sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Que susto!

Ainda estou tensa,angustiada,assustada mesmo. Há pouco , um de nossos cachorros (border collie) foi picado por cobra e morreu quase imediatamente. Nos poucos minutos que precederam sua morte, o pobre animal fez um quadro terrível , com contrações musculares e movimentos desordenados.
Provavelmente, meu choque foi maior pela intensidade com que me vieram à lembrança os piores dias da minha vida: quando Patati foi picado por cascavel. Se ele tivesse morrido, penso que eu também morreria de dor. Só quem perdeu um filho ou viveu uma situação limite ,assim, pode avaliar o que senti. Nestas horas, agradeço por ele estar vivo, agradeço aos amigos que me acompanharam no hospital e agradeço aos médicos, especialmente Enedir e Dalnei, que foram insuperáveis em competência e dedicação.
PS. Renildo e Marcos ainda procuram a víbora. Eu , aqui, assustada até com fio de luz, cordão, arame,raiz de árvore ou qualquer movimento sobre a grama.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Verão 2010


Depois de Torres, novamente Bela União - nosso espaço preferido.
O convívio com Pedro, entretanto, justifica a temporada na casa da praia. Só convivemos mesmo no verão. Inteligente e amoroso, faz-me companhia como um adulto interessante faria. Um amor de menino. Fabianinha também ficou quase toda a temporada conosco. Para mim , ela continua sendo a menininha alegre e linda como sempre foi.

Recebi visitas ótimas, dessas que portam leveza e bem-estar à casa da gente. Luís Ernesto Behares, meu amigo há quase trinta anos, meu irmão por escolha, visitou-me durante uma semana. Considero Luís uma das pessoas mais lúcidas que eu conheço - intelectual mesmo e, acima de tudo, muito boa gente. Luis é razão e sensibilidade.

Tive um bom tempo livre para ocupá-lo com minhas paixões. Ronald e eu assistimos a algumas dezenas de filmes, atuais e antigos. Revi muitos de Hitchcock, Buñuel, Spilberg, Fellini, Coppola, Lean, entre outros. Repassei os filmes de Clint Eastwood, incluindo Gran Torino e Sobre Meninos e Lobos. Como amo ópera e cinema, assisti novamente Fantasma da Ópera, que eu adoraria ter visto no teatro e nunca tive essa oportunidade. Li bastante sobre a Ásia, especialmente sobre a China. Li, entre emocionada e triste, o livro sobre José Genoino "Do Sonho ao Poder". Reli longos trechos de alguns clássicos, como Divina Comédia , li romances em italiano para não esquecer essa língua de que gosto tanto. Cozinhei. Experimentei receitas novas. E deixei muita coisa por fazer. Optei pelo ócio dessa vez.

sábado, janeiro 30, 2010

Meu sócio é um gambá!


Sim. Só pode ser sócio. O IPTU de Torres é muito alto. As casas são bem valorizadas. Eu vivo aqui três meses por ano. O Gambá vive o ano inteiro. Quando chego, ele não tem nenhuma consideração comigo: acorda-me de madrugada assustadíssima - algumas vezes chamei o serviço de segurança da SOSSEG . Ontem uma vizinha disse que o Gambá é mais torrense do que nós e que tem direitos sobre a casa. Eu sei. Ele é poderoso. Ano passado, chamei a Brigada Ambiental. Foram gentis e atentos. Sem demora estavam aqui. Ouvi deles uma longa explanação sobre os hábitos do protegido animal. Dorme durante o dia e saí à noite, disseram-me eles. Eu já intuía essa sua condição boêmia porque sempre o escuto sair às 23 horas e voltar ao redor de 05h. No mais, informaram-me da minha obrigação de protegê-lo . Comenta-se que ele tem uma amada/amante na casa da frente e é pai de um Gambazinho, que esteve aqui ontem pela tarde - criança ainda, não sabe respeitar horários. Ainda bem que o Gambá prefere essa autonomia no amor, assim tenho apenas um e não uma família inteira. Sobre a mesa da cozinha, não se pode deixar nenhum alimento, especialmente frutas. Além de comê-las , esparrama-as pela casa. Prefiro, então, colocar cascas na área próxima - tudo na busca de uma co-habitação pacífica. Ando cansada. Um Gambá em casa não se deseja nem para os desafetos. Não quero fazer mal a ele. embora desejasse transferi-lo de residência. Eu apenas queria dormir sem acordar sobressaltada e não queria que as visitas pensassem que o cheiro do meu banheiro tem origem humana.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Sobre viajar desacompanhada





















Tive ótimas pessoas como companheiras de viagem: Alda, Rosana, Zeli, Iolanda, Gugu, Fabrício, Afrânio, Marina, Maria Alzira , entre outros. A maioria das viagens , entretanto, eu as fiz sozinha. Em razão disso, construí algumas estratégias tranquilizadoras. São as que pretendo relatar aqui. Reafirmo que eu sinto prazer em viajar na companhia de mim mesma. Sou bem minha amiga e tenho belas recordações para evocar. Além disso, viajar sozinha torna-nos mais livres para fazer escolhas, tomar decisões e aproveitar bem o tempo. Sim! muitas vezes gostaria de ter alguém para comentar, por exemplo, um acontecimento inesperado. Nessas horas, costumo escrever.























Se o planejamento de uma viagem é importante, para quem viaja sozinha, então, torna-se imprescindível. Costumo deixar com minha família e alguns amigos o itinerário que pretendo fazer. Se altero, aviso a todos. Se tenho amigo(s) no país em que estou visitando, informo-o(s) por onde ando. Deixo também , com minha família, cópia do passaporte e dos seguros de viagem ( nunca viajo sem fazer um Seguro). 























Sempre que possível, viajo com reservas de hotel - faço isso desde que tive de dormir numa estação de trem, em plena temporada de ópera em Verona. Já perdi reserva por mudar roteiro, mas isso foi uma escolha deliberada. Uso mala que eu possa carregar sem depender de ajuda . Uma vez pedi a um senhor que me ajudasse a descer uma mala de um trem, e ele me respondeu que não e ainda acrescentou: nunca leve o que você não pode carregar sozinha! Reconheci a razão dele e fiquei com vergonha.






























Procuro chegar com antecipação em aeroportos e estações de trem. Não perco de vista, nem por instantes, a minha bagagem. Durmo com a bolsa embaixo do travesseiro. Costumo dizer que não se deve dar chance ao azar. Os mapas das cidades, eu os olho e analiso ainda no hotel - nada de "dar bandeira" olhando-os na rua. Antes de partir, faço uma cuidadosa , mas pequena, aquisição de medicamentos para gripe, alergia e problemas estomacais - resultantes, em geral, de mudanças bruscas na alimentação. Viajo com tênis, sapatos ou sandálias usadas e bem testadas.






















Em geral, abandono sapatos e roupas - também muito usadas - pelo caminho. Assim fazendo, posso carregar algumas comprinhas, embora eu compre muito pouco. Com câmera, livro, Ipod e notebook pequeno, estou equipadíssima para muitos meses. Atualmente é muito fácil viajar tranquila. Sabe-se notícias de casa o tempo todo. O retorno já não é cheio de surpresas : as fotografias postadas na internet já contaram quase tudo. Para mim, ler muito sobre os países a serem visitados , antes e durante a viagem, continua sendo a garantia de sucesso e tranquilidade - viajando sozinha ou acompanhada. Nestes dias, aqui em Torres, tenho lido bastante sobre a China e o Canadá. Não estarei só; Ronald estará comigo.



quarta-feira, janeiro 20, 2010

Passeio nostálgico





















Fomos hoje ao Morro dos Conventos e às Furnas de Sombrio, em Santa Catarina. Durante muitos anos, fizemos esse passeio com as crianças. Antes disso, quando o Patati era bebê, passamos um verão no Morro. Foi um tempo muito bom. Alugamos uma casa cujo "quintal"era o mar. Muitas vezes fomos nadar em noite enluarada. Tivemos, naquele ano, a companhia de pessoas fantásticas, como Gládys e Oscar Paim, casados há pouco tempo. Eles alugavam um apartamento perto de nossa casa. Gaby e eu sempre fomos muito amigas e fazíamos muitas coisas juntas, incluindo docinhos decorados para os aniversários. Hospedamos, como sempre fazíamos, uma meninada - sobrinhos,amigos e filhos de amigos. 





















Lembro-me de que Antônio Augusto - que ainda hoje eu o chamo de Toniquinho - ficou um tempo conosco. Era um menino danado, mas muito querido e meu protegido - sempre gostei muito dele. Frequentemente, ele corria para perto de mim para que eu o defendesse do Mile que ameaçava dar -lhe uns "cascudos" por alguma travessura que ele aprontara. Em todas as minhas férias, eu selecionava - e seleciono ainda - algo para estudar. Naquele ano, estudei o Parnasianismo na Literatura Brasileira. Ainda tenho as anotações feitas sobre esse tema. Vi hoje o lugar onde era a nossa casa, substituída agora por um edifício.





















Nas Furnas de Sombrio, quando chegamos hoje, eu lembrei até do gosto do café que se tomava ali. Era um lugar de beleza agreste. Fiquei triste, entretanto, quando vi o local visualmente poluído, por escritos nas pedras, por figuras religiosas as mais diversas e por muitas velas acesas. Ironicamente, um cartaz apregoa: Proteja o meio ambiente.
Estivemos no Morro do Farol e, em certo momento, senti uma saudade profunda e dolorida de minhas crianças. Sorte que Pedro e Fabianinha estavam comigo.
A paisagem continua linda. Morro, dunas, escarpas, rio e mar estão lá a evocar-me lembranças de momentos e de histórias realmente inesquecíveis.

sábado, janeiro 16, 2010

Notícia



Estou doente faz uma semana. Não tenho ânimo para escrever. Virose - esse nome é sinônimo de genérico? Com febre, tenho pesadelos. Na última noite, Torres era no Haiti.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

2010 : Presságios

Talvez por ter convivido com a seca do sertão,
por ter visto minhas plantas sofrerem com a falta de água,
pelo calor que senti em desertos,
pela lembrança gostosa das brincadeiras infantis na Bela União,
talvez por tudo isso ...e porque gosto da chuva,
considero-a um bom presságio.
Presságio de abundância - abundância de alimentos, de gestos solidários,
de generosidade, de alegria, de beleza e de boas descobertas.
Assim seja 2010 com chuva na sua chegada.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

"Parece que foi ontem...."








































A leitura que faço nestes dias, do livro de Marcelo Gleiser "O fim da Terra e do Céu", é parte da minha ânsia por respostas sobre a passagem do tempo e o destino de cada um de nós. Há, entretanto, no início desse livro, um trecho que corresponde, em parte, à razão por que criei e por que escrevo este blog. Ei-lo:
Há alguns anos, quando explorava cantos empoeirados e esquecidos do sótão de meus pais, encontrei os álbuns de fotografias de meus avós paternos,recheados de memórias amareladas de parentes, de amigos e de suas festas, momentos congelados de um passado já distante (... ) Admirando as fotos, me perguntei o quanto daquelas experiências , sorrisos, lágrimas e sabedoria, o quanto das tantas histórias e aventuras de meus avós está ainda vivo na mente de seus bisnetos. Sentindo-me como o elo perdido em uma corrente que une quatro gerações, fechei os álbuns com a triste sensação de haver perdido parte de minha própria história, agora enterrada em fotos de pessoas que não consigo reconhecer."
Como dizia minha mãe, "parece que foi ontem" o período da minha vida em que essas temas não me impressionavam.



quarta-feira, dezembro 23, 2009

Travessia

Torres - RS
”Há um tempo em que é preciso;
abandonar as roupas usadas;
Que já têm a forma do nosso corpo;
E esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia;
E se não ousarmos fazê-la;
Teremos ficado para sempre;
À margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

domingo, dezembro 20, 2009

Desejos para 2010 - Parte II

Torres - Praia da Guarita

Queridas Pessoas
Reafirmo o Feliz Natal e Feliz Ano Novo, que todos já devem ter recebido, e acrescento:
. sono tranquilo e sonhos bonitos;
. menos "amigos secretos" e mais amigos verdadeiros;
. inverno sem gripe , tosse ou alergias;
. nenhum pedido para ser avalista;
. escolha acertada nas compras;
. ausência de arrependimento por não ter feito alguma coisa;
. não aumento de peso ou emagrecimento repentino;
. um pouco mais de dinheiro para o tão necessário supérfluo.
E ainda:



Torres - Praia da Guarita

"Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria.
Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és.
Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto."
Fernando Pessoa .