sábado, junho 20, 2015

Marrakech : Tradição e Modernidade

Na Medina de Marrakech

Li - e achei curioso - que o nome Marrakech significa, na língua berbere,  Marra Kech! que quer dizer Anda Depressa. A origem do nome seria anterior à fundação da cidade. O local era, então, habitado por bandidos muito perigosos, que costumavam roubar os cavalos dos viajantes que por ali passavam. Para conseguir escapar dos ladrões , gritavam Marra Kech! Marra Kech! Com esse nome, mais tarde, a nova cidade foi batizada.


Produção tradicional de Óleo  de Arkan

Reconhecendo o potencial estratégico do lugar, já que muitas caravanas do deserto o atravessavam, um líder berebere  - Yusuf ibn Tasfin - construiu, em 1062,  muralhas ao redor do   acampamento   e canalizações subterrâneas. Foi também ele que começou a utilizar,  no local , a típica arquitetura de adobe de cor levemente rosada. Desenvolveu-se até que a cidade , outra vez,  foi invadida e parcialmente destruída. 


Medina

Foi recuperada , tempos depois,  por Yacub Al-Mansur, que construiu mercados cobertos, magníficos jardins e uma Porta Triunfal -  e ainda reconstruiu a Mesquita. Com o passar do tempo, entretanto, as atenções reais voltaram-se para Meknés e Fez e só retornaram a Marrakech no século XVI, ao estabelecerem nela um importante ponto comercial na rota de venda de açúcar. Em 1558, foi criado um Mellah, bairro judeu protegido, que muito contribuiu com a cidade.



À espera ...

Por muitos anos, houve idas-e-vindas históricas importantes para /em Marrakech,incluindo a triste retirada de tesouros daqui para levar a outras cidades. Em 1912, o Protetorado francês outorgou ao pachá Glaui poder sobre o sul de Marrocos, enquanto os colonizadores franceses e espanhois construíam a Ville Nouvelle, ampliando,assim, a cidade e melhorando as condições de vida da população.


Detalhes do interior da Medina


Depois da Independência de Marrocos, a cidade ficou sem um projeto definido. Houve, a seguir, um ressurgimento inesperado e sem precedentes: Hippies  impulsionaram a cidade, fazendo dela um mito, durante as décadas de 1960 e 1970. Foram relevantes, nesses anos, as visitas dos Rolling Stones, dos Beatles e de Led Zeppelin. Na década de 90, mansões particulares transformaram-se em B&B e começaram também os voos low cost, em finais de semana, para Marrakech. A situação se manteve boa até 2008, quando a crise mundial atingiu os mercados europeus, responsáveis por 80% dos visitantes.


Artesanato tradicional: luminárias


Em abril de 2011, um militante islamista colocou duas bombas num café, na praça El Fnna, que mataram 17 pessoas. A cidade foi muito prejudicada: turistas cancelaram suas reservas e investidores cancelaram negócios. Em 2013, começou um retorno gradual do turismo e dos investimentos. Para 2016, está prevista a inauguração do maior museu de arte contemporânea da África, aqui em Marrakech. Aposta-se na divulgação da cidade e no consequente aumento do turismo e do crescimento da economia.



Artesanato típico

O artesanato desta região é cuidadosamente feito e de muito boa qualidade. Misturam-se, algumas vezes, elementos inovadores com elementos tradicionais. Surgem galerias de arte que mostram e vendem trabalhos originais, que vão muito além de antigas figuras, como as mulheres de harém. Procurei endereços de galerias novas; faltou-me, porém, tempo para percorrê-las. Informaram-me que a Galeria Rê ( www.galeriere.com) e a Matisse Art Gallery ( www.matisseartegallery.com) têm um acervo bem interessante.


Google + mudou minha foto para P&B.Gostei

Em relação a compras, é um lugar bastante tentador. Gostaria de ter visitado a Assouss Cooperative d`Argane,  a Cooperative Artisanale des Femmes de Marrakech e a L´Art du Bain Savonnerie Artisanale. Mencionando cooperativas,  lembrei-me de ter visto um grande forno comunitário onde as pessoas preparam  o pão e levam ali para assar - parece que a cultura associativista é bem desenvolvida no País.


Interior da Medina


A Medina de Marrakech é a maior do Norte da África. Alberga hoje mais de 250 mil pessoas. As ruas, assim como em Fez, são também um labirinto, embora sejam mais largas e com a luz do sol mais presente. Está dividida em zonas ( ou bairros ) tal como funcionavam as cidades da Idade Média. Em cada zona, há Souks ( mercados) onde predomina a comercialização de um tipo de produtos. No concorrido Souk Smarine ,por exemplo, os tecidos constituem o produto principal à venda.


Ruelas da Medina

Há outros Souks bem  interessantes. O Larzal é o mercado de lãs; o Btana comercializa as peles, principalmente as peles de ovelha de cheiro muito desagradável. Mas eu gostei mesmo foi dos boticários, profissão muito antiga e variada no oriente. Todas as Boticas oferecem cosméticos tradicionais para serem usados nos lábios e nos olhos. A henna , muito procurada, é o único cosmético que as mulheres solteiras podem usar. O óleo de Arkan é a estrela da temporada - faz sucesso entre os estrangeiros.Vendem-se também componentes necessários para os feiticeiros, curandeiros ou magos, indivíduos bem respeitados, já que a magia é parte do cotidiano do país.



Praça de D´jemmaa El Fnna

D`jemma El Fnna, significa Praça dos Mortos. É  assim chamada porque nela, antigamente, eram executados os condenados à morte. Tornou-se um dos lugares mais festivos e movimentados da cidade, que consegue reunir tradição e modernidade - a parte antiga da cidade com a parte nova. No final da tarde, é ponto de encontro entre moradores, turistas e viajantes.É movimentada até a meia-noite.


Feira na Praça D´Jemma El Fnna









Há um grande café e restaurante, onde se pode ficar de frente para a Praça D´Jemma El Fnna e apreciar a diversidade de eventos que  diariamente são oferecidos. As pessoas, por exemplo, formam círculos ao redor de equilibristas e saltibancos, encantadores de serpentes, músicos, contadores de histórias, mágicos, e  lutadores de box. Os vendedores de água são figuras tradicionais também. Todos eles mostram suas habilidades em troca de moedas que esperam receber após o espetáculo ou a fotografia em que apareceram.





Os jardins, que sempre tiveram muita importância na cultura árabe, são locais de reflexão, repouso e tranquilidade.Desta vez, não visitei a nenhum deles. Costumam ter , no seu centro, um pequeno lago ou tanque, como reservatório de água para as plantas. O mais famoso é o da Menara, que tem a extensão de 88 hectares com 88 mil oliveiras, que foram inicialmente plantadas no século XII. O Olival da Menara era reservado para o sultão. Atualmente é um jardim aberto ao público.






Encontrei essas fotos antigas , em Marrocos, que muito bem mostram a minha antiguidade...São do tempo em que eu conseguia carregar, no ombro, em viagens, uma bolsa grande assim. A primeira foto é no majestoso e requintado Palácio da Baía. Desta vez, entretanto, no dia em que o grupo foi conhecê-lo, eu fiz um programa solo, caminhando pela Cidade Nova e vendo suas alterações. Gostei das cafeterias - cafeterias mesmo, onde não se oferece apenas chá de menta ( hortelã ).


Duda, minha amiga,  e eu na represa, a caminho de Marrakech.

Passados quase 20 anos da primeira vez que fui a Marrocos, senti - e vi - que ocorreram algumas mudanças no País. Não estou fazendo juízo de valor, nem consigo opinar sobre países onde não vivo cotidianamente. As mudanças mais simples e aparentes  para mim, no entanto, referem-se às mulheres, frequentando cafeterias, bares e restaurantes - algo que era inadimissível; mulheres dirigindo carros e motos; casais passeando lado-a-lado; além de flexibilização das leis de modo a dar condições e oportunidades a todos. As estradas estão bem cuidadas, há muitos hoteis e restaurantes considerados bons. Marrakech é uma interessante cidade - mas  eu continuo preferindo Fez.



Represa que abastece grande área de Marrocos


Viajei a Marrocos com a parte terrestre comprada na KTOUR, em Santa Maria. Comprei o pacote, que incluía as viagens internas, numa van com motorista e guia turístico: um senhor marroquino, bastante competente, fluente em português, inglês e italiano - as três línguas faladas no grupo, que era composto por 11 pessoas de três nacionalidades. Incluía, ainda, 8 diárias de hoteis 4 ou 5 estrelas e duas refeições por dia - mais os ingressos para todas as visitas e um jantar de encerramento com espetáculo folclórico. Excelente  custo-benefício. A parte aérea fiz pela Ibéria, desde Madrid, em 1h20min de viagem. Considerei boa a exceção de ter viajado com grupo desta vez, já que não costumo viajar empacotada. Gostei. Recomendo.



Feira  à margem da estrada

"O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo..."

Fernando Pessoa

Vista do Médio Atlas a caminho de Marrakech

quinta-feira, junho 18, 2015

Fez : minha favorita em Marrocos.

Porta de Boujeloud
Amo Fez. Começo, portanto, com uma declaração de amor a mais fascinantes das cidades marroquinas. Encantou-me revê-la:  suas cores, formas, sons , sabores e odores.  Caminhar pela Medina  , dar passagem aos burrinhos transportadores de cargas, observar as roupas elegantes de homens e mulheres, ver artesãos trabalhando, olhar flores e frutas nos mercados, admirar toda sua fantástica arquitetura .... é inesquecível.


Delicados trabalhos em mármore


Fez  é a mais antiga das cidades imperiais. No ano 789, Idris I , fundador da primeira dinastia de Marrocos, considerou que Volubilis era muito pequena e decidiu construir uma capital nova e grandiosa. Mal o projeto foi iniciado, Idris morreu. Sucedeu-o Idris II , seu filho, que realizou a vontade do pai, Hoje a cidade tem mais de um milhão de habitantes, e o número de turistas que a visitam, aumenta a cada ano.




De fato, o conjunto urbano da Fez atual é composto por três cidades: Fez el Bali ( ou Fez Velha ); Fez el Jedid ( ou Cidade Nova) e a Ville Nouvelle, surgida com o Protetorado Francês no século XX. O núcleo inicial da Fez el Bali era um pequeno grupo berebere, até que chegaram oito mil famílias de muçulmanos andaluzes pricipalmente. Os primeiros refugiados vieram de Córdoba e de Granada. Depois, uniram-se a eles famílias árabes de Kairuã - atual Tunísia. Fez el Bali é considerada, desde 1981, pela UNESCO, como Patrimônio da Humanidade.

Conjugação de madeira nobre e cerâmica
Esses grupos aportaram significativo patrimônio a Fez, que  formou uma base sólida não só para a riqueza econômica, mas também para a riqueza religiosa, cultural e arquitetônica. O movimento de independência de Marrocos nasceu nesta cidade e , até hoje, quando há protestos, a repercussão é mais ruidosa aqui. Trata-se de um lugar com identidade muito definida e personalidade muito forte - interessante é que mantém o seu encantador perfil medieval.

Transporte mais usado na Medina
Além de ser considerada  a capital espiritual de Marrocos, Fez também é uma das cidades mais tradicionais e admiradas internamente. A maior parte da elite intelectual e econômica do país dela provém. Há uma crença de que a pessoa nascida na Medina de Fez é mais religiosa, mais intelectualizada e mais refinada. A esposa do rei de Marrocos é de Fez, e a família real passa muito tempo aqui - o que muito orgulha a população da cidade.




Entra - se, preferencialmente,  na Medina - verdadeiro labirinto com 9.400 ruas - pela Bab Boujloud , uma grandiosa porta azul e verde. Acredito que esse passeio deve ser  acompanhado por um guia. Imagino-me perdida aqui, numa noite de sexta feira 13 ,e sinto antecipado medo...Algumas ruas, além de curvas e bem estreitas, não têm saída. Terminam abruptamente.

Detalhe da fachada do Palácio Real
Vivem na Medina cerca de  160 mil pessoas. Não se pode distinguir a casa de um bilionário da casa de qualquer outra pessoas. É da cultura árabe não fazer demonstrações de riqueza . O interior da casa pode ser um palácio riquissimo, finamente decorado, com pátio ( jardim) de grande beleza - mas isso somente saberão os familiares e os amigos que nela entram. Ostentar riqueza atrai coisas ruins, inclusive inveja e mau-olhado . A simplicidade é uma virtude muito considerada.






















As portas de Fez el-Bali ( Fez a Velha ) são fotogênicas e curiosamente interessantes. Têm, por exemplo, dois timbres ( duas campainhas ), um para pessoas conhecidas; outro, para estranhas. Mostram muitos adereços tradiconais, como ferraduras, que acreditam trazer sorte e espantar mau olhado, é óbvio. Pelas dúvidas, já vou colocar uma na minha casa...Para quem, como eu, gosta de portas, é um lugar fascinante. Muitas portas belíssimas...nem vou legendá-las.São todas de Fez.























Há duas visitas imprescindíveis: palácio real, que ocupa 80 hectares, e bairro dos cortumes. E , quando se vai ao palácio real, deve-se - diz a lenda - passar a mão por uma de suas sete portas.Traz sorte! Da primeira vez que fui a Fez, visitei o bairro dos curtumes. Embora levasse um punhado de hortelã junto ao nariz, achei o cheiro insuportável. Desta vez, preferi perambular pelas lojas - especialmente de malas e bolsas , que são líndíssimas - a fazer uma segunda visita aos cortumes.

Mãos de Fátima
Fátima, cujo nome significa Única, teria sido a flha preferida de Maomé. A mão de Fátima é um amuleto contra o mal usado no Islamismo, no budismo  e no Judaísmo - embora no Judaísmo mude a procedência: o amuleto estaria ligado a uma irmã de Maomé, igualmente uma mulher e esposa perfeita. Atualmente,  pacifistas do Oriente Médio usam-na como símbolo esperança e paz na região. Sem querer dar chance para azar ou mau - olhado, trouxe algumas de diferentes países. As artesanais de Marrocos são belíssimas.



Artesanato de metal típico de Marrocos

Realmente o artesanato de Marrocos é uma de suas grandes atrações. Há muito o que ver. Sempre se acaba comprando alguma coisa - ou coisinha - tanto pela beleza das peças, quanto pela persistência dos vendedores. E há que regatear sempre, um costume que me cansa um pouco. Com o passar do tempo, nota-se uma grande diferença de durabilidade e de qualidade entre o que se compra em lojas bem conceituadas e o que se compra de vendedores de rua. 

Porta-Joias : artesanato marroquino tradicional
Há peças em prata ou em cobre - entre elas , admiráveis filigramas - delicadíssimas e cuidadosamente trabalhadas. As peças feitas com  madeira de cedro , que são vendidas em todo o país, são tão lindas quanto ruins de carregar - o mesmo ocorre com as lindíssimas cerâmicas. As roupas típicas - Chilabas, gandouras e albernozes - são difíceis de resistir. São feitas em algodão ou seda.

Tapetes árabes e beriberes
Por sorte sou alérgica a tapetes, assim fujo das tentações. Além de bonitos, são tantas as variedades quantas as tradições tribais. Os tapetes árabes são mais delicados e próprios para a cidade; os bérberes, chamados Kilims, são mais fortes e feitos com lã de ovelha. O couro, em acessórios diversos, mostra cores vibrantes e bonitas, mas cuidem que alguns têm cheiro nada agradável  e bastante  persistente.

Sobremesa
A gastronomia de Fez é a mais tradicional de Marrocos, com destaque para o couscous e o tarrine.O tarrine é um guizado graúdo, cozido numa panela de barro com tampa cônica que mantém o calor. Pode ser de peixe, frango ou cordeiro, geralmente complementado com amêndoas ou ameixas. Gostei das sopas, com muitas especiarias. Há outros tantos pratos, inclusive da cozinha internacional. Como sobremesa, vem uma fruta da estação,ou um bolo, ou um doce - seguidos sempre por um chá de hortelã.

Muralhas de Fez
A Mesquita e a Universidade - abrigadas no complexo denominado Kairauine - constituem o centro espiritual de Fez e talvez de todo o país. O complexo, fundado em 859 por Fátima el Fihria e ampliado pelos almorávides no século XII, pode receber até 20 mil pessoas durante a oração. Diz -se que a Universidade é a mais antiga do mundo com funcionamento ininterrupto. Kairauine só pode ser visitado por muçulmanos.

Muitas palmeiras pela cidade
Há outra universidade muito prestigiada em Marrocos :  Al Akhawayn, localizada em Ifrane, a 60 quilômetros de Fez, no Médio Atlas. Nessa pequena localidade, que se parece com a Suiça e que no inverno é famoso lugar de esquiar, há mansões luxuosas, com belos jardins. Comenta-se que são resdências de férias, pertencentes , a maioria, a moradores da Medina de Fez.


Artesanato de couro
A Cidade Nova - Ville Nouvelle fundada pelos franceses no inicio do Protetorado -  fica meio sem graça depois da visita à Medina. É como qualquer outra cidade grande, com muitos hoteis luxuosos e muitos restaurantes e cafeterias - adorei as cafeterias: tinham um café bem razoável. É interessante observar que os hoteis daqui são bem mais econômicos se comparados com os da parte antiga de Marrocos. A larga e extensa avenida Hassan II , a principal da Cidade Nova, tem canteiros bem cuidados, muitas flores e muitas palmeiras. Pode-se passear tranquilamente por ela, inclusive à noite - o que não é aconselhado fazer na Medina.

Palmeiras e canteiros de flores
Gosto de Marrocos, tanto que voltei a visitá-lo. Verdade que cada visita é única. Nada se repete igual. Não penso, entretanto, retornar, nem mesmo a Fez , cidade de que gosto mais. Fiz uma lista de prioridades e não foi possível colocá-la. Vai faltar vida. Simples assim.

Ruazinha da Medina

" Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria
Vendo que perdera seu amigo. 
Mas a Primavera nem sequer é uma coisa:
É uma maneira de dizer.

Escola marroquina com nome do fundador de Fez


Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."

Fernando Pessoa

Paisagem do Médio Atlas

terça-feira, junho 16, 2015

Volubilis: visita incompleta desta vez...


Vista a partir da estrada para Volubilis
As ruínas romanas de Volubilis são consideradas como o monumento arqueológico mais bem conservado de Marrocos. Estão  localizadas em meio a uma fértil colina, a pouco mais de 30 quilômetros de Meknés. Chega-se a elas  por uma estrada bastante bonita,  com fascinantes  vistas de montanhas, incluindo algumas vistas das Montanhas Atlas.

Porta de acesso
Chegamos a Volubilis perto do meio dia. Sol abrasador. Temperatura alta. Como eu já havia percorrido, em outra viagem, esse importante sítio arqueológico, poupei-me desta vez. Fiquei somente na parte baixa, na sombra,  sem visitar , dessa cidade romana que tem, no mínimo, 1800 anos, a basílica, o arco triunfal, o capitólio, o aqueduto e os banhos - ou seja, as melhores partes.Gostaria mesmo era de rever os mosaicos.

Fotos feitas a partir da parte baixa
Volubilis  está protegido pela UNESCO desde 1997. As escavações indicam que os comerciantes cartaginenses foram os primeiros a ocupar a área, ainda no século III a.C. Ao redor do ano 40 d.C.o império romano anexou-o como um de seus postos mais avançados. Foi o centro adminisrativo da província romana da Mauritânia Tingitana, nome pelo qual era conhecida esta parte do norte da África.

Peças do Museu em fase de oganização
Foi com os romanos - inicialmente com o imperador Claudius - que a cidade teve seu periodo de maior esplendor. A riqueza de Volubilis era proveniente da exportação para Roma do trigo e do azeite de oliva. Até hoje, a produção de azeite é um dos pilares da economia do local. A cidade entrou em decadência com a retirada dos romanos , no século III.

Do Museu de Volubilis
O  latim era a língua de comunicação entre seus habitantes, fossem berberes, gregos, judeus ou sírios.O culto cristão continuou a ser praticado até a chegada do Islã. A cidade foi definitivamente abandonada no século XVIII. quando foi, então,   saqueada -  e a maior parte do mármore de seus monumentos, usados para a construção da cidade de Meknés.



Impressionante delicadeza das peças de mármore restantes

A cidade de Moulay Idriss está no meio do caminho, entre Meknés e a romana Volubilis. É cidade histórica e sagrada para os marroquinos. Histórica porque ali se encontra o túmulo de Moulay Idriss, fundador da primeira dinastia árabe do país. Sagrada porque Moulay era descendente direto de Maomé sendo neto de Fátima . Lembram das Mãos de Fátima?


Moulay Idriss
A cidade de Moulay Idriss tem mais de mil anos. Foi convertia em capital do reino marroquino.É lugar de peregrinação. Vale como uma ida à Meca, para os muçulmanos pobres. Para os turistas não tem maior importância , já que, nos monumentos ,  não é permitida a entrada dos não muçulmanos. Os guias turísticos que mostram Volubilis também oferecem muitas informações sobre Moulay Idriss, que está a 4 km e pode ser vista - ou fotografada parcialmente  como eu fiz na foto acima.

Bela paisagem local
Para realizar esse passeio, acredito que é melhor chegar de manhã cedo ou à tardinha e , de preferência, na primavera ou no outono.  Os mosaicos - desses eu lembro bem - garantem a beleza do passeio. As colunas também são admiráveis pela forma e pela cor do mármore. Ver Volubilis nos faz ter um novo olhar sobre os monumentos de Meknés.

Volubilis
" Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e das plantas que tem?
Se ela tiver, que a tenha...."

Fernando Pessoa?

Volubilis