sexta-feira, maio 08, 2009

Fortaleza: visitando meu filho



















Da Bela União, vim com Alda e Pedro para Porto Alegre, onde fiquei um dia e visitei Zeli e Ary. Gosto do convívio com minha família. Cheguei cedo no aeroporto. Ali me esperavam Krithika e Rayne, o bebezinho mais tranquilo que conheci. Kri e eu conversamos muito, sobre assuntos vários, incluindo novos planos de viagem para a Ásia.














Gugu e Adriana me esperavam no aeroporto de Fortaleza. A partir daí, já fiz muitas coisas nesta cidade. Fui a uma nutricionista. Comprei pequenos presentes, aproveitando que o artesanato cearense é bonito e custa pouco. Passeei pelo Centro Histórico, visitando a Ponte dos Ingleses, o Centro Cultural Dragão do Mar e o Mercado Central. Encantei-me com a Catedral Metropolitana , gótico-romana, belíssima, a terceira maior do Brasil. Comi bons pratos de peixe e camarão. Senti calor...muito calor - e lembrei que esse foi o principal motivo que me afastou da Bahia e me fez retornar ao Sul. O Brasil é realmente um país com muita diversidade e beleza.

sexta-feira, maio 01, 2009

Brasil/USA - partindo!

Denver - US

Mala, mochila e bolsa revisadas e arrumadas. Bagagem um pouco maior do que usualmente carrego. Gosto de bagagem mínima; desta vez, entretanto, tornou-se imprescindível aumentá-la. Calor em Fortaleza, verão nos Estados Unidos. Quando eu retornar, no início de julho, será frio aqui - logo terei de portar alguma roupa de inverno. 


USA


Em Paxton, irei a um casamento numa fazenda - levo um modelito mais elaborado para essa festa. Comprarei um par de tênis em Atlanta, pois os meus ficaram, velhinhos e aposentados, na Bela União. Continuo usando só quatro cores para facilitar as combinações. Coloridos só os lenços e echarpes, que ocupam pouco espaço. 


USA - Paxton

Mas um bom espaço da mala está ocupado com cuias, bombas e erva-mate - encomendas dos gaúchos desgarrados. Desisti do charque e do arroz ( e do vinagre de maçã Rossoni para o Gugu) , que eu devia levar e transformar em carreteiro autêntico, daqueles que têm gosto do Rio Grande. Outra vez eu levo! Este meu roteiro deverá  tornar-se frequente.



USA

sexta-feira, abril 24, 2009

Susan Boyle

Recebi de Ronaldo, meu querido amigo, a indicação de http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk . Já havia lido notícias sobre a performance da cantora escocesa, transformada, de imediato, em famosa, principalmente pela internet, após sua apresentação no reality show Britain's Got Talent, em Glasgow. Confio nas informações e escolhas do Ronaldo, por isso fui ao youtube conferir. Emocionou-me muito a canção e a simplicidade de Susan Boyle. A canção, do musical Os Miseráveis, tem uma letra linda e ela, uma voz fantástica. Além de contribuir com a arte, cantando magnificamente, Susan contribuiu com o debate sobre contradições e sofrimentos gerados por uma cultura obcecado pela aparência. Contribuiu , ainda, para divulgar o texto belíssimo de "Sonhei um sonho".
"Sonhei um sonho
num tempo já acabado,
quando a esperança era grande
e viver valia a pena.
Sonhei que o amor
nunca morreria.
Sonhei que Deus perdoaria.

Eu era, então, jovem e destemido
e sonhos eram feitos,
e usados e desperdiçados.
Não havia resgate a pagar,
nenhuma música sem cantar,
nenhum vinho a saborear.

Mas os tigres vêm à noite,
com suas vozes suaves
como trovão.
Eles despedaçam suas esperanças,
e transformam seu sonho em vergonha.

E ainda assim
eu sonhei que ele viria para mim,
que viveríamos os anos juntos.
Mas existem sonhos
que não se realizam
e tempestades imprevisíveis.

Eu tive um sonho
que minha vida seria
Tão diferente deste inferno
em que estou vivendo,
tão diferente do que parecia.
Agora a vida matou o sonho
que eu sonhei ."

sexta-feira, abril 17, 2009

Pedro e eu





Pedro é filho da minha filha Fabiana. Tem 9 anos. É sensível, esperto e criança. Uma criança bem informada, atualizada ...mas uma criança. Talvez aí resida seu maior encanto. Gosto muito de conversar com ele. Amoroso, muito inteligente e bem educado. Um belo menino. Está visitando nossa Bela União. Como é curioso e observador, está atento a tudo que o rodeia. Brinca bastante com Gonçalo, filho de Ígor, meu sobrinho.
Encontrou os Legos da Infância de Gugu - encantou-se com os modelos antigos desse brinquedo. Sentiu falta dos bonecos e das armas, lamentavelmente os bonecos heróis e as armas agressivas de hoje. Vejo no Pedro de hoje a infância de sua mãe e de seus tios, a infância da Fabianinha e do Fernando, a passagem expressa da minha vida. Envelheço. Para não envelhecer, entretanto, só morrendo cedo . Deus me livre (bati na madeira três vezes). Estou muito bem aqui. Tenho saúde, amor à vida, ânsia de conhecimento e , o que é mais importante, senso de humor, pois, como escreveu Ludwig Wittgenstein:
Humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo.

quinta-feira, abril 16, 2009

"A vida é assim..."


Há vinte dias, retornei à Bela União dos meus antepassados. Surgiram alguns problemas. Faltou água - seca terrível. Choveu. Faltou luz. Consertaram. Tive enxaqueca - três dias com dor-de-cabeça. Passou tudo felizmente.
Trabalho muito quando estou aqui. Rotineiramente, trabalho muito.Limpar, varrer, cozinhar, lavar, regar plantas, cuidar de jardim, colher frutas, dar comida para cachorros, gatos, patos e galinhas são atividades de todos os dias, atividades dessas que , como dizia minha mãe, a gente faz,faz, faz e , no fim do dia, parece que não fez nada. Só está cansada.Penso muito e escrevo pouco. Leio e estudo. Durmo cedo e acordo cedo também. Recebo algumas visitas, como a de Luís Carlos, meu primo , e Ely, sua mãe, pessoas tão agradáveis e gentis. Sei notícias de familiares e amigos através da internet. Olho cada flor que desabrocha. Reconheço a história de cada árvore. Relembro pessoas que por aqui passaram.
Poucos fatos me tiram dessa rotina. Renovei a CNH. Estive em Santa Maria muito rapidamente. Fui jantar e almoçar com Daudt e Maria, meus amigos-irmãos. Encontrei, no almoço, amigos queridos: Adalberto e Vera, Luís Antônio e Téssia, Hugo e Carmem, Márcio, Simone, Suzana, Afrânio. Lamentei não encontrar outros tantos amigos, mas precisava voltar logo.
Nos fins-de-semana, estou com Mile, meu irmão, e Igor, Lílian, Gonçalo e Isadora, meus sobrinhos . Convívio pleno e agradável.
Sinto saudades de meus filhos, principalmente da infância deles. Sinto saudade do que poderia ter sido e não foi. Vivo um período de nostalgia e de recolhimento – talvez mudança de rota, fechamento de ciclo ou o viver simplesmente.
Bem....vou arrumar a minha mala. As passagens já estão compradas.
"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e
depois afrouxa, aquieta e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

João Guimarães Rosa

terça-feira, abril 07, 2009

Recordações

"Momento imperceptível,
Que coisa foste, que há
Já em mim qualquer coisa
Que nunca passará?
Sei que, passados anos,
O que isto é lembrarei,
Sem saber já o que era,
Que até já o não sei.
Mas, nada só que fosse,
Fica dele um ficar

Que será suave ainda

Quando eu o não lembrar."Fernando Pessoa

Mi dispiace...!





Temos água na Bela União. Choveu 60 milímetros. Chuva forte , em alguns momentos , com granizo e ventania. E o vento fez alguns postes caírem e ficamos sem eletricidade, durante dois dias - e sem internet , é claro. Nada demais comparado com a situação de Abruzzo. Leio , com profunda tristeza, sobre o terremoto na Itália. Sei que minhas pessoas queridas, que vivem naquele país, nada sofreram diretamente. Todos nós, entretanto, sofremos com a perda e a dor de tantas pessoas e a destruição de lugares históricos. Coragem e solidariedade é o que podemos desejar e oferecer nesta hora.

sexta-feira, abril 03, 2009

O sertão nosso destes dias





















Faz já algumas semanas que não chove aqui, na Bela União. Terminou o março sem as "águas de março". As plantas mostram sinais evidentes de sofrimento - déficit hídrico, diria o Afrânio. Os gramados trocam o verde-vivo por um cinza-triste. Os campos começam a perder vitalidade e a escurecer. À noite, faz frio; durante o dia, calor. Lembro-me do sertão da Bahia - e recordo as dificuldades das gentes daquele lugar. Ontem fui à cidade buscar água potável para uso doméstico. Minha primeira leitura da manhã é a previsão do tempo, que não nos acena com chuvas para os próximos dias. Olho o céu azul - azul, sem nuvens, e a desesperança ofusca a beleza. Mas um dia vai chover, pois, como dizia "seu" Armando, desde que o mundo é mundo sempre choveu. Precisa-se de paciência.




















"Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio
para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida."

Fernando Pessoa

quinta-feira, março 26, 2009

Bela União

"Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver."

Fernando Pessoa

" Não me perguntes onde fica..."




















Estou em Alegrete, desde ontem. Tudo me é familiar. Vivi quase vinte anos nesta cidade. Sou do tempo em que o pão era deixado, ainda quentinho, na janela da minha casa e que o leite era entregue, na porta, pelo leiteiro. Meus filhos são alegretenses. Minha vida profissional foi iniciada aqui. Revejo alguns amigos , colegas e ex - alunos. Relembro outros amigos, presentes hoje na minha memória e saudade. Recordo muitas histórias, umas dramáticas, outras divertidas. Percorro ruas conhecidas - e lamento apenas a arquitetura alterada das antigas casas. Gosto das praças, do rio, das árvores frondosas. Gosto das lembranças que tenho daqui , gosto, por isso , do que escreveu José Bicca Larré:
"...Alegrete, patrimônio histórico há muito tombado nos anais da minha saudade e definitivamente catalogado entre os meus afetos! "