quinta-feira, abril 17, 2008

Ávila e Segovia





 















Detesto programas de grupo, em viagem, e muito raramente os faço. Mas eu queria muito visitar Ávila e Segóvia e havia um pacote, de um dia inteiro, que levava a essas duas cidades. Em Ávila, cidade que eu não conhecia, suportei bem o programa; em Segóvia , que conheço muito bem e é minha cidade preferida na Espanha, abandonei-o de início. Foi muito interessante a viagem de ida, principalmente a travessia da Serra de Guadarrama , com a passagem por um túnel de três quilômetros de extensão e que corta parte dessa serra.





















Ávila é bonita pelos dois quilômetros e meio de muralhas - muito bem conservadas - que a circundam. Pareceu-me muito própria para turismo religioso, onde impera Santa Teresa de Ávila, a primeira mulher declarada doutora pela Igreja ( a segunda foi Santa Catarina de Siena). Ela fundou , junto com um amigo, depois Santo , a Ordem das Carmelitas Descalças. Bonita também a Igreja de São Vicente, nascido na região e que foi santificado junto com mais uma irmã e um irmão ( santidade familiar!)





















Gosto mesmo é de Segóvia. Situada a 80 km de Madrid (noroeste)é toda ela imponente e interessante. Tem o Aqüeduto, erguido no século I pelos romanos para transportar água das montanhas. Sem cimento, pedra sobre pedra, tem 118 arcos e funcionou até o Século 19. Um senhor italiano olhava o Aqüeduto e se orgulhava da inscrição ali existente de que era preferível construir algo útil e grandioso como o Aqüeduto do que Pirâmides que não serviam para nada...Questão de foco. Tem a Catedral - a Dama de las Catedrales -uma das últimas igrejas góticas espanholas, construída em 1525, no lugar de uma antiga que fora destruída em 1511. Fotografia nenhum faz jus à beleza dessa Catedral e do Alcazar de Segóvia, que fica no alto de um morro rochoso , com uma vista de impressionante beleza. Há informações sobre Ávila e Segóvia em muitos sites. E eu estou com preguiça de escrever.



























Saí de Madrid cedo e certamente meio dormindo... pensei que a temperatura estava em torno de 20 graus, como no dia anterior. Que nada! Estava 7 graus! E eu de sandália e sem abrigo para frio e chuva. Em Ávila, comprei , por 2 euros, uma capa plástica, de um verde-horroroso e umas meias brancas, que usei com as sandálias pretas ! De longe se via que não era "vanguarda"- era fiasco mesmo. Nessa hora, eu pensava na minha irmã Zeli, que me disse uma vez, quando saí a passear com a calça do pijama: " sairá e voltará...e nada te acontecerá." Passou-me o frio, e nada me aconteceu. Como de costume, pedi para turistas japoneses (são gentis e sabem fotografar) fazerem essas fotos de mim, registrando, assim , o modelito.

quarta-feira, abril 16, 2008

Madrid







Pela primeira vez, saí chorando do Brasil. Queria que Cibele, Zeli e Ary estivessem comigo - projeto adiado até o Ary ficar bem de saúde.

Como estava triste, sobrecarreguei os fatos, tornando-os mais pesados.


Urso-Símbolo de Madrid
 Briguei com a VARIG porque não me fizeram up grad para a classe executiva. Consegui apenas o bloqueio do lugar ao meu lado - o que me possibilitou viajar deitada, dormindo.O avião parecia o "buracal", ônibus que faz o interior de Rosário. Não tinha nem audio, nem video. Houve fortes turbulências várias vezes. Só faltaram oferecer barras de cereais!
 Mas importa que cheguei bem! No aeroporto , perguntei o preço do táxi até a Gran Via, onde estou hospedada : 35 euros! Optei, apesar do cansaço, por um ônibus : 1 euro! Aproveitei o resto do dia para caminhar por Madrid. Dormi depois durante 12 horas. Acordei bem hoje. Consegui conectar o notebook, dar e saber notícias de casa. Tracei Madrid durante o dia todo. Comprei um relógio despertador e um relógio de pulso no El Corte Inglés. Assim , situada no tempo, sinto-me instrumentalizada para uma longa viagem. Ignorando Mcdonalds e Starbucks vizinhos, descobri um café muito madrileño, que tem comida boa , preços acessíveis e gente local. Sinto-me em casa agora. Amanhã, passarei o dia em Ávila. Assim que localizar o cabo da máquina fotográfica, postarei fotos. A lembrança e a saudade das pessoas que amo , acompanham-me sempre. A beleza dos lugares intensifica minha sensibilidade.

segunda-feira, abril 14, 2008

" Navegar é preciso..."

Viajo hoje para Madri.
Véspera de viajar, eu ainda sonho que chego atrasada no aeroporto, que esqueço a passagem, ou perco a mala! Acordo insegura. Reviso documentos, horários e vôos. Acabei de acordar e fazer tudo isso. A pior parte de qualquer viagem, entretanto, já foi feita : Alegrete / Porto Alegre. Como é longe e cansativo esse trecho! É o tributo que pago por viver na Bela União. Mas vale a pena.

terça-feira, abril 08, 2008

"Lá vou eu..." Outra vez!



Atlanta / São Paulo / Porto Alegre / Alegrete / Bela União. Estou em Porto Alegre - por cansaço e por vontade de visitar minha irmã e meu cunhado. O cansaço se justifica pelo tamanho do aeroporto de Atlanta, pelos meticulosos procedimentos da polícia americana antes do embarque, por 10 horas de vôo, por 5 horas de espera em São Paulo, pelo vôo até POA. A vontade de visitar minha irmã e meu cunhado se justifica pelo imenso carinho que tenho por eles. Agora, vem o mais difícil : a viagem de ônibus até Alegrete.

sábado, abril 05, 2008

Visita a meu filho



Sempre conversei muito com Patati. E sinto falta disso. Falamos sobre temas que vão da família à economia internacional. De bebê, ele já evidenciava uma linguagem precisa e limpa. Cresceu, assim como meus outros filhos, com muita informação e leitura. Quando saiu de casa, veio trabalhar no exterior, onde , por razões de trabalho, percorreu países e culturas diversas. Tem intimidade com a China e acompanha este Novo Colonialismo desde o consumo de asas de frango até o pernil de primeira qualidade. Já trabalhou com países da Europa. Hoje trabalha com o México. Gosto de ouvi-lo sobre os meandros do mundo dos negócios na área de alimentos. Deu-me informações preciosas sobre a produção de combustíveis alternativos à base de milho e a repercussão disso na produção e no preço dos alimentos - assunto de que se ocupa agora na conclusão do mestrado. Visitei a empresa onde ele trabalha. Encantaram - me os seus colegas. Encontrei José, pessoa querida, baiano que viveu no mundo mas mantém laços com sua cidade de origem. Conheci outro menino, gaúcho de São Sebastião do Caí, simpático, com cara de boa gente. Adorei um libanês, que tem olhos vivos de quem decifra muito bem as pessoas. Gostei de ouvir as colegas referirem que Patati é como um irmão ou como um filho. Ali trabalham russos, holandeses, americanos, grecos, franceses, chineses, italianos, brasileiros. A empresa propala que seu maior patrimônio vai para a casa todos os dias! Foi bom ver essa parte do cotidiano de meu filho.
Visitei o Aquarium da Georgia - o maior aquário do mundo. Extraordinário. Belíssimo. Fiz muitas fotografias.
Senti-me bastante bem em casa e nos muitos passeios que fiz, tanto com a Valéria quanto com o Patati. Retornarei ao Brasil amanhã. Segunda-feira, pretendo fazer São Paulo/Porto Alegre/Alegrete!

sexta-feira, abril 04, 2008

Visita à Atlanta











Tenho uma relação de proximidade com Atlanta, especialmente com o bairro onde vive meu filho . Não havia ainda , entretanto, encontrado essa cidade tão florida e bonita como neste início de primavera. Belissima! Diferentes nuances da cor rosa contrastam com o vermelho escuro de algumas árvores e o verde-jovem das folhas de outras. Majestosamente, destacam-se imensas árvores cobertas de flores brancas, tendo a seus pés azaléias multicoloridas. Gosto também do estilo das casas, que, de há muito, me são familiares através do cinema. Mas realmente não foi a beleza de Atlanta que me trouxe aqui. Vim para conhecer meu neto, Massimo, filho de Patati e Valéria. É um menino adorável - bonito, simpático, alegre, esperto. Quando o vejo, recordo intensamente cada idade do meu filho e cada um dos meus filhos. Crescem rápido nossas crianças. E partem. Precisam partir! Deixam lembranças lindas que , mais tarde, amenizam a saudade .

sábado, março 29, 2008

" Lá vou eu...."


Não é uma graça este pequeno por quem eu viajo depois de amanhã?
Darei notícias.Farei fotografias. Contarei as novidades.Logo, logo.

terça-feira, março 25, 2008

"Semana Santa"


Tento viver , aqui na Bela União, a Semana Santa da minha infância. Busco os ingredientes para fazer a comida que minha mãe fazia na sexta-feira : abóbora, mogango, mandioca, feijão verde, bacalhau ou outro peixe e arroz com passas de pêssego. Bacalhau é a lembrança mais distante que tenho. Penso que era meu pai que o trazia da cidade.
Cresci ouvindo que nao se podia varrer a casa, ligar o rádio, tirar leite das vacas, bater em animais, castigar crianças. Tudo isso ficava reservado para o sábado de aleluia. Eu devia ter uns sete anos quando, por julgar-me imune a qualquer castigo na sexta-feira santa, aproveitei para chamar uma tia de " solteirona malvada e louca" . Minha tia chorou. Minha mãe me deu umas chineladas. Creio que foi essa a minha primeira constatação das contradições entre o discurso e a prática, porque não a esqueci - mas não lembro de ter ficado com raiva ou triste.

Sempre íamos colher macela ( ou marcela, como dizíamos). Caminhávamos pelos morros e peraus à procura dessa flor medicinal ,tão perfumada e bonita. Acreditávamos que, quanto mais amarela ela fosse, mais curativa seria. Recordo uma vez que encontramos uma cobra coral longe uns 500 metros de casa. Jogamos pedras nela. Nós a machucamos , mas não a matamos. No dia seguinte, para nosso pavor, a cobra machucada apareceu junto à porta da nossa cozinha. Tenho medo de cobras e , sobre elas, aprendi muitas histórias, tanto aqui na Bela União, quanto nas áreas indígenas onde trabalhei. No Pantanal do Mato Grosso do Sul, fiz alguns trabalhos em escolas indígenas juntos com as Irmãs Lauritas, uma congregação da Colombia, que só trabalhava com índios. Havia uma crença entre elas de que uma irmã dessa Congregação jamais seria picada por uma serpente. Tratava-se de um pacto. Ali , eu andava tranqüila. Minha mãe dizia também que, quando se andava em fila, a cobra só picava a partir da terceira pessoa. A primeira a despertava, a segunda fazia com que ela armasse o bote, a terceira já podia ser a atingida. Na Amazônia, quando eu saía com meus companheiros de trabalho, eu sempre colocava , como primeiro da fila , um índio que sabia rezar para espantar cobras. Eu ia logo depois dele, porque minha habilidade de escapar era bem menor.

Nesta Semana Santa de 2008 ( só teremos outra, no mês de março, daqui a 220 anos!), seguimos os rituais tradicionais ainda possíveis. Alda, minha irmã, foi ao campo buscar macelas; os trabalhos com animais só foram realizados no sábado, exatamente quando fiz a primeira foto. Comi muito chocolate no sábado e no domingo. Ocorreu-me, agora, que eu nunca amei um cafajeste, mas que a minha relação com chocolate deve assemelhar-se a isso. Por algumas horas de prazer, tenho depois muitas horas de dor-de-cabeça e alergia.
Uma parte da família estava aqui: Gugu, Alda, Mile e eu. Sentimos a falta da Zeli e do Ary. Recebemos uma bela visita da Rosana e do Mário. Ficamos em paz. Conversamos muito. Relembramos fatos. Fizemos alguns projetos, comprar um trator por exemplo - pois, como diz Ferreira Gullar, " caminhos não há, mas os pés na grama os inventarão."
Eu ganhei de um amigo, José Carlos Gorski, Luna, a border collie linda que aparece na segunda foto.Fiquei agradecida e feliz!
Vou agora arrumar minha mochila. Viajarei ainda nesta semana. Darei notícias!
" O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

quinta-feira, março 13, 2008

" Antes tarde..."

Fotografei esta flor de tuna , tão agreste e tão feminina, para, no Dia Internacional da Mulher, oferecê-la às minhas amigas.
Esqueci de postá-la. Talvez eu tenha resistência aos dias de /do/da... Quero mesmo é justiça e alegria de viver para todas as pessoas, independente de datas especiais, de gênero, de raças, de etnias...
Entretanto, através de Cristina Wernz, menina linda que foi minha aluna, reencontro o poema de Adélia Prado e decido oferecê-los , poema e flor, às amigas - mulheres que vivem dupla jornada, jornada intensa, busca de jornadas novas ou de compreensão de jornadas velhas , muitas vezes com " cansaço histórico " , mas, ainda assim, com ânimo e encantamento!
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou:vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou."
In Adélia Prado, Poesia Reunida Siciliano, São Paulo, 1991.

quarta-feira, março 05, 2008

Em casa!


Faz três dias que retornei da praia. Cibele, minha cunhada, e eu fizemos uma viagem ótima. Ela é boa companheira, é amiga, é verdadeiramente uma irmã que eu tenho.

Gosto da casa de Torres, tão impregnada das histórias de meus filhos e sobrinhos, tão marcada por dores e alegrias minhas, tão plena de recordações da família e dos amigos. Mas é aqui, na campanha, na Bela União da minha infância, que me sinto realmente em casa.
Cada árvore, uma história. Cada recanto, uma lembrança. Tudo tão natural e bonito. Benditos antepassados que nos legaram este lugar abençoado, como dizia minha mãe.