domingo, outubro 28, 2018

Letônia ou Latvija

Fotos e comentários sobre Riga




















A Cidade Velha  – centro histórico de Riga – é circundada por dois rios. Um deles teve uma de suas margens transformada em parque , pleno de árvores, flores, esculturas , monumentos históricos e lugares para muita gente estar. Lugares pacíficos, limpos e bonitos.





















Num restaurante, em Riga, comi uma salada fantástica, feita com  filé de frango , grelhado e cortado em pedaços; omelete fininha, enrolada e cortada em rodelas; azeitonas pretas; pedaços de abacate; cogumelos; alfaces de diferentes cores , rasgadas em pedaços; molho rose com uma pitada de conhaque.



























Na mesma quadra do hotel onde estamos hospedados, está o prédio da Academia de Ciência, o maior edifício de Riga quando de sua construção. Obra polêmica pela mistura de estilos e de símbolos, ganhou logo o apelido de Bolo de Aniversário de Stalin.






















Comovente o monumento dedicado a todas as crianças que foram deportadas para a Sibéria , no período de 1941 a 1949.



























Seria isso um “puxadinho”medieval?



























No Centro Antigo de Riga, vi a estrutura de uma grande árvore de Natal , toda com pedaços retangulares de espelho. Além de produzirem um som interessante , refletem diferentes cores durante o dia , de acordo com as cores usadas por quem a está olhando e as cores das árvores e dos edifícios próximos.





















Dizem que a melhor maneira de conhecer Riga é caminhando ou pedalando. Há bicicletas disponíveis em vários pontos. Como não sei andar de bicicleta, porque, quando criança, só aprendi a andar a cavalo, caminho por todas as cidades...e caminho muito.




























A Igreja Anglicana, bem localizada, demonstrar precisar de mais cuidados, a começar pela escada que dá acesso à porta principal. É, entretanto, muito bonita.






















O outono é uma estação muito especial : as folhas caem parecendo dançar ao som da brisa suave; os pinheiros parecem aumentar seu verde forte para receber a neve; a água, os caminhos escuros de asfalto e a superfície da água ficam enfeitados por folhas de diferentes formatos e tons, do amarelo claro ao vermelho.




Visitamos , na praça da Cidade Velha, a uma exposição de animais e frutas, feitos com pedra bruta e ferro  batido. Muito bonita mesmo.

Letônia ou Latvija




















Conheci,na Letônia, - em letão, Latvija -  apenas Riga,sua capital e maior cidade da região dos Bálcãs.Viajei pelos campos letões, de ônibus, vindo da Estônia e indo para a Lituânia. O que vi , foram "campos europeus ": limpos,bonitos, produtivos, com muitas florestas e lagos. Li comentários sobre o futuro turístico do País, que apontam para o ecoturismo , nas antigas fazendas, como uma realidade próxima.










































Há investimentos no turismo, primeiro na capital, depois em áreas ao seu redor e, agora, em área mais distantes. Os grupos de turista, que a todo momento encontramos nas ruas de Riga, prova que esse investimento está dando certo . Que bom que o ampliasse mesmo, já que dizem ser a fronteira com a Rússia, no extremo oeste, uma área bonita, mas pouco desenvolvida. Quero muito visitá-la.








































Mesmo antes de 1200, ou seja, da chegada dos cruzados germânicos, a Letônia já dava mostra de sua existência, negociando com mercadores de lugares distantes. Em tempos bem mais próximos, sofreu a ocupação da Alemanha nazista e da Rússia soviética. Fez-se livre a partir de 1991 e procurou, então, acelerar sua modernização, perseguindo, assim, qualidade de vida para seus três milhões de habitantes, a maioria letões ( 60%) e russos ( 30%).





















iga é uma cidade admirável. Tem-se nela todos os estilos arquitetônicos : do gótico ao neoclássico. Possui um Centro Histórico - Cidade Velha -  que é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, em especial pelos seus edifícios em estilo Art Nouveau.Percorremos essa cidade a pé. A maior parte das suas atrações estão dentro das " muralhas", á margem direita do rio Daugava.Muitas igrejas, museus,torres,prédios e monumentos tornam o passeio inesquecível.
























O Castelo de Riga, onde assistimos à troca de guarda,  e a Casa dos Cabeças Pretasmerecem um tempo especial de visita.São, de fato, muito bonitos.Também um tempo especial deve ser dedicado à Praça da Prefeitura,que foi o centro do poder em Riga, juntamente com o Castelo e a Catedral, para discutirem negócios e fazerem festas. A Casa dos Cabeças Pretas foi construída, originalmente, em 1334. Ao longo do tempo, passou a pertencer aos comerciantes estrangeiros, solteiros e ricos,que aí se reuniam para fazer festas e discutir negócios. Hitler iniciou a destruição delas em 1941. A fantástica recuperação se deu em 1999.






















Ficamos hospedados fora da Cidade Velha, há quatro quadras do centro, perto do imenso Mercado Central, que ocupa cinco hangares, no Subúrbio ( Bairro) Moscou. Muito próximo ao hotel, um prédio marcante, que foi o maior de Riga, a Academia de Ciências, chamado , ironicamente, de Bolo de Aniversário de Stalin. Foi construído entre 1953 e 1957, em estilo falso-barroco, com uma mistura de símbolos que lhe valeram muitas críticas. Região bonita e tranquila, gostei de ficar ali.























Num mesmo dia, fizemos duas visitas importantes, ainda que em lugares bem diferentes: fomos ao Museu do Motor, um pouco longe do centro e, perto dele, ao Memorial do Holocausto, na Floresta Bikernieki. Esses dois lugares, um de rir e outro de chorar, eu os comentarei em post separado. Quero muito retornar à Letônia. Há muitos lugares que eu gostaria de conhecer ou de rever.

Estônia : Parnü



Centro de Parnu



















Quando vou a um país pela primeira vez, procuro sempre visitar ao menos uma cidade, além da capital. Foi assim também na Estônia. Depois de encantar-me com Tallin, fui passar um dia em Parnü, considerada a Capital do Verão da Estônia, pelas suas excelentes praias e pelos seus famosos resorts. Mas não é somente uma cidade de praia, é  também uma cidade muito interessante, com uma história antiga e muito forte.

Igreja (Ortodoxa)Sta.Catarina




















Vai-se a Parnü , em 2h30min, pela mesma estrada que se vai a Letônia, a Rodovia 4, conhecida como Via Báltica. As estradas são boas - não são excelentes - e os ônibus são do tipo standart. Voltaríamos a essa estrada quando viajamos para Riga. Parnü foi fundada em 1251 e manteve-se controlada pelo reino da Polônia entre 1560 e 1617. Os suecos passaram a controlá-la mais tarde. Em 1721, entretanto, ela foi anexada ao Império Russo, através do Tratado de Nystad como consequência da Grande Guerra do Norte. A cidade tornou-se parte da independente Estônia após o término da Primeira Guerra Mundial.

Parque com monumento a Koidula



















Entre suas principais atrações, destacam-se: a Cidade Velha, localizada ao redor da Rua Ruutli, exclusiva para pedestres; a Igreja Santa Catarina, uma igreja barroca, construída em 1768, onde nos permitiram fazer , na parte interna, apenas duas fotografias; a Prefeitura, construída em 1797, como casa de um rico mercador da região; um supermoderno Centro Cultural, que oferece uma bem montada sala de informática, aberta gratuitamente para a população; um belíssimo e grandioso parque, onde encontramos uma estátua de Lydia Koldula, a poetisa mais conhecida da Estônia.



















Lydia Emilia Florentine Jannsen , que nasceu em 1843 e morreu em 1886, com 43 anos portanto, foi a poetisa e escritora que muito influenciou a história estoniana. Seu poema Meu País é Meu Amor , durante o período de dominação soviética, foi o hino nacional não oficial da Estônia. Koldula - que significa do amanhecer -  foi o pseudônimo que Lydia adotou quando foi proibida de escrever.



















Ela teve um passional romance com o escritor Friedrich Kreutzwald e para ele escreveu apaixonadas cartas de amor. Nem todas essas cartas - consideradas ponto alto de sua obra - foram posteriormente publicadas porque a esposa de Friedrich as queimou, num acesso de ciúmes. Mais tarde, Koldula casou com um médico da Letônia e foi morar no Golfo da Finlândia. Lá morreu, segundo dizem, de câncer e de saudades de sua terra natal e de seu amado. É. As histórias de amor estão em toda parte. Ainda bem.



















Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra.
Fernando Pessoa


quinta-feira, outubro 25, 2018

Países Bálticos: vale a pena visitá-los!

sábado, outubro 29, 2011


Estônia - Tallin

Cidade Velha: Prefeitura





































Interessantes os limites geográficos da Estônia: Rússia , na fronteira leste; Escandinávia contornando o norte e o oeste; os outros dois Países Báticos ao sul. Com tantas influências e alvo de tantas disputas, a Estônia, cuja história remete ao século 13, manteve-se razoavelmente coesa, graças a sua forte identidade cultural, conseguindo, mais tarde, com muitas lutas, sua independência. Nas suas últimas conquistas, estão a independência da União Soviética, em 1991, e a aprovação de sua adesão à União Europeia, em julho de 2010. Também desde 1991, a Cidade Velha , centro histórico de Tallin, hoje restaurada, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO. A visíbilidade alcançada hoje , no mundo do turismo, pela Estônia , juntamente com a Letônia e a Lituânia,  é inegável. O fluxo de turistas em Tallin é constante e influi, favoravelmente, na economia do País. Encontram-se ali pessoas do mundo inteiro. Surgem  hotéis e restaurantes de boa qualidade com preços  mais baixos do que seus vizinhos da Escandinávia. O País demonstra estrutura para receber e manter esse fluxo de gente, mesmo em cidades como Parnu,bem menores do que a capital.

Mercado da Praça



















Cheguei na Estônia, vindo da Finlândia, em navio. O hotel , perto das Torres de Pedra do Portão de Viru, era agradável e , de nosso apartamento, podíamos ver a Cidade Velha, incluindo algumas igrejas e torres medievais. Visão inesquecível. Eu havia planejado uma estada de quatro dias em Tallin. Após a primeira longa caminhada pelo Centro Histórico, ampliamos nossa permanência total para nove dias! Já não se tratava de conhecer a cidade; tratava-se de curti-la. A Praça da Prefeitura, onde se concentra o movimento desde a Idade Média,  e a área de Toompea eram por nós visitadas quase diariamente. Já tínhamos a nossa cafeteria - Vertigo Gourmet - onde podíamos tomar um bom café com grissini deliciosos Somente em um dia tivemos chuvas, nos demais , agradável e amena temperatura - isso aumentava nossas condições de traçar a pé toda a Cidade Velha e parte da cidade nova
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Catedral Bizantina





































As pessoas mostram-se gentis e agradáveis. Não se tem problema linguístico já que a maioria é falante de inglês. Disseram-me que, em geral, as pessoas falam três línguas - além do inglês , o russo é bastante falado.O artesanato é interessante e diferente, predominando a lã e a madeira como materiais usados.Fazem roupas de tricô muito bonitas.O comércio de âmbar,  entretanto, é o mais forte - joias e objetos com detalhes de âmbar são encontrados em toda a cidade. A arquitetura medieval da Cidade Velha está muito bem preservada. O centro mostra suas ruas estreitas, labirínticas, com calçamento de pedra. Restam, ainda, dois km de muralha e metade das quarenta e seis torres originais. Prédios espetaculares, como a Prefeitura (construída em 1404), a Casa das Três Irmãs, a Farmácia da Prefeitura,  a Igreja Niguliste, a Catedral Alexandre Nevsky, a Igreja Santo Olavo e a Casa dos Cabeças Pretas, entre muitos outros, pedem tempo e atenção para realmente serem vistos.



Parque e Palácio Kadriorg



















Passamos um dia todo no Parque Kadriorg , que dizem ser um dos lugares mais interessante fora da Cidade Velha. É um parque com um km e meio de extensão que tem como centro o Palácio de Verão de Pedro, o Grande,um palácio barroco do século 18. Ao redor do palácio, estão vários museus, memoriais, estátuas e o bonito Lago dos Cisnes. Emocionante pela sua beleza e pelo que representa é o Memorial Russalka, erguido em homenagem aos 177 soldados que morreram no naufrágio de um návio, que, em 1893,  ia para a Finlândia. Neste memorial, um anjo de bronze, na ponta dos pés, voltado para o mar, ergue uma cruz ortodoxa, como se pedisse proteção ou calma às águas. Na base, vêem-se blocos de granito, desbastados, sugerindo ondas fortes num mar revolto.


Memorial Russalka



















Outro lugar fantástico, fora da Cidade Velha também, é o Monte Toompea, onde se podem visitar construções impressionantes , ainda do século 13,  e de onde se pode ter uma vista belíssima da Cidade. No Monte Toompea,  encontramos várias noivas , fazendo suas fotografias, como acontece rotineiramente em fotogênicos lugares históricos. Há pouco menos de uma década , comecei a interessar-me por essa região, mas não tinha um plano para conhecê-la. Estava muito envolvida com o Leste Europeu, especialmente com a Slovakia, a Hungria e a República Checa. Nos últimos três anos, o apelo tornou-se mais forte : eu precisava ir lá. Era intensa a minha curiosidade.Ainda bem que fui - agora pretendo voltar! Li , uma vez, que bastavam dois dias para ver Tallin. Impossível. Seria uma visita com lamentável superficialidade. Tallin precisa - e merece - bem mais tempo para ser visto.


terça-feira, outubro 25, 2011


Os Países Bálticos - introdução

Tallin



















Nos três Países Bálticos, reside o núcleo desta viagem. Aos países visitados, antes e depois deles, fui somente rever lugares e amenizar saudades, especialmente da República Checa e da Suécia. A viagem foi precedida de muita leitura - o que considero imprescindível para desfrutá-la mais. Estava certa de que iria gostar desses países.  Não foi, portanto, amor à primeira vista, mas amor às primeiras leituras. Encantou-me a história da Estônia, da Letônia e da Lituânia - suas conquistas,ocupações e lutas por uma independência que só viria em 1991. Encantava-me saber que essa história tinha suas raízes nas tribos bálticas, 2000 a.C.


Letônia: as três nações




















Havia lido sobre o âmbar dos Bálcãs, sua beleza e as lendas  que o cercam, e havia já recebido de Edith, mãe da minha nora, um adereço de âmbar. Havia lido também sobre as capitais e por isso sabia que, apesar das afinidades históricas, possuíam características distintas, como o esplendor medieval de Tallin, o interessante Art Nouveau de Riga e a elegância Barroca de Vilnius. Estava muito curiosa para ver Tallin, Riga e Vilnius.Gosto de visitar cidades bem diferentes das nossas, pois, como escreveu Fernando Pessoa:
Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque  menos depende da minha subjetividade.

segunda-feira, outubro 17, 2011


Natureza e modelitos

Nesta viagem, as minhas poucas roupas trouxeram-me algumas dificuldades, ocasionadas pelas mudanças, às vezes bruscas, de clima.
Em Portugal, um belo verão, usando sandálias e roupas muito leves.
Em Berlim, temperatura para um casaco de meia estação.
Na Suécia, começaram as chuvas, e o frio aumentou.
Finlândia e Estônia assumiram o outono, com toda a preparação para o inverno, rigoroso nesta região. Em Tallin, tivemos um dia com vento forte e chuva - de - pedra, expressão de que tanto gosto e que  se escuta, frequentemente, em Alegrete. Era preciso sair do hotel diretamente para o táxi e deste para um local abrigado.
Dia - a - dia, notavam-se a cor de outono nos parques e jardins, e as folhas , em profusão e de cores diversas, enfeitando os caminhos.
Já tarda mais o amanhecer , e dezoito horas já é noite. As cidades resistem ao fim do verào: muitos bares, restaurantes e cafeterias conservam ainda mesas nas ruas - e os clientes as trocam por lugares fechados e aquecidos.
Nas vitrines, os lançamentos da moda outono-inverno, muito marcados pela presença do vermelho forte e do preto, muito preto em botas, chapéus, casacos,  calças e vestidos.
Em cidades belíssimas, como Stocolmo e Tallin, todos os diferentes dias têm seus diferentes encantos. Assim é o mundo.... parece-me.