domingo, dezembro 14, 2008

Feliz 2009!


Chandigard - India
 "E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta. E nada que se pareça com isso devia ser o sentido da vida..."
Fernando Pessoa

Desejo-lhes que 2009 seja um ano de descobertas especiais e maravilhosamente inesquecíveis.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

"São Longuinho,São Longuinho..."

Estou irritada comigo. Vivo perdendo coisas. E não é sintoma de envelhecimento : sempre fui assim, distraída.
Quando criança, na fazenda, saíamos a cavalo. Eu sempre seguia outro rumo ou me afastava das outras crianças ou me perdia. Minha justificativa era sempre a mesma: eu estava pensando!
Panelas e chaleiras esquecidas no fogo, janelas e portas abertas, compras em duplicata, troca de nomes, foram fatos normais na minha vida. Quando a Rosana estava grávida do Daniel, fui a um congresso em Fortaleza e comprei para ela dois vestidos. Ao abrir os pacotes, verificamos que eram absolutamente iguais. Outra vez , passei uma temporada de praia chamando o marido de uma amiga pelo nome do ex-marido dela - e me sentia injustiçada porque o homem parecia não gostar de mim.
Entre meus alunos, circulavam muitas histórias sobre minhas distrações. Uma vez estacionei o carro e fui dar aulas. Ao término delas, depois de muito procurar o carro, concluí que havia sido roubado. Ainda bem que, antes que eu avisasse a polícia do suposto roubo, um colega me lembrou que eu o havia deixado na frente de outro prédio.
Não lembro de esquecimentos relacionados a compromissos de trabalho. De lazer, sim. Esqueci-me muitas vezes. Aos meus alunos, eu costuma avisar da minha incapacidade de aprender seus nomes - compensada pela capacidade de identificar -lhes a letra e o estilo textual mesmo depois de muitos anos.
Escrevo sobre isso tentando convencer-me de que não estou com esclerose agora. Fui sempre assim.
Hoje, consultei até o "Santo Google" sobre objetos perdidos. Fiz, então, todas as "simpatias" e rezas ensinadas ali. Desta vez, está sendo dificil porque, além de mim, outras pessoas (Alda, Zeli, Mile, Igor e Lilian) estão me ajudando na procura de um documento valioso: meu passaporte. Faz uma semana que o procuramos. Eu estava certa que o colocara na mala que uso para viajar. Já desfiz essa mala três vezes sem resultado. Nada. E preciso do passaporte. Preciso de visto para o Egito - e o prazo está no limite. Sinto-me cansada e desanimada. Mas continuo procurando.
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PS. Achei o passaporte. Estava na mala onde, por três vezes, eu o procurara.
Agora é pagar as promessas. Começo com os três pulinhos, prometidos a São Longuinho...

sábado, dezembro 06, 2008

" É Natal, é Natal...."

Dezembro chega, Natal já é. Fico sensível demais neste mês. Qualquer dim-dom-dom me faz pensar em familiares e amigos distantes, em festas passadas, em momentos inesquecíveis. Casa de Torres, meus filhos em diferentes idades, meus irmãos , meus sobrinhos, empregados, amigos, preparação da ceia, escolha de presentes, surpresas boas - um desfile de lembranças natalinas. Festa de Natal na Bela União , Papai Noel ( sempre a Zeli) chegando a cavalo, vindo do mato próximo, com malas de presente na garupa. Festa de Natal , quando conheci o Ron, na belíssima casa da Nica, em Illinois, com muita neve, muita gente e lindos pacotes. Festa de Natal no apto em Santa Maria, batizado do Pedro, meus filhos e muitos amigos, numa noite clara e bonita. Poucos dos meus Natais foram tristes - eu lembro particularmente de três - marcados por solidão, perdas ou traições. Não quero esquecê-los porque me ajudam no contraste com outros maravilhosos.
Fico, por isso, desde agora , querendo para todos um Natal com alegria e paz, amigos sinceros, família próxima, lembranças boas e ...muito ânimo e encantamento.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Sobre morar e mover-se

Transito entre Rosário e Alegrete como se nunca tivesse saído dessas duas cidades. Gosto delas. Há um quê de familiar em cada rua. Nenhuma surpresa depois da esquina. Gosto de cidades pequenas. Queria que o desenvolvimento das cidades não as fizessem maiores, apenas melhorassem a qualidade de vida de seus moradores. Gosto mais ainda de morar "pra fora". Observo em muitos países a tendência do retorno ao campo ou da troca da cidade pelo campo. Isso me encanta. A consciência das estações, no meio rural, amplia a dimensão do tempo. Penso que o campo é o melhor lugar para a gente envelhecer. Eu só precisava mesmo de um aeroporto mais perto. Aí seria a perfeição!
"Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida."
Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 27, 2008

Atentado em Bombay (Mumbai)





















Não tenho vínculos fortes com passado. O presente me encanta. O futuro é uma aventura . Faço projetos porque preciso reservar passagens com antecedência e ler sobre os lugares que desejo conhecer. No mais, aguardo as surpresas. Sobrevivi ao herpes zoster! Estou na Bela União e estou bem - de saúde e de ânimo.   Se bem que hoje amanheci “ preocupada com o mundo”!                                                                   



















Tudo porque li ontem sobre os atentados em Mumbai, cidade de que aprendi a gostar. No ano passado, estive lá durante uma semana, hospedada bem próximo do Café Leopold . Este ano voltei ao mesmo café, tão tradicional e sempre cheio de turistas. Leio que foi um dos alvos atingidos e que está em chamas. Entrei , duas vezes, no Hotel Taj Mahal, para olhar suas luxuosas lojas internas - o hotel onde eu estava hospedada certamente custava um décimo do preço cobrado pelo Taj. Impressionou-me a facilidade com que a gente circulava naquele ambiente tão bonito. Leio que foi o cenário de muitas mortes e que também está em chamas. 


Foto retirada do Yahoo

























Conheço todos os outros lugares atingidos. Recordo-os perfeitamente. Postarei aqui uma foto que fiz do Hotel e outra (panorâmica) da vista que eu tinha este ano, hospedada na casa dos pais da Krithika, numa zona nobre de Mumbai , de onde eu podia ver a proximidade entre arranha-céus e favelas, na capital financeira do País.O atentado, assumido por um grupo desconhecido, composto, segundo testemunhas, por jovens, entre 20 e 25 anos, parece estar vinculado às lutas, entre militantes islâmicos e extremistas hindus.

 




















Há lutas também entre paquistaneses e hindus , pelas terras da Caxemira, Estado que eu queria muito conhecer , mas tenho medo – e me basta o medo que passei na fronteira da Índia com o Paquistão.Pena tudo isso, tantas mortes, tantas perdas. A felicidade não é um estado individual. Ficar-se-ia melhor num mundo de harmonia e de bem estar-social.

sábado, novembro 22, 2008

Tudo passa...mas até passar...


Retornarei, amanhã, para Bela União. Sinto, ainda, dores fortes, principalmente na mão. É fogo esse herpes zoster - não é sem motivo que , em italiano , tem a denominação de " fuoco di Sant Antonio" . Nenhuma dor - física - me fez chorar tanto. E não sou " chorona"! Muitas vezes, durante a noite, acordo chorando. Dói. Queima. Debilita. Estressa. A frustração de não ter viajado para visitar Gugu e Patati é grande. Estou muito fragilizada, mas grata às pessoas - família e amigos - que, de diferentes formas, amenizaram e amenizam este momento difícil. Quando tudo passar, é certo que valorizarei, ainda mais, o fato de estar bem.

" O maior medo do navegador é o de não poder partir." Amyr Klink

segunda-feira, novembro 17, 2008

A " coisa furiosa'


Frederico, meu sobrinho, após pesquisar herpes zoster , telefonou para minha irmã e disse:

- Tia Aldema está com uma coisa furiosa!

Pedro, meu neto, sonhou que eu me escondia embaixo da cama dele, fugindo de um zumbi que queria me passar uma infecção das braba.

Quando penso no que sofri - e ainda estou sofrendo - com esse herpes zoster , dou razão a Frederico e Pedro : é uma coisa furiosa e das braba!

Meu ânimo melhorou muito com o fim-de-semana que passei em Torres. Cheguei faz pouco de lá. Dias lindos. Mar bonito. Clima de verão. Convivência maravilhosa com minhas irmãs - Alda e Zeli - e com meu cunhado - Ary. Melhorei mesmo!

terça-feira, novembro 11, 2008

Tudo passa!

Já estou razoavelmente bem. Sobrevivi ao herpes zoster - vírus infame esse!
Tenho ainda marcas feias na mão e no braço e dores fortes que vão até o ombro. Meu ânimo, entretanto, melhorou muito. Passei 15 longos e difíceis dias , sentindo-me bastante fragilizada . Tive os cuidados da minha irmã Zeli e do meu cunhado Ary. Eles foram pacientes e atentos comigo o tempo todo. Foi um período duro que me fez repensar atitudes e procedimentos.
Hoje eu deveria estar viajando para Atlanta. Paciência. Projeto adiado!

quarta-feira, novembro 05, 2008

Notícias

Amanheci assim...recordando um poema que, na minha adolescência , em Rosário do Sul, era um charme discutir a autoria e a essência dele. Deve ser do tempo da minha varicela, cujo vírus voltou agora e me trouxe esta dor tão doída e constante.
" Estou doente,
doente dos olhos, da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres perfeitas,
da boca que disse poemas em brasa,
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente,
estou em repouso,
não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras.
Eu quero a doçura do verbo viver." 

domingo, novembro 02, 2008

Obrigada!

Amanheci melhor, ainda com dificuldade de mover mão e braço esquerdos, mas quase sem aquela terrível e constante dor ! É uma dádiva da natureza a rapidez com que supero eventuais problemas.
Foi muito bom receber tantas mensagens e telefonemas. Nas horas de fragilidade , isso conta ainda mais.
"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
Mario Quintana