sexta-feira, janeiro 14, 2011

Torres

Torres. Foto: Fabiana Menine

"Aqui , está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui, está-se sossegado."
Fernando Pessoa

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Retornando ao Brasil - from Tunisia

Porto El-kantaoui




















Saindo de Monastir, passamos por Sousse com destino ao Porto El-Kantaoui , o segundo maior porto do País. Kantaoui significa jardim e , de fato, esse porto tem flores, plantas e belezas de um grande jardim. Aí almoçamos e daí retornamos para Túnis, certos de que fizéramos uma boa viagem , tanto pela Europa, quanto pela Tunísia , e certos também  de que a Tunísia é um país que merece ser visitado. 
No dia seguinte , fizemos Tunis/Roma/Madri/Brasil. Nada , entretanto , é mais difícil do que as oito horas finais - de Porto Alegre a Alegrete, ainda que em ônibus leito.

"Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir"

Fernando Pessoa
.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Monastir


Mausoleu de Bourghiba


























Os Fenícios fundaram Monastir como cidade portuária. Júlio César aqui esteve preparando a Batalha de Tapso, no ano 46. Podem-se ver fortalezas, mesquitas, palácios e muitos vestígios das civilizações fenícia e romana. É, portanto, uma cidade antiga e com um belo passado histórico. Minha simpatia por ela, entretanto, decorre da  simpatia que sinto por Habib Bourghiba, que nasceu , em 1903, em Monastir , e onde se pode visitar seu belíssimo Mausoléu. Bourghiba estudou Direito em Paris e, ao voltar para a Tunísia, tornou-se político e envolveu-se na luta pela desocupação francesa. Em 1956, quando a Tunísia tornou-se independente da França, ele tornou-se inicialmente Primeiro Ministro, depois, Presidente. Lutou sempre – talvez por influência da sua formação francesa - para que as mulheres de seu país fossem respeitadas e independentes. Incentivou –lhes a participação política , buscou a criação de postos de trabalho com pagamento adequado e o direito ao acesso a diferentes níveis de instrução.





















Diferente de outros países muçulmanos, as mulheres da Tunísia gozam de muito mais liberdade e oportunidade e muitas seguem profissões tradicionalmente masculinas, como pilotos aéreos.Um tunisino comentou comigo que os avanços em relação à autonomia e ao respeito às mulheres são lentos. Contou-me que ainda há mulheres que entregam ao marido o salário que recebem pelo seu trabalho e que muitos homens não ajudam as mulheres na realização das sua atividades domésticas. Como se eu nunca tivesse visto esse quadro, exclamei: que horror!

Sfax: histórica cidade da Tunisia


Centro de Sfax




















Situada entre Mahdia e Gabes, na Costa Este , Sfax é a segunda maior cidade da Tunísia.Tem uma Medina impressionante, não só internamente como também externamente , pelo movimento e comércio no seu interior e pela extensão e imponência da muralha que a cerca. A arquitetura é mesclada com  estilos diversos, mas tem prédios interessantes, como o prédio da prefeitura. Desde o tempo dos romanos, foi uma cidade rica pela sua frota naval e pela produção de óleo de oliva, que tanto interessava à Europa.


Muralha da Medina de Sfax




















Possui um porto bastante movimentado, mercados, museus, mesquitas e uma antiga Medina e uma parte nova e moderna. Talvez seja a mais ocidentalizada das cidades tunisinas.Valeu a pena conhecer Sfax principalmente pela Medina ,que está muito bem conservada e tem traços bem definidos da arquitetura islâmica. O hotel , em que me hospedei ( Lês Oliviers ) era perto da mesquita, o suficiente para ser acordada, ao nascer do sol, pelo chamado às orações! E , a partir daí, ouvir o mesmo chamado, de três em três horas, até o sol desaparecer.

Djerba, a Terra dos Comedores de Lotus


Chegada a Djerba




















Distante cinco quilômetros do continente e cento e vinte quilômetros da Líbia, Djerba é uma ilha fantástica , situada no Golfo de Gabes. É a maior do Norte da África. Pode-se chegar a ela por barco ou usando Kantara, uma antiga ponte romana, feita para ligar o continente à Ilha. É conhecida por suas praias lindas, seu clima agradável e sua riquíssima história. Celebrada na Odisséia como a Terra dos Comedores de Lótus. Segundo a lenda, Ulisses esteve em Djerba e aqui perdeu parte de sua equipe porque eles, alimentamdo-se de flor de lótus, oferecida pelos nativos, esqueciam a Pátria Mãe e passavam a desejar viver na ali para sempre.




Ghriba - antiga Sinagoga




















Djerba foi administrada por Carthago e , em seguida, passou a ser administrada pelos romanos. A riqueza da Ilha vinha do peixe, do óleo de oliva ,da cerâmica e, hoje, também do turismo, principalmente de europeus. A maioria da população é sunita - os Sunitas pertencem à corrente que se considera sucessora direta do Profeta Muhammad Maomé.Vive ,ainda, aqui uma pequena população hebraica, que , há cerca de dois mil anos, ergueram a Sinagoga Ghriba, hoje importante meta de peregrinação e conceituado centro de estudos avançados para rabinos. Ghriba é muito bonita. Seus mosaicos são de rara beleza.









Hotel em Djerba-piscina e praia














Em Houmt Souk , a cidade mais importante e capital da Ilha, fiquei encantada com as cerâmicas e seus preços muito baratos. Comprei apenas um pequeno pratinho. A produção de cerâmica concentra-se Guellala, reduto do povo berbere. Encontram-se em Houmt Souk ( souk quer dizer mercado) muitos artigos em couro, tapetes, mosaicos, cachimbos entalhados, jóias e uns potes de barro, com os quais se pescam polvos, há mais de três mil anos, desde o tempo dos Fenícios . Encontram-se,aí também, uma boa produção de tâmaras, azeitonas e figos.






No filme Guerra nas Estrelas, o deserto do planeta Tatooine, ninho de piratas e contrabandistas, teve seu cenário em Djerba. Nesta Ilha se encontram o Mar Mediterrâneo e o Saara, o maior deserto do mundo. A zona turística, onde estão localizados os grandes hotéis, tem espaços lindos, em que as piscinas formam um belo conjunto com o mar e o céu, tudo de uma inesquecível combinação de azul

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Matmata: Cenário de Guerra nas Estrelas

Casa Troglodita


Há 43 km ao Sul de Gabes, visitei Matmata. É um vilarejo a 650 metros acima do nível do mar, onde vivem 5 mil berberes em casas trogloditas, e que ficou famoso como cenário do primeiro Guerra nas Estrelas. Distante 15 km dali, está a Nova Matmata que oferece elementares condições de hospedagem e alimentação.

As casas trogloditas são construídas numa colina de arenito, seguindo o mesmo modelo há quatrocentos anos. Faz-se um buraco arredondado, que será o pátio central da casa – um pátio sem cobertura por onde entrará o sol. Ao redor desse pátio, são escavadas as diferentes partes da casa, como a cozinha e os quartos. Dar-se-á, ali, o controle natural da temperatura , que se manterá constante ao redor de 18 graus – no deserto essa temperatura chega a 50 graus.



Cenário de Guerra nas Estrelas

O turismo em Matmata é hoje significativa fonte de renda. Além da venda de artesanato, pode-se escolher uma casa e visitar a família. Usualmente a dona da casa oferece aos visitantes um pão tradicional, dividido em pedaços, e um ponte de azeite de oliva com açúcar , onde o pão pode ser embebido. Tenho a memória do gosto daquele pão com azeite – o melhor que comi na minha vida. Excelente! Matmata foi um dos lugares bem interessantes que visitei neste surpreendente país.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Tunísia: El D'Jem

 


El D'Jem


Entre os maiores legados romanos que se pode visitar na Tunísia, está El D'Jem, um anfiteatro, o terceiro maior do mundo, só menor que o de Roma e o de Pádua. El D'Jem está na cidade púnica de Thysdrus, que ficou com os romanos na terceira guerra , no ano 146.


Thysdrus foi uma cidade rica e importante, tanto para os fenícios quanto para os romanos.Suas terras sempre foram excelentes para o cultivo de oliveiras - e o azeite de oliva, uma riqueza espalhada pela região. Hoje, Sahel, onde se situa El D'Jem,  é uma importante área turística tunisiana, com boa infraestrutura.

El D'Jem

Impressionante como esse anfiteatro está bem conservado, já que foi construído entre 230 e 238. Pareceu-me mais bem conservado que o Coliseu de Roma. As tomadas externas do filme O Gladiador foram feitas aqui. Saliente-se que a Tunísia toda já forneceu cenários para muitos filmes, entre eles  Guerra nas Estrelas e  O Paciente Inglês.


Com capacidade 35 mil pessoas, era o lugar onde os governantes recebiam seus convidados,especialmente os integrantes das caravanas que cruzavam o deserto para fazer negócios com outros países da região. A fera vinha em jaula, por um sistema de roldanas,  até o palco onde era solta na presença do gladiador que a enfentava. Há uma porta, pequena e discreta, por onde eram retirados os mortos.A arquitetura me encantou, mas a história do que ali se passava me deu náusea.

"Uma ave é sempre bela porque é uma ave
E as aves são sempre belas
Mas uma ave sem penas é repugnante como um sapo
E um montão de penas não é belo
Deste fato tão nu em si não sei induzir nada
E sinto que deve haver nele alguma grande verdade"

                                          Fernando Pessoa

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Natal e Ano novo



Finalmente deixei de ser exagerada nos fins de ano. Em razão disso, estou desejando a todos um Natal Lindinho e um Ano Novo Interessante.
Gostaria mesmo de que fôssemos  fortes e bonitos  como esta  Rosa do Deserto.
Beijos
Aldema






quinta-feira, dezembro 16, 2010

Nostalgia

Saara

Areia escorre entre meus dedos envelhecidos,
dedos que, fragilizados agora, teimam em manter-se como eram
na sustentação da areia que escorre.
Sobrará um pouquinho?
Teimosamente apertado sim,
embora a dor do aperto
Não compense o prazer da sustentação.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Chebika, Tamerza e Mides - Oasis de Montanha

Chegada no Oasis de Chebika



















Chebika, Tamerza e Midès estão entre  os mais famosos oásis de montanha na Tunísia. Os três ficam bastante perto da fronteira com a Argélia e  perto também de Tozeur ( 60 km ). A viagem Tozeur/Chebika , entretanto, parece longa porque as estradas são tipicamente estrada de deserto, inclusive mudando seu traçado, algumas vezes, em função dos ventos. Os ventos eventualmente constroem e destroem dunas, mudando-as inclusive de lugar.







































No tempo do Império Romano, esses oásis foram utilizados como pontos de observação, porque estavam em lugares altos de onde os romanos podiam comunicar-se com outros postos através de sinais com espelhos.Durante séculos, os povos desses oásis produziram tudo o que necessitavam para alimentar-se.  A descoberta do fosfato na região, entretanto, mudou essa situação pois os habitantes dos oásis abandonaram, ainda que em parte, o cultivo da terra e foram trabalhar na mineração.


Oasis de Montanha






































Houve , com isso, mudanças nos costumes e as tradiçoes, acentuada hoje pelos numerosos turistas que visitam os oásis e visitam também, no alto de uma montanha , o que restou de um avançado posto romano de observação. A maior atração de Chebika é esta cascata, de onde jorra água limpa e morna, formando um pequeno lago e daí, alimentando um sofisticado e eficiente sistema de irrigação - o que possibilita o cultivo de frutas diversas.








































Quem nos mostrou  o oasis, através de uma longa e difícil caminhada (uffa!), foi um habitante local ( foto 3) , um berebere, falante de seis idiomas, aprendidos, segundo ele, aqui mesmo, no contato com gente de todo o mundo. Tamerza é o maior oásis de montanha da Tunísia. Tem um panorama espetacular, que pode ser visto no filme O Paciente Inglês , dirigido por Anthony Minghella. Tem-se aqui dois bons hotéis, com vista privilegiada - no Hotel des Cascades o café é bom e isso para mim já marca muitos pontos! Também em Tamerza está o mausoleu de Sidi  Tuati, local de peregrinação, desses que eu coleciono para fazer curriculum para o céu.


Morador do Oasis de Chebika




















A vida em Midès é similar aos outros dois oásis. A economia baseia-se no comércio de frutas , principalmente romãs, e tâmaras. Em Midès , impressiona muito um cânion , estreito e profundo, circundado por vegetação abundante. Ele ainda é um oásis menos visitado do que os outros onde estivemos. Nota-se isso pela infraestrutura que oferece a quem chega. Fora as rosas do deserto e alguns pequenos tapetes, nada mais há para venda  - e num local como este, quanto mais turistas, mais vendores.








































Depois de visitar Midès, Tamerza e Chebika voltei a pensar que, de fato , é a água jorrando que decide a sorte das pessoas, a cada ano, no deserto - ou na minha casa, onde , há dois meses, não chove.