sexta-feira, junho 01, 2007

Sempre saudades...







Sobre as fotos
- meu peh com apenas quatro tornozeleiras, mas vou ainda comprar mais e mais largas - como as mulheres indianas. Belissimas.

- Gugu e Fabricio , no Templo do Dalai Lama, autorizados que foram a fotografarem-se com essas senhoras que usavam roupas tipicas tibetanas. O aventalzinho listrado, juro que nao o uso!

- Mc Leod Ganj eh assim : monges em bando ( qual serah o coletivo?) por toda parte, todos os dias.

- Gugu e eu em Amritsar, num dos lugares que me emocionou mais que o Vaticano: o Golden Temple . Amritsia eh a cidade dos Sikhs, aqueles que usam um turbante com sete metros e meio de tecido. Lah, toquei na arvore sagrada e fiz um pedido - saude e paz para as pessoas que eu amo. Tocar e fazer pedido ... minha especialidade! Do seio de Julieta em Verona a pedras de altar em qualquer igreja ou templo...nunca se sabe!

- Essa ultima foto, ao acaso numa rua em Dehli, eh soh para mostrar a elegancia das mulheres indianas.

Aqui, 8h30min...no Brasil , meia-noite! Silvio me conta agora que o Mile foi para Bela Uniao...Me bateu uma saudade de casa...vivo com saudades! Saudades de espacos e afetos. E quando viajo, adiciono mais espacos, mais afetos e ... mais saudades: "alegria de ter tido, tristeza de nao mais ter...."Estou me preparando para sair de Mc Leod Ganj, onde " morei" durante vinte dias. Aqui eh Tibete ... apesar de ser India. Durante esse tempo, fiz Yoga, massagem, tratamento com medicos tibetanos e recuperei-me de uma crise de bronquite. Aprendi muito. Guardarei imagens do Himalaia na mente e no coracao.

Eu soh nao gostava mesmo de duas coisas: uma, a " assembleia " de cachorros na frente do hotel `a noite...algumas vezes mais de cinquenta, penso eu... ficavam horas latindo.Outra, as buzinas de carro.Buzinar aqui eh um ato de boas maneiras, um delicado aviso de que vou passar ou estou passando, com o qual ninguem se irrita. E buzinam o tempo todo. Nas estreitas estradas de montanha isso se torna necessario - um carro pode ter que esperar pelo outro...ou dar uma reh ou ficar quase no precipicio para o outro conseguir passar. Tudo, porem, com muita calma, sem stress. Buzina-se, portanto, sempre antes das curvas. Buzinam na cidade tambem. Aqui, em Mc Leod Ganj ou em Dharmsala, as ruas sao bem estreitas. Acontecem engarrafamentos de onibus, carros, riquixas, motos e gente...muita gente nesta epoca de temporada em montanha.A policia, a vizinhanca e os transeuntes ajudam a " desentalar" as maquinas. Imaginem encontrarem-se nessas ruas estreitas e sem calcadas , que soh daria mesmo para transitar um carro, dois onibus cheios de turistas , um indo , outro vindo....Gugu e eu ficamos um dia, durante quase uma hora, assistindo a uma cena dessas. Um divertimento a mais...e haja buzina!

Gugu estah em outra montanha fazendo curso de meditacao, durante dez dias. Eu devo sair terca daqui para Manali com Fabricio, Krithika e criancas. Visitaremos, ainda, umas cinco cidades, antes de chegar a Dehli, de onde partiremos de aviao para Bangalore. Daqui a exatamente dois meses, Gugu e eu retornaremos a Europa.







Por favor, escrevam, deem noticias! Se nao escreverem, eu nao toco e nem beijo arvore ou qualquer outra coisa, pedindo bencaos a voces. Beijos.
Mc Leod Ganj, 2 de junho de 2007.

domingo, maio 27, 2007

Essa...poderia ser dispensada!





















Comecou com rinite...tosse...febre... e lah estava eu passando mal...Na minha bagagem, gracas ao Pithan, um kit completo para esses sintomas. Mas, como sempre faco, uso meu Kit + a medicina local. Lembro-me agora de quantos chás, benzeduras, implastos e simpatias experimentei na Amazonia, no Pantanal e lah na minha casa tambem...Aqui, recorri `a medicina tibetana. O medico eh um senhor , seguramente com mais de noventa anos, que atende tambem ao Dalai Lama. Entrei na sala um pouco assustada. Fabricio e Gugu ficaram comigo. O medico sente o meu pulso, primeiro o esquerdo, depois o direito, olha-me atentamente e vai ditando, para o medico auxiliar, os medicamentos. Manda-me voltar na proxima semana, trazendo uma amostra da primeira urina do dia. A unica informacao sobre meu estado, jah a escutei de medicos ocidentais: devo emagrecer - e um dos medicamentos receitados, segundo ele, ajudarah nisso. Junto ao consultorio, uma farmacia com todos os medicamentos tibetanos em grandes recipientes rotulados e cheios de bolinhas, pouco maiores que uma ervilha! Preparam-me um tratamento para sete dias: quatro conjuntos de catorze bolinhas. Junto vem a instrucao que devem ser mastigados e engolidos com agua morna ou quente. Descubro que sao durissimos e alguns apimentados ou salgados. Descubro tambem - e compro logo - que existe um recipiente de metal especifico para triturar esses remedios( servirah depois para fazer caipirinha...porque eh igual ao que se usa no Brasil com essa finalidade). A consulta eh gratuita e pago pelos medicamentos o equivalente a cinco reais ( preco que pago tambem para duas refeicoes). Amanha eh meu dia de voltar lah.

Com o objetivo de nao ter mais esses chiliques alergicos e aproveitar bem minha temporada na montanha, estou fazendo ainda massagens ( tibetanas naturalmente) e Yoga. O professor de Yoga eh da Servia ( ex-Iugoslávia ), amigo do Gugu , que o conheceu em Varkala e que felizmente fala um pouco de italiano. Eh excelente. Depois da primeira aula, dormi doze horas.Estou muito bem agora. Sinto saudades da familia e dos amigos. O dia estah belissimo, sol lindo e temperatura agradavel. Mc Leod Ganj, 27 de maio de 2007.

quinta-feira, maio 24, 2007

Dharmkot - meu dia de Maharani






















Eh cedo. Sao 06h. Estou na varanda envidracada do amplo apartamento que ocupo num hotel de montanha, a 2200 m de altitude, no estado de Himachal Pradesh, em Dharamkot, " povoado" que fica depois de Daramshala e Mac Leod Ganj. O Hotel tem tres apartamentos para duas pessoas cada um. Eh dirigido por um casal: ela , inglesa; ele, irlandes. Estudo o mapa da India.Leio um guia turistico.Penso em muitas pessoas.
Sao 08h. Continuo na varanda...Neste angulo, vejo quatro montanhas. A primeira montanha com uma caracteristica que a torna mais bonita: nela ha centenas de " bandeirinhas" coloridas, que portam mantras, `a espera de que o vento espalhe as palavras nelas escritas...Ali, nessa montanha, foi cremado um riponche - e no local ha muitas cerimonias e visitas de monges budistas ( estou na parte tibetana da India jah faz 10 dias).























Logo depois dessa montanha, vejo duas outras muito verdes e mais uma imensa , totalmente coberta de neve. Tento reter detalhes dessas imagens - e agradeco por te-las visto um dia...Vou agora tomar banho. O banheiro eh tambem imenso, todo em marmore verde e com uma banheira circundada por paredes de vidro, por onde se pode continuar vendo outros angulos dessa parte do Himalaia.O hotel tem cinco empregados`a disposicao - minha...porque hoje sou a unica hospede. O cafe sera servido no jardim na hora em que eu pedir. Jantei aqui ontem.A comida eh deliciosa. Fizeram minha sopa preferida. Muitas frutas e chas logo depois. Cama com lencois de puro algodao branco; acolchoado e travesseiros de plumas - um luxo aqui.Dormi muito bem.Tratamento de Marani - soh faltou o Maraja... mas seria querer demais!

OBS. Preco da diaria? 50 dolares! E eu ainda ganhei a estada de presente do Fabricio e da Khritika! Postarei as fotos do hotel e da regiao quando conseguir uma lan house mais " esperta".

quinta-feira, maio 17, 2007

Para as mulheres...e os homens curiosos!








Pensava escrever hoje sobre Shimla, Amritsar ou Dharmsala - tao impressionantes! Pensei também escrever sobre o Rajasthan, por onde foz uma viagem incrível, visitando palácios e fortes magníficos e conhecendo cidades como Bikaner, Jaisalmer e Jaipur, a capital e  cenário de quase todas as fotos aqui postadas.





Ainda faco isso... ainda escrevo sobre essas cidades .... mas me deu vontade de escrever sobre " coisinhas" de cotidiano, que eu queria contar a Neneca, Zeli, Cibele, Alda, Fabiana ,Rosana, Carla, Maria, Odete ....e tanta gente mais! Vamos as "conversinhas"!






Roupas: num momento de lucidez, deixei minha mala em Bangalore e comprei uma mochila um pouco maior que a minha de estimacao. Sorte! viajar pela India com bagagem eh mais do que autopunicao...eh impossibilidade mesmo.






Como decorrencia, trouxe muito pouca roupa, um par de tenis, uma sandalia, duas bolsinhas - uma com remedios, outra com produtos de higiene pessoal- mais um mapa e um " i pod" ... Minha unica compra pessoal foi um lenco - belissimo - que uso para cobrir a cabeca e, assim, poder entrar em alguns templos , como o Templo de Amritsar ( seda pura, batik, imenso e me custou menos de 50 reais).





O estado das minhas roupas eh deploravel! Trocadas frequentemente, em temperaturas de ateh 47 graus, lavadas a mao e passadas a ferro com brasa, estao parecendo trapos de " usar lah fora". Nessas horas, olho as mulheres indianas e me impressiono com a beleza das roupas - como dizia o filho de uma amiga minha de Roraima: " tudo roupa de missa ou de casamento"!





Hoje foi meu limite:mandei-as para a lavanderia e estou usando, aqui na internet, meu pijama de dormir!Como estou em McLeod Ganj, onde se encontram pessoas dos mais diferentes paises, as roupas, desde que sejam " decentes", parecem todas " normais".






Uma amiga indiana me explicou que usar roupas discretas eh respeitar o marido e ser solidaria com as outras mulheres , porque , assim, nao andam "provocando" os maridos alheios! Ombros descobertos, nem pensar! coisa de fotografia da Playboy.





Sapatos: de chegada, rebentei uma sandalia. Enquanto olhava as pinturas do teto de um palacio, em Jaipur, pateta como sou, nao vi um buraco no piso... torci o peh e me " esparramei " no chao...fui socorrida pelo Gugu e por um indiano - um indiano tao bonito que eu levantei rapidamente com a maior classe...ainda que me remoendo de dor. Lembrei-me depois de uma amiga que, ao ser assaltada, o bandido perguntou-lhe a idade... Ao contar essa historia, ela costuma finalizar dizendo: mesmo em pânico, me lembrei de diminuir dez anos!!!E eu , mesmo com dor, disse que nao se passara nada!





Pes e maos: um drama quando a gente viaja, nao eh mesmo? Principalmente aqui, quando precisamos andar descalcas frequentemente. Manicure e pedicure sempre foram presencas importantes na minha vida. E conheci muitas. Uma vez, em Ponta Pora, bem na fronteira com o Paraguai, eu tinha pes e maos tao horriveis, que entrei num salao daqueles que a gente pensa " vou sair com as unhas limpas, mas com alguma doenca contagiosa", e me " entreguei" para uma " profissional". Imediatamente, ela fez um diagnostico e uma prescricao de arrepiar: disse-me que eu estava com uma bacteria nos pes...e que deveria deixa-los de molho em QBOA bem morna por, ao menos, meia hora...




Ontem, em Mcleod Ganj, Fabricio, seguindo a indicacao de uma senhora amiga dele, levou-me a um salao de beleza , tibetano naturalmente, como tudo aqui. Soh comecei a contar essa historia porque encontrei o tratamento dos meus sonhos: fazer o peh inclui ateh o tornozelo; fazer a mao, ateh o cotovelo.Muitos oleos, cremes e massagens. Uma delicia, com duas horas de duracao...e um custo de 12 dólares.





Comprinhas: nem gosto de pensar! roupas baratissimas e lindas! Cortes de seda com 7 metros custam , em media, 50 reais e podem estar divididos em tres estampas combinadas. Echarpes belissimas ( Zeli, encontrei algumas , semelhantes `as que compramos em Istambul, soh que rebordadas!) , bolsas, joias - imaginem a beleza das tornozeleiras de prata ou de ouro - chas, especiarias, objetos para casa, papeis artesanais...quanta coisa linda!




Coisas lindas , por preco muito baixo e nada daqueles produtos massificados, que se encontram iguais em qualquer parte do mundo.E eu aqui, disciplinadissima, sem comprar nada. Tambem pudera ... o discurso contra o consumismo eh muito forte e constante! Penso resistir! ainda nao sei se ao discurso esse ou `as comprinhas!





Fiz  fotos da chegada dos noivos para cerimônia de casamente.A noiva deve usar 16 jóias! Vou tomar um cafeh. Gugu estah na montanha. Estou sozinha e quero , ainda hoje, ir a Dharmsala, continuidade de McLeod Ganj. Se quiserem saber mais, eh soh perguntar. Neneca, tenho informacoes preciosas para tua area de estudo e pesquisa. Beijos a todas(os)




Obs. Texto de maio de 2007.

sábado, maio 12, 2007

Índia : from Dehli : notícias para a familia

























Quinze dias em Varanasi. Ontem, antes de dormir, eu pensava sobre o quanto aprendi nessa cidade e o quanto " vivi " esta regiao incluindo Sarnath e Bodhgaya. A imagem do menino da internet, triste e terna, acenando-nos quando entramos no carro, ficarah, na minha memoria, como um simbolo de vivencia e de aprendizado.
























Hoje faz 7 dias que Gugu e eu estamos em Dehli. Ficamos hospedados em um hotel muito simples em Old Dehli. New Dehli tem amplos parques, monumentos interessantes, largas avenidas... mas falta o charme da India que me encanta. Visitamos detalhadamente Dehli. Selecionarei fotos para postar aqui assim que pararmos um pouco, embora as fotos nunca traduzam tudo...faltam aromas, atitudes, movimentos ... alma!























Eu sempre falava que pouca coisa me surpreendera, depois de " vê-las" tanto no cinema, na TV nas revistas e na descricao das pessoas. Lembro de uma, ha muitos anos: as Cataratas do Iguacu! Fiquei com " um noh na garganta" quando as vi... Desta vez, foi o Taj Mahal, em Agra, e o Forte de Jaipur, no Rajistao. Lindos tambem os templos de Matura e Vindravam. Lembramos muito do Pedro cantando " Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare ...." Vi cenas belissimas ali... mas era proibido fotografar.























Hoje visitei , aqui em Dehli, duas outras grandiosidades : a maior mesquita da Asia e o Forte Vermelho. Mas o " noh na garganta" me veio no Memorial de Ghandi, no lugar onde ele foi cremado. Senti uma dor como se algumas utopias que " tambem fazem parte da historia" , tivessem sidos queimadas naquele acontecimento...mas logo pensei , no caso de Ghandi, nao foram soh utopias, foram atitudes e acoes... e , mesmo que fossem soh utopias, elas certamente renasceriam das cinzas. Gugu e eu fomos a Jaipur ontem, no dia do aniversario da Rosana. Compramos uns brincos para ela. No dia anterior , fora a Lilian...que tambem ganhou presente. Mesmo a distancia, procuramos ser presenca nas datas importantes das pessoas que amamos.






















Amanha cedo, sairemos , de carro ( com ar condicionado e um motorista que eh altamente religioso, um sikh), para Simla...faremos um percurso, por alguns lugares muito interessantes, durante uma semana, ate chegarmos a Dharmsala, onde Gugu deve-se " internar" num mosteiro para fazer um curso de dez dias sobre filosofia budista - e eu , outros dois : um de cozinha indiana e outro de massagem....portanto....preparem-se para serem cobaias - dos dois cursos meus. O tempo todo lembro-me de voces. Queria mesmo que estivessem aqui. Saudades.Beijos
Dehli, 12 de maio de 2007 ( teclado sem notacoes lexicas!).



sexta-feira, maio 04, 2007

India: Varanasi



Lavanderia em Varanasi

























Para chegar ate a internet, onde tenho que entrar descalca porque o predio fica na area sagrada do Ganges, passei pela nossa " lavanderia". Vi minha roupa " na corda" , estendida...logo estarah seca porque hoje faz 45 graus ainda cedo... Tambem vi roupas sendo passadas a "ferro de brasa" em mesas colocadas na calcada. Uma blusa minha voltou da lavanderia com pequenos furos de queimado...provavelmente o vento soprou as brasas. Nada demais! Zeli, minha irma, fala que eu uso roupas tao amassadas, que parecem " terem sido retiradas de dentro de uma garrafa" . Aqui eu as uso passadissimas. Nao eh soh essa a mudanca visivel que apresento: fiz tres furos na orelha esquerda e estou usando uma sequencia de brincos. Ainda penso numa tatuagem ...discreta , eh claro, nao se assustem! Discreta no tamanho e no lugar!


Tambem quando eu vinha para ca, vi dois senhores, na calcada, recuperando um movel antigo, talvez um guarda-roupa. Descobri que a gente nao leva moveis ou utensilhos domesticos para consertar: chama os " consertadores" em casa. Que inveja!

Depois da internet, tenho hora marcada numa clinica: massagem ayurveda. Sao duas massagistas, que usando, abundantemente, oleos perfumados e mornos, fazem , em movimentos sincronizados, uma de cada lado do corpo, a mais relaxante das massagens. Afinadíssimas, cantam um mantra...

Falando em oleos, mudarei radicalmente de assunto. Numa manha, assisti a uma cerimonia de cremacao aqui no Assi Ghat, regiao do Ganges pertinho de nosso hotel. Lenhas cortadas todas do mesmo tamanho, camadas nao muito altas ( sinal de que a familia nao possuia posses suficientes para comprar mais), sobre elas o morto. O filho mais velho, de cabeca raspado, ato que eh feito imediatamente apos a perda do familiar, despejou sobre o corpo, a partir da cabeca, com gestos precisos e circulares, manteiga pura ( um tipo de manteiga amarelinha e bem gostosa). Depois, acendeu uns ramos, que me pareciam galhos de palmeira, e passou a prender fogo nas madeiras todas... Preferi sair nesse momento...nao sem antes pensar que, gordinha como sou, poderia dispensar a manteiga. Mulheres e criancas nao assistem de perto essa cerimonia.Eu estava a uns 6 metros de distancia. Aprendi , nesse dia, que criancas, mulheres gravidas e sadhus (homens santos) sao jogados diretamente no Ganges sem passar pela purificacao do fogo.Aprendi tambem que pessoas ricas podem ser cremadas com lenha de sandalo, perfumadissima!

Recordei a cena e perdi a vontade de escrever! Nao temos a cultura de conviver naturalmente com a morte...da mesma forma que convivemos naturalmente com a vida.Varanasi, 5 de maio de 2007.

quinta-feira, maio 03, 2007

Sobre a India






















" Levantei cedo hoje. Gugu jah havia saido para encontrar Fabricio, Krithika e criancas a beira do Ganges - e tomar chimarrao com a erva-mate que eu trouxe do RGS.... Desci para o restaurante do Hotel ainda meio dormindo. Pedi caf'e com leite, um tipo de pao indiano e algumas frutas...Noto um " ar estranho" no rosto do menino do Nepal que me atende... Entao " desperto" ... percebo que estava falando português ... ou italiano. Estava realmente cansada. Chegara a noite de Bodhgaya, onde passara dois dias.





























Uma viagem de trem na India cansa mesmo...Atravessar o saguao das estacoes ja eh um exercicio de forca, equilibrio e flexibilidade. Muita gente dormindo no chao...muitas familias, sob esteiras estendidas, comendo , conversando, sentadas ou deitadas...um " mar de gente" em toda a parte...mas um ambiente muito tranquilo e pacifico. A ausencia do medo de violencia supera qualquer desconforto. Eu me sinto muito bem aqui. Enquanto tomo cafe, jah bem acordada , rememoro a viagem a Bodhgaya, cidade onde Budha se iluminou , depois de sete anos de meditacao embaixo de uma arvore . Encontramos lah uma grande festa. Comemorava-se o dia do nascimento de Budha ( mais de 2500 anos). Profusao de flores, aromas e cores. Pessoas vindas de diferentes lugares, o que se pode perceber pelo modo de vestir-se e ornamentar-se principalmente.























Enquando passeavamos nos jardins do templo, uma familia indiana, vinda das montanhas segundo nos disseram , aproxima - se de mim e de Fabricio e , subito, um senhor fala que eh a primeira vez que ele e sua familia estao vendo pessoas " inglesas" ... e pedem que nos os abencoemos...Fabricio, que fala Indi, escuta-os atentamente e me diz o que fazer ( que mico!) . Eu e ele fizemos reverencias e estendemos , sobre cada uma das cinco pessoas , as nossas maos...essas pessoas se jogam no chao, tocam nossos pes, tocam o chao com a testa tres vezes e fazem muitos sinais...Quando eu penso que tudo havia terminado, o mesmo senhor explica ao Fabricio que , a seguir, era a nossa vez de sermos abencoados por eles ( supermico fotografado pelo Gugu). Imaginem eu deitada , tocando com a testa tres vezes no chao, e fazendo muitos gestos sem saber exatamente o significado do que fazia. Krithika eh indiana, Gugu estah muito bronzeado e usa roupas tradicionais daqui, parece que os olhos azuis meus e do Fabricio foram a origem da cena.





























Estivemos ainda, mais por sorte do que por informacoes, na inauguracao do belissimo Templo do Sry Lanka em Bodhgaya. Assistimos a uma danca tipica desse Pais. Linda. Tao tranquila que faria a danca gaucha do " Pezinho" parecer uma aula de aerobica.Normalmente me encantam as cores e os aromas daqui. Em Bodhgaya, esse encanto foi intensificado tanto na regiao dos Templos, quanto no Mosteiro onde nos hospedamos. Inesquecivel. Precisa-se de tempo para conhecer um pouco da India... depois de vinte dias , comeco a enxergar melhor, a ter o " olho mais limpo" para poder realmente ver. "

Varanasi, 3 de maio de 2007.

terça-feira, março 27, 2007

Faltam 15 dias...




Organizo-me para viajar. Antecipo a saudade de minha família, meus amigos, minha casa, meu cachorro... sinto, porém, a vital necessidade do movimento...de andar correndomundo , como dizia minha mãe.
Estudo Geografia, História e Cultura dos lugares que pretendo visitar pela primeira vez. Neste momento é a Índia que ocupa o meu tempo anterior à partida. Tenho apenas delineado o roteiro, mas muitas anotações estão feitas.
Devo partir dia 12 de abril próximo. Dormir uma noite em Frankfurt e descer em Bangalore no dia 14. Bom mesmo que vou encontrar meus filhos no aeroporto , Gugu( meu cacula) e Fabricio ( meu " filho da alegria " como se diz no interior baiano).

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Temporada com família : Torres


















Hoje, 15 de fevereiro, está fazendo exatamente dois meses que estou em Torres. Alguns acontecimentos foram muito importantes para mim durante esse período. Entre eles, destaco :
a permanência de Pedro comigo;
o convívio com família e amigos;
a visita de minha amiga Lídia;
a reforma da casa;
o nascimento de Massimo;
a aprovação de Ricardo no vestibular;
as leituras sobre a Índia e os passeios que realizei aqui.
















Pedro é filho de Fabiana, minha filha. Como trabalhei sete anos na Bahia, pouco havia convivido com ele. Neste verão, Fabiana o deixou comigo por dois meses. Ele é um belo menino: muito inteligente, bem educado, sensível e alegre. Pedro me fez lembrar o tempo todo da infância de Patati e Gugu. É muito parecido com eles. Conversamos muito. Um dia ele me perguntou se era muito difícil ser uma pessoa idosa. Tivemos um "papo cabeça" sobre as diferentes fases da vida e de  como a percebemos em nós e nos outros. Apesar disso, terminei dizendo que idosa era "a mãe"... Pedro me falou da curiosidade que tem de assistir a dois eventos: um casamento e um enterro. Prometi satisfazer essa curiosidade...

                                                                                      



















Ele me contava muitas coisas de quando ele era pequeno...Agora , com sete anos, considera-se um adulto. Brinca muito com "Lego", fala muito e tem respostas originais e imediatas. Garante que não tem "afinidade política com Bush" e faz muitos planos para seus filhos. É uma criança feliz e esperta. Foi uma bênção minha convivência com ele. Apesar disso, preciso de umas férias depois desses dois meses !Sono stanca! Os filhos são crianças na hora exata em que temos fôlego para eles!






















Tive hóspedes e visitas muito agradáveis durante a temporada : Odete, Fernando e Andrea, Luís Antônio e Téssia, Poti e Horto, Maria do Carmo, Alda , Frederico, Marli, Neneca, Rosana, Lídia...Cibele ficou toda a temporada comigo. Ele é minha cunhada, mas eu a considero como uma irmã. Ela é sempre solidária, amiga, presença agradável. Adoro a Cibele. Fabiana,Fabianinha e Fernando cresceram nesta casa. Gostam daqui. Mile é meu irmão-um-pouco-filho-também. Sinto muito a falta deles. Foi muito bom terem ficado comigo aqui.



























"Quero ser teu amigoNem demais e nem de menosNem tão longe e nem tão pertoNa medida mais precisa que eu puderMas amar-te como próximo, sem medida,E ficar sempre em tua vidaDa maneira mais discreta que eu souberSem tirar-te a liberdadeSem jamais te sufocarSem forçar a tua vontadeSem falar quando for a hora de calarE sem calar quando for a hora de falarNem ausente nem presente por demais,Simplesmente, calmamente, ser-te paz.É bonito ser amigo,Mas confesso,É tão difícil aprender,Por isso, eu te peço paciênciaVou encher este teu rostoDe alegrias, lembranças!Dê-me tempoDe acertar nossas distâncias!"Fernando Pessoa






















Lidia é uma meravigliosa donna. Veio de Roma.Fui , com a Fabianinha, buscá-la em Porto Alegre. Pela primeira vez fica uma temporada no Sul. Grande amiga. Bela pessoa. Conviver com ela é um ganho constante. Inspirada em detalhes da frente da casa,Lídia fez para mim uma aquarela belíssima. Ela pinta e escreve muito bem.Rosana é uma irmã de todas as horas. Temos muitas afinidades e nos conhecemos muito bem. Sinto falta dela.Na foto abaixo, Lídia e eu. O cenário, Aparados da Serra, no município de Cambará do Sul, canyon Fortaleza.



























Lídia, Rosana e eu fizemos um passeio bem interessante : Serra Gaúcha e Região dos Vinhedos.
De Torres, fomos a Cambará do Sul. Fortaleza, nos Aparados da Serra, foi nosso destino inicial. A estrada de acesso é ruim; a beleza, compensa. À tardinha, um hotel fazenda, em São Francisco de Paula, nos recebeu : muito verde e mais de duzentos pinheiros (araucária). Veio depois Gramado e Canela, surpreendendo Lídia com seus encantos e me fazendo reviver lugares que há bastante tempo não via.Passeios tranqüilos e comprinhas - ninguém é de ferro!Dormimos em Canela, na Pousada La Vie en Rose. Uma parada em Nova Petrópolis - melhor lugar para compras. Gracinha de lugar, com bandinha alemã e tudo... Por último, Bento Gonçalves. Festa Nacional do Vinho e passeio pela rota dos Vinhedos. Hotel bom( http://www.vinocap.com.br/ ). Desenvolvimento impressionante da região. À tardinha, estávamos em Torres novamente, com muitos mimos e regalos para a família( como dizia meu amigo Ariovaldo) .






















Desde que cheguei em Torres, faço reformas na casa. Com a pintura externa, voltei a cor inicial da casa.O banheiro do apartamento junto à garagem foi totalmente refeito. Um painel de azulejos, que comprei em Recife no ateliê de Brenann, foi colocado na parede da sala. Portas e pisos foram trocados. Consertos os mais diversos foram feitos. Quando os operários terminarem o trabalho, será certamente hora de eu voltar. E no próximo ano, haverá muitas coisas a fazer. Casa de praia é isso: pouca ocupação e muitos gastos. A minha casa, entretanto, vale pela memória que abriga. A lembrança de meus filhos e sobrinhos brincando aqui, nas suas diferentes idades , merece ser preservada.



























Nasceu Massimo Menini Trindade, o Max , primeiro filho do Patati e da Valéria. Na foto, está no seu quinto dia de vida. Que as fadas o abençoem. Que os anjos o protejam.
Eu tenho muita pressa que o tempo demore a passar. Os nossos bebês já têm seus bebês - e eu tenho medo de não vê-los adultos. Pedro me garante que eu vou viver até a adolescência dele. Eu torço para que ele tenha uma adolescência tardia - e eu , uma vida saudável.




















Uma alegria grande neste período foi a aprovação de Ricardo no curso de Medicina na UFSM e na UFRGS. Ele é filho da Neneca e do Antônio Ângelo. Eu o considero um dos meus queridos sobrinhos. Aproveitei para ler sobre a Índia e planejar minha próxima viagem. Já tenho a passagem para partir dia 12 de abril próximo. Pretendo ficar alguns meses na Índia e dois meses na Europa. Como sempre, viajo na viagem. Tenho ânimo e encantamento quando faço isso. Na Índia, vou encontrar Gugu , Fabrício , Krithika, Raven e Raiz. Eles têm planos para me mostrar muitos lugares. Eu estou feliz com a possibilidade de viajarmos juntos. Eu os amo muito.




















"Para ser grande, sê inteiro: nadaTeu exagera ou exclui.Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes.Assim em cada lago a lua todaBrilha, porque alta vive". Fernando Pessoa

domingo, janeiro 07, 2007

Bem-vindo 2007

Fabiana e Papa Noel ( Zeli )

Vivi a passagem 2006/2007 na casa de Torres. Passei o Natal aqui, com meu irmão e família ( Mile e Cibele), minha irmã e família ( Zeli,Ary, Igor,Lilian , Gonçalo e Juninho), minha irmã Alda, meu primo Fernando ( e Andrea sua companheira que está grávida), minha querida amiga Odete, Fabiana(minha filha) e Pedro( filho dela).Tivemos, para alegria do Gonçalo,que tem menos de três anos, um Papai Noel muito fashion... saltos altíssimos, brincos grandes e unhas vermelhas. Era Zeli ... engraçadíssima! Na  fotografia ao lado, ela está com Fabiana.
Foi uma noite tranqüila e divertida. Gosto de Natal, apesar das dores que muitas vezes essa data me provoca, decorrentes de perdas e danos ao longo da minha vida...



Igor, Gonçalo e Papai Noel


Aqui , nesta foto, Ígor, meu sobrinho, e Gonçalo, seu filho, com nosso Papai Noel, na hora da entrega dos presentes. A passagem de ano também foi comemorada aqui na minha casa, com a presença de meus familiares. Um pequeno problema me impediu de ir ao mar ,logo depois da meia noite, como sempre costumamos fazer: eu estava com pneumonia. Mesmo ficando em casa, pude ver os fogos.Muitos e belíssimos!Depois li que a festa de fim - de -ano em Torres é a quarta maior do Brasil. O maior problema, entretanto, continua sendo a falta de infra-estrutura para suportar essa festa: houve um brutal engarrafamento na cidade. Tenho a intuição de que 2007 será um bom ano ... com muitas viagens naturalmente! Oxalá! A foto abaixo é Torres, Praia Grande, perto da minha casa, na passagem de ano. Feliz Ano Novo para todos nós!
























O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.
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A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
Fernando Pessoa


Gosto muito de Torres, embora a saudade - alegria de ter tido; tristeza de não ter mais – seja constante e intensa.Saudades dos meus filhos,saudades da infância deles, saudades do que fui e das ilusões que tive... Paradoxalmente, também saudades do que poderia ter existido e nao existiu, do que poderia ter sido e não foi. Sempre fico nostágica nesse período...mas passa,afinal nada supera, por muito tempo, a alegria de estar vivo.
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"Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que, daqui para diante, vai ser diferente." Carlos Drummond de Andrade