segunda-feira, setembro 27, 2010

Notícia


Estou na Bela União, com tudo que a primavera me oferece. Clima agradável. Flores diversas.  Árvores ganhando ou renovando folhas. Pássaros fazendo seus ninhos. Um mundo em movimento.Tempo de paz e de trabalho.
Tempo de jogar a semente na terra e esperar a colheita - ela virá. A gente sempre colhe o que semeia.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Sobre comprinhas aqui e ali...



Plantaçoes de chá na China

Por menos que se compre, comprar é um atrativo de qualquer viagem. O desejo de partilhar lugares e conhecimentos com as pessoas amadas leva-nos a adquirir presentes. Minhas compras resumem-se a eles e a pratinhos de parede que eu coleciono. Embora a globalização tenha diminuído o encanto das compras, mesmo assim ainda podemos "garimpar"originalidades.Entre as minhas preferências , estão:
. os torrones de Alicante ou de Jijona;
. os xales do Kullu Valley : o Vale dos Xales na Índia , com desenhos típicos e materias diversos, incluindo os de iak;
.  os cremes de Hungria - Helia D, um maravilhoso e baratissimo creme de girassol;
. o creme de pérola da China: pérolas muito novas, que não servem para fazer jóias, são usadas em cosméticos;
. as cafeteiras da Itália, as bem tradicionais que não são de aço;
. o artesanato de cobre do Chile;
. os bordados em seda de Suzhou, onde frente e verso são admiráveis;
. as bolsas da Kipling, compradas diretamente na Bélgica;
. as sedas de Kanchipuram - e não precisam nem ser os chamados "tecidos eternos", bordados com ouro; podem ser os mais comuns;
. as tornozeleiras de prata do Rajasthan;
. os lençóis de algodão do Egito;
. os azulejos e os doces de Portugal;
. o licor de limão e as cerâmicas da Costa Amalfitana;
. os chocolates belgas e suiços;
. os cristais da República Checa e da Slovakia;


Pérolas usadas em cosméticos




















. a mozzarella di bufala de Napoli;
. o artesanato de bordados da Bulgária;
. os doces da Turquia;
. o azeite de oliva e as azeitonas da Grécia;
. as confecções das Manos del Uruguay e um sabonete tradicional feito nesse querido País;
. os chás de Hangzhou, principalmente o chá verde colhido na primavera;
. o algodão do Peru, considerado o segundo melhor do mundo ( o primeiro é o do Egito);
. os figos recheados e cobertos com chocolate, produzidos em Ooty, nas Montanhas Azuis da Índia.
Ocorre-me essa lista, neste momento, talvez ditada pela saudade de lugares e de vivências. Poderia ser bem maior, mas eu a abandono porque estou pensando no que irei encontrar nos próximos meses. 

segunda-feira, setembro 06, 2010

Notícia



Estou em Torres. Dias frios , mas bonitos. Família reunida. Seria perfeito se não fosse a tosse novamente, tosse quase contínua! Fabianinha diz que '" agora já não é olho gordo; é olho com obesidade mórbida"

sexta-feira, setembro 03, 2010

Sobre a China: comentários e fotos II




Muitas pessoas pediam para serem fotografadas conosco. A grande atração - tanto em mim quanto em Ronald - eram os olhos azuis.



Yongle foi o terceiro imperador Ming. Foi ele que mudou a capital para Pequim. Os treze túmulos Ming estão neste lugar seguindo orientações  Feng Shui.



São belíssimos os vasos feitos com a milenar técnica cloisonné, em que o cobre é pintado e, após a colocação de cada cor, é  queimado .



Na EXPO 2010, quase todos os países da África estavam reunidos num grande stand, muito colorido. Dava gosto ver.




sexta-feira, agosto 27, 2010

Sobre a China: comentários e fotos I

























Suzhou é chamada "A Veneza do Oriente". Pode-se fazer nela um belíssimo passeio de barco até o Grande Canal.

Vi muitos homens lavando roupas no Canal de Suzhou. Batiam nelas com um pedaço de madeira.

Os homens só deixam o cabelo branco aparecer depois que se aposentam. Enquanto trabalham, mantêm os cabelos cuidadosamente pintados.

Comprei sombrinhas lindas sem utilidade para nós: fator solar 50.

Hangzhou é famosa pela fabricação de sombrinhas bordadas, pintadas , rendadas, todas de incrível beleza e delicadeza. Custam pouco mais de 10 dólares.

As mulheres chinesas cuidam-se para manter a pele clara. Nada de bronzeados. Usam roupas ccom mangas longas, luvas e sombrinhas, quando o sol é forte.


























As verduras são cozidas, até mesmo as folhas de alface. Mata-se a verdura para depois comê-la.

A Lei de Planificação Familiar fez do aborto um poderoso meio de controle populacional. Pode ser feito até no último mês de gravidez.

O anticoncepcional é distribuído  gratuitamente.

Contou-me um menino chinês que muitos decidem , na família, quem vai ter filhos para levar o sobrenome.





















As minorias étnicas , que constituem 8% da população, podem ter quantos filhos quiserem..

São 80 milhões de filhos únicos que agora estão tendo seus filhos - uma geração de crianças sem tios e sem primos. Com um bilhão e 400 milhões de habitantes , a China cria suas estratégias de contenção!

Inesquecível as massagens nos pés. Fiz várias. Em Guillin, fiz uma hora dessa massagem e , depois, dormi doze horas sem acordar. Fantástica.


























Ao chegarmos no hotel , em Hangzhou, havia ali uma festa de casamento. Fomos presenteados pelos noivos com lindas caixinhas cheias de confeitos.

A  institiução da gorjeta só existe, na China, em lugares com turistas. Vi uma cena interessante: um estrangeiro deixou o troco de gorjeta para o taxista  e foi embora rapidamente - o taxista correu atrás dele gritando : forget money! forget money!  Em Hong Kong e Macau, a gorjeta está instituída.

A EXPO 2010, em Shanghai , foi a mais bonita das "Expos"que eu vi. O prédio da China será permanente, ficando como espaço cultural.




terça-feira, agosto 24, 2010

Viagem ao Uruguai


Pedro em Montevideo

Após duas semanas de nosso retorno dos Estados Unidos, fomos - Ronald, Pedro,Alda e eu -  fazer, de carro, uma viagem de 8 dias pelo Uruguai.
Pedro, feliz, falava ,com frequência, que era essa a sua primeira viagem internacional - a primeira de muitas outras, segundo ele.
Em Livramento, precisa-se fazer um seguro  - Carta Verde. Um gentil senhor do Hotel Júlio prontificou-se a ajudar-nos. Em menos de uma hora, estávamos com esse documento. Fomos , então, a aduana uruguaia, apresentar os documentos pessoais e do carro , necessários para obter o permmisso. Tudo muito rápido e eficiente.
De Rivera a Montevideo, são pouco mais de 500 Km . Estrada boa a Ruta 5 - bem como haviam nos informado  no Setor de Turismo da Aduana de Rivera.


Ronald na Casapueblo
Fizemos uma parada em Tacuarembó e chegamos em Montevideo,  no Hotel Balfer ,ao  final da tarde. O Balfer ( hotelbalfer@adinet.com.uy ) é um pequeno hotel, duas estrelas, com excelente localização e atendimento - pessoal muito disponível e gentil. Durante vários anos hospedei-me nele, quando vinha reunir-me com o Grupo de Pesquisa "Educação em Área de Fronteira" ou trabalhar na Universidade da República.
Foi uma alegria passear, durante três dias, por Montevideo, cidade tranquila, limpa e bonita. Andei bastante pela Ciudad Vieja, um dos meus espaços preferidos. Lembrei-me, com saudade de Walter, meu querido amigo, que me ensinou a melhor apreciar a arquitetura montevideana.    Pena que a maiorios dos meus amigos estavam viajando. Queria muito tê-los encontrado, Luis,Raquel,Adolfo, Guillermo,Beatriz, Suzana. Voltarei! Voltarei,sim.
Depois de traçar  Montevideo, fomos a Piriápolis e Punta del Este. Visitamos a escultura habitada   , que é a Casapueblo, do artista     Carlos Páez Vilaró. De muito tempo, essa casa é nossa conhecida através de Toquinho e Vinícius:


Alda e Pedro em Colônia
"Era uma casa
muito engraçada,
não tinha teto,
não tinha nada..."
Encantadoras  também foram as visitas seguintes.  Por um acesso bastante fácil, deixa-se Montevideo e entra-se na estrada que vai a Colônia do Sacramento, cidade  merecedora de uma estada de, ao menos,  dois dias - antecedidos de boas leituras sobre sua história,geografia e arquitetura. Colônia foi fundada no século XVII, por ordem do Império Português. Foi motivo de lutas e tratados entre espanhóis e portugueses. Tem um Centro Histórico reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Estivemos, a seguir,  em Carmelo, cidade integrante do Departamento de Colônia, fundada por Artigas,em 1916. O Porto dessa pequena cidade de 16 mil habitantes é fotogênico e interessante de ser visto.


Ponte Internacional em Paysandu
O entorno da cidade de Mercedes tem campos e fazendas que dá gosto ver! As estradas são boas, mas a sinalização deixa a desejar. Por duas vezes, entramos em estradas erradas. Serviu para demonstrar-nos a fineza e a gentileza dos moradores das áreas rurais, que nos deram detalhadas informações.
A visita a Paysandú foi muito interessante. Uma das três maiores cidades do Uruguai, tem bons restaurantes, bom comércio e um certo ar de cidade grande. O pôr-do-sol , visto desde a ponte internacional, é lindo. Rendeu-me fotografias fantásticas. De Paysandu, por uma estrada bonita, mas monótona, chegamos a Tacuarembó, depois Rivera. O roteiro da próxima visita ao Uruguai já está programado : entraremos por Artigas e sairemos pelo Chuí! Prometi a mim mesma explorar mais os países vizinhos, especialmente o Uruguai , a Argentina e o Chile. Há muito o que ver. E há muita semelhança conosco.

sábado, agosto 21, 2010

Visita das Gurias

Sônia,Cleuza, Gilca e eu
Minha mãe costumava  referir-se a suas irmãs como  as gurias, gurias que já ultrapassavam  meio século de vida e que nós, muito jovens, riamos por considerá-las umas velhas.
Pelo fato de eu haver trabalhado em vários estados brasileiros, eliminei muitas marcas regionais da minha linguagem. Passei a usar um padrão linguístico supra-regional, onde algumas palavras, como gurias, entraram em desuso. Depois que voltei a viver aqui, na Bela União, assumi, no dia-a-dia, vocabulário típico desta região.
Evocou-me essa lembrança o comentário que fiz quando Sônia, Cleuza e Gilca saíram daqui: Que bom ver as gurias!
Juntamente com meu querido amigo Cláudio, elas  trouxeram alegria num domingo que passou a ser muito especial - ainda que insuficiente para tantas histórias que sempre temos a contar ou a relembrar.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Festa em Família: Airton Amaral



Airton,Vera, filhos e netos




















Estou convicta de que, na minha idade, a gente tem bem mais de uma família. O tempo, o convívio, o afeto e a própria história de vida nos integram a outra(s) família(s) que passam a ser como nossa(s).
Ontem, estive na festa dos 70 anos do Airton Amaral. Quando foram fazer a foto dele com os seus irmãos , por ordem de idade ( Marcos, no lugar de seu pai Arilde , o irmão mais velho,já falecido, seguido de Airton, Arilton, Altamir, Amilton, Antônio Ângelo, Tudinha, Antonio Augusto e Isaurinha) eu fiquei bastante emocionada, com vontade de chorar.


Meus pais e os pais do Airton ( A menininha sou eu )




Àquela foto, que estava sendo feita, eu sobrepunha outra, feita há 58 anos: casamento da minha irmã mais velha – ela, o marido, eu ( com 8 anos) meus pais e os pais do Airton - uma relação de família, portanto, anterior – eu bem sei - ao nosso nascimento. Rememorei , ainda, duas outras cenas : o pai do Airton chorando no enterro do meu pai e , muitos anos depois, todos os meninos presentes no enterro da minha mãe. Somos , de fato, família.


Meus pais 



















Na casa deles, nasciam mais meninos – somente duas meninas. Na nossa casa, mais meninas – somente dois meninos. Apesar dessa diferença de gênero, brincamos juntos quando criança, nas visitas que se faziam nossos pais ou nas festas em que a gente se encontrava. De minha infância, já tenho lembranças esparsas, como : Arilton , tremendo ao fazer um exame de leitura na escola; Mile e Antônio Ângelo brigando e brincando juntos, muito amigos de pequenos até hoje; eu levando um presente para o Antônio Augusto quando ele nasceu - Toniquinho foi sempre meu baby brother; a minha admiração pela angelical beleza da Isaurinha e pela firmeza e determinaçao da Tudinha...Da minha adolescência , lembro as festas, a alegria dos encontros, as conversas, as risadas, a amizade sempre. Lembro das viagens com nossos filhos pequenos. 


Airton e seus irmãos



















Conhecemos a história de cada um dos integrantes de nossas famílias – que Airton e eu gostamos de relembrar e comentar, ampliando também para as histórias da região. Rimos das mesmas histórias já faz mais de 50 anos, como a dos Tinhecos, meninos terríveis da vizinhança. A Vera, com sua paciência e tranqüilidade, escuta as histórias que já conhece de muito tempo – e ri conosco.Gosto muito dela.

Meus irmãos


Estamos hoje todos entre 50 e 70 anos. Nossos pais têm existência em nossa memória e saudade. Nós temos filhos, netos, sobrinhos, cunhadas, cunhados – gente linda , gente boa , família grande . Como não lembrar da Neneca, da Claide, do Ricardo, do Fábio, do Luciano e dos outros todos ? Interessante e sábia a observação do Ronald quando chegamos em casa: É muito bonita essa outra tua família.


Airton. eu e Ronald



















Continuamos, ainda bem, com a condição de estarmos solidariamente juntos, nas mais diferentes circunstâncias :  em casamentos, aniversários, solenidades e funerais. Continuamos com a condição de rir e de relembrar nossa grande família, composta hoje de várias famílias.


Vera, Airton e filhos


















Airton, meu amigo-irmão, nosso bem mais precioso é a capacidade de amar, “amar uns aos outros...” e nós recebemos esse tesouro. Agradeço aos Céus por termos tido a condição ,a capacidade e a oportunidade de, a cada encontro, não importando o tempo de afastamento, darmos continuidade aos assuntos como se tivéssemos nos encontrado um dia antes - invariavelmente iniciando as conversas com o "tu te lembras...?". Isso é o que importa. Esse é o verdadeiro vínculo familiar.


Vera, Airton e Filhos

ETERNIDADE

Quando os meus filhos
disserem aos meus netos
o quanto eu os amava;
e quando os meus netos
disserem aos meus filhos
que guardam lembranças minhas
e de mim sentem saudade,
não terei morrido nunca:
serei eternidade!

Poema de Maria Gessi Bento,
que transfiro também aos amigos.

terça-feira, agosto 10, 2010

Pequenas histórias II

St. Louis (Missouri)
Eni, minha amiga-irmã, e eu saímos domingo cedo de Pana para conhecer as cidades de St. Louis ( Missouri) e East St.Louis ( Illinois)   , separadas as duas pelo Rio Mississippi. Bonitas e interessantes cidades. (foto 1).
Ao passar por uma pequena cidade, vi, numa esquina,um aglomerado de pessoas e carros. Ao aproximar-nos, escutei a fala, alta e apressada, de um homem. A mim , parecia que ele rezava. Eni esclareceu-me que havia ali um leilão ( Auction).
Além de curiosa, gosto de "eventos populares".
Foi eu mostrar interesse e minha amiga estacionou perto do aglomeramento de 40 ou 50 pessoas.
Descemos.O homem que me parecia rezar, era o leiloeiro. Contei oito agrupamentos dos mais diversos e estranhos produtos que, com rapidez, estavam sendo leiloados - além de muitos e lindos móveis que estavam espalhados pelo terreno. Imediatamente, inscrevemo-nos para poder dar lances. Sim! a experiência devia ser completa.
Objetos a serem leiloados
Eni gostou de um prato de porcelana inglesa e ofertou um dólar de lance. Ninguém mais fez ofertas. Ela levou o prato , mas esse prato não estava sozinho, fazia parte de quatro caixas de louças diversas. Levamos para o carro as oitenta e duas peças que compunham o lote onde estava o prato.
No agrupamento seguinte, havia tecidos. Dei um lance - de um dólar também - pensando em levar um bonito pano para fazer toalha de mesa. Levei...esse pano e mais cinco caixas de tecidos diversos, alguns muito bons. Ao todo, mais de 200 metros!
Pusemos tudo no carro, que ficou superlotado com nossas "aventurosas', fizemos algumas fotos e continuamos nosso passeio para Missouri.
Trouxe poucos tecidos para o Brasil. O restante teve como destino as lojas do Exército da Salvação.Foi um aprendizado e uma diversão inesperada e com baixíssimo custo.

domingo, agosto 08, 2010

Pequenas histórias I


Ela nos recebeu na estação de trens de Shanghai. Demonstrava ser competente profissional e falava o melhor espanhol-chinês que eu encontrei.
Aparentava pouco mais de 50 anos . Era uma pessoa simples e muito elegante. Acompanhou-nos , durante três dias, naquela metrópole. Éramos dois casais: Ronald e eu, Pedro e Maria, uns espanhóis encantadores.
No final do primeiro dia, perguntou , muito formalmente, sobre meus filhos, quantos eram e que idade tinham. Ao responder, acrescentei informações sobre os dois filhos de meu marido. Eu não sabia que estava “dando um nó” na cabeça daquela elegante senhora . A partir daí , sempre que era possível, vinha ter comigo uma conversa particular, à procura de novas informações que a levassem a entender o fenômeno. Meus filhos haviam concordado com esse casamento tardio e com um estrangeiro? E os filhos dele, haviam-me recebido bem? E os demais familiares nossos como reagiram?
Percebi, depois , que a dificuldade maior era a relação minha com meu ex-marido. Quem ficara na casa, perguntava ela? Meu ex-marido concordara com meu casamento? A cada conversa, a situação se complicava mais. Saber que meu atual marido tinha duas ex-esposas e que meu ex-marido era casado , foi um choque para ela. Contou-me que jamais os filhos dela concordariam com uma situação tão extraordinária assim. Dei-me conta que o abismo era muito mais cultural que lingüístico.
A cada intervalo nas explicações sobre Shanghai, novas perguntas e novos comentários. Ela estava sempre ansiosa para saber mais. Discretamente ansiosa. Procurava sempre ser discreta.
No último dia, quando nos acompanhava ao aeroporto, após pedidos de desculpas pelas indagações todas e muitos elogios ao meu espanhol e à minha disponibilidade para conversar, ela fez a mais difícil das perguntas: junto com quem eu seria enterrada quando morresse. Com qual dos meus maridos estaria o lugar para mim. Entendi essa pergunta porque me lembrei da Slovakia, onde ficava pronto, ao lado do cônjuge morto, o lugar do que ficara vivo – na lápide, nome e data de nascimento do sobrevivente , faltando apenas colocar a data da morte!
Depois, já no avião, eu ri muito, imaginando um cemitério estranhamente comunitário, com meu ex-marido, a mulher dele, o ex-marido da mulher dele, meu marido, mais as duas ex –mulheres dele com seus maridos e ...Quanta gente! A pobre senhora chinesa não poderia mesmo entender .