sábado, abril 05, 2008

Visita a meu filho



Sempre conversei muito com Patati. E sinto falta disso. Falamos sobre temas que vão da família à economia internacional. De bebê, ele já evidenciava uma linguagem precisa e limpa. Cresceu, assim como meus outros filhos, com muita informação e leitura. Quando saiu de casa, veio trabalhar no exterior, onde , por razões de trabalho, percorreu países e culturas diversas. Tem intimidade com a China e acompanha este Novo Colonialismo desde o consumo de asas de frango até o pernil de primeira qualidade. Já trabalhou com países da Europa. Hoje trabalha com o México. Gosto de ouvi-lo sobre os meandros do mundo dos negócios na área de alimentos. Deu-me informações preciosas sobre a produção de combustíveis alternativos à base de milho e a repercussão disso na produção e no preço dos alimentos - assunto de que se ocupa agora na conclusão do mestrado. Visitei a empresa onde ele trabalha. Encantaram - me os seus colegas. Encontrei José, pessoa querida, baiano que viveu no mundo mas mantém laços com sua cidade de origem. Conheci outro menino, gaúcho de São Sebastião do Caí, simpático, com cara de boa gente. Adorei um libanês, que tem olhos vivos de quem decifra muito bem as pessoas. Gostei de ouvir as colegas referirem que Patati é como um irmão ou como um filho. Ali trabalham russos, holandeses, americanos, grecos, franceses, chineses, italianos, brasileiros. A empresa propala que seu maior patrimônio vai para a casa todos os dias! Foi bom ver essa parte do cotidiano de meu filho.
Visitei o Aquarium da Georgia - o maior aquário do mundo. Extraordinário. Belíssimo. Fiz muitas fotografias.
Senti-me bastante bem em casa e nos muitos passeios que fiz, tanto com a Valéria quanto com o Patati. Retornarei ao Brasil amanhã. Segunda-feira, pretendo fazer São Paulo/Porto Alegre/Alegrete!

sexta-feira, abril 04, 2008

Visita à Atlanta











Tenho uma relação de proximidade com Atlanta, especialmente com o bairro onde vive meu filho . Não havia ainda , entretanto, encontrado essa cidade tão florida e bonita como neste início de primavera. Belissima! Diferentes nuances da cor rosa contrastam com o vermelho escuro de algumas árvores e o verde-jovem das folhas de outras. Majestosamente, destacam-se imensas árvores cobertas de flores brancas, tendo a seus pés azaléias multicoloridas. Gosto também do estilo das casas, que, de há muito, me são familiares através do cinema. Mas realmente não foi a beleza de Atlanta que me trouxe aqui. Vim para conhecer meu neto, Massimo, filho de Patati e Valéria. É um menino adorável - bonito, simpático, alegre, esperto. Quando o vejo, recordo intensamente cada idade do meu filho e cada um dos meus filhos. Crescem rápido nossas crianças. E partem. Precisam partir! Deixam lembranças lindas que , mais tarde, amenizam a saudade .

sábado, março 29, 2008

" Lá vou eu...."


Não é uma graça este pequeno por quem eu viajo depois de amanhã?
Darei notícias.Farei fotografias. Contarei as novidades.Logo, logo.

terça-feira, março 25, 2008

"Semana Santa"


Tento viver , aqui na Bela União, a Semana Santa da minha infância. Busco os ingredientes para fazer a comida que minha mãe fazia na sexta-feira : abóbora, mogango, mandioca, feijão verde, bacalhau ou outro peixe e arroz com passas de pêssego. Bacalhau é a lembrança mais distante que tenho. Penso que era meu pai que o trazia da cidade.
Cresci ouvindo que nao se podia varrer a casa, ligar o rádio, tirar leite das vacas, bater em animais, castigar crianças. Tudo isso ficava reservado para o sábado de aleluia. Eu devia ter uns sete anos quando, por julgar-me imune a qualquer castigo na sexta-feira santa, aproveitei para chamar uma tia de " solteirona malvada e louca" . Minha tia chorou. Minha mãe me deu umas chineladas. Creio que foi essa a minha primeira constatação das contradições entre o discurso e a prática, porque não a esqueci - mas não lembro de ter ficado com raiva ou triste.

Sempre íamos colher macela ( ou marcela, como dizíamos). Caminhávamos pelos morros e peraus à procura dessa flor medicinal ,tão perfumada e bonita. Acreditávamos que, quanto mais amarela ela fosse, mais curativa seria. Recordo uma vez que encontramos uma cobra coral longe uns 500 metros de casa. Jogamos pedras nela. Nós a machucamos , mas não a matamos. No dia seguinte, para nosso pavor, a cobra machucada apareceu junto à porta da nossa cozinha. Tenho medo de cobras e , sobre elas, aprendi muitas histórias, tanto aqui na Bela União, quanto nas áreas indígenas onde trabalhei. No Pantanal do Mato Grosso do Sul, fiz alguns trabalhos em escolas indígenas juntos com as Irmãs Lauritas, uma congregação da Colombia, que só trabalhava com índios. Havia uma crença entre elas de que uma irmã dessa Congregação jamais seria picada por uma serpente. Tratava-se de um pacto. Ali , eu andava tranqüila. Minha mãe dizia também que, quando se andava em fila, a cobra só picava a partir da terceira pessoa. A primeira a despertava, a segunda fazia com que ela armasse o bote, a terceira já podia ser a atingida. Na Amazônia, quando eu saía com meus companheiros de trabalho, eu sempre colocava , como primeiro da fila , um índio que sabia rezar para espantar cobras. Eu ia logo depois dele, porque minha habilidade de escapar era bem menor.

Nesta Semana Santa de 2008 ( só teremos outra, no mês de março, daqui a 220 anos!), seguimos os rituais tradicionais ainda possíveis. Alda, minha irmã, foi ao campo buscar macelas; os trabalhos com animais só foram realizados no sábado, exatamente quando fiz a primeira foto. Comi muito chocolate no sábado e no domingo. Ocorreu-me, agora, que eu nunca amei um cafajeste, mas que a minha relação com chocolate deve assemelhar-se a isso. Por algumas horas de prazer, tenho depois muitas horas de dor-de-cabeça e alergia.
Uma parte da família estava aqui: Gugu, Alda, Mile e eu. Sentimos a falta da Zeli e do Ary. Recebemos uma bela visita da Rosana e do Mário. Ficamos em paz. Conversamos muito. Relembramos fatos. Fizemos alguns projetos, comprar um trator por exemplo - pois, como diz Ferreira Gullar, " caminhos não há, mas os pés na grama os inventarão."
Eu ganhei de um amigo, José Carlos Gorski, Luna, a border collie linda que aparece na segunda foto.Fiquei agradecida e feliz!
Vou agora arrumar minha mochila. Viajarei ainda nesta semana. Darei notícias!
" O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

quinta-feira, março 13, 2008

" Antes tarde..."

Fotografei esta flor de tuna , tão agreste e tão feminina, para, no Dia Internacional da Mulher, oferecê-la às minhas amigas.
Esqueci de postá-la. Talvez eu tenha resistência aos dias de /do/da... Quero mesmo é justiça e alegria de viver para todas as pessoas, independente de datas especiais, de gênero, de raças, de etnias...
Entretanto, através de Cristina Wernz, menina linda que foi minha aluna, reencontro o poema de Adélia Prado e decido oferecê-los , poema e flor, às amigas - mulheres que vivem dupla jornada, jornada intensa, busca de jornadas novas ou de compreensão de jornadas velhas , muitas vezes com " cansaço histórico " , mas, ainda assim, com ânimo e encantamento!
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou:vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou."
In Adélia Prado, Poesia Reunida Siciliano, São Paulo, 1991.

quarta-feira, março 05, 2008

Em casa!


Faz três dias que retornei da praia. Cibele, minha cunhada, e eu fizemos uma viagem ótima. Ela é boa companheira, é amiga, é verdadeiramente uma irmã que eu tenho.

Gosto da casa de Torres, tão impregnada das histórias de meus filhos e sobrinhos, tão marcada por dores e alegrias minhas, tão plena de recordações da família e dos amigos. Mas é aqui, na campanha, na Bela União da minha infância, que me sinto realmente em casa.
Cada árvore, uma história. Cada recanto, uma lembrança. Tudo tão natural e bonito. Benditos antepassados que nos legaram este lugar abençoado, como dizia minha mãe.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Sobre movimentos e buscas


Logo, logo , deixarei Torres e voltarei a Bela União.

"Não quero rosas,
desde que haja rosas.
Quero-as só
quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite

senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria

Versos para dizer que inda o não sei."
..................................................................Fernando Pessoa

domingo, fevereiro 17, 2008

Sonho ou Projeto? 05

Ao retornar da Índia, certamente precisarei de um tempo tranqüilo para elaborar e sedimentar tudo o que vou aprender, ver e viver nesse País que não deixa ninguém indiferente: ou se ama ou se detesta. Eu amo as cores, os cheiros, os sabores, as formas, os sons da Índia; amo as pessoas indianas e os seus olhares intensos; amo suas ruas apinhadas de gente, seus trens superlotados, seus templos indescritíveis; amo a música, a religiosidade, a cultura desse País.
Mas, se vou precisar de um tempo tranqüilo ao retornar, vou precisar também de um lugar tranqüilo - e bonito, é claro. Já decidi: irei para Kosice, onde me sinto em casa e de onde posso me locomover para diversos países com facilidade. Encontrarei ali minha família, minhas roupas, meu tricô, meus espaços e meus afetos. E posso ainda não fazer nada. A Slovakia é o meu porto seguro.
"Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!"
Fernando Pessoa

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sonho ou Projeto? 04

Penso chegar à India por Delhi, de manhã - nunca chego à noite em qualquer cidade - e ficar três dias para rever lugares e ver o Forte Vermelho. Quando estive em Delhi não o visitei porque estava sendo preparado para receber um presidente de estado.
Gostaria de ir ao Rajasthan, pois , desse Estado, só conheço Jaipur e Ajmer. Queria muito conhecer Udaipur, aquela cidade que tem um hotel dentro de um lago, onde foi feito um filme do 007 - Octopussy. Se o calor não estiver insuportável, gostaria também de ir a Jaisalmer e Pushkar ( me faz falta um passeio de camelo pelo Deserto de Thar). Há uma viagem de trem , com duraçao de 8 dias, que percorre o Rajasthan - mas custa muito dinheiro. Irei de carro , que custa pouco e se pode parar onde tiver vontade.
Deverei retornar a Delhi para viajar na direção do Himalaya. Minha meta será a cidade de Dalhousie e a região de Chamba Valley. Partindo de Delhi, são 560 km. Em todas as viagens que fiz de carro na Índia, a média de velocidade nunca superou 3okm/h. Levarei, portanto, dois dias e meio para chegar ao Valley. Talvez atravessar primeiro o Estado de Hariana e entrar no Punjab , Estado mais rico da Índia, que faz fronteira com o Paquistão, e cuja capital é Amritsia, onde se encontra o Golden Temple, o principal templo Sick. Queria muito rever essa cidade e esse Templo. Irei , a seguir, de Amaritsia a Pathankot. Poderei encontrar, em Pathankot , Fabricio, Krithica, Raven e Raiz para irmos juntos a Dalhousie. Gostaria muito de viajar com eles - por saudade e pela companhia maravilhosa. De Pathankot a Dalhousie, são 80 km. Poderei permanecer uns 10 dias no Chamba Valley.
Depois, quero muito voltar a Dharmsala e ver meus amigos tibetanos. Será fácil, pois, de Dalhousie a Dharmsala, são 145 km. Uns dias ali, uma consulta com o médico tibetano , o mesmo que atende o Dalai-Lama, muitas caminhadas por Mac Load Ganj, uma visita a Bo e Sheila, um curso de massagem ou de cozinha, aulas de yoga no terraço do Green Hotel e...hora de voltar a Delhi e partir!
Seguramente , não terei tempo de ir a Puttaparthi ver Sai Baba, nem a Puno, no Centro de Osho. Ficará para outra vez.
A Índia é um país que se pode viajar com muito pouco dinheiro. Já me hospedei em hotéis limpos e agradáveis com diária de 20 dólares. Não procuro hotéis internacionais.Esses existem em toda parte. Neles nada se vê de diferente.O mesmo vale para os restaurantes. Quanto mais locais, mais informativos.
Na India, tudo custa pouco, até para nós!Mesmo assim, juro que não comprarei nada!
Ficará para outra vez também visitar Kashimir, Goa, Kerala e Chenay. Até sonho tem limite!
"A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios". Fernando Pessoa

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sonho ou Projeto? 03


Em algum momento , irei à Slovênia, país que conheço pouco e que tem uma bela diversidade de paisagem : rios , montanhas, lagos, florestas, planícies. Só estive lá uma vez. Fui a Ljubljana, a capital, e somente por três dias. Agora quero conhecer Bled. As fotografias que vi dessa cidade me encantaram. Ainda não sei se é mais fácil chegar a Bled indo pela Áustria ou por Veneza. Descobrirei logo.
Também quero ir a Krumlov, no Sul da República Checa, que é Patrimônio Histórico da Humanidade , desde 1922. Essa já descobri como chegar. Vai-se a Budejovice de trem ( até aí conheço bem). Depois, 40 minutos de ônibus. O povo Checo é supergentil. A língua é muito semelhante ao slovako. E eu sou apaixonada pela região.