Lembro-me, por exemplo, que foi Pithan quem, há mais de 30 anos, ensinou-me a fazer arroz soltinho: uma medida de arroz para cada duas medidas de água. Assim o faço até hoje. Eroni Carus me ensinou a fazer uma sopa deliciosa de cenoura e fígado de frango. Rolando, meu irmão por escolha, foi meu grande mestre: ele sabe cozinhar com perfeição e o faz com alegria.
Ada Emeri fez minha iniciação à legítima cozinha italiana, mais tarde complementada por Lidia - ela faz um risoto ao forno, com vinho branco, fantástico - por Franco e Carmela , com quem aprendi a fazer massas ótimas e por muitos outros amigos de diferentes regiões da Itália. Sônia , Cleusa e Ronaldo me ensinaram a fazer muitos pratos da comida árabe. Com a Kritika, vivenciei o uso de especiarias indianas e fiz um fantástico arroz com tamarindo . Aprendi, com Luís e Raquel, pratos divinos com fígado e uísque! Doces eu não sei fazer - mas sei admirar quem o faz bem. Ninguém faz uma torta Marta Rocha como Amélia Benetti; uma ambrosia como Maria Antônia ; uma torta de coco queimado como Edmea e uma torta de maçã como Regina Veríssimo. E Edmara faz um bolo delicioso - e não é de "caixinha"como os que eu faço.Inesquecíveis!
Meus filhos sabem cozinhar. Sou orgulhosa disso. Fico triste quando escuto alguém dizer que não sabe fazer nem arroz! Houve um tempo que essa era uma declaração de riqueza: sinal de que a família tivera sempre empregadas para cozinhar. Entendo-a hoje como uma declaração de dependência - uma pessoa que não sabe sequer preparar seu próprio alimento.
Ronald, mesmo depois que estávamos casados, repetia seu pedido de casamento quando eu fazia sopa de feijão branco ou risoto de vegetais, que ficam excelentes. Faz pouco, Valéria me ensinou uma salada de frango com amendoas torradas ou nozes, cujo segredo está no curry e na mostarda que se agregam à maionese. Engorda, eu sei. "Tudo o que é bom ( ...) engorda!" Mas vocês já foram convidados para uma alfaçada? Se bem que se pode descobrir o prazer de comer um belo prato de vegetais crus. Ultimamente, sirvo, nas saladas, couve-flor e brócolis crus, bem picadinhos.
Lembro de um filme dinamarquês, produzido nos anos 80, intitulado Festa de Babette, que enfocava a fé , o amor e o prazer de produzir e servir alimentos. Belíssimo. Não sou uma Babette, não sou uma Marietinha, não sou um Rolandinho.
Estou, entretanto, tentando ser uma cozinheira melhor do que sou. Rubem Alves escreveu : quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos". Sou, por ora, um parente distante.






