmente chamada de Dubh Linn, em gaélico, que para alguns significa Lagoa Negra, encontra-se na foz do rio Liffey, na Baía de Dublin.

Estátua de James Joyce
Há muitos anos, vem investindo em educação e nas pessoas, em vez de auto-estradas e infra-estrutura. Aceitou-se como nação pobre e muito lutou para melhorar suas condições econômicas. Dublin vivenciou um verdadeiro boom econômico.

Apelidada de “o tigre celta” , numa clara  referência aos países ascendentes asáticos, a Irlanda desenvolveu-se  muito, desde meados da década de 90, partindo de um país praticamente agrário para um que se especializou em prestação de serviços. O que ajudou muito neste processo foi a entrada na União Européia. Mais tarde foi, entretanto, atingida pela crise econômica mundial. O investimento em turismo e na recepção aos alunos estrangeiros foi, entre outras,  uma estratégia de superação - ao que parece, com bons resultado.

Entrada da Guinness Store House
Minha inveja decorre, no entanto, da denominação dada a Dublin pela UNESCO: Cidade da Literatura. Pudera! Nascidos ou vinculados à cidade, surgem nomes de escritores mundialmente conhecidos e admirados, Oscar Wilde ( cuja casa era em frente a atual Galeria Nacional de Arte ), James Joyce, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, os poetas W.B.Yeats e Seamus Heaney e o fantástico Samuel Beckett, sendo os quatro últimos, ganhadores de Nobel de Literatura. A O´Connell Street , rua principal de Dublin, começa na ponte de O´Connell, mencionada em Ulisses, de James Joyce. É muito talento para exibir mesmo.

A Irlanda exportou mais de um milhão de emigrantes que foram para os Estados Unidos, onde muito trabalharam na construção desse país, e para outros países, durante a crise da Fome do século XVII. Hoje, invertem o fluxo: recebem gente de várias partes do mundo, que buscam estudo e/ou trabalho. Foi o lugar onde mais vi jovens falando português, com sotaque de diferentes estados brasileriros. Diz-se que 10% da população é estrangeira, principalmente polonesa. Nas ruas, tem-se a impressão de estar num campus universitário, tal o número de jovens circulando.
Temple Bar
Visitamos, detalhadamente, a Guinness Store House, vendo todo o processo de fabricação dessa cerveja, escura e forte,  paixão dos irlandeses. Foi uma concessão minha a Mile e Ronald, porque eu detesto cerveja. Todo o tempo , eu pensava na grande quantidade de água utilizada, na renda gerada e nas muitas pessoas ali empregadas.

A entrada custa L14,50 e dá direito a uma cerveja ao final do Tour. Impressionou-me o número de pessoas que por aqui transitam, principalmente de jovens. Na loja, grande variedade de roupas da grife " guinness" , com predomínio das cores verde e amarela, cores nacionais da Irlanda.
A área do Temple Bar é maravilhosa e lembra os portos restaurados de Buenos Aires e Barcelona, lembra o Bairro  Alto de Lisboa e a Plaka de Atenas, lembra festa, passeios, descobertas.  Muito colorida, com ruas estreitas e empedradas,  lojas invulgares,  restaurantes e cafeterias excelentes e  muitos locais de entretenimento e lazer. Um movimento constante.
A melhor época do ano para visitar a Escócia corresponde ao período entre maio e setembro quando os dias são mais longos e as temperaturas, mais agradáveis. A precipitação é abundante durante todo o ano,sendo aconselhável levar na bagagem um impermeável e um guarda-chuva, mesmo nos meses de verão
.
Detalhe da Catedral
Há muito mesmo  o que visitar em Dublin - e para todo  lado, pode-se ir a pé.  O Trinity College é imperdível, foi fundado em 1592, pela rainha Elisabeth I. A maioria dos prédios são do século XVIII. Um dos primeiros prédios a serem construídos foi a Velha Biblioteca ( 1732 ), que conta com 200 mil volumes. A Grafton Street, onde sempre há artistas de rua e músicos, é colorida e festiva. A Catedral  Christchurch, datada do século XII, é solenemente bela . A movimentada O´Connell Street é uma referência na cidade. O obelisco em metal , construído para marcar a passagem do milênio, pode ser visto de diferentes partes da cidade.

Tem , ainda, castelos, pontes antigas, edifícios históricos, museus, galerias de arte, igrejas e muitas esculturas - tudo para ser visitado e admirado. Acrescente-se , ainda, os tocadores de harpa nas ruas e as danças celtas , frequentemente apresentadas. E muito mais certamente, que se precisa de tempo para descobri.
              
Recebi da Carlinha,  querida amiga, um texto sobre sabedoria celta. Ainda emocionada com a beleza e a vida pulsante de Dublin, reproduzo, a seguir,  um fragmento desse texto :
                                                                                    
                                                                             "Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne
do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
    
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa
imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em
celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora."