quarta-feira, abril 06, 2011

Detroit




















Detroit foi fundada em 1701 pelo francês Antoine de la Mothe Cadillac, um comerciante de peles!A história de seu desenvolvimento começa com a construção de embarcações. A indústria naval foi seu forte, apesar de estar num estado de interior do país. Passou , depois, a ser centro de fabricação de equipamentos ferroviários, carros e bicicletas. O grande impulso para seu crescimento foi dado por Henry Ford, em 1896, quando começou a produzir automóveis. Na década de 20, a maioria das fábricas americanas de carros, como a Ford, a General Motors, a Pontiac e a Chrysler, transferiram suas sedes e demais instalações para Detroit.





















Veio a crise e , com ela, muitos problemas q a cidade não conhecia ou que existiam em pequena escala. Assustou-me o subúrbio por onde se chega de trem. Ruína total. A cidade,que chegou a ter um milhão de habitantes, perdeu cerca de trezentos mil – gente que saiu à procura de trabalho, como nos disse um taxista. Observam-se , agora, algumas iniciativas para revitalizar a cidade,como o Renaissance Center, à beira do lago, sede atual da General Motors.


Detroit - Centro




















Apesar de haver traçado Detroit, saio insatisfeita porque os museus atualmente não abrem segunda e terça e foi-nos impossível, portanto, visitá-los. Vi apenas externamente o Charles H. Wrigth Museuns of Africam American History, criado em1997, numa homenagem à contribuição, para o progresso cultural e comercial da cidade, da grande população afro – americana de Detroit. 
Interessante a história local da gravadora Motown Sound, dirigida por Berry Gordy Jr, e que contou com artistas fantásticas como Diana Ross e os The Supreme. Foi a primeira gravadora independente controlada por afro-americanos nos US. Hoje pertence à PolyGran Corporation.

Detroit - Biblioteca Pública

Andamos muito pelo Bairro Grego onde estão os melhores restaurantes da cidade e onde se ouve , o tempo todo, música grega – o que me fez lembrar muito, com saudades, Alex e Gisela, meus amigos do norte da Grécia..
Fala-se que tempo de crise é tempo de jogos de azar. Saí me perguntando se essa não seria a causa da existência de tantos Cassinos aqui, inclusive o imenso Greektown Hotel Cassino, onde nos hospedamos.
Obtive, no Consulado do Canadá, um visto, com múltiplas entradas e duração de seis meses. Gostei de ter visitado Detroit. É interessante e ...bem...agora que já o conheço, não preciso ir outra vez..
Estamos, Ronald e eu, no trem, voltando para Chicago/Champaign/Paxton.

segunda-feira, abril 04, 2011

"Lá vou eu..."


Uma das esculturas em Champaign

Saímos , hoje cedo, de Paxton para Champaign, onde a estação de trens é pequena,tranqüila e tem um conjunto de esculturas lindas, em bronze, de três meninos correndo de patins - todos parecidos com o Pedro, aos 8 anos. Daniel e Lora foram nos levar.

Uma só pessoa atendeu – nos , cerca de 10 pessoas, da venda de passagens ao embarque. O trem oferecia o conforto que gostaríamos de ver na classe executiva dos aviões. Viagem ótima.


De Champaign a Chicago, leva-se menos de três horas. Chegando na Estação Central de Chicago, encontra-se cenário oposto. Muita gente e gente bastante diversificada. Moças e rapazes mochileiros, senhoras e senhores com muita idade e muita bagagem, turistas e americanos em geral, incluindo muitos portadores de necessidades especiais. Muitas pessoas carregam fiambre. Adorei isso. É minha campanha para os usuários de companhias low cost.


Daniel, Ronald e Lora

Impressionaram-me dois itens: o número de salas – pareceu-me uma para cada trem – e o número de pessoas envolvidas com cada embarque. Contei doze pessoas entre funcionários, policiais e controladores diversos, todos uniformizados, ainda que os uniformes fossem diferentes, evidenciando certa hierarquia entre eles. Havia um funcionário para carregar a bagagem e dar o braço para as velhinhas – ainda bem que ele nem me notou! Ando deprimida.


Já faz alguns anos, que eu solicito o desconto de sênior. Anda, ultimamente, ocorrendo uma alteração que me chama à realidade. Quando eu estava no início dos meus anos sessenta, era comum pedirem-me documento comprobatório da idade , devolvido, muitas vezes, com aquele maravilhoso elogio : nem parece ! Dei-me conta hoje que o desconto já me é dado sem pedirem documento nenhum! Tempo implacável!

Michigan

Bill e Ronald




















Já estive outras vezes em Michigan, um bonito Estado cercado pelos lagos Michigan, Superior, Huron e Erie e onde não se anda mais de sete quilômetros sem que se encontre ao menos um pequeno lago. Realmente, é a Região dos Lagos.
Aqui vivem Nina, minha cunhada, uma pessoa adorável, e Bill, seu marido, professor de jardinagem, aposentado de universidade. Eles estão casados há 60 anos. Os filhos estão pelo mundo, e eles curtem morar perto do Sister Lakes, numa casa grande, rodeada de plantas raras. Estar com eles é uma lição de bem viver.Os dois trabalham, como voluntários, em jardins públicos. No ano passado, Nina e eu pusemos, num grande canteiro de praça, 360 plantinhas, combinando vermelho e cinza. Ficou bem bonito nosso trabalho. No dia seguinte, precisei tomar alguns comprimidos de dorflex e cataflan.

Nina e eu



















Sempre desejei, entretanto, conhecer a Capital, Detroit, provavelmente porque gosto de carros e percebo a história dessa cidade vinculada à história da indústria automobilística americana. A cidade tem um milhão de habitantes e , atualmente, uma certa fama de violenta. Ninguém se dispunha a me acompanhar nessa visita. Pensei que não conheceria Detroit, não visitaria The Detroit Institute of Arts e não veria o mural grandioso de Diego Rivera, que retratou o processo de industrialização da cidade, com as duras relações entre operários e patrões. Até já estava conformada com essa lacuna nos meus itinerários de viagem. Favorecida pela sorte, no entanto, deixei para fazer, nos USA, o meu visto para o Canadá - e a cidade mais próxima de nós que concede esse visto, é ...Detroit! Ronald e eu estamos a caminho de lá – e , para minha alegria – de trem. Os trens americanos e suas estações merecem um texto à parte.

quinta-feira, março 31, 2011

Notícias


Frio em Illinois
Viagem daquelas que só de ler a gente cansa!
Da Bela União a Rodoviária de Rosário do Sul : uma hora! Por sorte, Mile nos levou de carro. Thanks!
De Rosário do Sul a Porto Alegre, quase 7 horas de ônibus. Se parou, não sei. Dormi o tempo todo. Mais duas horas de espera no aeroporto. Porto Alegre/Rio : duas horas de vôo e mais três horas de espera. Rio/Atlanta ; dez horas e mais três horas de espera. Atlanta/Bloomington: quase duas horas. Bloomington/Paxton: uma hora de carro.Enfim,  chegamos - e chegamos bem. Conversei durante quatro horas e dormi durante quinze. A temperatura está bem agradável, em torno de 12 graus.Encontramos todos bem. Felizmente!

Fiambre ou lanche?


Inverno ainda em Paxton



















O vôo de anteontem, Porto Alegre/Rio, pela GOL, fez – me recordar uma viagem de trem e tomar uma decisão. Primeiro, a recordação.



















Há mais de dez anos, vinha eu de Milano para Veneza, num desses trens lentos, tendo, sentados à minha frente, um casal italiano. Assim que o trem partiu, eles estenderam uma toalha e abriram uma cesta, de onde saíram, precedidos de aroma delicioso, pedaços de queijo, de salame, de leitão assado, mais pães, bolos, sucos e frutas.




















Seguramente a minha expressão, entre admirada e curiosa, foi interpretada como faminta ou gulosa. No início, um pouco timidamente, tanto eles quanto eu, ofereceram-me, e eu aceitei, porções daquelas delícias. Logo o entusiasmo recíproco transformou o casual encontro num banquete a três. Experimente isto, prove mais isso, diziam eles . Uma Festa de Babete!Duas horas depois, eu descia em Verona, e meus amigos continuavam – não sem antes me presentear com algumas frutas do quintal de casa.




















No vôo, acima referido, ofereceram água, guaraná e suco, acompanhados de pacotinhos de amendoim, que me fizeram sentir saudades das barrinhas de cereais anteriores. Trouxeram depois um cardápio, onde se poderia escolher e comprar sanduíches – dos três tipos, só dois estavam disponíveis - e algumas bebidas. Comprei um café e um sanduíche. Paguei dezessete reais. Foi , então, que tomei a decisão, inicialmente anunciada. Na próxima viagem, trarei fiambre, matula – como ouvi dizer no Pantanal – ou lanche, como , em geral , se diz. Lanche, matula ou fiambre, seja com que nome for , estará comigo.




















Não pensei em pastel e galinha com farofa, presença constante nos trens antigamente; nem numa garrafa térmica com um bom café, porque infelizmente não me deixariam entrar no avião com ela. Estou pensando em frutas – descascadas porque não poderia trazer faca - e sanduíches caseiros. Tudo envolto numa pequena toalha quadriculada, azul e branca , se bem me lembro. Farofeira de avião! ou Farofeira aérea, como disse a Aninha. Perfeito. Eles merecem.

segunda-feira, março 28, 2011

Brasil/USA/Canadá

 
Bela Uniao, ontem, ao anoitecer.
                                                        



















Malas prontas. Roupas de inverno. Muitos presentes. Presentes cuidadosamente escolhidos. Alguns bem antiguinhos, pedidos de quem está fora do Brasil há muito tempo, como Leite de Rosas e Leite de Colônia. Levo Sabonetes da Natura e do Boticario - fazem um sucesso aqueles de frutas tropicais. Levo também rapaduras envoltas em palha, bombons Garoto, o único diferenciado, que parece ter resistido `a globalização, pacotes de pao de queijo, geleias de pimenta,  echarpes tecidas por mim e camisetas do Brasil. O primeiro mês deverá ser o  tempo de visita aos parentes e amigos, em Illinois, Michigan e Colorado. O mês de maio, reservado para o Canadá. Em junho, deveremos voltar.



Flores da Bela Uniao




















Tenho a decisão de escrever diariamente aqui e de postar muitas fotos, principalmente do Canadá, que pretendemos percorrê-lo , de leste a oeste, viajando de trem e parando em muitas cidades. Quero fazer uma bela viagem. Preciso disso. Estes três primeiros meses de 2011 foram muito difíceis - tempos de perda de pessoas muito próximas e queridas . Sebastião, Daniela, Estelinha e Alfredo. Eu procuro me lembrar da alegria compartilhada com eles, do convivio, do aprendizado. Aceitar ausência fisica , entretanto, doi . e a saudade é intensa. Fica,mais uma vez, o apendizado da transitoriadade - ou impermanência, como diz Adriana.

quinta-feira, março 24, 2011

Italia


Roma
Vindos da Suíça, entramos na Itália,visitando  Milano, Verona, Padova, Veneza, Firenze e Roma.
Já escrevi tantas vezes sobre esses lugares, que os estou apenas mencionando para não ser injusta com um País que me acolhe muito bem e onde já vivi momentos fantásticos.
Quando entro na Itália, parece-me possível dialogar com casas, ruas, árvores e monumentos.
Tudo me é muito familiar ; a língua, a comida, o tom de voz das pessoas de cada lugar, a elegância e o exagero. Tudo.
Quando parto, choro - é como me despedir de uma pessoa amada."Arrivederci, Roma"."Ciao,amore, ciao..."

Amsterdã

Amsterdã; pontes e canais




















Para mim, ir a Paris inclui , naturalmente, ir à Bélgica e à Holanda, países que eu amo de paixão.Em outras postagens, neste blog, já os mencionei ou sobre eles escrevi . Da última vez ( 2010/20) em que lá estive, entretanto, nada escrevi. Reparo, agora,  essa injustiça ao menos com duas fotos. Amsterdã é a maior cidade dos Países Baixos. Nasceu de uma vila de pescadores, fundada no século XIII e tornou-se uma das mais admiráveis cidades europeias. É famosa pela arquitetura, liberalismo, cultura, história e simpatia de seus habitantes, quase todos falantes de inglês - e de várias outras línguas. Em outras oportunidades, já andarilhei por pequenas cidades holandesas e mantive a  impressão que tivera da capital.

Ronald e eu em Amsterdã




















Amsterdã é bonita em qualquer estação do ano. Tem 1300 pontes que cruzam canais da cidade, tem parques fantásticos e bons museus e galerias de arte. É plena de História. Parece-me injusto considerar o Distrito da Luz Vermelha, onde a prostituição é legalizada e o comércio relacionado a sexo é intenso, como a grande atração da cidade - só se for para adolescentes!

domingo, março 13, 2011

Ticino, Cantão Italiano da Suiça

  
Lugano
Ticino é o Cantão Italiano da Suíça, que se localiza ao sul dos Alpes, margeando lagos da Itália , país com que se parece muito. Talvez seja essa a razão por que gosto tanto das três principais cidades que o integram - Bellinzona, Locarno e Lugano – e do panorama rural que vislumbro,por exemplo, da janela de um trem. Voltei, mais uma vez, ao Ticino em novembro de 2010.


Lugano

Dessa vez, uma passagem rápida por Bellinzona, onde viveu minha querida amiga Sylvia Carvalho, no tempo em que seu pai era o chefe da estação de trens da cidade. Sylvia me apresentou Bellinzona, capital do Cantão, possuidora de três castelos protegidos pela UNESCO. Falou dessa cidade com tanto carinho, que eu decidi visitá-la. Adorei estar num lugar onde eu podia falar italiano com qualquer pessoa, já que é essa a língua oficial do Ticino. Culturalmente, era muito similar às cidades italianas. E, realmente, tudo era muito bonito, agradável, tranquilo.


Lugano
Dessa vez, em 2010, não estive em Locarno, onde sonho ir para o Festival Internacional de Cinema que ali se realiza , no mês de agosto, todos os anos. Depois de Bellinzona, fui para Lugano. Da estação de trens, chega-se ao centro descendo , num funicular, uma pequena montanha. Infelizmente chegamos tarde e não conseguimos – meu marido, minha irmã e meus sobrinhos – passear de barco pelo lago, em cuja margem está a cidade. Em novembro, depois das 15h , os barcos já não percorrem suas rotas. Pena! São passeios lindos.


Feira Anual de Chocolates em Lugano

Foi bom, entretanto, caminhar pela cidade, que tem construções antigas, ruazinhas com escada, belas praças e muito movimento nas ruas. Sorte nossa, estava-se realizando , naquela semana, a fantástica Feira Anual de Chocolates – experimentei muitos! Visitei a Feira e comprei , por 10 euros, um quilo de chocolate com café, de inesquecível sabor!
Pretendo retornar logo à Suíça, mas, concordo com John  Lennon, a vida é uma coisa que acontece enquanto a gente faz outros planos." Nunca se sabe!


Trenzinho com que se chega até o lago

quinta-feira, março 10, 2011

Texto

Egito
“A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo .

Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo”.

Fernando Pessoa