sexta-feira, setembro 18, 2015

Patzcuaro e Santa Clara del Cobre

Basílica Nossa Senhora da Saúde
A pitoresca Patzcuaro, cidade do Estado de Michoacán, foi a capital do reino Purépecha, antes conhecidos como Tarascos ( 1325 - 1400 d.C.).  Distante apenas 53 Km de Morélia, a capital, é bonita, tranquila e muito bem conservada. Antes dos conquistadores espanhóis, as tribos indígenas, que a habitavam , consideravam-na lugar sagrado, acreditando que os deuses  poderiam descer e subir, porque havia ali uma porta direta para o paraíso.

Bela arquitetura no centro da cidade
Depois da morte do rei Tariácuri, o estado tarasco se dividiu em três, rechaçou repetidos  ataques dos astecas, enfraqueceu ...e foi tomado pelos espanhois. Nesse tempo os espanhois eram comandados por Nuño de Guzmán, o mais sanguinário dos conquistadores. Guzmán foi brutal com os indígenas, sendo lembrado como o pior que passou pela  região. Seu reinado durou seis anos. Ele foi tão terrível, que, ao descobrirem seus crimes, a coroa o prendeu e o encarcerou pelo resto de sua vida.


Casarões no Centro Histórico

Para o posto ,que  o sanguinário Gusmán havia ocupado, veio um bispo - Vasco de Quiroga - juiz muito conceituado na Cidade do México. Quiroga chegou em 1536, estabeleceu a ordem na região, criou cooperativas, promoveu a educação e a agricultura de auto-suficiência. Ajudou a cada povo a desenvolver e aperfeiçoar sua própria habilidade artesanal.- da confeção de máscaras e cerâmicas até violinos e guitarras. É lembrado como Tata (pai) e seu nome é continuamente louvado.

Portas que são verdadeiras esculturas em madeira
Suas ruas, calçadas com  paralelepípedos, têm verde exuberante por todo lado. Suas igrejas e os conventos estão entre os mais antigos do país. Em Patzcuaro,  ainda podem  ser vistos resultados dos ensinamentos de Vasco de Quiroga, como  exemplares do  peculiar artesanato da região, em trabalhos com ferro forjado, brinquedos em madeira, esculturas religiosas, tecelagens  e belíssimas peças moldadas em cobre - uma riqueza do lugar.

Lembram-me doces caseiros....
Para fazer uma visita, ainda que rápida, à cidade, precisa-se ir à Basilica de Nossa Senhora da Saúde, à Casa dos Onze Pátios, à Biblioteca Gertrudis Bocanegra, ao menos para ver o histórico mural que ali está,  à  Praça Don Vasco de Quiroga,  ao Teatro e ao mercado. Há que ver ao menos uma vista panorâmica do Lago de Patzcuaro e à Ilha de Janitzio. Imperdívem também a visita à Santa Clara do Cobre e  a Tzintzuntzan.

Entrada solene para iniciar a Missa na Basílica
A Basílica de Nossa Senhora da Saúde é o principal templo da cidade -  e a Santa é a Padroeira da região. Junto à Basilica, havia um modesto hospital, dirigido por Dom Vasco.  Para esse hospital eram levados os índios com graves problemas de saúde. Ali recebiam remédios, alimentos e cuidados higiênicos. Quiroga colocou, na enfermaria , uma imagem de Nossa Senhora , com a inscrição: curadora dos enfermos. Hoje, na entrada da Basílica, à esquerda, está a tumba  do venerado bispo.


Basílica

A Santa ganhou fama, na região, de curar os doentes do Hospital. Em razão disso foi chamada Nossa Senhora da Saúde. A imagem antiga dela é muito particular pela forma como foi feita e pelo material que foi utilizado. Os índios faziam uma pasta com a medula do talo de milho, perfeitamente seca e moída, junto com o bulbo de uma planta ou  com mel. Essa mistura tornava-se uma massa lisa, mas forte, que podia ser manipulada e esculpida.


Torre da Basílica

É uma delícia passear pelos arredores da Basílica, especialmente alguém, como eu, que curte plantas medicinais com as lendas e histórias que elas evocam. Senti saudades dos meus anos de convívio com povos indígenas, tanto em Roraima,quanto no Mato Grosso do Sul. Conversei com um senhor, que já estava me receitando um feixe de raízes...Custou-me convencê-lo que era impossível transportá-lo de um país para outro.

Plantas medicinais

A Casa dos Onze Pátios é outra visita bem interessante, Na verdade, hoje é um mercado, num bonito edifício colonial, onde foi um dos primeiros hospitais , fundado por Vasco de Quiroga, no México Posteriormente, em 1740, construiu-se, no lugar do hospital,  um convento dominicano. Alberga, atualmente, pequenas lojas de artesanato regional, com sua origem identicada. Imperdível é o banheiro barroco existente no local - não fiz fotos porque estava sendo muito disputado para uso urgente.
Detalhe da Casa dos Onze Pátios

Há duas importantes praças em  Patzcuaro: a Praça Vasco de Quiroga , conhecida como Plaza Grande - e a Praça Gertrudis Bocanegra - conhecida como Plaza Chica. Gertrudis Bocanegra , heroína local, foi fuzilada em 1818, por apoiar o movimento de independência. Sua estátua pode ser vista no centro da praça. Muito perto, está o Mercado local, onde se pode comprar tudo: artesanato, roupas, plantas medicinais, peixes, frutas,verduras e muito mais...por preços não turísticos.

Amo cerejas!

No antigo convento e igreja de  San Agustin - um belo edifício do século XVI - está hoje a principal biblioteca pública de Patzcuaro : a Biblioteca Gertudis Bocanegra. Na parede do fundo,  pode-se ver uma das principais atrações da cidade : o famoso mural de Juan O´Gorman, que retrata a história de Michoacán desde a época pré - hispânica até a revolução de 1910.


Mural de O´Gorman

Junto à Biblioteca Gertrudis Bocanegra, está o teatro Imperador Caltzontzin, que, antes de ser transformado em teatro, em 1936 , foi um convento. Pode-se observar que esse teatro desenvolve intensa programação cultural, acolhendo espetáculos e ,  de vez em quando , trazendo projeções de filmes famosos.  além de ser participante como base do Cervantino Festival de Artes e do Festival de Cinema de Morelia.

De onde brotam as raízes da cultura?
Perto de Patzcuaro - apenas 22 km - há um pueblito colonial que deve ser visitado : Santa Clara del Cobre . O povoado é bonitinho, com casas bem pitorescas. O grande atrativo, entretanto, é a produção de objetos de cobre - de jóias a utilitários. Em troca de gorjeta dos visitantes, operários e proprietários de pequenas fábricas mostram todas as etapas da difícil elaboração de uma peça. Usam fogo rústico, com lenha, martelos e outras ferramentas muito simples. Precisam mesmo é de força e habilidade.

40 anos de trabalho com cobre

Perguntei a um senhor se trabalhar assim, sem nenhuma proteção, poderia trazer algum problema de saúde. Ele me disse que seu avô e seu pai eram também mestres nesse trabalho e nunca tiveram nada; que ele ensinara o mesmo ofício ao seu filho e  agora , com 11 anos, neu neto já aprendera também muitas coisas. Se ele acreditasse que fazia mal, não teria repassado à sua família tudo o que ele aprendera.

Habilidade necessária ao acamento de cada peça

Como a região não produz mais cobre, o trabalho é feito todo com sucatas. Utilizando moedas, fios, cabos, transformam tudo em originais e elegantes peças. O preço é bastante conveniente, e a compra é direta dos produtores. Havia lá o convite para o LXX Concurso de Vasos de Cobre Martillado e, sempre no mês de agosto, o convite para a Feira Nacional do Cobre. Bem que eu gostaria de ir. Os artesãos são realmente admiráveis. O processo todo é fantástico.

Fazendo as bordas de um prato

Saí de Patzcuaro e de Santa Maria del Cobre um pouco angustiada, pensando que não voltaria para ver o que me faltara - e eu sabia ser muito interessante o que eu deixara de ver por falta de tempo.Não vi, por exemplo, o Lago de Patzcuaro, coração da região Purépecha. Não fui à Ilha de Janiitzio, pitoresco povoado no meio lago. Quem sabe eu priorizo esse retorno ao México....Quem sabe...

O Lago no Mural

Piedra Nativa

La luz devasta las alturas 
Manadas de imperios en derrota 
El ojo retrocede cercado de reflejos 

Países vastos como el insomnio 
Pedregales de hueso 

Otoño sin confines 
Alza la sed sus invisibles surtidores 
Un último pirú predica en el desierto 

Cierra los ojos y oye cantar la luz: 
El mediodía anida en tu tímpano 

Cierra los ojos y ábrelos: 
No hay nadie ni siquiera tú mismo 
Lo que no es piedra es luz.


Octavio Paz


Cobre e laca - pulseiras únicas



terça-feira, setembro 15, 2015

Tlaquepaque - recomendo!

Mural projetado por Diego Rivera e executado por Fernando Cordero

Tlaquepaque ( pronuncia-se Tlake pake) , historicamente conhecida como San Pedro Tlakepake, localiza-se no estado de Jalisco, muito próximo de Guadalajara -  20 minutos de carro. Se não fosse sua forte identidade , poderia ser confundida com um bairro da cidade maior e mais conhecida.

Arte nas ruas
É , de fato uma cidade pequena, mas de grande importância para o país, principalmente pela beleza e pela boa qualidade de seu artesanato. Acredito tê-la percorrido quase toda...e tracei três ou quatro ruas somente. Há, entretanto, muito o que ver, a começar pelas casas, pintadas com fortes cores,  e as muitas obras de arte em espaços públicos - uma das minhas utopias ....


Coreto e Igreja Apóstolo Paulo na Praça Central
Além das jóias , em especial as de prata , garantidas por grandes joalherias, há uma variedade de peças de cerâmica, peças de ferro e de  madeira ricamente esculpidas, maravilhas em vidros soprados, artesanato de couro e de  papel machê. 


Artesanato multicolorido
O artesanato têxtil, bonito e de boa qualidade, é uma tentação. A gente precisa concentrar-se no peso da bagagem para não sofrer com isso...embora possa sofrer por nada ter comprado. As cores fortes , que se podem ver no pais todo, em Tlaquepaque parecem intensificar-se.



Encanto das bonequinhas com diferentes tamanhos e cores

Ao colorido do artesanato local e das pinturas nas residências , somam-se as cores fortes  dos murais, que contam a história do país e os costumes antigos com destaque para a pesada divisão de classes sociais. Coloridos também os jardins - como o Jardim Hidalgo, uma homenagem ao Padre Miguel Hidalgo, um dos heróis da Independência.


Mural no Antigo Mercado

No centro da cidade, um antigo mercado de alimentos e de artesanato indígena, está transformado num conjunto de trinta restaurantes - El Parián -  estrategicamente distribuídos ao redor de um grande pátio, onde também se encontra um palco para presentações de grupos de Mariachi.


Detalhe do antigo mercado
Quando se passeia por Tlaquepaque, a todo o momento, surpresas nos aguardam e belezas nos surpreendem. Assim ocorreu comigo ao deparar-me com uma coleção de ibiscos - os maiores que já vi - em cores vibrantes e cuidadosamente distribuídas.


Ibiscos "gigantes"
Também fui surpreendida por um grande show de acrobacia -  sincronia e ousadia -  realzado por  um grupo de rapazes que, vestidos de palhaço e amarrados a longas cordas, jogavam-se do alto de um mastro e  executavam piruetas realmente incríveis.

                                      
Lamentavelmente,     precisei selecionar algumas  galerias de arte para visitar. O tempo era pouco ;  as galerias,muitas. Gostei bastante dos trabalhos de Rodo Padilha - www.rodopadilla.com.mx Desejei ter comprado uma - elas eram a cara do México.

Escultura de Rodo Padilla
Não tenho ainda planos para retornar ao México e , mais precisamente, a Jalisco. Mas, se eu voltar, farei ao contrário : ficarei hospedada em Tlaquepaque e irei novamente visitar Guadalajara.    A definição que me ocorre para ela é pueblito mágico. Lindo,lindo.

Mural em mosaico
Destino del Poeta
" Déjame que me pierda entre palabras,
déjame ser el aire en unos labios,
un soplo vagabundo sin contornos
que el aire desvanece.

También la luz en sí misma se pierde..."

Octavio Paz - Prêmio Nobel de Literatura em 1990.

Detalhe de um grande mural

segunda-feira, setembro 14, 2015

" Con flores escribes..."





"Soy hombre: duro poco
Y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:
Las estrellas escriben.
Sin entender compreendo:
También soy escritura
Y en este mismo instante
Alguien me deletrea."


Octavio Paz 






"Con flores escribes, Dador de la vida,
Con cantos das color,
Con cantos sombreas
A los que han de vivir en la tierra.
Después destruirás a águilas y tigres,
Sólo en tu libro de pinturas vivimos,
Aquí sobe la tierra.
Con tinta negra borrarás
Lo que fue la hermandad,
La comunidad, la nobleza.
Tú sombreas a los que han de vivir en la tierra."


Nezahualcóyotl




"El que sabe que es uno con Dios, logra el Nirvana:
un Nirvana en que toda tiniebla se ilumina;
vertiginoso ensanche de la conciencia humana,
que es sólo proyección de la Idea Divina
en el Tiempo...

El fenómeno, lo exterior, vano fruto
de la ilusión, se extingue: ya no hay pluralidad,
y el yo, extasiado, abísmase por fin en lo absoluto,
¡y tiene como herencia toda la eternidad!"


Amado Nervo



quinta-feira, setembro 10, 2015

" Aún hay otras alhondigas por incendiar"

Muitas praças e fontes em Guanajuato - lugar de rãs

Incluída pela UNESCO, em 1988, como Patrimônio Cultural da Humanidade, Guanajuato tem atualmente cerca de 750 mil habitantes. No período colonial , era a segunda cidade mais rica do México, só ficando atrás da Capital, a Ciudad de México. Fundada em 1559, foi favorecida pelos imensos depósitos de ouro e prata da região.


Igreja da Imaculada

Por três séculos, foi a capital mundial das minas de prata, chegando a produzir vinte por cento de toda a produção mundial desse minério. México continua sendo um dos principais produtores de prata no mundo. Usualmente a jóias e objetos têm gravado o número 925, o que indica que contêm 925 de prata em cada 1000 gramas. As joias de prata constituem arte maior no país. Há grande variedade e bons preços em muitas cidades.


Colina do Monumento a El Pipila
Centro de Independência, onde as autoridades espanholas fora atacadas pela primeira vez, em 28 de setembro de 1810. Muitos espanhois, sabendo da  proximidade do cerco a Guanajuato, encerram-se com suas famílias e parte de seus exércitos num antigo granadeiro ( silo ), que é uma verdadeira fortaleza de pedra,  denominado Alhondiga de Granaditas.

Antiga Alhondiga de Granaditas

Houve, inicialmente, muitas mortes de insurgentes, mineiros e cidadãos de Guajuanato, que se haviam unido aos rebeldes e que  não podiam aproximar-se da grande porta de acesso ao granadeiro. Eram sempre atingidos. Um mineiro, conhecido como El Pipita, usando pedras atadas ao corpo para proteger-se, avançou sozinho e ateou fogo à porta. Contam que o Padre Miguel Hidalgo tentou conter a fúria de homens....mas em vão...foi um imenso massacre.


Monumento a El Pipila

Nas proximidades de Guanajuato, quando já se pode ter, do alto de uma colina, um belíssimo panorama da cidade, há uma grande estátua de El Pipita, onde na base se lê : Aún hay otras alhondigas por incendiar. Num outro combate, o Mineiro foi capturado e executado  pelas tropas da Coroa. Sua cabeça foi cortada, colocada numa gaiola, e pendurada numa das esquinas do granadeiro. Ali, juntamente com as cabeças de mais três heróis - um deles, Miguel  Hidalgo - as gaiolas permaneceram por 10 anos. Quando houve a Independência, foram transportadas e colocadas no Panteão dos Heróis da Pátria.


Nesta esquina, ficou a cabeça de Miguel Hidango.

A colorida Guajuanato tem  ruas estreitas que descem por ladeiras, como se cobrissem barrancos, e chegam até os túneis feitos nos vãos dos rios que existiram aí antigamente.Nesse amontado de prédios, encontram-se muitos espaços - teatros, museus e galerias principalmente - onde se podem ver  a produção de arte nessa cidade, que tem 40 mil estudantes na Universidade de Guajuanato.

Teatro Juarez - inaugurado em 1903

Impressiona mesmo essa rede de túneis, onde antigamente eram rios, e agora compoem um sistema de trânsito - com  ruas , que seguem por diferentes direções, e esquinas subterrâneas impressionantes. Não se trata de uma cidade subterrânea, construída embaixo do centro histórico, mas de um conjunto mesmo de ruas estreitas - e até escuras - por onde  carros - e pessoas em alguns espaços - conseguem movimentar-se.

Ruas Subterrâneas
Atrações  magníficas ou mesmo pitorescas são muitas. É preciso escolher o que se vai ver...ou ficar mais tempo na cidade. Relacionaremos, a seguir, algumas delas, como : a Basílica de Nossa Senhora de Guanajuato, que alberga uma estátua de madeira, coberta de jóias , que , conta a lenda, ficou escondida, na Espanha, numa caverna rochosa, durante 800 anos, para que os mouros não a encontrassem. Foi doada à cidade por Felipe II da Espanha.

Basílica vista do Monumento a Pipila

Imprescindíveis as visitas ao Teatro Juarez - obra do mesmo período do Mercado Hidalgo - e ao Teatro Principal. O primeiro, inaugurado pelo ditador Marechal Porfírio Días, é luxuoso e com um toque árabe no seu interior vermelho e dourado. O segundo é sede da Orquesta Sinfônica de Guanajuato e acolhe a maioria dos eventos do  conhecido Festival Internacional Cervantino.


Teatro Juarez : detalhe 

A Rua do Beijo - Callejón del Beso - é a rua mais estreita da cidade. Famosa pela lenda - que poderia chamar-se Romeu e Julieta mexicanos -  que conta a história do amor proibido entre uma  menina rica e um mineiro pobre, que, nos balcões de duas casas, uma defronte a outra, trocavam beijos furtivos. O trágico final ...podem imaginar. Casais costumam ir ao cenário e fazer fotos beijando-se. Quem não tiver parceiro, pode pedir o beijo para qualquer desconhecido(a). Sem o beijo, segundo a lenda, terá sete anos de azar.

El callejón del beso

O centenário Mercado Hidalgo, uma das obras realizadas por Porfirio Dias, que dirigiu o México durante 30 anos, é típico em parte pela arquitetura e em parte pelos produtos encontrados - estão anunciados logo na entrada: artesanato, gastronomia mexicana, doces típicos, frutas, verduras e carnes. 

Mercado Hidalgo
O mercado não é um primor de limpeza e conseuervação. Arrisquei ir ao banheiro porque era pago. Surgiu um problema : era pago somente com moedas. Não encontrei nada na minha bolsa. Perguntei a uma vendedora de frutas se ela podia cambiar uma cédula por moedas. Respondeu-me que não porque ainda não vendera nada...mas podia dar - me uma moeda. Deu-me. Chorei. Solidariedade sempre me comove.

Mercado Hidalgo

Na Praça da Paz - que até 1800 se chamava Praça Maior - está uma das casas mais impressionantes que vi, em se tratando de arquitetura residencial. Dizem ser o exemplo mais puro do estilo neoclássico no México. Denominada Casa do Conde Rul em razão do nome que aparece no escudo existente na parte frontal. Bela visita! 


Casa del Conde Rul
Para a sorte da cidade, Diego Rivera nasceu em Guanajuato , em 1886, na casa onde  está agora o Museu que leva seu nome. A planta baixa recria a casa da família Riviera e está mobiliada com antiguidades. Nas plantas superiores, estão obras concluídas e esboços feito  por Rivera, incluindo um nu de Frida Kahló. Perto da casa, uma escultura de bronze, em tamanho natural, do artista.


Casa Museu de Rivera
O Estado de Guanajato tornou-se o meu preferido, não só por suas cidades, mas também por sua paisagem natural e histórica. Lugar para retornar. Encerro com o poema En Paz do mexicano  Amado Nervo.

"Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida.

Porque veo al final de mi rudo camino
que yo fuí el arquiteto de mi propio destino;
que si extraje las mieles o la hiel de las cosas
fué porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales, coseché siempre rosas.

Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno;
¡mas tu no me dijiste que Mayo fuese eterno!
...Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tú solo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fuí amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos em paz"


Amado Nervo - Poeta Mexicano



Cores da Catedral e da cidade