quinta-feira, junho 11, 2015

Burgos, Terra de El Cid Campeador.


Escada Dourada - 1519 - Catedral de Burgos
Levantei cedo : 06h30min. De Metrô, fui a Chamartin. Às 08h, parti de Madrid para Burgos, chegando às 10:26 min à histórica cidade de Cid . Da estação de trens Burgos Rosa de Lima -  dessas construídas para os trens de alta velocidade e distantes do centro urbano - vim de táxi para o hotel e , ainda, dei carona para uma menina que esperava o ônibus. Chovia muito e fazia frio.

Portas internas da Catedral
Reservei hotel - como  faço  usualmente - pelo booking.com. Costumo, para isso, ler avaliações de hóspedes e analisar, no mapa da cidade, a localização do hotel em relação às atrações e aos lugares que desejo visitar. Estou no Fernán Gonzalez, que logo encanta pelo edifício: um palácio do século XVIII. Atendimento bom. Localização idem. Internet ruim - imperdoável nos dias de hoje.

Interior da Catedral de Burgos
A chuva continuava - e continua sem parar. Ainda pela manhã, decidi sair e comprar um guarda-chuva. Desastrada decisão. Depois de percorrer duas quadras e nada encontrar, estava molhadíssma e com frio. Desanimada , perguntei a uma senhora, onde eu poderia fazer essa compra. Disse-me que por perto não havia nenhum comércio  e , prontamente,  ofereceu-me um guarda-chuva emprestado, dizendo que eu o devolvesse quando não mais precisasse dele. Deu-me, ainda,  toalhas de papel para secar os cabelos. Saí com o guarda - chva dela e sensibilizada com a Humanidade.

Uma das portas de acesso à Catedral
Agora é noite. Choveu todo o dia. Continua chovendo. Cheguei faz pouco. Meu segundo banho, apesar do guarda-chuva tão generosamente emprestado. O frio foi uma boa desculpa para degustar um maravilhoso chocolate quente com churros. E havia uma outra razão para essa andarilhada. Como sair de Burgos sem uma homenagem - em forma de foto - a El Cid Campeador, o mais conhecido herói burgalês e castelhano?

Burgos - Monumento a El Cid Campeador 
Entre os poemas épicos medievais, o mais importante e recitado nesta região é El Cantar de Mio Cid, em que se narra a história do nobre castelhano Rodrigo Diaz de Vivar, apelidado El Cid Campeador, que teria vivido nos primeiros anos do século XI e que foi uma figura bastante polêmica. Tornou-se, entretanto, mundialmente conhecido pelo filme épico El Cid, protagonizado por Sophia Loren e Charlton Heston ( 1961 ).

Catedral de Burgos
Segundo o relato literário, El Cid afrontou o rei Alfonso VI fazendo-o  jurar que não havia participado do assassinato de Sancho II, rei Castelhano. Por  decisão do rei, Cid foi desterrado, deixando sua esposa e suas filhas aos cuidados de monjas. Mais tarde, pelo mesmo rei foi pedoado . Tornou-se leal aos reis cristãos e lutou - e conseguiu - a libertação de Valência, que havia sido tomada pelos muçulmanos. Morreu em 1099 e , no interior da Catedral de Burgos, estão os restos mortais dele e de  Jimena, sua esposa.

Interior da Catedral
Iniciada em 1221 e consagrada em 1260, a Catedral de Burgos é uma das jóias góticas da Espanha. Foi construída a partir de um antigo templo românico.Está dedicada a Santa María La Mayor. A porta principal foi transformada em 1790, daí seu contraste com o restante do edifício. Suas torres chegam a  84 metros de altura e tem marcadas influências hispano-árabes. Um grande Museu, uma imponente Catedral - Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. 


Rio Arlanzon
Burgos teve seu início em 884 como forte estratégico, separando os muçulmanos e o reino rival de Navarra. A base da cidade foi a reunião de muitas vilas próximas ( burgos), às margens do rio Arlanzon. Hoje tem cerca de 180 mil habitantes. É uma cidade bonita e impecavelmente cuidada. Gostei muito de tê-la visitado.


Passeo del Espolón
Antigamente, Burgos era bem conhecido como grande centro de distribuição de lã de ovelha merina. Na época dos Reis Católicos, foi o apogeu da cidade, com a instalação nela do Consulado do Mar, em 1493, que mantinha o monopólio do comércio de Castilha com  outras cidades européias. esteve estabelecido. Mais tarde, Burgos prosperou também como ponto de parada de peregrinos que fazem o Caminho de Santiago de Compostela. Encontrei muitos grupos de peregrinos pela cidade.

Praça Maior com Catedral ao fundo
Ainda, depois de um período  de estagnaçao, houve um certo progresso com apoio do general Franco. Durante a Guerra Civil Espanhola, Franco adotou Burgos como base de seu governo provisório. Dizem que a cidade conserva, até hoje, essa postura à direita e que é uma das cidades mais conservadoras da Espanha. Em frente à casa em que viveu Franco, estão as instalações - como uma fortaleza - de sua guarda pessoal, que era composta unicamente de mouros...


Palácio onde viveu Franco durante seu governo provisório
Apesar da chuva forte e constante, consegui ver a maior parte das atrações da cidade. Fiz um passeio pela maravilhosa área para pedestres - El Spolón - bem arborizada, com belíssimos jardins e esculturas. Atravessei a ponte de Santa Maria e o Arco de Santa Maria, antigo portão principal da cidade e parte das muralhas do século XIV, chegando à praça central e à Catedral - dentro da qual me livrei da chuva e pude ver obras estupendas, como a Escada Dourada.


Belas fachadas na Praça Maior
Entrei, no dia seguinte, ao Centro Histórico pela Ponte de São Paulo, chegando até a esvoaçante estátua de El Cid. Lamentei não ter visitado o Castelo de Burgos, ao Monastério de las Huelgas, fundado em 1187 por Leonor da Aquitânia, filha de Henrique II da Inglaterra e esposa de Afonso VIII de Castilha. Também não consegui visitar a Cartuja de Miraflores, mosteiro do século XV. Lamentável, mas e tossia muito e nao queria arriscar uma pneumonia.


Porta de Santa Maria
Fiz uma relação das festas tradicionais de Burgos, como o Festival Internacional do Folclore, o Certame Internacional de Coreografia, Festival de Cinema e Literatura, a Semana de Música Antiga e o Festival de Cena Aberta. Há muitos hoteis e restaurantes na cidade - e muito lotados! Imaginem quantas igrejas há nesta cidade, consrvadora, rica e católica.


Detalhe da Catedral
Antes de partir para Bilbao, passei na casa da senhora que me havia emprestado o guarda-chuva, para agradecer-lhe o empréstino e dizer que ela havia contribuído com minha crença de qe a Humanidade - como dizia Pedro, meu neto, quando era pequeno -  é " do bem". 

Margem esquerda do rio, caminho para os Museus

" Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentirlhe um paladar;
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural..."

Fernando Pessoa


Interior da Catedral de Burgos

terça-feira, junho 09, 2015

Meknes - Vale uma Visita!










 











Das quatro cidades imperiais de Marrocos - Rabat, Marraquexe, Fez  e Meknes -  a minha preferida é Fez. Gostei muito de voltar a vê-la passados vinte anos. Marraquexe continua sendo a mais conhecida, barulhenta e famosa. Rabat é tranquila e elegante. Meknes é a mais modesta, mais calma e sempre me pareceu a mais acolhedora. 



Situada em parte no  Médio Atlas, com um milhão de habitantes, possuidora de uma terra fértil, Meknes contribui fortemente com a economia do País, produzindo  cereais, azeitonas, uvas, frutas cítricas e outros produtos agrícolas. As plantações de trigo e de oliveira me encantam. Seus campos lembram delicadas aquarelas. 




Rodeada por  muralhas, a cidade de Meknes está dividida em dois agrupamentos urbanos bem diferenciados, o antigo - onde está a Velha Medina -  e o moderno - realização dos franceses -  que não é tão moderno assim...Ao sul da Medina, está a tumba de Mulay Ismail, o sultão que deu a Meknes seus dias mais gloriosos e que nela reinou por 55 anos.


         
Embora tenha sido fundada, no século X, por uma tribo Beribere, o esplendor de Meknes só apareceu mesmo em 1662, com o domínio de Mulay ar- Raschid. Ao morrer Raschid, assumiu o comando da cidade seu irmão Mulay Ismail, que , entre outros feitos, dotou a cidade de 25 km de muralhas, 20 portas monumentais e 50 palácios.  Morrendo Ismail , em 1727,  a cidade perdeu muito de seu brilho. 




Mohammed III , neto de Ismail, preferiu mudar-se, então, para Marraquexe. O terremoto de 1755 - aquele que devastou Lisboa - afetou também a Meknes. A partir de 1912, o protetorado francês converteu a cidade numa sede militar - e chegaram, então, agricultores franceses que foram assentados nas férteis terras da localidade.

Túmulo de Ismail

Depois da Independência de Marrocos, a maior parte das propriedades foram recuperadas pelo governo e arrendadas a agricultores locais. Hoje, o turismo tem importante papel na economia do País , incluindo Meknes é óbvio. 




Penso que, na paralela histórica da Humanidade, as fofocas sempre correram e tiveram um espaço insuperável. E fofocas - em qualquer tempo e espaço - envolvem , prioritariamente, sexo e dinheiro ( quem conhecer outro tema básico de fofocas, por favor , avisem-me...tenho procurado muito outros temas, sem, porém, localizá-los). Pois bem, a seguir, conto mais uma. 




Ismail tornou-se amigo do rei da França - Luís XIV? - e tentou casar com a filha dele, Maria de Bourbon O rei não gostou nada disso. Sem querer perder o amigo e aliado, entretanto, buscando uma compensação, presenteou-lhe com uma rara e preciosa coleção de relógios - coleção que está hoje no Museu de Ismail, junto ao seu Mausoleu. Acrescente-se que o marroquino referido tinha um harém com mais de 500 mulheres e cerca de 800 filhos. Foi também um grande reprodutor.




O Mausoléu de Moulay Ismail é um dos mais ricos e suntuosos que eu conheci. Para a construção de seu túmulo, foram trazidas pedras de diferentes palácios. Inclui pedras também de Volubilis, ruínas romanas distantes 33 km de Meknes. É um dos poucos monumentos islâmicos marroquinos que podem ser visitados por não-muçulmanos - desde que descalços e sem entrarem na mesquita. O Mausoléu é visto como um lugar sagrado. O atual rei - Mohammed VI - quando está em Meknes, ocupa o último grande  palácio construído por Ismail.





Parece que o tempo acentua as cores com que são pintadas as figuras históricas - para o bem ou para o mal, sem considerar a mescla que é todo se humano. O reinado de Moulay Ismail  foi realmente esplendoroso - o que pode ser visto até hoje. Ao mesmo tempo, foi um reinado brutal e violento. Era extremamente religioso e costumava castigar com crueldade quem não praticasse integralmente a doutrina do Islão.



Há muito o que ver em Meknes, especialmente na Medina, o centro histórico local. Admirei a praça Pl el-Hedim, coração da cidade antiga, construída por Mulay Ismail e originamente utilizada para anúncios reais. Transformou-se hoje num lugar de descanso para turistas, espaço para crianças jogarem futebol e desfile de vendedores ambulantes. 




A enorme porta Bab el Mansur, nessa praça,  é de impressionante beleza e grandiosidade. Sempre muito fotografada. Não se pode, entretanto,  cruzá-la. É preciso contorná-la e passar por uma porta lateral. Há mercados onde se vende de tudo, com destaque para frutos secos e especiarias; há museus em predios magníficos; a  Madraza Bu Inania, onde os muçulmanos iniciam ou aperfeiçõam sua formação religiosa; Mausoleus, como o Dar Jamal, o Mulay Ismail e o Sidi ben Aissa. E muitos bons hoteis e bons restaurantes, com preços mais acessíveis do que os europeus. Realmente, vale uma visita - ou duas, como eu fiz e gostei.


" Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar
e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo."

Fernando Pessoa

PS.Minhas desculpas por não ter conseguido legendar as fotos. Mudei a formatação e não soube fazer isso....prometo aprender.


domingo, junho 07, 2015

Ronda : Berço das Touradas


Voltei aos trens! De Málaga, bem cedinho, fui a Ronda, onde passei o dia. Encanto de pequena e histórica cidade. Com menos de 40 mil habitantes e com 744 metros de altura, merece uma visita, mesmo que seja um bate-e-volta como eu fiz. Ronda era um dos lugares preferidos de Alexandre Dumas, Ernest Hemingway, Rainer Maria Rilke e Orson Welles. Bom gosto tinham eles!


Comecei minha visita pela Praça de Touros, já que a cidade é considerada o berço das touradas e sua Praça, uma das mais antigas da Espanha. Construída em 1785, dizem ser a meca dos fãs desse esporte - o que está longe de ter minha preferência. Admirei muito,entretanto, sua arquitetura, especialmente sua fachada barroca. Linda. 

Praça de Touros
A Praça, em tons suaves, mostra arcos com galerias,  um museu interessante  com fotos de pessoas famosas e histórias que eu desconhecia totalmente. Tem sessenta e seis metros de diâmetro. Por ser grande, é uma das mais perigosas. Abriga, no entanto, apenas cinco mil lugares - muito pequena se comparada com a praça de touros do México, com seus cinquenta mil lugares. 

Em frente à praça...
O Museu Taurino exibe objetos entre curiosos e assustadores, como os trajes sujos de sangue que foram usados pelos famosos toureiros Pedro Romero e Jesulin de Ubrique. Duas fotos salientam-se
no Museu: a de Orson Welles e a de Ernest Hemingway - este último, autor do romance Morte na Tarde ( 1932 ). Nessa  obra, Hemingway  expressa sua grande paixão pelas touradas e narra , com detalhes, o medo e a tensão que a Praça provoca.

Toureiros....
famosos
                         
Ronda é uma cidade pequena, mas  com muito o que mostrar a turistas e viajantes. Fundada no século IX a.C. é, portanto,  uma das cidades mais antigas da Espanha. Seu centro histórico era repleto de mesquitas e riquíssimos palácios. Seu passado é bem referido no folclore espanhol. Sua paisagem é realmente espetacular - está  à beira de um desfiladeiro de 100 metros, onde, ao fundo, corre o rio Guadalevín.

Vista do  rio Guadalevín.
Entre os  principais pontos de interesse de Ronda, que podem ser vistos em um dia, destacam-se a Igreja de Santa María la Mayor, a Casa do Rey Moro, o Museu de Ronda, os Baños Árabes, o Museu Lara ( interessante pelo mix que abriga ), a Praça de Touros, o Museu Taurino e suas estreitas e encantadoras ruas. 
Vista de Ronda antes da Ponte Nova
Fora da cidade antiga -  extramuros - é interessante  visitar o Bairro São Francisco, onde antes havia um cemitério muçulmano. O Bairro teve sua origem num pequeno mercado, no século XV, por decisão de nele morarem os mercadores que se negavam a pagar altos impostos para comercializar seus produtos na cidade amuralhada. Hoje abriga alguns hoteis e restaurantes. Tornou-se famoso por seus bares de Tapas.


Iglesia de Santa Maria la Mayor
A Igreja foi construída no lugar onde, originalmente, estava a Mesquita da cidade. Logo ao entrar nela, pode-se ver um arco com inscrições árabes, que faziam parte do antigo  mihrad - o nicho para orações que indicava a direção da Meca. Declarada Monumento Nacional, mostra uma mescla de estilos e ornamentos, indicativos de épocas diversas. A Iglesia de Santa Maria la Mayor era dividida em duas partes: os aristocratas ficavam na parte da frente; o povo, na de trás. Hoje, paga-se ingresso para visitá-la.























O Centro Histórico está rodeado por enormes muralhas, com duas antigas portas a Porta de Almocábar, islâmica, que no século XIII era o principal acesso ao Castelo; e , do século XVI, a Porta de Carlos V. O lugar conserva ainda o mesmo labirinto de ruazinhas do tempo dos mouros. Conserva também algumas mansões de poderosas famílias, cujos ancestrais - dizem - acompanharam a Fernando, o Católico, na tomada da cidade, em 1485.






A Ponte Nova é uma das fantásticas atrações da cidade. Construída em 1793, a partir do projeto elaborado por J. Aldehuela, atravessa o Tajo de Ronda, abertura escavada pelas águas do rio Guadalevín. Ao atravessar essa Ponte, tem-se grandiosa e inesquecível visão de parte da cidade, das casas penduradas no penhasco e dos antigos moinhos. Para sua construção, aproveitaram-se as paredes - quase verticais e com 90 metros de altura - do Tajo. Os pilares, que lhe foram agregados, são impressionantes pela grandiosidade, altura e beleza.





















O Museu de Ronda está num edifício mudejar, mandado construir pelo rei Abomelic, no século XV. O Museu Lara é muito particular em todos os sentidos. Seu proprietario - Juan Antônio Lara Jurado - mora no andar superior do palacete. É colecionador desde os dez anos de idade. Hoje, com mais de 70 anos, reuniu um mix inimaginável, de quinquilharias a objetos de grande valor,como: relógios, armas, rádios, telefones, balanças, máquinas de costura e câmeras. Gostei dos antigos projetores de cinema.

Cardápio afinado com a cidade...
Depois de já ter caminhado muito pela cidade nova e pelo cantro histórico, fui a um restaurante que me indicaram como sendo muito bom - e, de fato, era excelente. Para estar de acordo com o ambiente, já que eu estava perto da Praça Taurina. decido comer rabo de touro com verduras - nosso conhecido espinhaço no Rio Grande do Sul. Acrescente-se que o café também era bom. 
























Ronda  é uma cidade a que pretendo voltar. Será que existe mesmo outra vida? Nesta, parece que vai me faltar tempo....

Proximidades de Ronda
" O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente."

Fernando Pessoa

Campos da Andaluzia

sexta-feira, junho 05, 2015

Fernando Pessoa


Real Jardim Botânico de Madrid
" Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares,
Parecem ter medo da polícia...
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E têm o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam..."

Real Jardim Botânico de Madrid
" Pobres de las flores en los macizos de los jardines regulares.
Parecen tener miedo de la policía...
pero, tan buenas, que florecen del mismo modo
y tienen la misma sonrisa antigua
que tuvieron para la primera mirada del primer hombre
que las vio aparecidas y las tocó levemente
para ver si hablaban..."

Real Jardim Botânico de Madrid

quinta-feira, junho 04, 2015

Shakespeare, Gaudí e Miró : poema e fotos


Gaudí
Arte me sensibiliza. Emoção me fragiliza. Beleza me enternece. Gripe me enfraquece. Precisava  de um evento surpreendente e bonito. Aconteceu. Um amigo - Celso Junior - por quem eu tenho carinho e admiração, enviou-me o Soneto número 12 , de William Shakespeare, com tradução de Ivo Barroso. Era um texto que eu não conhecia e que me fazia falta conhecer. Gracias, portanto, a quem escreveu e a quem me deu a chance de conhecê-lo.

Gaudí
Soneto número 12 (William Shakespeare - tradução de Ivo Barroso)

Quando a hora dobra em triste e tardo toque

E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.



Gaudí
Para quem prefere o original:

When I do count the clock that tells the time,
And see the brave day sunk in hideous night;
When I behold the violet past prime,
And sable curls, all silvered o'er with white; 

When lofty trees I see barren of leaves,
Which erst from heat did canopy the herd,
And summer's green all girded up in sheaves,
Borne on the bier with white and bristly beard, 

Then of thy beauty do I question make,
That thou among the wastes of time must go,
Since sweets and beauties do themselves forsake 

And die as fast as they see others grow;
And nothing 'gainst Time's scythe can make defence
Save breed, to brave him when he takes thee hence.


Miró