domingo, outubro 28, 2018

Estônia : Parnü



Centro de Parnu



















Quando vou a um país pela primeira vez, procuro sempre visitar ao menos uma cidade, além da capital. Foi assim também na Estônia. Depois de encantar-me com Tallin, fui passar um dia em Parnü, considerada a Capital do Verão da Estônia, pelas suas excelentes praias e pelos seus famosos resorts. Mas não é somente uma cidade de praia, é  também uma cidade muito interessante, com uma história antiga e muito forte.

Igreja (Ortodoxa)Sta.Catarina




















Vai-se a Parnü , em 2h30min, pela mesma estrada que se vai a Letônia, a Rodovia 4, conhecida como Via Báltica. As estradas são boas - não são excelentes - e os ônibus são do tipo standart. Voltaríamos a essa estrada quando viajamos para Riga. Parnü foi fundada em 1251 e manteve-se controlada pelo reino da Polônia entre 1560 e 1617. Os suecos passaram a controlá-la mais tarde. Em 1721, entretanto, ela foi anexada ao Império Russo, através do Tratado de Nystad como consequência da Grande Guerra do Norte. A cidade tornou-se parte da independente Estônia após o término da Primeira Guerra Mundial.

Parque com monumento a Koidula



















Entre suas principais atrações, destacam-se: a Cidade Velha, localizada ao redor da Rua Ruutli, exclusiva para pedestres; a Igreja Santa Catarina, uma igreja barroca, construída em 1768, onde nos permitiram fazer , na parte interna, apenas duas fotografias; a Prefeitura, construída em 1797, como casa de um rico mercador da região; um supermoderno Centro Cultural, que oferece uma bem montada sala de informática, aberta gratuitamente para a população; um belíssimo e grandioso parque, onde encontramos uma estátua de Lydia Koldula, a poetisa mais conhecida da Estônia.



















Lydia Emilia Florentine Jannsen , que nasceu em 1843 e morreu em 1886, com 43 anos portanto, foi a poetisa e escritora que muito influenciou a história estoniana. Seu poema Meu País é Meu Amor , durante o período de dominação soviética, foi o hino nacional não oficial da Estônia. Koldula - que significa do amanhecer -  foi o pseudônimo que Lydia adotou quando foi proibida de escrever.



















Ela teve um passional romance com o escritor Friedrich Kreutzwald e para ele escreveu apaixonadas cartas de amor. Nem todas essas cartas - consideradas ponto alto de sua obra - foram posteriormente publicadas porque a esposa de Friedrich as queimou, num acesso de ciúmes. Mais tarde, Koldula casou com um médico da Letônia e foi morar no Golfo da Finlândia. Lá morreu, segundo dizem, de câncer e de saudades de sua terra natal e de seu amado. É. As histórias de amor estão em toda parte. Ainda bem.



















Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra.
Fernando Pessoa


quinta-feira, outubro 25, 2018

Países Bálticos: vale a pena visitá-los!

sábado, outubro 29, 2011


Estônia - Tallin

Cidade Velha: Prefeitura





































Interessantes os limites geográficos da Estônia: Rússia , na fronteira leste; Escandinávia contornando o norte e o oeste; os outros dois Países Báticos ao sul. Com tantas influências e alvo de tantas disputas, a Estônia, cuja história remete ao século 13, manteve-se razoavelmente coesa, graças a sua forte identidade cultural, conseguindo, mais tarde, com muitas lutas, sua independência. Nas suas últimas conquistas, estão a independência da União Soviética, em 1991, e a aprovação de sua adesão à União Europeia, em julho de 2010. Também desde 1991, a Cidade Velha , centro histórico de Tallin, hoje restaurada, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO. A visíbilidade alcançada hoje , no mundo do turismo, pela Estônia , juntamente com a Letônia e a Lituânia,  é inegável. O fluxo de turistas em Tallin é constante e influi, favoravelmente, na economia do País. Encontram-se ali pessoas do mundo inteiro. Surgem  hotéis e restaurantes de boa qualidade com preços  mais baixos do que seus vizinhos da Escandinávia. O País demonstra estrutura para receber e manter esse fluxo de gente, mesmo em cidades como Parnu,bem menores do que a capital.

Mercado da Praça



















Cheguei na Estônia, vindo da Finlândia, em navio. O hotel , perto das Torres de Pedra do Portão de Viru, era agradável e , de nosso apartamento, podíamos ver a Cidade Velha, incluindo algumas igrejas e torres medievais. Visão inesquecível. Eu havia planejado uma estada de quatro dias em Tallin. Após a primeira longa caminhada pelo Centro Histórico, ampliamos nossa permanência total para nove dias! Já não se tratava de conhecer a cidade; tratava-se de curti-la. A Praça da Prefeitura, onde se concentra o movimento desde a Idade Média,  e a área de Toompea eram por nós visitadas quase diariamente. Já tínhamos a nossa cafeteria - Vertigo Gourmet - onde podíamos tomar um bom café com grissini deliciosos Somente em um dia tivemos chuvas, nos demais , agradável e amena temperatura - isso aumentava nossas condições de traçar a pé toda a Cidade Velha e parte da cidade nova
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Catedral Bizantina





































As pessoas mostram-se gentis e agradáveis. Não se tem problema linguístico já que a maioria é falante de inglês. Disseram-me que, em geral, as pessoas falam três línguas - além do inglês , o russo é bastante falado.O artesanato é interessante e diferente, predominando a lã e a madeira como materiais usados.Fazem roupas de tricô muito bonitas.O comércio de âmbar,  entretanto, é o mais forte - joias e objetos com detalhes de âmbar são encontrados em toda a cidade. A arquitetura medieval da Cidade Velha está muito bem preservada. O centro mostra suas ruas estreitas, labirínticas, com calçamento de pedra. Restam, ainda, dois km de muralha e metade das quarenta e seis torres originais. Prédios espetaculares, como a Prefeitura (construída em 1404), a Casa das Três Irmãs, a Farmácia da Prefeitura,  a Igreja Niguliste, a Catedral Alexandre Nevsky, a Igreja Santo Olavo e a Casa dos Cabeças Pretas, entre muitos outros, pedem tempo e atenção para realmente serem vistos.



Parque e Palácio Kadriorg



















Passamos um dia todo no Parque Kadriorg , que dizem ser um dos lugares mais interessante fora da Cidade Velha. É um parque com um km e meio de extensão que tem como centro o Palácio de Verão de Pedro, o Grande,um palácio barroco do século 18. Ao redor do palácio, estão vários museus, memoriais, estátuas e o bonito Lago dos Cisnes. Emocionante pela sua beleza e pelo que representa é o Memorial Russalka, erguido em homenagem aos 177 soldados que morreram no naufrágio de um návio, que, em 1893,  ia para a Finlândia. Neste memorial, um anjo de bronze, na ponta dos pés, voltado para o mar, ergue uma cruz ortodoxa, como se pedisse proteção ou calma às águas. Na base, vêem-se blocos de granito, desbastados, sugerindo ondas fortes num mar revolto.


Memorial Russalka



















Outro lugar fantástico, fora da Cidade Velha também, é o Monte Toompea, onde se podem visitar construções impressionantes , ainda do século 13,  e de onde se pode ter uma vista belíssima da Cidade. No Monte Toompea,  encontramos várias noivas , fazendo suas fotografias, como acontece rotineiramente em fotogênicos lugares históricos. Há pouco menos de uma década , comecei a interessar-me por essa região, mas não tinha um plano para conhecê-la. Estava muito envolvida com o Leste Europeu, especialmente com a Slovakia, a Hungria e a República Checa. Nos últimos três anos, o apelo tornou-se mais forte : eu precisava ir lá. Era intensa a minha curiosidade.Ainda bem que fui - agora pretendo voltar! Li , uma vez, que bastavam dois dias para ver Tallin. Impossível. Seria uma visita com lamentável superficialidade. Tallin precisa - e merece - bem mais tempo para ser visto.


terça-feira, outubro 25, 2011


Os Países Bálticos - introdução

Tallin



















Nos três Países Bálticos, reside o núcleo desta viagem. Aos países visitados, antes e depois deles, fui somente rever lugares e amenizar saudades, especialmente da República Checa e da Suécia. A viagem foi precedida de muita leitura - o que considero imprescindível para desfrutá-la mais. Estava certa de que iria gostar desses países.  Não foi, portanto, amor à primeira vista, mas amor às primeiras leituras. Encantou-me a história da Estônia, da Letônia e da Lituânia - suas conquistas,ocupações e lutas por uma independência que só viria em 1991. Encantava-me saber que essa história tinha suas raízes nas tribos bálticas, 2000 a.C.


Letônia: as três nações




















Havia lido sobre o âmbar dos Bálcãs, sua beleza e as lendas  que o cercam, e havia já recebido de Edith, mãe da minha nora, um adereço de âmbar. Havia lido também sobre as capitais e por isso sabia que, apesar das afinidades históricas, possuíam características distintas, como o esplendor medieval de Tallin, o interessante Art Nouveau de Riga e a elegância Barroca de Vilnius. Estava muito curiosa para ver Tallin, Riga e Vilnius.Gosto de visitar cidades bem diferentes das nossas, pois, como escreveu Fernando Pessoa:
Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque  menos depende da minha subjetividade.

segunda-feira, outubro 17, 2011


Natureza e modelitos

Nesta viagem, as minhas poucas roupas trouxeram-me algumas dificuldades, ocasionadas pelas mudanças, às vezes bruscas, de clima.
Em Portugal, um belo verão, usando sandálias e roupas muito leves.
Em Berlim, temperatura para um casaco de meia estação.
Na Suécia, começaram as chuvas, e o frio aumentou.
Finlândia e Estônia assumiram o outono, com toda a preparação para o inverno, rigoroso nesta região. Em Tallin, tivemos um dia com vento forte e chuva - de - pedra, expressão de que tanto gosto e que  se escuta, frequentemente, em Alegrete. Era preciso sair do hotel diretamente para o táxi e deste para um local abrigado.
Dia - a - dia, notavam-se a cor de outono nos parques e jardins, e as folhas , em profusão e de cores diversas, enfeitando os caminhos.
Já tarda mais o amanhecer , e dezoito horas já é noite. As cidades resistem ao fim do verào: muitos bares, restaurantes e cafeterias conservam ainda mesas nas ruas - e os clientes as trocam por lugares fechados e aquecidos.
Nas vitrines, os lançamentos da moda outono-inverno, muito marcados pela presença do vermelho forte e do preto, muito preto em botas, chapéus, casacos,  calças e vestidos.
Em cidades belíssimas, como Stocolmo e Tallin, todos os diferentes dias têm seus diferentes encantos. Assim é o mundo.... parece-me.

quarta-feira, outubro 24, 2018

Zagreb, visite-a. É bem interessante.

sábado, maio 26, 2018

Centro Histórico de Zagreb - restos de antigas muralhas e Catedral de Zagreb

Já saímos do Brasil com a decisão de que o translado entre Budapest e Zagreb seria feito de ônibus, As passagens foram compradas,   ainda no Brasil, no site da             https://www.flixbus.com/ Era a oportunidade de ver melhor a paisagem, de passar por fronteiras,   de conhecer mais  um sistema de transporte na região e, ainda, pagar bem menos que de trem ou de avião.



Parte antiga de Zagreb com sinais de primavera 

Do apartamento que alugamos, era fácil percorrer o Centro Histórico da bonita Capital da República da Croácia, país com quase 1800 km de litoral e mais de 1200 ilhas. Observamos, já no primeiro dia,  que os preços praticados não constituíam exagero e que a comida e o café eram excelente. A  moeda croata é  Kuna (KN), que convive com o Euro, recebido em lugares mais turísticos.




Centro Histórico

Há 12 anos, eu havia estado em Zagreb um fim de semana, igualmente na primavera.  O número de turistas,  com certeza,  aumentou bastante desde aquela visita.    A proximidade com  Itália, Viena e Budapest deve ter contribuído muito para atrair visitantes...         e contribuído, mais ainda, o que se comenta sobre as belezas naturais do lugar e de seus arredores.








Em 2006, escrevi : Zagreb é uma bela cidade. E é muito interessante ver como aquele povo se reconstrói após a recente guerra. Um casal croata - falante de italiano -        conversa comigo e me conta da guerra.Dizem que muitas pessoas ainda têm pesadelos de que suas casas  estão sendo bombardeadas.          Os croatas terminaram a conversa, dizendo " mas sobrevivemos e precisamos agora reconstruir nosso país"...




Proximidades da Catedral


Embora eu goste muito de caminhar sem destino pelas cidades,  observando lugares comuns e gente no seu cotidiano, parece-me importante esmiuçar o Centro Histórico e observar ali o que a gente leu antes da viagem. Em Zagreb , o conhecimento do Centro Histórico é imprescindível, tanto nas leituras, como durante os passeios. Com cerca de 900 mil habitantes, a cidade tem um belo ar provinciano, parques bonitos, arquitetura que merece um olhar mais longo, museus, galerias de arte, restaurantes, cafeterias,habitantes muito gentis - e o rio Sava, embora ele  não parece muito integrado à cidade.


Detalhe da Feira Livre de Zagreb : Dolac

Mencionando restaurantes e cafeterias, recordo que se come bem e barato na Croácia. A Feira Livre de Zagreb - Dolac - é uma festa para os sentidos. Frutas locais, verduras e legumes novinhos, embutidos, queijos, doces e as fantásticas comidinhas de rua estão todos ali - deliciosos e tentadores. O que mais me encantou, no entanto, foram os espaços reservados às flores. Quanto colorido e beleza! A Dolac funciona diariamente, bem pertinho da praça principal, a Ban Jelacica. Passeio obrigatório para visitantes e habitantes.



Centro Histórico
O Centro histórico está dividido em Cidade Baixa ( Donji Grad ) e Cidade Alta ( Gornji Grad ). Na Cidade Alta está a Catedral e a Praça Central ( Trg Bana Jelacica), onde está a estátua do vice-rei, imponente no seu cavalo. Duas observações : aprenda algumas palavras na língua eslava, pois não é difícil fazer úteis  associações. Não esqueça, se você não estudou bem a diagramação da cidade, que a localização da Catedral é  referência para você encontrar-se. 



Detalhe do prédio do Museu Arqueológico


Há vários museus muito bons em Zagreb, como o Museu Croata de Arte Naif, o Museu da Cidade, o Museu Arqueológico, e algumas galerias de arte bem recomendadas, como a Galeria de Arte Moderna e a Galeria Strossmayer. O Museu, entretanto, que mais me interessava, não consegui visitá-lo por desencontro de horários. Refiro-me ao Museu das Relações Cortadas ( Museum of Broken Relationships ) que conta, de diferentes formas,  a história de relações amorosas desfeitas,  através, por exemplo,  dos mais inusitados objetos.



Antigas muralhas

Não só pelo Museum of Broken Relationships, eu desejo retornar, pela terceira vez, à Croácia, um país com história dura e corajosa. Foi conquistado / invadido, através dos séculos, por tribos eslavas, venezianos, turcos e alemães. Sofreu nas duas Grandes Guerras; foi parte da Iugoslávia e, após um dramático período, conquistou sua autonomia  em 1990. Mantém lendas e tradições encantam os visitantes, além dos preços que são bem mais em conta que muitos outros países europeus.



Ensaio das tulipas


O post sobre Zagreb será dividido em duas partes. A primeira, esta que você acabou de ler e que está bastante mal escrita. Desculpe. Estou passando por uma fase bem ruim - doença de um irmão meu, muito amado. A segunda, melhor um pouco, porque foi rascunhada ainda na Croácia e porque o tema me é fascinante. Aguarde. Ela é meio diferente...








" No basta abrir la ventana
para ver los campos y el río.
No es suficiente no ser ciego
para ver los árboles y las flores.
Es preciso también no tener filosofía ninguna.







Con filosofía no hay árboles: solo ideas.
Hay solo cada uno de nosotros, como uma cueva.
Hay solo una ventana cerrada, y todo el mundo allá fuera;
y un sueño de lo que se podría ver se la ventana se abriera,
que nunca es lo que se ve quando se abre la ventana."

Fernando Pessoa


Mirogoj - próxima postagem