quarta-feira, maio 08, 2013

Atenas : Revendo Tesouros

Em Atenas, Igreja Ortodoxa Grega

Mantenho a convicção de que a Grécia é muito maior , geograficamente, do que a área que lhe é atribuída. Está longe de ser um país pequeno, como leio muitas vezes, porque, ao longo de sua história, as fronteiras do Estado grego , definidas em 1948, foram ampliadas pelas águas, seja no percurso através de  ilhas e arquipélagos, seja no domínio e no conhecimento  dos mares.

Laranjeiras nas ruas da cidade

Tenho especial carinho por este país, em razão de sua história, de sua produção cultural e dos meus bons amigos gregos. Tenho admiração pelo povo grego por suas contribuições com o mundo ocidental. Suas grandes criações, a democracia e o drama,  já justificam o interesse histórico que o país desperta.


Pausa em Atenas

Estive na Grécia em diferentes estações do ano, e o movimentos dos turistas me parece fluxo constante. Como estamos hospedados na avenida Sygrou, percorremos, ainda no final da tarde do dia da nossa chegada, os arredores da Acrópole e a fantástica Plaka, a rua mais tradicional de Atenas. Agora, na primavera, há, no perfume das flores de laranjeira, um encanto a mais. A cidade está, literalmente, perfumada.


Lojinhas na tradicional Plaka

Em Monastiraki e Plaka, podem-se  fazer comprinhas  típicas de turista, como camisetas, bonés, chaveiros, sabonetes feitos com azeite de oliva, ícones,  bordados, tapetes e tapetinhos, potes de cerâmica, colheres de madeira, artigos de couro, bebidas, com destaque para o ouso - destilado com sabor de anis - queijos deliciosos e especiarias diversas. São famosas também as jóias em ouro. Comprei um camboloy -  um brinquedo popular de contas, similar a um rosário mas sem finalidade religiosa , que é usado pelos gregos como passatempo relaxante e método de controle stress.  Segundo uma brincadeira de minha amiga grega, o camboloy deve ocupar as mãos dos homens para que eles não as usem em atos pouco elegantes socialmente.


Fantásticos ícones
Em lojinhas de museu e nas lojinhas de Plaka, vi belíssimos ícones: representações sacras, pintadas sobre painel de madeira, em cores vivas e com muito dourado, que surgiram no século V, sendo, portanto,  uma criação bizantina.Comprei somente um ícone pequenino, um São Paulo,  para dar ao meu filho, Paulo de Tarso. Em algumas igrejas, há  indicação de quais os ícones que podem ser fotografados.

Novo Museu da Acrópole

Gosto , em especial, de dois fantásticos museus gregos. O Museu Benáki e o Novo Museu da Acrópole. O primeiro, aberto em 1931, foi fundado por Antonios Benákis que doou ao Estado Grego a casa de sua família e seu ríquíssimo acervo pessoal, incluindo joias de ouro, algumas datadas de 3 mil anos a.C. O segundo, localizado muito próximo da Acrópole, encanta desde a sua proximidade: uma incrível e moderna estrutura   Foi construído sobre as escavações de um antigo povoado cristão, cujos vestígios podem ser vistos através da passagem de vidro com que se chega à entrada principal. Na galeria arcaica, pode ser vista a belíssima estátua do Carregador de Bezerro.


Estação de Metrô Acrópole

O metrô de Atenas é confortável, rápido e alcança lugares bem importantes para quem visita a cidade - como o aeroporto e o porto Pireo. A maior parte do percurso é de superfície. Algumas estações , como Syntagma e Acrópole, têm incríveis exposições de achados arqueológicos, feitos quando da sua construção, como pode ser visto na foto acima. Os bilhetes de acesso ao metrô podem ser adquiridos nas estações e devem ser validados antes de entrar no trem. Os trens passam a cada cinco minutos, das 05h às 24h30min.


Melina Mercuori

Tornou-se mundialmente conhecida com o filme Nunca aos Domingos, que deu a ela o prêmio de melhor atriz, no Festival de Cannes, em 1960. Seu avô foi prefeito de Atenas; seu pai, membro do Parlamento.Nesse festival, conheceu o diretor de cinema Jules Dassin, com quem casou e viveu toda a sua vida. Deixou admirável  legado como ativista  , atriz e cantora.  Em 1978, encerrou sua carreira para dedicar-se à política . Foi Ministra da Cultura por dois mandatos.   Melina Mercuori nasceu em 1920 e morreu com 73 anos.

Panathenaic Stadium
Localizado bem no centro de Atenas, próximo aos Jardins Nacionais, com muito verde de frondosas árvores, o estádio de atletismo Panathinaiko (Panatenáico), também chamado Kallimarmaron  - no grego,  beleza em mármore -  domina a área com sua grandiosidade e beleza. Foi construído em 566 a.C. e reconstruído em 329 a.C. Em 1870 suas ruínas foram restauradas. Em 1895, foi reformado para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em Atenas, em 1896. Em 2004, quando a cidade sediou os Jogos Olímpicos Mundiais, hospedou as competições de tiro com arco e recebeu os atletas da maratona masculina e feminina. Tem capacidade para 80 mil pessoas sentadas.


Porto Pireo
Localizado na grande Atenas - pouco mais de 10 km - Porto Pireo é local bem interessante de visitar. A ele pode-se chegar de ônibus ou metrô. Reserve um tempo para ver seu entorno. Vale a pena. Esse Porto  já era usado como ancoradouro no século VII a.C. Atualmente é o principal porto que faz a ligação da parte continental da Grécia às suas ilhas, recebe grandes navios de cruzeiros e , ainda, movimenta-o muito a chegada de grandes navios mercantes chineses, que aportam aqui na sua entrada para entrega de produtos na Europa.




Além da arqueologia monumental, das paradisíacas ilhas, do mar muito azul, dos edifícios emblemáticos, a Grécia hospeda um outro tesouro que muito me encanta. Refiro-me ao povo grego - e não estou me referindo apenas a Sócrates, Platão, Aristóteles e outros que o mundo inteiro conhece e que tanto contribuiram a compreensão da Política, no seu sentido mais amplo. Refiro-me ao povo que reage contra os ditames da troika, que recebe milhões de turistas como se fossem únicos ali chegando, que frequenta tabernas e cafeteria com alegria que parece despreocupada. Gente bonita,gente educada, gente culta. Estive muitas vezes na Grécia - e estou sempre pronta para retornar. 

Comidinhas gregas - Kebab
Come-se muito bem na Grécia. Em qualquer lugar, encontra-se comida fresca, muita verdura, frutos do mar, frutas secas, azeitonas, queijos e doces deliciosos. Gosto muito das mezèdes , pequenas porções de bolinhos de carne ou de peixe, peixinhos fritos, queijos temperados ou grelhados, tomates, berinjelas, abobrinhas e pimentões grelhados ou assados - e outros tantos pratinhos. Procuro comer sempre molho tzatziki - yougurt, alho e pepino ralado - com sardinhas fritas. Não dispenso Xoriatika, uma gostosa salada com queijo de leite de cabra e de ovelha, cebola, tomate e muitas verdurinhas. A comida é realmente deliciosa, entre outros motivos, porque a Grécia tem o melhor azeite de oliva e a melhor azeitona do mundo.Sem exagero!




Revendo tudo isso, repito o que escrevi em 2006 ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Gr%C3%A9cia) : " fica fácil, mesmo para quem não é de áreas afins, entender os versos de Horácio, referindo-se à influência dos gregos sofrida pelos romanos: A Grécia vencida subjugou o feroz vencedor com a fascinação de sua arte. Essa arte certamente está na raiz de muitas de nossas preferências e de nossos olhares sensíveis".

sábado, maio 04, 2013

"Andar,andar,andei"

Funchal - Monte Palace Tropical Garden

De Funchal para Atenas, fizemos um vôo pela TAP, com duas escalas não longas: uma em Lisboa, outra em Munique. Ao chegar na capital grega, fomos de ônibus ( E 95 ) até a Praça Sintagma e , caminhando, até o hotel já reservado. Esse trajeto pode ser feito também usando metrô, sistema de transporte confortável e que funciona muito bem, no país.
Papoulas por toda a Grécia, na primavera.
O Acropolis Museum Boutique Hotel, bem localizado e com bom custo/benefício, contribuiu para que tivéssemos uma estada agradável e tranquila em Atenas. Impressionou-me um certo empobrecimento na cidade - pouca limpeza nas ruas, prédios mal cuidados, muitos vendedores ambulantes e até crianças pedintes. Com os investimentos recebidos para as Olimpíadas, em 2004, havia melhorado bastante a infraestrutura ateniense. A crise econômica recente, lamentavelmente, atingiu, de fato, a população grega.

quarta-feira, maio 01, 2013

Ilha da Madeira - 2a.parte

Vista de Funchal desde o Pico dos Barcelos
Nosso tempo na Ilha foi insuficiente. Precisa-se bem mais de cinco dias para conhecê-la realmente. Os passeios são variados e distantes entre si. Em razão disso, percorremos , detalhadamente,  apenas  Funchal,  a capital. A seguir, lugares imperdíveis e comentários breves  do que mais nos impressionou.

Detalhe do Convento de Santa Clara
O chamado núcleo religioso , integrado pelas igrejas São Pedro, Santa Clara, Sé e Santa Maria , é de comovente beleza . O Convento - e a Igreja do Convento - de Santa Clara é visita sempre aconselhada, que dura cerca de uma hora  e impressiona muito.No dia em que lá estivemos, para intensificar ainda mais o momento, havia um pianista executando Mozart magnificamente.



Os azulejos da Igreja e do Convento são belíssimos e harmoniosos com o entorno. Há pátios e  jardins com muito verde e muitas flores. O início da primavera está bem marcado por cores, formas e perfumes. Penso que abril é um mês interessante para visitar a ilha - ainda não há superpopulação de turistas, o clima é agradável e já se podem muitas flores, com destaque para as bromélias.

Um dos altares da Igreja do Colégio
Exemplo típico de templo jesuíta, com grande e alta nave, a Igreja de São João Evangelista, conhecida como Igreja do Colégio, começou a ser construída em 1629. Em razão da sua grandiosidade e monumentalidade, entretanto, a decoração de seu interior só foi concluída no século XVIII. D. Sebastião, em 1569, em carta de doação e dotação, permite a fixação de comunidade jesuítica para que procedessem à edificação de um colégio adequado ao ensino e à prática da função religiosa.
Detalhe do calçamento das ruas
As ruas centrais de Funchal são calçadas com pedras portuguesas, que formam  tradicionais e criativos desenhos. É preciso, no entanto, estar atento, pois pequenas saliências ou reentrâncias podem provocar quedas escandolosas em pessoas distraídas, que estão a olhar uma interessante e bonita varanda. ( Além do supermico, com direito a muitas pessoas prestando socorro, ainda deixei lá a pele do joelho esquerdo.)

Praça do Município
Funchal é uma cidade sem edifícios altos, com um centro compacto, que pode ser todo ele percorrido a pé. Muito arborizada - neste mês, destaque para os jacarandás, cobertos por flores azuis - e com muitos prédios históricos. Na Praça do Município, encontram-se a Câmara Municipal, num palácio barroco do século XVIII; o Museu de Arte Sacra, num prédio do século XVII; e a Igreja do Colégio, fundada pelos Jesuítas no século XVI. Bonita,limpa e tranquila, a praça e a cidade. Da Praça do Município, caminham-se duas quadras em direção ao mar, e  chega-se à Catedral da Sé, finalizada em 1517.

Mercado dos Lavradores
Gostando como gosto de mercados e feiras de rua, imaginem minha alegria no Mercado dos Lavradores, onde  se podem ver , além de belos mosaicos, vendedoras de flores em trajes típicos,  lindas bromélias  e  strelitzas, frutas para mim desconhecidas, como  maracujá-banana e manga-limão. Diferente de outras ilhas, a maior riqueza daqui não vem do mar, mas da terra. A Ilha da Madeira é predominantemente agrícola, sendo a banana uma de suas maiores produções, seguida pela uva, que permite a fabricação de famosos vinhos.

Minha porta Preferida

Havia, em Funchal, no centro antigo, uma área degradada, em que as casas estavam  sem pintura e sem manutenção. Criaram, então, o projeto Arte de Portas Abertas, que  transformou  a Rua Santa Maria em fantástica atração turística . Pintores e artistas plásticos foram convidados a fazerem ali suas intervenções, dando nova fisionomia  às casas. Turistas visitam a rua como visitam galerias de arte e museus - e fotografam o tempo todo. O projecto propõe-se a abrir as portas da cidade do Funchal à Arte e à Cultura.

Teleféricos de Funchal
Faço coisas que odeio, simplesmente porque sou curiosa. Odeio teleférico, mas queria ver o Jardim Tropical Monte Palace e encarei esse meio de transporte que tanto me desagrada, durante 20 min, por cerca de 5 km aéreos. Fui lembrando da historinha de um homem que estava passando mal durante um vôo. A comissária de bordo perguntou-lhe, então,  se estava sentindo falta de ar. Ele respondeu : Não!!! Estou sentindo falta de terra.

Escultura no Jardim Tropical Monte Palace
O Jardim ocupa uma área de 70 mil m2 e foi reflorestado com plantas de muitos países  e com plantas da Laurissilva, floresta da Ilha, classificada pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial. Além da espetacular vegetação, tem lagoas repletas de peixes, alamedas com belos paineis de azulejo, 40 paineis sobre a História de Portugal, muitas esculturas, pagodes, budas, lanternas e águas em movimento. Tem , ainda, restaurantes, cafeterias, lojas de souvenir e um museu, construído também pela Fundação Berardo, criada pelo empresário português José Manuel Rodrigues Berardo, que adquiriu este local em 1987. Merece uma visita de, no mínimo, umas 4 horas.

Artesanato da Madeira

Minha amiga Suely Telma lembrou - me que, nos enxovais antigos, era imprescindível uma toalha de linho, bordada na Ilha da Madeira. Fiquei imaginando quanto uma toalha dessas custaria hoje, se o bordado acima, custa 300 euros.  Não comprei nem um lencinho, mas olhei muitos bordados típicos daqui, como se olha, com admiração,  uma verdadeira obra de arte - e fiz fotos. Lamentavelmente não consegui visitar o Museu do Bordado que me disseram ser muito bonito.

Apresentação típica da Ilha

Fomos jantar em um restaurante - do tipo caça-turista - apenas para ver apresentações de conjuntos de danças típicas da Madeira e de música com cantoras de fado.  Foi interessante, especialmente porque as pessoas que dançavam não eram profissionais, dançavam como se dança em casa ou em  festas familiares. Podia-se, assim, ter também uma pequena amostra da cultura local.

Bacalhau pois pois
Come-se bem na Ilha da Madeira, e os preços não são exorbitantes. Há muitos restaurantes e próximos uns dos outros. Indicaram-nos o Restaurante Londres, na Rua da Carreira, 64. Gostamos muito. O atendimento é excelente; a comida, muito boa. Especializado em pratos nacionais e regionais, serve bem, com destaque para o bacalhau com grãos e a espetada - prato típico da ilha. Quando perguntei em que constituía a espetada, recebi prontamente a resposta: ora pois, num  espeto com pedaços de carne.
Museu da Quinta das Cruzes
Aprendi que a quinta madeirense organiza-se pela Casa, Capela, Casinha do Prazer (sic!) Parque Ajardinado e pequena horta. A Quinta das Cruzes, hoje quase no centro da cidade, ocupa um hectare e apresenta essa divisão.  Foi a morada inicial de João Gonçalves Zarco. A Casa mostra um estilo de vida através da sua arquitetura, dos móveis ( portugueses e estrangeiros) , dos tapetes, das joias e das demais  obras de arte . A Capela, está datada de 1692 e evoca Nossa Senhora da Piedade.No Jardim, pode-se observar flores, arbustos, árvores e as belas peças do Parque Arqueológico,


Detalhes de Funchal
Diverti-me muito com o nome de ruas e locais da Ilha. São muito pitorescos, como: Caminho do Avista Navios, Rua Velha da Ajuda, Rua do Cabrestante, Rua das Virtudes, Caminho da Água de Mel, Travessa das Encruzilhadas, Caminho do Vigário, Rua dos Netos, Estrada dos Marmeleiros,Praça da Autonomia, Pico dos Barcelos, Câmara dos Lobos. Gostaria muito de saber a história de cada um desses nomes, como se conta que, há muito tempo, piratas invadiram a Ilha e começaram a assaltar igrejas e conventos. Freiras fugiram e se esconderam num local distante e quase inacessível. Hoje esse lugar se chama Curral das Freiras.

Quinta das Cruzes
 Não visitei a Ilha do Porto Santo, outra integrante do Arquipélago de Madeira. Contaram-me que é belíssima. Como disse , o tempo foi insuficiente. A partir desta viagem, em Portugal, os Açores constituem minha prioridade. Tentarei ir. Veremos porque...
"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada..."

Fernando Pessoa


sexta-feira, abril 26, 2013

Mil desculpas!!!





Nos últimos 15 dias, não estou conseguindo escrever. Em maio próximo, prometo escrever muito, postar muitas fotos e tentar ser bem interessante.

sábado, abril 13, 2013

Ilha da Madeira - 1a.parte

Funchal a partir do teleférico

Depois de 1h40 min de vôo pela TAP, cheguei à Ilha da Madeira uma parte de Portugal que eu ainda não conheci.  Gosto de ilhas. Entre as minhas preferidas, Ischia - aquela ilha vulcânica citada por Homero na Odisseia, 9 séculos antes de Cristo -   Sicília, Mallorca e Canárias. Encaro-as como um pequeno mundo com cultura própria. Queria mesmo vir  até aqui. Desejo e decisão.


Odeio teleféricos!Só vou neles porque sou curiosa.

A chegada foi emocionante - talvez a palavra mais exata seja assustadora! Sobrevivi a uma das piores burbulências que já experimentei. Ventava muito. Logo na saída de Lisboa, o comandante avisou que teríamos algumas dificuldades na aterrissagem. Tivemos! Percebi que não era uma situação normal pelo susto dos demais passageiros, alguns habitantes de Madeira. Ao meu lado, um menino, jornalista, comentou : Essa chegada foi com emoção!

Funchal, a capital da Ilha

O aeroporto tem sua pista, que me pareceu curtíssima,  imprensada entre a montanha e o mar. Há poucos anos, ela  era ainda menos longa. Foi estendida com o uso de cem pilares, sobre os rochedos da praia. De fato, o Aeroporto Internacional da Madeira, também conhecido como Aeroporto de Funchal, está localizado na cidade de Machico e constitui-se a primeira grande atração do local.

Cabo Girão, em Madeira.
O arquipélago da Madeira está integrado por oito ilhas, sendo habitadas apenas as duas maiores: Madeira e Porto Santo. Dois terços de sua área estão protegidos como reservas naturais. A floresta laurissilva, intocada por pessoas na sua maior parte, é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.    Encontra-se esse arquipélago localizado no Oceano Atlântico, mais distante de Lisboa que da África, pois está  a 600 km  da costa africana  e a  1000   km do continente europeu. O clima é ameno, com temperaturas agradáveis, que oscilam entre os 25º e  15º C.


Antigas oliveiras são a cara da ilha

O arquipélago da Madeira  foi descoberto , em 1418, por João Zarco que, como prêmio, foi nomeado governador. Na avenida Arriaga, uma das mais importantes da capital , há uma estátua de Zarco , de frente para o mar, e a Quinta das Cruzes, hoje ponto turístico de Funchal, foi residência dele. É óbvio que Zarco virou também nome de rua.Visitei até o túmulo dele!

Funchal

Funchal, a capital, tem  100 mil habitantes e turistas que não param de chegar. Exibe design encantador, combinação de natureza diversa e exuberante com ações humanas que se deram ao longo de seus muitos  anos.  Muitos túneis, pontes, elevadas e estradas novas e de boa qualidade - com algumas curvas que me fizeram rezar !


Funchal
O nome Funchal parece ter-se originado de funcho, uma plantinha aromática, que havia muito na ilha no início da colonização e que no Rio Grande do Sul usavam para dar gosto ao mate-doce, sorvido, em geral, pelas mulheres.


Flores da Ilha no Mercado dos Lavradores

Como Região Autônoma de Portugal, Madeira tem liberdade nas suas decisões, exceto defesa, relações exteriores e impostos. É bem conhecido o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim , pois ele está no cargo desde 1978, reeleito sucessivamente. Sobre ele, correm histórias pitorescas.


Missa de domingo na Igreja do Colégio

Contou-me um taxista que João Cardoso quer superar Salazar em tempo de permanência de governo e que, para tanto, faltam-lhe menos de 20 anos. Precisará manter o cargo até uns 85 anos. Longa vida a ele!!!

Gente da Ilha

Na próxima postagem, relatarei muito do que vimos e fizemos durante os cinco dias em que estivemos na Ilha da Madeira. Adianto que gostei do lugar, da comida e das pessoas .


Bacalhau com grãos

"A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;


 

Mosaico no Mercado dos Lavradores
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal."


Fernando Pessoa

quarta-feira, abril 10, 2013

Nazaré, pequena e bonita.

No final do promontório, ruinas de um castelo
A caminho de Batalha, estivemos pouco mais de duas horinhas em Nazaré para almoçar e ver as magníficas vistas de sua praia . Além da extensa e limpa faixa de areia e do azul-azul de suas águas, Nazaré, balneário muito procurado pelos moradores de Lisboa e de toda a Estremadura, tem outras tantas atrações que o tornam um bom lugar para uma visita ainda que rápida.

Linda praia , com extensa faixa de areia
Nazaré é um balneário todo bonitinho. As ruas são calçadas com paralelepípedos. A igreja , em estilo barroco, é toda decorada com azulejos holandeses com a cor azul predominante. Há barquinhos coloridos, espalhados pela praia,  como se fossem apenas elementos de decoração do ambiente. Bons restaurantes , com preços bem razoáveis, espalham-se pelo centro - o forte de todos eles são os pescados.

Igreja Nossa Senhora de Nazaré
O Promontório do Sítio, parte mais antiga de Nazaré, está 110 metros acima nível do mar. Um funicular leva até o alto de onde se pode apreciar  magnífica vista e ver um lugar de religiosa devoção à Virgem Maria. Conta a lenda que, em 1182, num dia com muita névoa, portanto com pouca visibilidade, um nobre local perseguia um cervo, galopando seu bravio cavalo. De repente, o cervo desapareceu. O nobre gritou por ajuda à Virgem. Milagrosamente, o cavalo parou , de modo brusco, à beira do penhasco. Para celebrar o milagre, o nobre mandou construir a Ermida da Memória, que lá permanece e pode ser visitada.

Funicular que leva ao Promontório do Sítio

Além do verão, quando muita gente vem para a praia, duas  outras grandes festas são bastante  populares e atraem  grande número de visitantes: carnaval e  Ano Novo. Em conversas com habitantes locais, obtive a relação de cinco lugares - hospedaria, albergaria, residencial e hoteis - que podem bem receber visitantes. Também vi mulheres, usando trajes típicos, oferecer quartos para alugar em casas de família.

Areia limpa e mar azul em Nazaré
De maio a junho, nas tardes de sábado, durante a celebração da Arte Xávega, há demonstrações de métodos tradicionais de pesca. Xávegas são embarcações  com proa pontuda, de onde estendem redes muito grandes. À tarde - entre 16 e 17horas - os moradores locais, muitas vezes auxiliados por turistas, puxam as redes e  recolhem os peixes, que são vendidos no local mesmo. Os santos padroeiros dos pescadores têm a festa em sua homenagem no primeiro fim de semana de maio. Nesse dia, também acontece a procissão dos barcos, nos arredores do porto. Essa é uma festa que me agradaria muito ver. Como sempre falo e escrevo, faltarão dias na minha vida,para o muito que eu gostaria de fazer.

Nazaré no mês de abril

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.





Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."


Fernando Pessoa

segunda-feira, abril 08, 2013

Mosteiro de Batalha ou de Santa Maria da Vitória

Mosteiro de Batalha

É a segunda vez que visito Batalha, uma cidade moderna com somente uma grande atração, o soberbo Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro de Batalha, uma das Sete Maravilhas de Portugal e considerado Monumento Nacional desde 1910. Em 2007, a UNESCO o declarou Patrimônio Mundial.



Lateral do Mosteiro de Batalha


O Mosteiro de Batalha é o exemplo maior da arquitetura manuelina, designação criada por Francisco Varnhagem para agrupar as obras realizadas com base no estilo do tempo de D.Manuel I. Varnhagem encontrou, como unidade formal, a vinculação dessas obras  ao período de expansão marítima e a representação de um certo exotismo que as diferenciava. Para meu consumo, entretanto, importa saber que a chamada arquitetura manuelina é a fase final do gótico.



Porta principal do Mosteiro


A construção do Mosteiro de Batalha foi iniciada em 1386, por ordem de D.João I , para celebrar a batalha de Aljubarrota, travada em 1385, ao sul desse lugar. D. João havia pedido a ajuda da Virgem Maria e prometido construir uma soberba abadia se os portugueses saíssem vitoriosos.



Porta principal com seus múltiplos arcos


Eram pouco mais de 6 mil portugueses, ajudados por algumas centenas de soldados ingleses, comandados todos por Nuno Álvares Pereira. Apesar da desvantagem numérica, conseguiram expulsar 30 mil homens de Juan I de Castela, que reivindicava o trono de João d´Avis. Essa foi a história que ouvi - de  portugueses naturalmente.



Detalhes dos arcos da porta principal


Venceram e o mosteiro foi construído durante dois séculos, no tempo de passagem de sete reis. Tornou-se um mosteiro dominicano e teve acréscimos, modificações e reconstruções ao longo vários séculos. As últimas alterações foram feitas no século XVII. Impressiona por ter a mais alta igreja de Portugal - para estarem mais perto de Deus certamente!







O edifício do Mosteiro de Batalha é todo feito com pedra calcárea, de cor ocre, com enormes colunas, parapeitos, balaustradas e entalhes - precisa realmente de muito tempo para ser visto como merece. A porta principal tem camadas de arcos e , sobre esses arcos, estão esculpidos anjos, apóstolos, santos e profetas. Impossível reparar em tudo, dispondo apenas de algumas horas em uma só visita.



Interior austero,longo e alto.





O interior do Mosteiro impressiona pela grandiosidade, harmonia e beleza e também pela luminosidade que vem através de vitrais belíssimos. Na entrada, à direita, está a capela do fundador, tendo ao centro a tumba conjunta de D. João I e de sua esposa, a inglesa Filipa de Lancaster. Estão , ainda, as tumbas de seus quatro filhos, sendo um deles D.Henrique, o Navegador.



Impressionante luminosidade em detalhes


Contam que o enorme teto, todo arqueado, foi considerado tão perigoso de construir que apenas prisioneiros condenados  à morte foram empregados para trabalharem ali. Não consegui saber quantos despencaram lá de cima!



Delicadeza na austeridade


Numa das salas, o túmulo dos soldados desconhecidos - um morto na I Guerra Mundial e o outro morto em Moçambique - com guarda de honra e com a imagem de Cristo das Trincheiras. Ironicamente, a imagem do Cristo está parcialmente destruída, atingida durante uma guerra.



Há muito o que ver. Merece longa visita.


"Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."




Fernando Pessoa