sexta-feira, junho 05, 2009

Illinois


Gosto da "Terra de Lincoln", como Illinois é chamado. Fora Chicago, é um Estado predominantemente rural. É bonito viajar por suas estradas vicinais, ladeadas por terras com grandes plantaçoes ou preparadas para plantar. Encantam-me , sobretudo, o verde das árvores frondosas que me fazem pensar que, na Bela União, temos apenas arbustos. Vivo em Pana, pequena cidade perto de Springfield, onde vou seguidamente e onde tem um parque grande e belíssimo e um bairro com casas fantásticas e jardins enormes. Estou bem aqui. Sinto-me em casa.

quinta-feira, junho 04, 2009

Que assim seja!



Um dia, quando eu era muito jovem, acreditei na instituição casamento. União estável . Senso de família. Presença amorosa. Projetos comuns. Partilha cotidiana. Ética nas relações. Generosidade e gentileza nos sentimentos.

Um dia , já faz muito tempo, eu deixei de acreditar na instituição casamento. Perda sucessiva de referenciais de lealdade e afeto. Sensação de morte. Ruptura sofrida. Revolta dolorida. Vazio. Solidão aceita.

Superadas as duas fases, assumi minha solteirice. Liberdade total. Autonomia total. Solidão idem - autonomia e solidão se aproximam sempre. Maturidade bem amadurecida. Relacionamentos , ainda que efêmeros, fantásticos por si mesmos ou pela aprendizagem aportada. Embora sendo um riquíssimo período de vida, desejei modificar esse percurso. Não queria mais estar sozinha no café da manhã ou nas manhãs da vida. Milan Kundera escreveu algo semelhante a mais importante do que dormir junto é acordar junto. Eu desejava afeto e companheirismo.

Um dia, portanto, voltei a acreditar na instituição casamento - para toda a vida, considerando que esta minha vida já não será longa, ainda que eu supere as estatísticas oficiais. Desta vez, especial atenção à gentileza dos sentimentos e à fidelidade dos atos e das palavras. Projetos de -simplesmente - viver bem. Resgate do desejo de uma vida compartilhada com ânimo e encantamento. Tudo pronto. Estou feliz.
”Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, e sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.” Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 27, 2009

Casamento em Paxton



Gosto de assistir a rituais em diferentes culturas. Casamentos, então, eu amo de paixão. É o meu ritual preferido. Sorte minha que fomos convidados para um casamento em Paxton, Illinois, no dia 23 deste mês,numa fazenda superbonita.


De Pana a Paxton, leva-se duas horas de carro. Paisagem linda. Plana. Terra preparada em alguns lugares. Muitas plantações em outros.


Quando chegamos no lugar indicado para estacionar, avistei , há uns trezentos metros, no meio de um campo plano e limpo, um espaço bem organizado, todo branco, com decorações nas cores verde e lilás e com cadeiras para umas cem pessoas.


Percebi , depois, que essas duas cores eram usadas em toda a festa, incluindo toalhas, pratos, copos, enfeites, doces e roupas das madrinhas - as duas com belos vestidos iguais! O verde era a cor escolhida pelo noivo; o lilás, escolhido pela noiva.


O tempo estava de chuva...eu rezava para que nao chovesse, pois o lugar era aberto. Lembrava-me do medo de fazer festas na Bela União e cair uma chuva imprevisível. Sorte de todos que não choveu até o final da festa.


Distribuiram-se roteiros aos convidados com a indicaçao de musicas, textos biblicos, nomes de padrinhos, avós e pais e , ainda, sequencia da cerimonia.


A cerimonia foi precedida da entrada solene dos familiares - avos paternos, avos maternos e pais. Depois as madrinhas, com seus buques de de flores. Por ultimo, duas criancas lindas que jogavam petalas de rosa no trajeto que a noiva devia fazer. O noivo entrou acompanhado dos dois padrinhos. A noiva entrou com o pai. Em todos os momentos, musicas de Johann Sebastian Back. Seleção comovente das músicas.


O ato religioso, muito semelhante ao ritual catolico, foi oficiado por um Pastor da Christian Church, igreja dos noivos e da maioria dos convidados. Os cumprimentos aos recém-casados foram feitos organizadamente, a partir da primeira fila, onde estavam os parentes com mais idade. Quando foram cumprimentados pela ultima fila de convidados , eles sairam pela entrada principal, onde todos os convidados os esperavam , cada um com dois baloes, um verde e outro lilas, que, soltos, formaram um belo conjunto, voando pelo espaco.


Na frente da fazenda, sob um toldo branco, as mesas onde foi servido o jantar - `as 18h ! Uma variedade grande carnes e varias saladas de maionese, faziam-me lembrar o Rio Grande do Sul. Havia também salsichas e hamburgs de diferentes tipos. Comi um pouquinho de cada uma dessas variedades para conhecer a cultura alimentar local. Experimentei tudo. Os doces e o bolo dos noivos eram brancos , enfeitados com verde e lilas, muito diferentes dos doces do Brasil. Deixei passar.


Por ser a única desconhecida e porque Ronald é muito querido pelas pessoas de Paxton, eu recebi, o tempo todo, olhares e gentilezas - muitas gentilezas mesmo.


Nas mesas, havia pacotes de confeitos de chocolates - cobertos com as cores verde e lilás - é claro! e pacotes de sementes de flor , como lembranças para os convidados. Os rótulos das garrafas de água mineral traziam a assinatura visual ( lembrei-me da Fabianinha, a designer da familia) dos noivos e muitos textos amorosos e biblicos.


Eu gostei mesmo foi das sementes de flores - flores do campo, como convem a um casamento de fazenda. Levarei para plantar na Bela União os pacotes meu e de Ronald.


Impressionou-me a simplicidade e a fineza da cerimonia e da recepcao. Impressionou-me, mais ainda, a acolhida que tive das pessoas. Gente é como a gente, nao importa muito a lingua, a cultura, o lugar do Planeta.

segunda-feira, maio 25, 2009

Noticias



Estou em Pana , Illinois. Estou bem feliz e com muitas novidades para contar. Durante esta semana, postarei novos textos e fotos. Assisti, em Paxton, a um casamento numa fazenda. Bela festa. Vai ser o tema de meu próximo texto.

domingo, maio 17, 2009

Atlanta

Sinto um pouco de preguiça de escrever sobre Atlanta. Para mim , é apenas a cidade onde moram meu filho, minha nora e meu neto. E isso me basta e me faz feliz.
Com mais de cinco milhões de habitantes, é a principal cidade da Georgia e tem o Aeroporto Internacional Hartsfield - Jackson , o mais movimentado do mundo em número de passageiros. É mais conhecida , entretanto, como a Cidade da Coca-Cola, da CNN - canal que transmite jornalismo durante as 24 horas do dia , de Martin Luther King Jr. - herói do movimento negro, e palco de "E o Vento Levou ", filme famoso protagonizado por Vivien Leigh e Clark Gable em 1939.

Sediou as Olimpíadas de 1996. Nunca as esquecerei porque moravam, nesse ano, aqui, dois dos meus filhos e houve um atentado em meio a um show, que eu sabia que eles estariam presentes. Eu estava no aeroporto de Palmas, nas ilhas Canárias, quando vi as imagens e pensei ter reconhecido a perna estraçalhada de um dos meus meninos. Telefonei imediatamente a eles, que estavam felizmente já em casa, pois haviam saído do show pouco antes da explosão da bomba. Que susto!
Atlanta é conhecida também como a pior cidade para pedestres - para mim ela faz prisioneiros àqueles que não têm carro - possui, todavia, bairro lindos, como este, onde mora meu filho, todo ele dentro de um bosque, com árvores imensas e casas ajardinadas.




Possui um sistema de transportes públicos urbano chamado MARTA (Metropolitan Atlanta Rapid Transit Authority)que, a meu ver , não dá liberdade de movimento aos moradores de toda a cidade.
Sendo uma grande cidade americana, está piena de imensos shoppings e bons restaurantes. Fomos ontem a um restaurante japonês fantástico ( http://www.norinori.com/ ) com um buffet que devia ter duas centenas de pratos, incluindo entradas, saladas, sushis, sashimis e sobremesas. E considerem que comida japonesa e chinesa não estão entre as minhas preferências - mas esse é realmente muito bom.
Participo cotidiana e entusiasticamente do que parece ser - apesar da recessão - o esporte preferido de muitos americanos: ir às compras! Preços convenientes e variedade de artigos encantam-me. Mássimo se comporta muito bem, enquanto Valéria e eu passeamos entre as novidades e as tantas coisas que me fazem lembrar pessoas amadas . Comprei , por exemplo, um vestido para a pequena Isadora, minha sobrinha-neta e um blusão para o Pedro, meu neto.
Daqui a dois dias , descerei em Bloomington e permanecerei na região dos lagos, durante três semanas. Estou bem, em paz, apesar desta alergia típica de primavera que me abate um pouco.
"Exceto nas coisas intelectuais, onde cheguei a conclusões que tenho como firmes, mudo de opinião dez vezes por dia; só tenho juízo assentado a respeito de coisas em que não haja possibilidade de emoção." Fernando Pessoa

quinta-feira, maio 14, 2009

De lá para cá...

De Fortaleza a Atlanta, são 8h30min de viagem pela Delta Airlines. Vôo direto. Parte - se às 9h40min. Para mim , foi difícil a saída:chorei muito por antecipadas saudades de Gugu e Adriana .
A viagem foi bastante agradável com muitos filmes bons que se pode escolher entre outras tantas atrações oferecidas. O melhor que eu vi , foi Milk, um filme, delicado e comovente, sobre um ativista homossexual da Califórnia, magnificamente interpretado por Sean Penn.
Patati me esperava naquele imenso aeroporto de Atlanta, que sempre me inquieta apesar de conhecê-lo bem. Hoje acordei ótima e saí com Valéria e Massimo. Fomos , inicialmente, a um espaço grande onde se pode encontrar absolutamente tudo para jardins e pomares - por pouco não saio com mudas, sementes e ferramentas para Bela União. Senti saudades de lá. Fomos , depois, a três outros "paraísos"de compras. Preços ótimos. Coisas lindas. Eu, resistente! Tenho ainda muito tempo antes de voltar.

terça-feira, maio 12, 2009

Ciao, Fortaleza!










































Muito agradável e tranquila minha semana em Fortaleza. Gugu passeou bastante comigo e convidou amigos para almoçar no domingo, Dia das Mães. Adriana e eu cozinhamos e fizemos belas sobremesas. Minha contribuição foi um arroz carreteiro, muito elogiado pelos convidados. Conheci , no almoço, três encantadoras meninas, duas do Rio Grande do Sul, Márcia e Marisa, e uma de Minas Gerais. A mineira Juliana, inteligente e gentil, é amiga de Gugu há muitos anos. Eles foram contemporâneos na AIESEC. Não consegui ver Beto, Fernanda e Robertinho. Penso que estavam viajando. Uma peninha. Senti saudades de Edmara, cearense que vive no Texas, a quem eu chamo carinhosamente de Caçula. Fui visitar Anajar, minha amiga-irmã da Bahia, um exemplo de dedicação, competência e integridade. Almoçamos, Gugu e eu, com ela e com as meninas que fazem ali sua formaçao religiosa .                                                                                                                                                                                           
















Um alegre convívio com pessoas muito generosas. Com a Anajar, faltou tempo; sobrou conversa. Ela prometeu, entretanto, visitar-me no Sul. Visitei também Lélia, Superiora da Congregação das Filhas do Coração de Maria em Fortaleza. Rememoramos, com emoção, nosso convívio de muitos anos e nossas amigas e amigos em comum, na Bahia.
Comprei, no CEART, peças lindas do artesanato local para levar aos parentes e amigos em Atlanta e em Illinois. Saio em paz daqui. Adriana e Gugu foram bastante amorosos comigo - e eu os encontro muito bem. Rezo para que continuem assim.
Outra vez, mala arrumada, eu pronta para partir. Farei amanhã Fortaleza/Atlanta , saindo às 9h40min e chegando às 17h20min - horários locais. Saio já sentindo saudades. Pensei, agora, num conhecido texto de Charles Chaplin:

"Durante a nossa vida,
Conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que, vêm e passam.
Existem aquelas que,
Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar."

sábado, maio 09, 2009

Nem sempre...mas agora...destino?


Fortaleza: Painel de Ademir Martins

"Hoje de manhã, saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte,
varria para um lado,
E segui o caminho
para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
e assim quero que possa ser sempre
— Vou onde o vento me leva
e não me sinto pensar."
Fernando Pessoa

sexta-feira, maio 08, 2009

Fortaleza: visitando meu filho



















Da Bela União, vim com Alda e Pedro para Porto Alegre, onde fiquei um dia e visitei Zeli e Ary. Gosto do convívio com minha família. Cheguei cedo no aeroporto. Ali me esperavam Krithika e Rayne, o bebezinho mais tranquilo que conheci. Kri e eu conversamos muito, sobre assuntos vários, incluindo novos planos de viagem para a Ásia.














Gugu e Adriana me esperavam no aeroporto de Fortaleza. A partir daí, já fiz muitas coisas nesta cidade. Fui a uma nutricionista. Comprei pequenos presentes, aproveitando que o artesanato cearense é bonito e custa pouco. Passeei pelo Centro Histórico, visitando a Ponte dos Ingleses, o Centro Cultural Dragão do Mar e o Mercado Central. Encantei-me com a Catedral Metropolitana , gótico-romana, belíssima, a terceira maior do Brasil. Comi bons pratos de peixe e camarão. Senti calor...muito calor - e lembrei que esse foi o principal motivo que me afastou da Bahia e me fez retornar ao Sul. O Brasil é realmente um país com muita diversidade e beleza.

sexta-feira, maio 01, 2009

Brasil/USA - partindo!

Denver - US

Mala, mochila e bolsa revisadas e arrumadas. Bagagem um pouco maior do que usualmente carrego. Gosto de bagagem mínima; desta vez, entretanto, tornou-se imprescindível aumentá-la. Calor em Fortaleza, verão nos Estados Unidos. Quando eu retornar, no início de julho, será frio aqui - logo terei de portar alguma roupa de inverno. 


USA


Em Paxton, irei a um casamento numa fazenda - levo um modelito mais elaborado para essa festa. Comprarei um par de tênis em Atlanta, pois os meus ficaram, velhinhos e aposentados, na Bela União. Continuo usando só quatro cores para facilitar as combinações. Coloridos só os lenços e echarpes, que ocupam pouco espaço. 


USA - Paxton

Mas um bom espaço da mala está ocupado com cuias, bombas e erva-mate - encomendas dos gaúchos desgarrados. Desisti do charque e do arroz ( e do vinagre de maçã Rossoni para o Gugu) , que eu devia levar e transformar em carreteiro autêntico, daqueles que têm gosto do Rio Grande. Outra vez eu levo! Este meu roteiro deverá  tornar-se frequente.



USA