segunda-feira, maio 13, 2013

Thessaloniki/Kavala

Iraklitsa

Meu objetivo , quando vim ao Norte da Grécia, foi visitar meus queridos amigos Alex e Gisela, que  moram em Krioneri, a 10 km de Kavala. Como aconteceu outras vezes, eles vieram me buscar em Thessaloniki, distante menos de 200 km de casa. Viagem ótima, estradas boas e , mais para o fim, imagens fantásticas do incomparável azul dos mares gregos.


Bela praia em Iraklitsa
O almoço em foi em Iraklitsa, no meu restaurante preferido - peixes, saladas e molhos deliciosos . Vinho grego e assuntos compartilhados. Muita alegria no reencontro. Acredito que os amigos verdadeiros são assim. Podem ficar distantes durante anos...mas, quando se encontram, apenas dão continuidade ao assunto.

Salada e molho de yougurt com pepino
Permaneceremos cinco dias em kavala, de onde partiremos, de ônibus, para Istambul. Pode-se também ir de trem de Thessaloniki a Istambul, passando por Serres, Drama, Xanthi, Komotini, Alexandroupolis. Um dia, quero fazer esse trajeto de trem.A próxima cidade a ser traçada , será, portanto, Kavala , a minha  preferida aqui no norte.

A Bíblica Thessaloniki

Sábado, no centro de Thessaloniki
Os fins de semana em Thessaloniki são realmente uma festa. Na primavera, com flores por todo lado, fica ainda mais festiva e bonita. A Praça Aristóteles, na zona portuária, é a principal da cidade, com muita gente - gente linda, alegre, bem educada. Ruas, praças, parques e restaurantes estão lotados. Aqui, a crise econômica não se mostra tanto. Gosto do norte da Grécia. Gosto desta cidade, que é a segunda maior cidade grega e a principal da Macedônia - ainda que eu prefira Kavala. Culta, cosmopolita, pulsante, histórica. Foi fundada em 315  a.C. por Kassandro, rei da Macedônia, depois da morte de Alexandre, o Grande. Tem uma história interessante relacionada ao nome que recebeu - Salônica / Thessaloniki / Thessaloniko, conforme a língua que a refere.

Área do Porto

Cassandro deu à cidade o nome de sua esposa,  Thessalonika  - nome que lhe foi dado pelo pai , Felipe II da Macedônia, por ter a menina  nascido no mesmo dia da Vitória dos Macedônios sobre os Tessalios, sendo esse o significado do nome recebido. Thessalonika era meia-irmã de Alexandre Magno. A cidade, com localização  privilegiada, por ser centro de caminhos marítimos e terrestres, teve rápido crescimento. A famosa  Via Egnatia, que por ela passava, unindo mar Adriático e Constanstinopla, contribuiu para que Thessaloniki  se tornasse um  grande  centro  comercial e cultural, conectado com oriente e ocidente.

Estátua de Alexandre, o Grande.

Thessaloniki tem  longa e fascinante história. Tornou-se importante centro de comércio romano e um dos primeiros centros do cristianismo. O apóstolo Paulo pregou aqui, no primeiro século, e muitas igrejas foram construídas na era bizantina. Invadida várias vezes,  foi ocupada sucessivamente por eslavos, sarracenos, cruzados e  turcos otomanos, até seu retorno à Grécia em 1913. A cidade sofreu um grande incêndio em 1917 e foi ocupada novamente, na década de 40, pelos nazistas. Tem agora uma população com cerca de 700 mil habitantes, cena cultural intensa e animada vida noturna.


Torre Branca, cartão postal da cidade.

A Torre Branca  foi adotada como símbolo de Thessaloniki.  É também um símbolo da soberania grega sobre a Macedônia. Construída no séc. XVI, durante o domínio otomano e usada como guarnição, prisão e forte, tem uma  história marcada por tragédias que a cidade  procura esquecer. Por muito tempo foi chamada de Torre Vermelha, em razão do grande derramamento de sangue , que ali ocorreu, num terrível massacre de presos.




Quando Thessaloniki foi recapturada pelos gregos - no dia 26 de Outubro de 1912, dia do seu Santo Protetor - a cidade libertou-se do jugo secular e  uniu - se  à Pátria Mãe. A Torre foi , então,  pintada de branco e passou a ter o nome atual. Hoje abriga um museu bizantino, com rico acervo dos séculos XIV e XV. No topo da torre, há um pequeno café que oferece bonita vista da cidade. Junto à Torre Branca, há um parque, onde circulam  pessoas da localidade, muitos turistas e muitas câmeras.




Existem renomadas fábricas de cobre, de ferro, de chumbo e de vidro em toda a Macedônia. Mas o que faz Thessaloniki famosa é o fato de ser a  Cidade das Letras e das Artes  e  de  lembrar as Epístolas de São Paulo. Famosos eruditos, oradores, filósofos, teólogos, historiadores, juristas e pintores de ícones, fazem  dela um vibrante centro cultural. Também é reconhecida por sua boa culinária e seu estilo de vida tranquilo, mas festivo. O point da população, principalmente dos jovens, vai do Porto à Torre Branca.

Torre no Centro de Thessaloniki

OTE Tower é uma torre de 76 metros de altura localizado no Centro de Exposições Internacional de Salónica, no centro de Thessaloniki. Foi projetada pelo arquiteto grego Anastasiadis, concluída em 1965 e inaugurada em 1966, com as primeiras transmissões, em preto e branco, de uma rede de televisão grega. Renovada em 2005, tem , no seu piso superior, um restaurante giratório. Hoje  é usada por uma rede de telefone celular.


Centro histórico
Há, em Thessaloniki, outros lugares interessantes, que apreciei em visitas anteriores. Lembro-me bem das igrejas Agios Dimitrius e Agia Sofia; do Fórum Romano; do Museu Arqueológico; do Arco de Galério; das Muralhas; do Mosteiro, com um púlpito que, de acordo com a tradição, teria sido usado por São Paulo quando de suas pregações na cidade. Nas proximidades , há também lugares interessantes para visitar, como o Monte Olimpo - a morada dos deuses - e o Monte Athos, este só pode ser visitado por homens. Saio de Thessaloniki sentindo-me  feliz por  tê-la visto uma vez mais.

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente..."


Fernando Pessoa

sábado, maio 11, 2013

"Lá vou eu..." Kastraki/Kalabaka/Thessaloniko

Mosteiro de Meteora

De Kastraki a Kalabaka, fomos de táxi porque tínhamos bagagem. De Kalabaka , um ótimo  trem levou-nos a Thessaloniko em menos de quatro horas. Viagem agradável e tranquila, com 50% de desconto para Sênior. Interessante lembrar que é prática comum, nos táxis gregos, lotarem o carro, com outros passageiros, no ponto de partida ou no meio do caminho. Não se divide a tarifa. Cada um paga o trecho percorrido.

sexta-feira, maio 10, 2013

Meteora: Colunas do Céu

Encantamento da chegada
Os patrimônios mundiais pela UNESCO constituem uma das minhas referências para elaborar roteiros. Com essa informação , mais leituras e conversas, inclui - felizmente! - os Mosteiros de Meteora no meu plano Europa/2013/1. Pesquisei bastante para saber quando ir, como chegar e como sair de lá para Thessaloniko. No post anterior, já escrevi sobre o trem de Atenas a Kalabaka e do táxi para Kastraki. Sobre os melhores meses para a visita, acredito que são os mesmos para a Europa toda: maio e setembro, meados da primavera e início do outono. Como ir de Meteora a Thessaloniko, escreverei no próximo post.
Vista de Kalabaka
Meteora, que em grego significa rochas supensas ou colunas do céu, é o segundo maior complexo de mosteiros da Grécia. O maior mesmo é o Monte Athos, que vi de longe uma vez, sem poder entrar, já que nele não se admitem nem animais fêmeas. Meteora permite visitas nos seis mosteiros habitados, cinco masculinos e um feminino. Houve um tempo em que havia ali vinte e quatro mosteiros. Os seis que ainda existem são: Megalos Meteoros - Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração; Varlaam ; Agio Stephanos - Santo Estêvão; Agia Triada - Santíssima Trindade; São Nicolau Anapafsas; e Roussanou.

Muitas  flores em todos os lugares

Os horários de visita aos Mosteiros têm variações para cada um deles , bem como variações para diferentes estações do ano. Ao planejar as visitas, é preciso estar atento também aos dias da semana, porque todos eles fecham durante um  dia, mas em dias diferentes. Roussanou, por exemplo, permanece fechado às quartas-feiras; enquanto São Nicolau fecha às sextas. O Mosteiro da Transfiguração, um dos mais bonitos, fecha às terças-feiras. Todos cobram uma entrada de 3 euros.

Montanhas junto a Kastraki

O acesso aos Mosteiros era feito por escadas rudimentares, atadas umas nas outras. Para receber alimentos e objetos  , usavam uma  rede  que era lançada e puxada pelos monges. Mais tarde, surgiram os  guindastes. Em 1920, foram construídas escadas de acesso. Agora, já há boas estradas até perto deles, sem livrar-nos, entretanto, das escadarias que parecem sem fim. Penso que chegar aos seis Mosteiros, deve dar direito a terreno de esquina no céu. Não foi desta vez que ganhei meu terreninho!Desisti no terceiro.

Beleza nas montanhas e nos mosteiros
Os Mosteiros de Meteora, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO,  estão localizados na Grécia Central, em rochedos de arenito que ficam  a nordeste da planície da Tessalia, perto do rio Peneios e dos montes Pindo. O maior pico em que está um mosteiro tem 550 metros; o menor, 305 metros. Mesmo sem os mosteiros, o lugar seria impressionante por sua grandiosidade e beleza. Kastraki, o povoado mais próximo de Meteora, tem 2 252 habitantes - foi o que me informou , com muita convicção, um habitante da localidade .

Mosteiro mais próximo de Kastraki

Li que os monges consideram as rochas como sua morada e crêem que elas conjugam  Acrópolis e  Santa Sofia; Helenismo e Romanismo.  Tessalia é uma das regiões da Grécia povoada desde a Antiguidade, tendo sido referida como região que tomou parte na guerra de Troia. Acredito eu, portanto, que a região participou da entrega do primeiro presente grego! Não se  sabe , exatamente, em que momento começaram a surgir, nessa região, os monastérios. Certo é que, no século XI, monges e eremitas já se haviam instalados em grutas e pequenas celas nas montanhas.

O único mosteiro feminino

Como o número de monges aumentava , criaram a Ermita de Stagae, primeira organização sistemática dos que ali viviam. Foi no século XIV, entretanto, que os príncipes sérvios, senhores de Tessalia, decidiram acordar privilégios à Ermita. Por esta época, chega Athanasios, vindo do Monte Athos, edifica o primeiro monastério e batiza a rocha com o nome de Meteora - suspensa no ar. Athanasios estabelece também as regras dos mosteiros em conformidade com os rituais do Monte Athos. Em 1990, festejaram-se os 600 anos de fundação dos Mosteiros de Meteora, um lugar não só de recolhimento, mas também de produção artística e literária. Parece-me que só não imaginavam o quanto de turismo iriam produzir mais tarde.

Saias para empréstimo aos visitantes
Muitos turistas chegam, o tempo todo, a Meteora. Vêm em motos, bicicletas, cavalos, carros, ônibus ou caminhando. Percorrem estradinhas bonitas, agradáveis e com perfume de mato. Visitam logo o interior dos mosteiros. Para entrar neles,no entanto, é preciso usar roupas adequadas - e essa adequação é bem rígida, nada de transparências, saias curtas, calças apertadas. Quando fomos ao  mosteiro das monjas, por conta da minha calça justa, precisei usar uma dessas saias longas . Valeu. O mosteiro é lindo - e esse é fácil de chegar - tem ícones de rara beleza, um museu interessante e uma lojinha com belas reproduções e artesanto bem original.

Ícone em Roussanou.

Durante a ocupação turca, os mosteiros - todos eles -  mantiveram viva a cultura helênica e suas tradições. Dizem que eles não foram somente centros religiosos, foram ainda centros  acadêmicos e artísticos. É provável que, sem os mosteiros, a cultura helênica teria ficado muito enfraquecida, e a Grécia moderna , por essa razão,  teria  pouco conhecimento de suas raízes e história, tornando-se  um reflexo do império otomano. Os mosteiros atraíram  não somente pessoas profundamente religiosos, mas também os filósofos, poetas, pintores e pensadores gregos.

Mercado em Kalabaka

Kalabaka , com mais de mil anos, é hoje um encanto de cidadezinha, muito limpa e cuidada. Com menos de dez mil habitantes, arquitetura bonita, muitas cafeterias, restaurantes, hoteis - de luxuosos a muito simples - vive do turismo e da produção de pequenas propriedades. Descobri que  sábado era dia de feira na cidade. Reservamos, então, esse dia para estar lá. Fomos caminhando desde o povoado de Kastraki  já que apenas dois km separam as duas localidade. Encantou-me o mercado, variado, interessante, grande e com muita gente. Pareceu-me que toda a cidade estava lá. Um dia perfeito para ver a cultura local.

Igreja Ortodoxa Grega de Kastraki
Visitei esta igreja quando estava para iniciar uma cerimônia religiosa. Perguntei se podia fazer uma fotografia do altar. Pediram para eu esperar um pouco. Percebi que conversavam sobre isso. Uma senhora, depois, comunicou-me que eu poderia fazer as fotos. Fotografei o altar e as pessoas. Havia muitas mulheres , vestidas com roupas pretas e com crianças que me pareceram netos. Via-se um bonito contraste entre as roupas pretas, a igreja com paredes brancas e os ícones com muito colorido e dourado. Lindo mesmo. Em frente a igreja, havia um bar e cafeteria e ali estavam muitos homens. Descobri, então, porque as mulheres estavam sozinhas na igreja.

Já sentindo saudades...
Saí de Meteora sensibilizada com o que conhecera - e agradecida por ter conhecido um lugar tão especial como esse - um lugar de paz e beleza; de silêncio e de sons naturais.  Eu me perguntava como aquelas construções tinham sido feitas, assim, emparelhadas com os rochedos. Lembrei-me, então, da lenda que diz ter o monge pioneiro contado com a ajuda de uma águia para chegar mais perto de Deus. E preferi não pensar mais ...

"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.


Mosteiro da Transfiguração


Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida

Do entendimento retrospectivo..."

Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 08, 2013

" Lá vou eu..." Atenas/Kalabaka/Kastraki


Mosteiros de Meteora
Na Estação Larissa, compramos nossos bilhetes de trem para Kalabaka. Como já fizemos muitos aniversários, Ronald e eu pagamos 50% do valor das passagens - pensando bem, essa é a única vantagem objetiva que temos pelo passar do tempo. De Atenas a Kalabaka, há um trem direto e outros, que vão a Thessaloniko, e que têm troca em Volos. No trem direto, fizemos o trajeto em aproximadamente 5 horas.


Mosteiros de Meteora
Chegando a Kalabaka, uma pequena cidade com 5 mil habitantes e cercada por  montanhas, fomos de táxi ( E 7,00) até Kastraki, onde tínhamos reservado, pelo booking.com, a Guesthouse Papastathi, lugar que se revelou muito agradável, com excelente localização, bom custo/benefício e atendimento ótimo. Papastathi é a penúltima casa antes de Meteora. Tem-se dela vistas de alguns dos  Mosteiros e pode-se acessá-los caminhando.
Mosteiros de Meteora
De chegada, o deslumbramento pelas paisagens já me deixou com olhos arregalados e boca aberta. Prometi a mim mesma que salvaria as imagens de Meteora e tentaria guardá-las para sempre.

Atenas : Revendo Tesouros

Em Atenas, Igreja Ortodoxa Grega

Mantenho a convicção de que a Grécia é muito maior , geograficamente, do que a área que lhe é atribuída. Está longe de ser um país pequeno, como leio muitas vezes, porque, ao longo de sua história, as fronteiras do Estado grego , definidas em 1948, foram ampliadas pelas águas, seja no percurso através de  ilhas e arquipélagos, seja no domínio e no conhecimento  dos mares.

Laranjeiras nas ruas da cidade

Tenho especial carinho por este país, em razão de sua história, de sua produção cultural e dos meus bons amigos gregos. Tenho admiração pelo povo grego por suas contribuições com o mundo ocidental. Suas grandes criações, a democracia e o drama,  já justificam o interesse histórico que o país desperta.


Pausa em Atenas

Estive na Grécia em diferentes estações do ano, e o movimentos dos turistas me parece fluxo constante. Como estamos hospedados na avenida Sygrou, percorremos, ainda no final da tarde do dia da nossa chegada, os arredores da Acrópole e a fantástica Plaka, a rua mais tradicional de Atenas. Agora, na primavera, há, no perfume das flores de laranjeira, um encanto a mais. A cidade está, literalmente, perfumada.


Lojinhas na tradicional Plaka

Em Monastiraki e Plaka, podem-se  fazer comprinhas  típicas de turista, como camisetas, bonés, chaveiros, sabonetes feitos com azeite de oliva, ícones,  bordados, tapetes e tapetinhos, potes de cerâmica, colheres de madeira, artigos de couro, bebidas, com destaque para o ouso - destilado com sabor de anis - queijos deliciosos e especiarias diversas. São famosas também as jóias em ouro. Comprei um camboloy -  um brinquedo popular de contas, similar a um rosário mas sem finalidade religiosa , que é usado pelos gregos como passatempo relaxante e método de controle stress.  Segundo uma brincadeira de minha amiga grega, o camboloy deve ocupar as mãos dos homens para que eles não as usem em atos pouco elegantes socialmente.


Fantásticos ícones
Em lojinhas de museu e nas lojinhas de Plaka, vi belíssimos ícones: representações sacras, pintadas sobre painel de madeira, em cores vivas e com muito dourado, que surgiram no século V, sendo, portanto,  uma criação bizantina.Comprei somente um ícone pequenino, um São Paulo,  para dar ao meu filho, Paulo de Tarso. Em algumas igrejas, há  indicação de quais os ícones que podem ser fotografados.

Novo Museu da Acrópole

Gosto , em especial, de dois fantásticos museus gregos. O Museu Benáki e o Novo Museu da Acrópole. O primeiro, aberto em 1931, foi fundado por Antonios Benákis que doou ao Estado Grego a casa de sua família e seu ríquíssimo acervo pessoal, incluindo joias de ouro, algumas datadas de 3 mil anos a.C. O segundo, localizado muito próximo da Acrópole, encanta desde a sua proximidade: uma incrível e moderna estrutura   Foi construído sobre as escavações de um antigo povoado cristão, cujos vestígios podem ser vistos através da passagem de vidro com que se chega à entrada principal. Na galeria arcaica, pode ser vista a belíssima estátua do Carregador de Bezerro.


Estação de Metrô Acrópole

O metrô de Atenas é confortável, rápido e alcança lugares bem importantes para quem visita a cidade - como o aeroporto e o porto Pireo. A maior parte do percurso é de superfície. Algumas estações , como Syntagma e Acrópole, têm incríveis exposições de achados arqueológicos, feitos quando da sua construção, como pode ser visto na foto acima. Os bilhetes de acesso ao metrô podem ser adquiridos nas estações e devem ser validados antes de entrar no trem. Os trens passam a cada cinco minutos, das 05h às 24h30min.


Melina Mercuori

Tornou-se mundialmente conhecida com o filme Nunca aos Domingos, que deu a ela o prêmio de melhor atriz, no Festival de Cannes, em 1960. Seu avô foi prefeito de Atenas; seu pai, membro do Parlamento.Nesse festival, conheceu o diretor de cinema Jules Dassin, com quem casou e viveu toda a sua vida. Deixou admirável  legado como ativista  , atriz e cantora.  Em 1978, encerrou sua carreira para dedicar-se à política . Foi Ministra da Cultura por dois mandatos.   Melina Mercuori nasceu em 1920 e morreu com 73 anos.

Panathenaic Stadium
Localizado bem no centro de Atenas, próximo aos Jardins Nacionais, com muito verde de frondosas árvores, o estádio de atletismo Panathinaiko (Panatenáico), também chamado Kallimarmaron  - no grego,  beleza em mármore -  domina a área com sua grandiosidade e beleza. Foi construído em 566 a.C. e reconstruído em 329 a.C. Em 1870 suas ruínas foram restauradas. Em 1895, foi reformado para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em Atenas, em 1896. Em 2004, quando a cidade sediou os Jogos Olímpicos Mundiais, hospedou as competições de tiro com arco e recebeu os atletas da maratona masculina e feminina. Tem capacidade para 80 mil pessoas sentadas.


Porto Pireo
Localizado na grande Atenas - pouco mais de 10 km - Porto Pireo é local bem interessante de visitar. A ele pode-se chegar de ônibus ou metrô. Reserve um tempo para ver seu entorno. Vale a pena. Esse Porto  já era usado como ancoradouro no século VII a.C. Atualmente é o principal porto que faz a ligação da parte continental da Grécia às suas ilhas, recebe grandes navios de cruzeiros e , ainda, movimenta-o muito a chegada de grandes navios mercantes chineses, que aportam aqui na sua entrada para entrega de produtos na Europa.




Além da arqueologia monumental, das paradisíacas ilhas, do mar muito azul, dos edifícios emblemáticos, a Grécia hospeda um outro tesouro que muito me encanta. Refiro-me ao povo grego - e não estou me referindo apenas a Sócrates, Platão, Aristóteles e outros que o mundo inteiro conhece e que tanto contribuiram a compreensão da Política, no seu sentido mais amplo. Refiro-me ao povo que reage contra os ditames da troika, que recebe milhões de turistas como se fossem únicos ali chegando, que frequenta tabernas e cafeteria com alegria que parece despreocupada. Gente bonita,gente educada, gente culta. Estive muitas vezes na Grécia - e estou sempre pronta para retornar. 

Comidinhas gregas - Kebab
Come-se muito bem na Grécia. Em qualquer lugar, encontra-se comida fresca, muita verdura, frutos do mar, frutas secas, azeitonas, queijos e doces deliciosos. Gosto muito das mezèdes , pequenas porções de bolinhos de carne ou de peixe, peixinhos fritos, queijos temperados ou grelhados, tomates, berinjelas, abobrinhas e pimentões grelhados ou assados - e outros tantos pratinhos. Procuro comer sempre molho tzatziki - yougurt, alho e pepino ralado - com sardinhas fritas. Não dispenso Xoriatika, uma gostosa salada com queijo de leite de cabra e de ovelha, cebola, tomate e muitas verdurinhas. A comida é realmente deliciosa, entre outros motivos, porque a Grécia tem o melhor azeite de oliva e a melhor azeitona do mundo.Sem exagero!




Revendo tudo isso, repito o que escrevi em 2006 ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Gr%C3%A9cia) : " fica fácil, mesmo para quem não é de áreas afins, entender os versos de Horácio, referindo-se à influência dos gregos sofrida pelos romanos: A Grécia vencida subjugou o feroz vencedor com a fascinação de sua arte. Essa arte certamente está na raiz de muitas de nossas preferências e de nossos olhares sensíveis".

sábado, maio 04, 2013

"Andar,andar,andei"

Funchal - Monte Palace Tropical Garden

De Funchal para Atenas, fizemos um vôo pela TAP, com duas escalas não longas: uma em Lisboa, outra em Munique. Ao chegar na capital grega, fomos de ônibus ( E 95 ) até a Praça Sintagma e , caminhando, até o hotel já reservado. Esse trajeto pode ser feito também usando metrô, sistema de transporte confortável e que funciona muito bem, no país.
Papoulas por toda a Grécia, na primavera.
O Acropolis Museum Boutique Hotel, bem localizado e com bom custo/benefício, contribuiu para que tivéssemos uma estada agradável e tranquila em Atenas. Impressionou-me um certo empobrecimento na cidade - pouca limpeza nas ruas, prédios mal cuidados, muitos vendedores ambulantes e até crianças pedintes. Com os investimentos recebidos para as Olimpíadas, em 2004, havia melhorado bastante a infraestrutura ateniense. A crise econômica recente, lamentavelmente, atingiu, de fato, a população grega.

quarta-feira, maio 01, 2013

Ilha da Madeira - 2a.parte

Vista de Funchal desde o Pico dos Barcelos
Nosso tempo na Ilha foi insuficiente. Precisa-se bem mais de cinco dias para conhecê-la realmente. Os passeios são variados e distantes entre si. Em razão disso, percorremos , detalhadamente,  apenas  Funchal,  a capital. A seguir, lugares imperdíveis e comentários breves  do que mais nos impressionou.

Detalhe do Convento de Santa Clara
O chamado núcleo religioso , integrado pelas igrejas São Pedro, Santa Clara, Sé e Santa Maria , é de comovente beleza . O Convento - e a Igreja do Convento - de Santa Clara é visita sempre aconselhada, que dura cerca de uma hora  e impressiona muito.No dia em que lá estivemos, para intensificar ainda mais o momento, havia um pianista executando Mozart magnificamente.



Os azulejos da Igreja e do Convento são belíssimos e harmoniosos com o entorno. Há pátios e  jardins com muito verde e muitas flores. O início da primavera está bem marcado por cores, formas e perfumes. Penso que abril é um mês interessante para visitar a ilha - ainda não há superpopulação de turistas, o clima é agradável e já se podem muitas flores, com destaque para as bromélias.

Um dos altares da Igreja do Colégio
Exemplo típico de templo jesuíta, com grande e alta nave, a Igreja de São João Evangelista, conhecida como Igreja do Colégio, começou a ser construída em 1629. Em razão da sua grandiosidade e monumentalidade, entretanto, a decoração de seu interior só foi concluída no século XVIII. D. Sebastião, em 1569, em carta de doação e dotação, permite a fixação de comunidade jesuítica para que procedessem à edificação de um colégio adequado ao ensino e à prática da função religiosa.
Detalhe do calçamento das ruas
As ruas centrais de Funchal são calçadas com pedras portuguesas, que formam  tradicionais e criativos desenhos. É preciso, no entanto, estar atento, pois pequenas saliências ou reentrâncias podem provocar quedas escandolosas em pessoas distraídas, que estão a olhar uma interessante e bonita varanda. ( Além do supermico, com direito a muitas pessoas prestando socorro, ainda deixei lá a pele do joelho esquerdo.)

Praça do Município
Funchal é uma cidade sem edifícios altos, com um centro compacto, que pode ser todo ele percorrido a pé. Muito arborizada - neste mês, destaque para os jacarandás, cobertos por flores azuis - e com muitos prédios históricos. Na Praça do Município, encontram-se a Câmara Municipal, num palácio barroco do século XVIII; o Museu de Arte Sacra, num prédio do século XVII; e a Igreja do Colégio, fundada pelos Jesuítas no século XVI. Bonita,limpa e tranquila, a praça e a cidade. Da Praça do Município, caminham-se duas quadras em direção ao mar, e  chega-se à Catedral da Sé, finalizada em 1517.

Mercado dos Lavradores
Gostando como gosto de mercados e feiras de rua, imaginem minha alegria no Mercado dos Lavradores, onde  se podem ver , além de belos mosaicos, vendedoras de flores em trajes típicos,  lindas bromélias  e  strelitzas, frutas para mim desconhecidas, como  maracujá-banana e manga-limão. Diferente de outras ilhas, a maior riqueza daqui não vem do mar, mas da terra. A Ilha da Madeira é predominantemente agrícola, sendo a banana uma de suas maiores produções, seguida pela uva, que permite a fabricação de famosos vinhos.

Minha porta Preferida

Havia, em Funchal, no centro antigo, uma área degradada, em que as casas estavam  sem pintura e sem manutenção. Criaram, então, o projeto Arte de Portas Abertas, que  transformou  a Rua Santa Maria em fantástica atração turística . Pintores e artistas plásticos foram convidados a fazerem ali suas intervenções, dando nova fisionomia  às casas. Turistas visitam a rua como visitam galerias de arte e museus - e fotografam o tempo todo. O projecto propõe-se a abrir as portas da cidade do Funchal à Arte e à Cultura.

Teleféricos de Funchal
Faço coisas que odeio, simplesmente porque sou curiosa. Odeio teleférico, mas queria ver o Jardim Tropical Monte Palace e encarei esse meio de transporte que tanto me desagrada, durante 20 min, por cerca de 5 km aéreos. Fui lembrando da historinha de um homem que estava passando mal durante um vôo. A comissária de bordo perguntou-lhe, então,  se estava sentindo falta de ar. Ele respondeu : Não!!! Estou sentindo falta de terra.

Escultura no Jardim Tropical Monte Palace
O Jardim ocupa uma área de 70 mil m2 e foi reflorestado com plantas de muitos países  e com plantas da Laurissilva, floresta da Ilha, classificada pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial. Além da espetacular vegetação, tem lagoas repletas de peixes, alamedas com belos paineis de azulejo, 40 paineis sobre a História de Portugal, muitas esculturas, pagodes, budas, lanternas e águas em movimento. Tem , ainda, restaurantes, cafeterias, lojas de souvenir e um museu, construído também pela Fundação Berardo, criada pelo empresário português José Manuel Rodrigues Berardo, que adquiriu este local em 1987. Merece uma visita de, no mínimo, umas 4 horas.

Artesanato da Madeira

Minha amiga Suely Telma lembrou - me que, nos enxovais antigos, era imprescindível uma toalha de linho, bordada na Ilha da Madeira. Fiquei imaginando quanto uma toalha dessas custaria hoje, se o bordado acima, custa 300 euros.  Não comprei nem um lencinho, mas olhei muitos bordados típicos daqui, como se olha, com admiração,  uma verdadeira obra de arte - e fiz fotos. Lamentavelmente não consegui visitar o Museu do Bordado que me disseram ser muito bonito.

Apresentação típica da Ilha

Fomos jantar em um restaurante - do tipo caça-turista - apenas para ver apresentações de conjuntos de danças típicas da Madeira e de música com cantoras de fado.  Foi interessante, especialmente porque as pessoas que dançavam não eram profissionais, dançavam como se dança em casa ou em  festas familiares. Podia-se, assim, ter também uma pequena amostra da cultura local.

Bacalhau pois pois
Come-se bem na Ilha da Madeira, e os preços não são exorbitantes. Há muitos restaurantes e próximos uns dos outros. Indicaram-nos o Restaurante Londres, na Rua da Carreira, 64. Gostamos muito. O atendimento é excelente; a comida, muito boa. Especializado em pratos nacionais e regionais, serve bem, com destaque para o bacalhau com grãos e a espetada - prato típico da ilha. Quando perguntei em que constituía a espetada, recebi prontamente a resposta: ora pois, num  espeto com pedaços de carne.
Museu da Quinta das Cruzes
Aprendi que a quinta madeirense organiza-se pela Casa, Capela, Casinha do Prazer (sic!) Parque Ajardinado e pequena horta. A Quinta das Cruzes, hoje quase no centro da cidade, ocupa um hectare e apresenta essa divisão.  Foi a morada inicial de João Gonçalves Zarco. A Casa mostra um estilo de vida através da sua arquitetura, dos móveis ( portugueses e estrangeiros) , dos tapetes, das joias e das demais  obras de arte . A Capela, está datada de 1692 e evoca Nossa Senhora da Piedade.No Jardim, pode-se observar flores, arbustos, árvores e as belas peças do Parque Arqueológico,


Detalhes de Funchal
Diverti-me muito com o nome de ruas e locais da Ilha. São muito pitorescos, como: Caminho do Avista Navios, Rua Velha da Ajuda, Rua do Cabrestante, Rua das Virtudes, Caminho da Água de Mel, Travessa das Encruzilhadas, Caminho do Vigário, Rua dos Netos, Estrada dos Marmeleiros,Praça da Autonomia, Pico dos Barcelos, Câmara dos Lobos. Gostaria muito de saber a história de cada um desses nomes, como se conta que, há muito tempo, piratas invadiram a Ilha e começaram a assaltar igrejas e conventos. Freiras fugiram e se esconderam num local distante e quase inacessível. Hoje esse lugar se chama Curral das Freiras.

Quinta das Cruzes
 Não visitei a Ilha do Porto Santo, outra integrante do Arquipélago de Madeira. Contaram-me que é belíssima. Como disse , o tempo foi insuficiente. A partir desta viagem, em Portugal, os Açores constituem minha prioridade. Tentarei ir. Veremos porque...
"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada..."

Fernando Pessoa