sábado, outubro 24, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
Verdades infantis
Quando passei pela sala, aqui na Bela União, escutei Pedro dizendo:
- Minha avó é uma mulher muito bonita!
Não resisti e acrescentei : é bonita e jovem.
Pedro imediatamente esclareceu:
- Bonita tudo bem...mas jovem foi já faz muitos anos.
.....................................................................................................................
Pedro e Gonçalo brigaram.
Pedro saiu correndo e caiu. Nada grave.
À noite, Pedro sentiu-se mal e vomitou.
Gonçalo ficou muito sensibilizado e disse:
- Pedro, eu não desejei isso para ti. Um tombo, tudo bem...
- Minha avó é uma mulher muito bonita!
Não resisti e acrescentei : é bonita e jovem.
Pedro imediatamente esclareceu:
- Bonita tudo bem...mas jovem foi já faz muitos anos.
.....................................................................................................................
Pedro e Gonçalo brigaram.
Pedro saiu correndo e caiu. Nada grave.
À noite, Pedro sentiu-se mal e vomitou.
Gonçalo ficou muito sensibilizado e disse:
- Pedro, eu não desejei isso para ti. Um tombo, tudo bem...
domingo, outubro 18, 2009
Pensando!
É domingo, domingo tranquilo, morno, bonito , véspera do aniversário do Mile, meu irmão - mais filho do que irmão.
No dia em que ele completou dois anos, meu pai morreu. Eu tinha, então, onze anos. Mile e eu sempre fomos muito próximos. Na verdade , sempre moramos juntos, ele na minha casa ou eu na casa dele.
Mile é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Além de inteligente, ele é sensível, perspicaz e naturalmente do bem. Eu poderia contar, durante dias e dias, histórias lindas dele. Merecia um livro.
Escrever é um ato de decisão somente. O que contar todas as pessoas têm. Basta pagar uma editora - são tantas e tão diversas - e nossos blocos de notas virarão livros. Pode ser apenas um volume! Ou um para cada filho. Belo exercício de memória. Bela recordação para nossas crianças. Sim! precisa-se de persistência, justamente o que me falta. Pedro e Massimo que me perdoem.
segunda-feira, outubro 12, 2009
Sobre chuva e festa na Bela União

São difíceis os caminhos da Bela União. Com a chuva intensa e incessante de ontem, mais difíceis ainda! Não obstante isso, mais de 50 pessoas se reuniram aqui para comemorar, no Brasil, meu casamento com Ronald - meu segundo casamento , assim, de "papel passado", 45 anos depois do primeiro.
Somos os mesmos - minha família, meus amigos - apenas trazíamos antes nossas histórias do trabalho e os nossos filhos pequenos - hoje trazemos, juntos ou em fotografias, os nossos netos e nossa
s novas histórias de vida. Nossas crianças já têm as suas crianças.
Somos os mesmos - velho continua sendo quem tem 10 anos a mais do que nós. Nossa capacidade de rir, conversar, emocionar e surpreender permanece.
Muitos amigos não conseguiram estar aqui fisicamente: estavam, entretanto, nas nossas recordações. Senti falta e saudade dos que não chegaram aqui e dos que não chegaram até aqui. Faltará sempre o Benetti e sempre nos lembraremos dele.
Fiquei
muito feliz com os que vieram - eles constituem a minha família de espírito , como escreveu a Verinha Siqueira. `A noite, eu fiquei relembrando cada um deles e agradecendo a Deus pela alegria de encontrá-los.
Relembro que, Rolandinho e eu, fizemos uma grande festa, no meu apartamento, em Santa Maria, para comemorar que estávamos vivos. Devíamos fazer mais festas com esse motivo, pois as perdas são inexoráveis.
Somos os mesmos - minha família, meus amigos - apenas trazíamos antes nossas histórias do trabalho e os nossos filhos pequenos - hoje trazemos, juntos ou em fotografias, os nossos netos e nossa
s novas histórias de vida. Nossas crianças já têm as suas crianças.Somos os mesmos - velho continua sendo quem tem 10 anos a mais do que nós. Nossa capacidade de rir, conversar, emocionar e surpreender permanece.
Muitos amigos não conseguiram estar aqui fisicamente: estavam, entretanto, nas nossas recordações. Senti falta e saudade dos que não chegaram aqui e dos que não chegaram até aqui. Faltará sempre o Benetti e sempre nos lembraremos dele.
Fiquei
muito feliz com os que vieram - eles constituem a minha família de espírito , como escreveu a Verinha Siqueira. `A noite, eu fiquei relembrando cada um deles e agradecendo a Deus pela alegria de encontrá-los.Relembro que, Rolandinho e eu, fizemos uma grande festa, no meu apartamento, em Santa Maria, para comemorar que estávamos vivos. Devíamos fazer mais festas com esse motivo, pois as perdas são inexoráveis.
Não consegui conversar com todos como gostaria. Pouco tempo e muita chuva. Quase não conversei com Dirce, Mário, Rosana, Clóvis, Odete. Queria que todos tivessem permanecido por ma
is tempo. Gugu, Pedro, Mile, Fernando, Fabianinha, Marcel, Igor, Lilian , Zeli, Ary, Melina, Fábio e Neneca foram ajuda, presença e apoio em todos os momentos.
Distribuímos, durante a festa, pacotinhos de sementes de flor, trazidos da regiao do Ron, meio - oeste americano. É primavera. Sementes são flores futuras. Flores que gostaríamos de dar a cada um como agradecimento pela partilha e pelo convívio. Esse agradecimento se estende também a
os que não puderam vir, por diferentes razões, incluindo eu haver me atrapalhado e deixado de avisá-los. Avisei alguns quando eu ainda estava em Illinois. Ainda bem que Soraia avisou Marietinha e Walter e Rosana avisou Adalberto e Vera.
Ronald e eu agradecemos muito a lembrança bonita que essa festa deixou em nossas vidas.
is tempo. Gugu, Pedro, Mile, Fernando, Fabianinha, Marcel, Igor, Lilian , Zeli, Ary, Melina, Fábio e Neneca foram ajuda, presença e apoio em todos os momentos.Distribuímos, durante a festa, pacotinhos de sementes de flor, trazidos da regiao do Ron, meio - oeste americano. É primavera. Sementes são flores futuras. Flores que gostaríamos de dar a cada um como agradecimento pela partilha e pelo convívio. Esse agradecimento se estende também a
Ronald e eu agradecemos muito a lembrança bonita que essa festa deixou em nossas vidas.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Lá vamos nós...
Depois do check in , almoçamos, num típico restaurante americano, com Daniel e Lora, pais adotivo
Voltando
Lembrando dieta, aprendi , com Lora, a fazer uma sobremesa fantástica: maçã, com casca, cortada em pedaços fininhos, abacaxi, machimelo também em pedaços e iogurt ou creme de leite. Tanto pode ser com sal e acompanhar pratos com frango grelhado, como pode ser com adoçante ou açúcar e servida como sobremesa. Até p
Ficaremos seis meses no Brasil. Como sempre, saudades daqui, saudades de lá, saudades da Itália, saudades da Bahia, saudades de Roraima, saudades da Índia..e de tantos outros lugares. Será mesmo saudade essa lembrança boa de lugares fantásticos e esse desejo de revê-los?
terça-feira, setembro 22, 2009
Sobre cotidiano
Descubro, cada dia, uma característica ou traço da cultura local que eu ainda não apreendera. Tem
sido ótimo conviver com o hábito de servirem café , num copo imenso, em todas as refeições, em qualquer restaurante. Recebemos muitos convites para almoços, piqueniques, festas. Na semana passada, fui a dois eventos muito interessantes. O primeiro, um almoço na casa de Pauline, uma senhora que foi missionária no Equador durante vinte anos e hoje vive numa fazenda em Gibson. Pauline tem elegância, agilidade e vivacidade que encanta a qualquer pessoa. Meu sonho é chegar à idade dela e me parecer com ela. Ela me ensinou a fazer uma torta de maçã fantástica e muito fácil . A massa é feita com duas xícaras de farinha, uma xícara de manteiga e meia xícara de água. Depois de bem amassada e aberta cobre-se uma forma com a metade dessa massa. Descascam-se as maçãs (muitas) e cortam-se em pequepos pedaços , que são postos na forma. Sobre essas maçãs picadas, polvilha-se uma xícara de açucar e meia xícara de farinha , Acrescentam-se pedacinhos de mantei
ga. Cobrem-se as maçãs com o restante da massa aberta , faz-se aquele "enfeitinho" nas bordas e põe para assar - os primeiros 15 minutos em fogo alto ( 180) e os restantes , em torno de 45 min, em fogo baixo. Fica uma delícia. Adorei a visita a Pauline. O segundo evento foi um almoço em Bloomington, no que resta da Escola Militar onde Ronald foi aluno interno durante quatro anos de sua adolescência. Funciona, nesse lugar , um centro comunitário, com muitos eventos voltados à terceira idade. Tem um parque lindo e uma escultura fantástica, colocada ali pelos ex-alunos com o objetivo de manter a memória do lugar. Foi distribuída uma publicação dirigida aos ex-alunos, com a listagem dos que se inscreveram para a festividade deste ano e , no final
, a lista dos que morreram após o último encontro , há dois anos. A concretude da transitoriedade me abalou muito. Ronald está entre os mais jovens - ainda bem - sempre temo o único estado civil que eu não ainda não experimentei!
As igrejas aqui constituem o ponto de encontro de muitas pessoas e talvez a referência maior de amizade, convívio e solidariedade. Penso em escrever sobre isso. Amanhã cedo, viajaremos para Michigan. Ficaremos por lá alguns dias. Espero fazer boas fotos . Sei que a região é linda. Estou curiosa.
"Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto.."
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto.."
Fernando Pessoa
terça-feira, setembro 15, 2009
Labor Day em Pana
Gosto de Pana porque vive aqui , numa casa histórica , minha amiga-irmã Eni ( http://www.panaillinois.com/mansion.htm ). É uma cidade com pouco mais de seis mil habitantes.
No desfile comemorativo ao Dia do Trabalho, dia sete de setembro, estima-se , no entanto, que mais de dez mil pessoas assistiram a ele ou dele participaram. Escolas e bandas vieram de cidades vizinhas para desfilar em Pana. Desfilaram , além de escolas e bandas locais, fazendeiros, comerciantes, profissionais liberais, gr
upos da terceira idade ( ou seria quarta?) , funcionários públicos, famílias, misses, rainhas, partidos políticos e igrejas. Muitos carros alegóricos ou caminhões vinham com essas rainhas ou misses sentadas sobre fardos de feno - esta é uma região realmente rural. Os muitos carros antigos me encantaram - como me encantaram a perfeição das demonstrações de ginástica rítmica e olímpica. Ao longo do trajeto, pessoas que levaram cadeiras, ficaram ali muitas horas , participando, ativamente, da festa. Todos os que desfilaram, distribuíram doces e brindes para os assistentes. Meus amigos juntaram, para levar a uma instituição de caridade, duas sacolas de itens diversos,como: caramelos, chocolates, lixas de unha, escovas de dente, chicletes, pirulitos e outras coisas mais. O desfile teve características de uma festa popular, com um único momento so
lene: quando passaram dois carros do exército, os assistentes todos levantaram e aplaudiram demoradamente. Particularidade da região, pensei eu.
Também em Pana, visitei a Feira Anual de produtos agrícolas principalmente. A novidade de que mais gostei foram os concursos. Muitos e dirigidos às famílias: arranjos de flores naturais , artificiais e silvestres; artesanato divididos em categorias diversas; doces, bolos e pães caseiros; produtos de horta e pomar; costuras, pinturas, esculturas e fotografias. No conjunto , mais de cinq
uenta categorias. Prêmios em dinheiro. Prêmios pequenos : 20, 10 , 5 dólares, mas um incentivo grande à participação.
Bem que se poderiam fazer concursos semelhantes em Alegrete ou Rosário do Sul. Pensando nisso, reuni materiais informativos e fiz fotos dessa parte da Feira.
Agora, preciso descobrir para quem faço essa proposta.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Chicago II
É fácil mover-se em Chicago. Muitos dos lugares que eu selecionara para visitar , estavam concentrados no centro da cidade , no "Loop " ( assim chamado por ser um circuito que volta ao mesmo lugar) ou na Magnificente Mile, perto de onde eu estava hospedada.
Fazer um sightseeing é uma boa opção para a primeira visita a qualquer cidade grande ou cidade com muitas atrações. A vista panorâmica dá a possibilidade de fazer bel
as fotos. As informações dadas ajudam na compreensão do que se vê.
Fazer um sightseeing é uma boa opção para a primeira visita a qualquer cidade grande ou cidade com muitas atrações. A vista panorâmica dá a possibilidade de fazer bel
Só a arquitetura dessa cidade já vale a visita. Chicago, no entanto, oferece muito mais. O Field Museum é fantástico. Imenso! Uma parte dele oferece informações sobre a água no mundo, detalhando , ainda, movimento, tratamento e distribuição dela em Illinois. Interessante também a parte dedicada aos piratas - um documentário sem os encantos e os exageros da ficção sobre o tema. Claro que fui ver a parte dedicada aos índios americanos, especialmente a cultura material de grupos diversos. Precisa-se de, no mínimo, dois dias para ver o Field Museum. Perto dele, está o
Aquário, que não tive interesse em ver porque conheço o de Atlanta, que dizem ser maior e mais bonito.
Também é interessante passar algumas horas no Navy Pier. Ao ser construído, em 1916, era o maior parque do mundo. Usado como centro de treinamento na Segunda Guerra, foi reaberto em 1995. Não chega a ser estupendo, mas oferece uma linda vista do Lago Michigan. Perto do Navy Pier, está o Museu das Crianças , um centro de atividades voltado para a família. O Museu da Ciência e da Indústria me fez lembrar muito os apaixonados por informática. Jogos interativos fantásticos. Inspiração advinda dos videogames. Experimentei pilotar um carro de corrida. Gastei, logo de início, todas as minhas "vidas". Ron fez dez vezes mais pontos do que deu. Pago mico, mas nao morro curiosa! Go
stei da parte dos meios de transporte: carros antigos, locomotivas, navios , aviões...e uma fantástica maquete da região com trens em funcionamento.Há tanto o que contar, mas estou com preguiça!
Como amo papéis, não posso finalizar sem referir às livrarias. Só ali, eu poderias ficar alguns dias! Duas visitas a Chicago mostraram-se insuficientes. É mesmo uma bela cidade.
Também é interessante passar algumas horas no Navy Pier. Ao ser construído, em 1916, era o maior parque do mundo. Usado como centro de treinamento na Segunda Guerra, foi reaberto em 1995. Não chega a ser estupendo, mas oferece uma linda vista do Lago Michigan. Perto do Navy Pier, está o Museu das Crianças , um centro de atividades voltado para a família. O Museu da Ciência e da Indústria me fez lembrar muito os apaixonados por informática. Jogos interativos fantásticos. Inspiração advinda dos videogames. Experimentei pilotar um carro de corrida. Gastei, logo de início, todas as minhas "vidas". Ron fez dez vezes mais pontos do que deu. Pago mico, mas nao morro curiosa! Go
Como amo papéis, não posso finalizar sem referir às livrarias. Só ali, eu poderias ficar alguns dias! Duas visitas a Chicago mostraram-se insuficientes. É mesmo uma bela cidade.
quarta-feira, setembro 02, 2009
Chicago I
Chicago ( Illinois ) é atualmente a terceira maior cidade dos Estados Unidos. Estende-se por quase 50 km ao Sudoeste do Lago Michigam. Injustamente, sempre relacionei Chicago a Al Capone e nada mais. Depois, ouvi de Patati e Gugu referências muito elogiosas a essa cidade. Como sempre faço, depois de saber que ia conhecê-la, procurei ler bastante sobre ela.
Foi a primeira vez que viajei de trem nos USA. De Champain , que tem seu nome grafado asssim mesmo, a Chicago, são 2h30min. Com trens bons, eficientes, baratos, mas com poucos turistas e sem o charme das estações e dos trens europeus. chega-se próximo ao centro da cidade - sem o transto
rno de procurar estacionamento.
Hospedei-me no "Comfort Suites" , hotel com excelente relação custo/benefício e localizado na avenida principal , há uma quadra do consulado brasileiro ( GM.IL352@choicehoteis.com).
A cidade impressiona, já à primeira vista, pela arquitetura arrojada e pelos edifícios altíssimos. Vai-se, então, descobrindo por que Chicago é famosa como centro de inovação arquitetônica. Ali convivem estilos diversos - de elementos greco-romanos às grandes criações da "Escola de Chicago". Penso que Téssia e Brenner iriam gostar muito daqui.
A cid
ade sofreu um incêndio devastador em 1871. Um grupo de arquitetos remodelou-a posteriormente. Uma das partes mais afetadas pelo incêndio é onde está hoje a Avenida Michigan com seu trecho mais elegante, a Magnificent Mile. Nesse trecho, encontram-se muitos nomes conhecidos internacionalmente: Guess, Armani, Zara, Coach, Banana Republic e tantos outros. Numa parte dele, parece que se está em Milano, centro de moda, tantos pelas grifes quanto pelos preços altos.
É uma cidade bonita, clara, bem ajardinada, com parques e museus fantásticos, seja pela grandiosidade seja, pelo acervo, como é o caso
Museu das Comunicações, bastante enfocado na história do rádio, o que me fez lembrar muito da minha amiga Aurea, assim como a Tribuna de Chicago me fez lembrar a Rosana.
Na próxima semana, voltarei a Chicago. Desta vez, quero ver o Instituto de Artes.
PS. Nesta última foto, uma passarela que me faltou coragem para encarar.
sexta-feira, agosto 28, 2009
Retorno a Illinois
Levantei cedo. Banho,café,última revisão de bagagens e documentos, choro – parece-me que chorar ao despedir-se de filho é instituição materna – hora de partir.
Valéria me leva até a estação do MARTA. Ao entrar no trem , um pequeno acidente : enfio uma unha do pé no canto da mala. Dói , sangra e me faz esquecer todos os problemas existenciais. Choro de dor. O trajeto até o aeroporto é longo. Vem a calma e até a vontade de rir. Relembro outros tantos desastres , todos oriundos da minha patetice e lerdeza.
Chegada tranquila ao aeroporto. Eu havia feito check in na noite anterior e pago os quinze dólares pela única mala que eu levava. Tudo ok até pesarem minha mala. Passara três quilos do limite. Eu deveria pagar, por esse excesso, noventa dólares. Decidi retirar a mala e tentar diminuir esses miseráveis três quilos . Retirei da mala dois livros, uma bolsa e um sapato. A mala foi pesada novamente. O excesso agora era de 800 gramas. Retirei vidros de vitaminas e uma echarpe. Agora sim: peso exato. Mala despachada.
Começava outro problema: que fazer com todo o “excesso”?
Eu passaria a carregar duas bolsas muito cheias . E a bolsa de viagem, que já estava estourando , recebeu um “reforço”. A saída era jogar fora algumas coisas. Talvez o belíssimo livro , em inglês, sobre o Brasil , que eu comprara na FNAC, em Porto Alegre, como presente para Kevin e esposa? Não! Talvez a embalagem com um pedaço de bolo ( supergostoso) , que Valéria, tão gentilmente, mandara para Ron? Decididamente não! Talvez um sapato meu ( além de novo , custou caro).
Também não! Computador? Câmera? Acessórios eletrônicos? Perfumes? Presentes? Nem pensar! Resolvi carregar tudo!Levar presentes ainda é o meu mais concreto ato de amor. A passagem pela segurança foi um vexame. Precisei de cinco recipientes para acomodar o que passaria pelo RAIO X. E aguentei , com cara de idiota, o evidente desagrado dos que vinham depois de mim. Ultrapassada essa fase, sentei e tentei reorganizar minha superbagagem de mão e reunir forças para carregá-la.
O obstáculo seguinte foi uma escada rolante que me levou ao trem interno. Entrar no trem não foi fácil. Descer idem! Outra escada rolante e entrei no terminal C – portão 52! Longe esse portão. Precisei de três “paradas técnicas”. Quebrei uma unha da mão. Rebentei a correntinha protetora que Ronald me dera para eu viajar ,em razão dos muitos acidentes aéreos. Machuquei um dedo. Pensei comprar uma mala pequena com rodinhas – só não o fiz porque me lembrei das tantas outras vezes que fizera o mesmo e da coleção de malas que disso resultara. Encarei!
Valéria me leva até a estação do MARTA. Ao entrar no trem , um pequeno acidente : enfio uma unha do pé no canto da mala. Dói , sangra e me faz esquecer todos os problemas existenciais. Choro de dor. O trajeto até o aeroporto é longo. Vem a calma e até a vontade de rir. Relembro outros tantos desastres , todos oriundos da minha patetice e lerdeza.
Chegada tranquila ao aeroporto. Eu havia feito check in na noite anterior e pago os quinze dólares pela única mala que eu levava. Tudo ok até pesarem minha mala. Passara três quilos do limite. Eu deveria pagar, por esse excesso, noventa dólares. Decidi retirar a mala e tentar diminuir esses miseráveis três quilos . Retirei da mala dois livros, uma bolsa e um sapato. A mala foi pesada novamente. O excesso agora era de 800 gramas. Retirei vidros de vitaminas e uma echarpe. Agora sim: peso exato. Mala despachada.
Começava outro problema: que fazer com todo o “excesso”?
Eu passaria a carregar duas bolsas muito cheias . E a bolsa de viagem, que já estava estourando , recebeu um “reforço”. A saída era jogar fora algumas coisas. Talvez o belíssimo livro , em inglês, sobre o Brasil , que eu comprara na FNAC, em Porto Alegre, como presente para Kevin e esposa? Não! Talvez a embalagem com um pedaço de bolo ( supergostoso) , que Valéria, tão gentilmente, mandara para Ron? Decididamente não! Talvez um sapato meu ( além de novo , custou caro).
Também não! Computador? Câmera? Acessórios eletrônicos? Perfumes? Presentes? Nem pensar! Resolvi carregar tudo!Levar presentes ainda é o meu mais concreto ato de amor. A passagem pela segurança foi um vexame. Precisei de cinco recipientes para acomodar o que passaria pelo RAIO X. E aguentei , com cara de idiota, o evidente desagrado dos que vinham depois de mim. Ultrapassada essa fase, sentei e tentei reorganizar minha superbagagem de mão e reunir forças para carregá-la.
O obstáculo seguinte foi uma escada rolante que me levou ao trem interno. Entrar no trem não foi fácil. Descer idem! Outra escada rolante e entrei no terminal C – portão 52! Longe esse portão. Precisei de três “paradas técnicas”. Quebrei uma unha da mão. Rebentei a correntinha protetora que Ronald me dera para eu viajar ,em razão dos muitos acidentes aéreos. Machuquei um dedo. Pensei comprar uma mala pequena com rodinhas – só não o fiz porque me lembrei das tantas outras vezes que fizera o mesmo e da coleção de malas que disso resultara. Encarei!
Enfim, cheguei sã e salva ao portão de embarque. Agora é só entrar e sair do avião em Bloomington, onde me espera Ron.
Várias vezes eu ri, em meio a todas as dificuldades, porque veio, de algum cantinho da minha memória, um “versinho”que uma tia minha costumava cantar , ao final da história triste de uma moça que desejava muito casar e , pagando uma promessa, enfrentava o frio e a chuva. Era assim:
“Dorme corpinho arrenegado
Hoje tu estás com frio
Amanhã , tu estás casado”.
Quando eu voltar – e nas minhas próximas viagens – Ronald estará comigo.
Várias vezes eu ri, em meio a todas as dificuldades, porque veio, de algum cantinho da minha memória, um “versinho”que uma tia minha costumava cantar , ao final da história triste de uma moça que desejava muito casar e , pagando uma promessa, enfrentava o frio e a chuva. Era assim:
“Dorme corpinho arrenegado
Hoje tu estás com frio
Amanhã , tu estás casado”.
Quando eu voltar – e nas minhas próximas viagens – Ronald estará comigo.
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