terça-feira, novembro 08, 2016

Vacina contra Febre Amarela e paciência para obter informações

Ávila

Ontem foi meu dia de vivenciar a paciência e de experimentar a prepotência em setores do serviço público. Fui bem consciente de que não deveria perder o bom humor por tão pouco. Depois de ler as alterações sobre tempo de validade da vacina contra Febre Amarela, encontrar uma carteira de vacinação e dois passaportes - vencidos mas com carimbos de oito países onde essa vacina é exigida - fui a um posto da Secretaria da Saúde, em Porto Alegre.


Toledo

O primeiro atendente - grosso e impaciente - nem ouviu minhas perguntas e, à segunda delas, aumentou o tom de voz, reafirmando que era a porta grande da esquerda. Saí à procura da tal porta, pensando quem é o cliente do servidor público? A quem ele deve tratar com educação, precisão e gentileza durante seu período de trabalho ( ao menos)?


Burgos

Após transpor a porta grande da esquerda, pequei uma senha, entrei numa sala bastante lotada, onde algumas pessoas estavam sentadas e outras tantas, de diferentes idades, já aguardavam ser chamadas por três atendentes. Uma menina - acertadamente chamada Letícia, do latim, alegria, felicidade - deu-me seu lugar. Agradeci pensando: que bela educação ela teve! Pontos para a família!


México

Na minha frente, um pequeno cartaz informava que, tanto para vacinas, quanto para informações, era preciso seguir a ordem das senhas. Pareceu-me fácil organizar de uma forma diferente: as informações serem fornecidas por uma só pessoa, talvez mais paciente e mais bem informada. Meu atendimento foi surrealista, deixaria Kafka confuso ou o motivaria a escrever outra Metamorfose.


Malta

Na impossibilidade de que a atendente compreendesse que eu gostaria de ter informações sobre as alterações no tempo de validade dessa vacina e sua respectiva comprovação, pedi para falar com a responsável pelo setor. O diálogo que se seguiu a esse meu pedido foi um exemplo interessante para quem trabalha com gestão de pessoas. Minha secretária só atende depois das 14 horas ( eram 12
horas!) e já tem pessoas agendadas, disse-me a servidora.. Respondi-lhe que não desejava falar com a Secretária dela, mas com a secretária do setor... Não entendeu a ironia....

Mosteiros de Meteora
Com irritação e prepotência crescentes, a senhora reafirmava a normativa antiga. Embora eu esclarecesse que estava interessada em escrever sobre a normativa atual para que outras pessoas como eu, que fossem até o Posto, recebessem orientação clara e objetiva, percebi que era impossível chegar a um entendimento. Desisti para não perder o bom humor...Entenderam por que ilustrei este post com lugares santificados?

China
As informações sobre países que requerem essa vacina e a ampliação de sua validade para toda a vida, podem ser lidas no excelente blog de Claudia Liechavicius http://www.viajarpelomundo.com/2016/08/muda-o-prazo-de-validade-da-vacina.html


Índia
PS. Depois de escrever este post, telefonei para a ANVISA, no aeroporto, e obtive as informações necessárias e em concordância com o que eu havia lido. Fiquei sabendo que a ANVISA segue a orientação atual da Organização Mundial da Saúde, enquanto os postos seguem uma normativa anterior. Resolvi meu problema: estou com um cartão internacional, onde está a anotação de que a vacina contra Febre Amarela tem validade  para toda a vida!  E, de quebra, com  avaliação positiva desses verdadeiros servidores públicos.


Varsóvia

sexta-feira, novembro 04, 2016

Torres, a mais bela praia gaúcha

Torres - Guarita

Há quase meio século, de diferentes lugares e em diferentes estações do ano,  retorno a minha casa, em Torres.  Continuo gostando de lá. Acompanhei o boom imobiliário que mudou dramaticamente a paisagem torrense. Como vivo na Praia Grande, próximo ao rio Mampituba, onde felizmente ainda não permitem a construção de grandes edifícios, pude ver, na vizinhança, antigas casas transformarem-se em altos edifícios com consequências ruins para os moradores que resistem à venda de suas propriedades.


Morro da Guarita

Torres , desde o Mampituba, que divide  Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem, bem urbanizadas, a Praia dos Molhes, a Praia Grande, a Prainha, a Praia da Cal e a Praia da Guarita - a que tem o mais conhecido relevo das praias gaúchas. Depois da Guarita, há outras praias, mais tranquilas e menos frequentadas. No total, são 23 km de orla marítima.


Morro do Farol

A cidade pode ser acessada, de Florianópolis ( 280 km) ou de Porto Alegre ( cerca de 200 km ) pela BR 101, estrada duplicada e bem cuidada. Pode-se também chegar de Porto Alegre pela RS 389, conhecida como Estrada do Mar. O cenário que  circunda as estradas, merece ser admirado - de um lado, morros com grandes plantações de bananeiras; de outro, campos e lagoas com flora e fauna riquíssimas.

Lagoa do Violão

Escrevi em http://correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Praias%20de%20Torres:
Torres é abençoada com a presença dos morros, das praias e do rio Mampituba, rio que é divisa natural entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Antes, além da balsa,  só havia a Ponte Pênsil - meu pesadelo! -  para atravessar o Mampituba. A Ponte Pênsil continua existindo e sendo usada pela população dos dois Municípios. Eu, no entanto, continuo com medo dela.  Agora felizmente há uma ponte para carros  que  nos permite ir e voltar - da minha casa ao Passo de Torres  - em  15 minutos, trazendo camarões e peixes catarinenses fresquinhos. Gosto de olhar o Mampituba quando ele deságua no Oceâno Atlântico, Rio de Muitas Curvas, como é o significado de seu nome em Tupi-Guarani.( fevereiro 03, 2012 )


Parque da Guarita

Não posso prometer a quem  visita Torres, água com temperatura cálida ou mar com o colorido do nordeste ou da Grécia. Há, entretanto, agradáveis passeios pela cidade e pela região e condições para a prática de esportes preferidos pela meninada. Como não fazer agradáveis caminhadas no Calçadão, chegando até os Molhes do Mampituba? Como não chegar ao Morro do Farol ou ao Morro da Guarita ou correr ao redor da Lagoa do Violão?


Lagoa do Violão

Pelos altos morros nas suas proximidades, Torres foi inicialmente reconhecida como ponto estratégico de controle. No século XIX, a construção da Igreja de São Domingos serviu de base para o início do povoado. Por alguns anos foi uma vila pacata até que virou moda. Influiu , para tanto, o europeu conceito de férias e a moda dos terapêuticos banhos de mar - feitos de manhã cedo, com recatadas roupas de banho e com tempo determinado para se expor às ondas do mar. No início do século XX, vir a Torres começava a ser chiquésimo...


Orquídeas: atração  aos sábados na Feira da Lagoa do Violão

Esse turismo dos anos iniciais do século XX foi por muitos anos o grande aporte econômico e social da cidade. Com menos de 50 mil habitantes permanentes ainda hoje, durante a temporada, acresce-se a esse número cerca de  300 mil pessoas. Como moradora local, venho observando, na última década, um aumento - lento mas contínuo - de população permanente na cidade, especialmente de estudantes, em razão do  vários cursos universitários oferecidos, e de aposentados ( como eu ) pela qualidade de vida que Torres oferece.


Ponte " nova"

A cidade deverá melhorar ainda mais, com o número de visitantes diminuindo e o número de moradores aumentando - o que certamente determinará o surgimento de novos restaurantes ( um vegetariano, por favor! ) mobiliários urbanos  e cafeterias, entre outros espaços necessários. Passo de Torres, cidade catarinense do outro lado da ponte, ampliou  escolhas para os moradores - até os preços de serviços e produtos são mais reais, sem as explorações e o atendimento insuficiente da alta temporada.


Praia da Guarita
Passeios na região constituem outra grande atração de Torres. Vai-se a Santa Catarina comprar frutos do mar, doces, pães, roupas, tecidos, lençois, toalhas ou ....simplesmente discutir um pouco - por qualquer razão - com os catarinenses...Vai-se aos Aparados da Serra e às belas cidades serranas gaúchas num bate-e-volta facinho,facinho. Vai-se, portanto,  às praias, aos morros, às vinícolas, e - o que considero fundamental - vais-se ao Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre em pouco mais de duas horas...


Festa de Ano Novo na Praia Grande by Fabiana Menine

Há cinco anos, não permaneço em Torres nos dois primeiros meses de verão: muita gente, muito barulho, estacionamento insuficiente, praias lotadas, enfim, um  período que exige estoque adicional de paciência. Nos demais meses do ano, sou uma moradora agradecida à cidade. Devo, no entanto, esclarecer que meus intervalos de permanência andam ao redor de trinta dias.


Morro das Furnas.

"Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.
Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal,
Nem almoçar o mundo por causa do estômago.
Indiferente?


Surf em Torres

Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.


Festival Anual de Balonismo em Torres

Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui."


Fernando Pessoa


Guarita

segunda-feira, outubro 31, 2016

Pontes e Portas : movimento e travessia III


















Continuando Pontes e Portas : movimento e travessia I e II ( http://correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Portas%20e%20Pontes ), apresento-lhes as minhas preferidas deste ano:


sábado, outubro 29, 2016

Porto Alegre : e a chuva continua...


Porto Alegre em outubro nublado


Ainda que eu precise muito de intervalos, ainda que eu considere a chuva uma bênção da natureza, começo a sentir-me prisioneira deste outubro sem sol. Considero a primavera de Porto Alegre equivalente em beleza ao outono europeu. Como tenho paixão por árvores e flores, essas duas estações, no mesmo mês e em diferentes espaços, deixam-me grata por existir....e  me fazem sentir injusta com o Universo por reclamar da ausência do sol e da água que cai...há vários dias.



Idem

Neste intervalo, reviso meu roteiro de viagem ao Peru, à Colômbia e ao Equador e reviso minha bagagem, que, sendo pequena, precisa ser bem escolhida. Releio anotações e confirmo transporte, hoteis, seguros de viagem e alguns passeios já contratados. Vou ao médico e ao dentista. Começo um check up. Ainda me sobra tempo para ler outros livros , além de livros sobre viagem, e ver filmes - ontem vi 7 Años, uma produção entre Colômbia/Espanha, bem interessante, que está na Netflix. 


Porto Alegre

Minhas expectativas se concentram em alguns lugares, como Zipaquirá,  Villa de Leyva, Otavalo e Mitad del  Mundo. Ia esquecendo : e Fernando Botero por onde eu andar. Viciada em café como sou, quero ainda - e muito -  visitar uma fazenda produtora desse divino grão... e , depois de experimentá-lo bem, trazer ao menos um pacotinho de café colombiano para casa -  é esse o único item de meu projeto de compras desta viagem. 


Porto Alegre

Zipaquirá é uma cidadezinha localizada a cerca de 50 km de Bogotá, cuja grande atração é a Catedral de Sal, que ocupa uma antiga mina, explorada entre 1800 e 1992. Villa de Leyva, também na Colômbia, com 14 mil habitantes e muitas informações históricas, foi fundada em 1572. Otavalo, no Equador,  acredito que seja o mais conhecido e mais antigo mercado indígena da América do Sul. Mitad del Mundo é - dizem! - por onde passa a linha que divide os hemisférios norte e sul : a Linha do Equador. Indispensável uma foto de meu neto nesse lugar - o que ele vai considerar um mico!


Porto Alegre

Os lugares que voltarei a visitar e outros que não os conheço mas que são facilmente encontrados, integram uma lista bem detalhada  do que ver e do que mostrar ao Pedro. Please, gostaria muito de receber sugestões sobre o que fazer nos três países, em especial no Equador, aonde estou indo pela primeira vez. Como será uma viagem bastante rápida ( três semanas somente), darei prioridade às capitais. Postarei  notícias em tempo real.


POA e Guaíba

" .....A palavra contém uma idéia e uma emoção. Por isso não há prosa, nem a mais rigidamente científica, que não resume qualquer suco emotivo. Por isso não há exclamação, nem a mais abstratamente emotiva, que não implique, ao menos,o esboço de uma idéia."

Fernando Pessoa


quarta-feira, outubro 26, 2016

Em dias chuvosos : Fernando Pessoa e fotos de viagem

Espanha - Catedral de Jaén


Estou em Porto Alegre. Chove...há muitos dias chove...e chove muito...Recordo um velho amigo da etnia Macuxi, morador da região da serra, em Roraima, que, ao ouvir minhas  queixas sobre o excesso de chuva, num período em que eu estava percorrendo escolas indígenas, repreendeu-me dizendo: Não é bonito falar mal da natureza e não muda nada ficar falando assim. Essa lembrança me acalmou. Fui reler Fernando Pessoa, rever milhares de fotos num HD externo e postar algumas que, em homenagem a Santa Bárbara, serão de locais religiosos...



Polônia - Varsóvia

"Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair.
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos...



Bulgária - Mosteiro de Rila 

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz  não,
Não sei porquê - eu não tinha medo -
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...





                                                                República Tcheca - Praga


Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo  que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, como o muro do quintal;
Tendo ideias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...




México - Guadalupe

Sentia-me alguém que possa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

( Quem crê que há Santa Bárbara,
julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)
( Que artifício!  Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara? ....Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos... 




Jerusalém - Monte das Oliveira


Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade.
E saúde em existir
Das árvores e das plantas! )



Índia - Golden Templo 

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega...

Fernando Pessoa


Jerusalém - Muro das Lamentações

sexta-feira, outubro 21, 2016

Esztergom : duas visitas, dois tempos, duas percepções

Basílica de Esztergom - lugar de peregrinações

Capital húngara durante a Idade Média, a cidade de Esztergom, distante de Budapest cerca de 50 km, está à margem direita do rio Danúbio e tem acentuada importância histórica e religiosa para os católicos do País. Integra  o destino  de conhecida rota da peregrinação, com 100 km de percurso , denominada Via Margarida.


Detalhe da Basílica

Nesta cidade, nasceu Santo Estêvão, rei da Hungria, que foi coroado no ano 1000. A constituição húngara de 2011 refere expressamente a Santo Estêvão e declara seu reconhecimento ao cristianismo na integridade e preservação da nação. Dentro da Basílica, está a cruz do juramento, usada pelos reis húngaros durante 900 anos.


Na frente da Basílica, muitos vendedores ambulantes

A Basílica, dedicada a Assunção de Maria e a Santo Adalberto, é a maior da Hungria.. No século XVI, ela foi destruída, tendo sido reconstruída e consagrada no ano de 1856. Franz Joseph Liszt - que era húngaro - compôs músicas para essa solenidade de consagração. Pode-se ver também, no seu interior, um quadro da Assunção de Maria - o maior quadro a óleo do mundo - com 13 X 6,5 metros.


Referência à Missa de consagração da Basílica

Por sorte, chegamos na imponente Basílica, localizada no alto de uma colina, bem no início da Missa, sendo possível ouvir peças musicais magistrais, executadas num órgão de tubos. Consegui, com rapidez, fazer algumas fotos de seu belíssimo interior. Depois, Adriana, Pedro e eu percorremos o entorno próximo à Basílica, quando vimos o Danúbio e algumas de suas famosas curvas e a ponte que o liga à Slovakia.


Ponte Maria Valéria

Danúbio é fronteira com a Slovakia, acessível  por uma ponte denominada Ponte Maria Valéria, nome da filha mais nova de Elizabeth, nossa conhecida Sissi. Essa ponte, que liga Ssztergon a Sturovo, cidade eslovaca, foi destruída pelos alemães, em retirada, no ano de  1944. Em 2001, com apoio da União Europeia, ela foi totalmente reconstruída.


Hungria e Slovakia, acessadas pela ponte Maria Valéria

Este tour de um dia é feito por diferentes agências de Budapest. A ida é toda de ônibus sem paradas. A volta - entre a primavera e o outono - tem parte de seu regresso em barco e faz três stops, todos ainda de ônibus, antes do barco, é óbvio.... As paradas são em Esztergom, Visegrád e Szentendre - essa última, já descrita aqui no Correndomundo. é também  local de embarque no pequeno cruzeiro pelo Danúbio. Um tour bem interessante, disponível nos hotéis e nos pontos de partida do grupo.


Basílica durante a Missa

Há mais de 10 anos, antes de ter blog, eu estive em Esztergom. Eis que encontro agora, numa antiga agenda, um pequeno texto sobre essa visita, que passo a transcrever  fielmente. Vale pelas diferentes percepções, da mesmo pessoa e num espaço de tempo não tão longo. Lamento não ter fotos - as que aparecem a seguir, são desta segunda visita.


Chegando para a Missa....

" Estou em Budapest. Tenho feito lindos passeios, mas ontem foi meu dia de " roubadas"...Ainda na Bahia, li muito sobre os lugares que eu pretendia visitar. Li - e anotei - que Esztergom era uma cidade muito interessante. Cedo, de Metrô, fui a Nyugati Pályudvar ( esse segundo palavrão quer dizer Estação). Um trem estava de partida para Esztergom. Correndo, consegui comprar passagem...( Gugu fala que sou curiosa - desejo sempre saber o que há dobrando a esquina...ou do outro lado do muro, colina, montanha ou moita....e vou atrás ).E me fui toda feliz...



Detalhes da Basílica

Durante 1h30min, pude ver os campos da Hungria - bonitos, mas, nenhuma Toscana! Chegando, começaram as decepções: a estação era longe do centro e nela havia uma placa, com data de 1996, comemorativa dos 100 anos da cidade. Muito nova! O primeiro escudo de Kosice - onde estou passando uma temporada -  data de 1369. Segui, por 2 km, as placas que indicavam "Centrum"....e elas terminaram sem que nada mudasse. Fui até a margem do Danúbio, de onde vi minha amada Slovakia. Vi uma igreja grandiosa...e voltei...sem me encantar com nada...


Interior da Basílica

Penso que todos nós conhecemos um tipo de pessoa " liquida prazer"... Se o assunto é literatura, indica um livro esgotado que só ela leu; se é cinema, disserta sobre um filme de arte, raro, que poucos viram; se é viagem, fala de um lugar ou de um detalhe  que ninguém foi ou ninguém notou...O cara que escreveu que Esztergom era uma maravilha, pensou certamente que ninguém iria conferir ou tem um romance lá, desses que faz qualquer  lugar do mundo parecer um paraíso. Burra fui eu que não conferi a informação. Voltei a Budapest no final da tarde - gripada, cansada e p. da cara. "

Campos da Hungria.

Com este post, encerro os relatos dos meses em que estive na Europa e nos Estados Unidos em 2016. Em breve, outros relatos virão. Ainda tenho um roteiro programado para o mês de novembro - Peru, Colômbia e Equador. Em dezembro, enfrento o período mais difícil do ano - aquele em que as  perdas e danos ressurgem ... ainda mais doloridas - Natal e Ano Novo.  Mas tudo bem... Para 2017, planos e roteiros começam a ser elaborados. Enchallah!


Adri - a quem agradeço a parceria - em Esztergom

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."

Fernando Pessoa


Detalhes do interior da Basílica de Esztergom