quinta-feira, outubro 04, 2018

Sugestão de Roteiro de Viagem 04: Andaluzia - 2a.parte


Málaga :Arte em espaços públicos - Henry Moore

Andaluzia é minha paixão na Espanha; Granada, minha paixão na Andaluzia. Cidade que me encanta e comove e para onde sempre retorno. Para tentar compreender a história espanhola, incluindo  encontros e desencontros entre árabes, judeus e cristãos, é relevante ir a Granada com tempo disponível e olho limpo  - assim será possível  desvendá-la ao menos parcialmente.



Granada - Alhambra

De trem ou de ônibus, enfrento mais de 4 horas de viagem, pois  são 467 km de distância. Costumo partir de trem desde Madrid por Atocha ou de ônibus pela  Madrid Estación Sur -  uma grande e moderna estação rodoviária. Chega-se a Granada numa estação rodoviária bem menor, mas com escadas rolantes, banheiros muito limpos e boas cafeterias.. As passagens de ônibus, eu as compro no www.alsa.com 



Detalhe do Centro Histórico de Granada

Em Granada, hospedo-me no Hotel  Navas, um três estrelas honesto, localizado numa rua peatonal com muita oferta de cafeterias e restaurantes. A partir do Hotel, acesso, com facilidade, as praças Carmen, Rib-Rambla, Universidad e Santa Ana;  a majestosa Catedral de Granada, a Capela Real onde estão  Isabel e Fernando, Joana e Felipe - a história trágica de Joana pode ser conhecida em :  http://rainhastragicas.com/2013/04/05/juana-la-loca-de-amor/ 





                                                           Detalhe da grandiosa Alhambra

                               
 " Certamente ninguém esquece  a primeira vez que vê Alhambra, assim como é impossível vê-la toda num dia só. Parti,  já pensando em voltar. Os sultões que a mandaram construir , usaram não só mármore, pedras, areia , azulejos, mas também aromas, luz , cores,  água. Todos os detalhes parecem ter sido esteticamente escolhidos. Quanto de fantasia transformou-se em realidade neste lugar. Quanta dor se viveu aqui....." http://correndomundo.blogspot.com.br/2015/05/alhambra-olhos-de-verolhos-de-chorar.html    OBS. Os ingressos para a imperdível visita a Alhambra podem ser comprados com antecedência no site https://www.alhambra.org



Ruazinha do centro de Granada


O poeta Francisco de Icaza, considerando as belezas de Granada , escreveu:

"Dale limosna, mujer,
que no hay en la vida nada
como la pena de ser 
ciego en Granada."


                                                                Catedral de Málaga

Em uma das minhas idas  a Granada, segui depois para Málaga, capital de Província, com cerca de 600 mil habitantes e vida cultural intensa. Nela nasceu Pablo Picasso, admirável e inovador artista. Picasso nasceu em uma casa na Plaza de Merced, em 1881. Assim que cheguei, fui visitar o Museu que leva seu nome e que tem um acervo de 204 obras suas. Visita recomendada! Vale conferir em: www.museupicassomalaga.org Antônio Banderas também nasceu em Málaga, no dia 10 de agosto de 1960.

                                                                           Málaga

Escrevi no correndomundo: "Os moradores de Málaga - os malagueños - podem orgulhar-se  de sua história de força e coragem, demonstradas antigamente, nas batalhas e , modernamente, nos pontos de vista que eles defendem. Resistiram até 1487 aos exércitos invasores cristãos e também,durante a Guerra Civil Espanhola, enfrentaram os fascistas de Franco - quando centenas de nacionalistas foram assassinados. Há pouco, fizeram fortes manifestações contra os efeitos negativos do turismo." Málaga
é importante cidade no roteiro de quem se interessa por arte e história.

Ronda

De Málaga, fui a Ronda, belíssima cidade integrante dos Pueblos Blancos, cidade-berço das touradas. Com menos de 40 mil habitantes e com 744 metros de altura, era a preferida de Alexandre Dumas, Ernest Hemingway, Rainer Maria Rilke e Orson Welles. Está situada à beira de um desfiladeiro de 100 metros, por onde passa o rio Guadalevin. Obs. Sobre os Pueblos Blancos, sugiro o post: http://www.viajenaviagem.com/destino/pueblos-blancos

Ronda

Entre os  principais pontos de interesse de Ronda, que podem ser vistos em um dia, destacam-se a Igreja de Santa María la Mayor, a Casa do Rey Moro, o Museu de Ronda, os Baños Árabes, o Museu Lara ( interessante pelo mix que abriga ), a Praça de Touros, o Museu Taurino e suas estreitas e encantadoras ruas. Fora da cidade antiga -  extramuros - é interessante  visitar o Bairro São Francisco, onde antes havia um cemitério muçulmano. O Bairro teve sua origem num pequeno mercado, no século XV, por decisão de nele morarem os mercadores que se negavam a pagar altos impostos para comercializar seus produtos na cidade amuralhada. 


Ponte antiga sobre o rio Guadalevin

Há bons restaurantes em Ronda, onde se pode  encontrar rabo de Toro - o nosso conhecido espinhaço, tradicional no Rio Grande do Sul. Uma leitura interessante pré-visita pode ser o romance Morte na tarde, escrito por Ernest Hemingway, em 1932. Nessa obra, Hemingway expressa sua grande paixão pelas touradas e narra, com detalhes, o medo e a tensão que a Praça de Touros provoca. Ronda é visita que eu sugiro sem medo de errar.



Para este roteiro, sugiro o mínimo de uma semana. Locar um carro seria o mais aconselhável. Fiz, entretanto, muitos recorridos pela Andaluzia de trem ou de ônibus. Na próxima  sugestão de roteiro, relatarei viagens a partir de Granada, traçando outra direção e percorrendo  Antequera, Jaén, Úbeda, Baeza e parte da Serra Nevada. Em junho próximo, penso ir de Huelva até Almeria, ampliando meu conhecimento da região. Conto , para isso, com ânimo e encantamento.


Prefeitura de Granada

terça-feira, outubro 02, 2018

Sevilha e Andaluzia : Introdução ( texto antigo)


Andaluzia:  encanto das ruas estreitas...
Gostaria muito de dizer aos meus netos que conheço bem a Andaluzia, região considerada o berço da Espanha e lugar de tradições muito fortes. Por essa razão, eu a incluí, com prioridade, nesta programação espanhola. Necessito ,pois, de tempo e energia para concretizar esse desejo.

.....outras ruazinhas.....
Serão aproximadamente  três meses com muitas andarilhadas,  iniciadas no mês de abril. Ótimo mês. Primavera, temperatura agradável, feiras, flores e festas por todo lado - se bem que a Andaluzia sempre encontra motivos para festas, em qualquer estação do ano.

...ruazinhas com excelentes tabernas...
Em janeiro p.p., Pedro, meu neto, e eu estivemos em Sevilha alguns dias. Pleno inverno! Tínhamos como objetivo a Festa de Reis, que foi realmente uma grande festa. O relato dela está aqui no Correndomundo ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/2015/01/sevilha-colorida-vivaz-e-apaixonante.html )

....ruazinhas com muitas flores...
Em janeiro, portanto, com o passeio  a Sevilha, estava iniciada a temporada andaluz . Na semana última, a continuidade veio com três novos passeios : Córdoba, Jerez de la Frontera e Cadiz. Escreverei, separadamente, sobre cada uma delas. 

....e uma surpresa ao final....
Fiz a lista de algumas das  cidades que pretendo ir, como  Carmona, Huelva, Granada, Málaga, Ronda - e daí aos Pueblos Blancos - Algeciras, Jaén, Vejer de la Frontera e Tarifa, não necessariamente nessa ordem. Haverá intercalações nesses passeios; na próxima semana, por exemplo, estarei na República de Malta. Ao retornar, irei primeiro a Granada...depois, veremos....

...ruazinha com Campanário ao fundo, em Córdoba....
"Nem tudo é dias de sol,
E a chuva , quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade.
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,...."


Fernando Pessoa

...em Jerez de la Frontera

domingo, setembro 30, 2018

Mesquita/Catedral de Córdoba - Andaluzia



Detalhes do interior da Mesquita/Catedral de Córdoba

O Sul da Espanha sempre recebeu  visita e  invasão de outros povos, como os fenícios e os gregos que vieram comerciar; os cartagineses que deram continuidade ao comércio e aí se estabeleceram por muitos anos; os romanos que fizeram de Córdoba a capital da região; os visigodos que ocuparam o lugar dos romanos até a chegada dos exércitos islâmicos. Todos esses povos deixaram heranças na linguagem, nos costumes, na forma que têm as cidades, nos edifícios e nas obras de arte.


Junto à Mesquita/Catedral, o Pátio das Laranjeiras

Córdoba, localizada às margens do rio Guadalquivir, é uma das cidades mais antigas da Espanha. A ela chegaram os muçulmanos , conhecidos também como Islâmicos, no ano de 715, após as tropas islâmicas do Califato de Damasco terem conquistado grande parte do norte da África e terem passado para a Península Ibérica.


Zeli, minha irmã, na Mesquita Catedral

Córdoba era cidade geograficamente valiosa por ser uma encruzilhada de vários caminhos. Nela viveram e conviveram pessoas com diferentes religiões e culturas, que a tornaram, no século X , um dos centros mais importantes do mundo. Ali conviviam judeus, árabes e cristãos. A principal parte da cidade era a Medina, a parte murada da cidade.


Torre Principal

Na Medina, encontravam-se , além da mesquita principal, o alcázar, que era a grandiosa residência do califa e de sua corte, outras mesquitas menores, os zocos , um tipo de mercado, e os banhos. Em Córdoba, vale uma visita  - e , havendo tempo, a experiência de um banho árabe -  a um edifício, com belos mosaicos,  que está localizado próximo à Mesquita/Catedral.


Colunas de mármore, granito, jasper  ou onix

A Mesquita de Córdoba começou a ser construída no ano 786, pelo califa Abd al- Rahman, passou por  três grandes ampliações, antes de, no século XVI, construir-se, dentro dela, a Catedral cristã. Ela parece uma fortaleza, com muitas portas. Para dimensionar seu tamanho e grandiosidade, é interessante uma caminhada ao redor dela.


Beleza e grandiosidade

Entra-se no recinto da Catedral pela Porta do Perdão, onde se perdoavam, em público, os pecados dos penitentes cristãos. Por essa Porta, chega-se ao Pátio das Laranjeiras,  onde, algumas vezes, já estive  no período de floração das laranjeiras, que estão por toda parte e, encantadoramente, perfumam a cidade.


Torre da Catedral vista a partir da Juderia

]
No centro do Pátio das Laranjeiras, há uma Fonte, com formato quadrado, cuja  água escorre por seus quatro cantos. Uma antiga tradição  diz que a pessoa que beber da água que escorre do único canto da Fonte que está sob uma oliveira, casa-se logo. Quem não quiser se casar, portanto, afaste-se desse lugar, ainda que esteja com sede.



Assim é hoje, com as alterações para ser uma catedral cristã

Por baixo da Torre da Catedral , como a  vimos hoje, havia outra torre, construída, no século X, por Abd al-Rahman III, que foi um governante de grande prestígio em todos os reinos da época. A Torre atual foi construída no século XVII, e restos da Torre Islâmica, como parte das parte das paredes e das escadas, podem ser vistos ainda no seu interior.



Fonte do Pátio das Laranjeiras

Atravessando o Pátio, entra-se, na parte coberta da Catedral, através de um arco, denominado Porta das Palmas, porque era por onde passava a procissão do Domingo de Ramos. Passando essa porta, tem-se um impacto indescritível com a visão  das colunas e dos arcos - um Bosque de Colunas - como já foi chamado -  pois são aproximadamente 900 arcadas. Impactante!



Riqueza interna da  Mesquita/ Catedral


Precisa-se de um tempo não exíguo para acostumar-se com a arquitetura, admirá-la e ver os tantos detalhes do local : as diferentes colunas e capiteis e os diferentes arcos; os magníficos mosaicos, presente do imperador de Bizâncio ao califa de Córdoba; a beleza e o luxo das luminárias que vêm do teto; a Capela Real com seu estilo mudejar; o altar, o coro, as cadeiras talhadas em madeira nobre, o teto... São muitos os detalhes e o espaço é o maior que conheço - nem sei se dá tempo para rezar ali! 




Minúcia e perfeição nos detalhes internos


Embora a tradição e a história  de Córdoba evidencie uma convivência possível de religiões - tanto que a cidade também é conhecida como Cidade das Três Culturas - eventualmente afloram sinais de conflitos e discussões como as que se observam na denominação Catedral...ou Mesquita...ou Mesquita/Catedral ou como  o uso do mesmo espaço para ritos e rezas de fieis muçulmanos. Talvez...um dia...



Altar  todo em mármore vermelha

"Pode-se visitar a Mesquita de Córdoba de 2ª a sábado das 10h às 18h (entre março e novembro, até as 19h). Domingos e feriados religiosos têm horários diferentes: das 8h30 às 10h15 e depois das 14h às 18h (entre março e novembro, até as 19h). A entrada custa €8 e não é vendida por antecedência -- nem precisaria. Basta se dirigir à bilheteria e comprar." https://www.viajenaviagem.com/2012/03/mesquita-cordoba/



Riqueza e variedade de materiais

" La luz que desde la Catedral de Córdoba nos alumbra no es mortecina ni temblorosa. Es intensa, penetrante. Ilumina el camino . Propone el abrazo de las comunidades del mundo." 
Juan Carlos I , Rey de España  28 - 5 - 86



Portas que circundam o edifício. mas não dão acesso aos visitantes.

sábado, setembro 29, 2018

Málaga, onde Pablo Picasso " vive ".

Museu de arte de Málaga
Vim de Granada a Málaga de ônibus, em duas horas de viagem. Na chegada, a Estação Rodoviária - quase junto à Estação de Trens - surpreendeu-me favoravelmente: limpa, bem cuidada, escadas rolantes, ótimas cafeterias. Caminhei até o Hostal que eu reservara - por sorte era um bom lugar para hospedar-se. De posse do mapa da cidade e depois de tê-lo estudado bem, comecei um percurso até o centro histórico , que descobri ser bem longo....

Abundância de flores nas ruas
A Estação de Trens Málaga Maria Zambrano é próxima ao porto, uma área sem atrativos especiais, fora as palmeiras do Passeio Marítimo. A cidade pareceu-me feia no início.mas,  à medida que me aproximava do Centro Histórico, fui descobrindo belezas, a começar pelas muitas flores nas ruas. Depois, vieram as esculturas em lugares públicos e os belos edifícios. Fui, então, conquistada por Málaga. Desta vez, nem precisei de cafeterias para cativar-me.

Visão frequente nas ruas do Centro Histórico
Até então, minha mais forte referência de Málaga era Pablo Picasso, admirável e inovador artista. Picasso nasceu em uma casa na Plaza de Merced, em 1881. Decidi que minha primeira visita seria ao Museu que leva seu nome e que tem um acervo de 204 obras suas. Gostei. Fotos são permitidas somente das áreas externas ou abertas. Bem que eu gostaria de ter fotografado um óleo, ao menos, com temática famíliar. São lindos. Vale conferir no www.museupicassomalaga.org

Um dos jardins do Museu Picasso
Parece mesmo que Pablo Picasso vive em Málaga - cidade com cerca de 600 mil habitantes e capital da província. O aeroporto tem o nome o nome de...Pablo Picasso. Pode - se visitar a igreja de Santiago, onde ele foi batizado; a casa original de sua família; a casa onde ele nasceu; o conservatório em  que recebeu seu primeiro prêmio artístico  e seu valioso museu. Dizem alguns malagueños que, em comum mesmo, Picasso e Málaga têm a alma inquieta.

Catedral de Málaga
O segundo Museu que visitei  - desculpem, mas tenho tendência a chamar as igrejas antigas de museus -  foi a Catedral de Málaga - que,  de fato, incorpora também um belo museu, com acervo de objetos religiosos, que abrange um período de 500 anos. Ocupou o lugar de uma antiga Mesquita, de que restou somente o Pátio das Laranjeiras.

Detalhe da Catedral
A construção da Catedral iniciou-se no século XVI e estendeu-se por 200 anos. Por fora, já impressiona pela delicadeza e beleza impressionantes dos detalhes; por dentro, sua grandiosidade toda impressiona. O teto está a 40 metros do chão. O coro, todo em madeira de cedro, como era usual na época, é esplêndido  Ao todo, nas naves laterais, estão 15 capelas. Pelo custo do projeto, em 1782, as obras foram interrompidas, e um dos campanários ficou inacabado.
Catedral: riqueza nos detalhes
O Convento de San Agustin,  assim como a Igreja do mesmo nome, está localizado na rua que hoje é denominada Calle del San Agustin; antes era chamada Calle de los Caballeros. Foram construídos - convento e igreja - no século XVI. O Convento passou por muitos donos e alguns abandonos. Por último, foi comprado pela Câmara dos Deputados e cedido à Universidade de Málaga. Futuramente, será a sede da Biblioteca Pública do Estado.

Igreja do Convento de San Agustín 
Da minha adolescência, ainda tenho o sonho da arte em espaço público, tornando-a acessível a todas as pessoas. Incluo o acesso à arte como política básica de cidadania. Por isso, as esculturas, entre outras manifestações artísticas, emocionam-me sempre. Em Malaga, há muitas esculturas fantásticas nas ruas - para ver, admirar, refletir. 

Esculturas em espaços públicos
De 16 de abril a 28 de junho deste ano, junto ao Teatro Romano de Málaga, perto da Fortaleza de Alcazaba e do Museu Pablo Picasso, acontece a monumental mostra ao ar livrede seis grandiosas esculturas em bronze, do britânico Henry Moore, como parte do programa Arte na Rua  ( www.laCaixa.es/ObraSocial ) . Sorte  minha conseguir ver essas obras. De Málaga, elas irão para Santander , Burgos e Pamplona.

Escultura de Henry Moore
Conhecido por suas esculturas abstratas de grande tamanho, feitas em bronze fundido ou mármore, Henry Moore ( 1898 - 1986 ) começou, quando ainda era criança, a modelar em argila e a esculpir em madeira. Aos 11 anos, decidiu ser escultor. Tornou-se um dos mais conhecidos artistas britânicos. Fez muitas obras para espaço público - abstrações da figura humana, a maioria representando o corpo feminino. Vivia modestamente. Investia muito na Henry Moore Foundation, dedicada a promover educação e fomento às artes. Fantástica a exposição dele em Málaga.

Peça teatral em espaço público
Infelizmente não consegui sequer identificar o texto desta peça teatral, apresentada no Teatro Romano , junto ao Alcazaba, porque era a minha hora de partir. Impressionante a cústica e o número de participantes, incluindo alunos de escola básica. Lembrei-me de meus queridos amigos baianos, Raimundo Leão e Jorge Mascarenhas. Gostaria muito que eles estivessem neste cenário.

Teatro Romano e Alcázar
Málaga tem mais de 3 mil anos de história. Provavelmente, tenha sido fundada pelos fenícios e daí venha sua vocação para o comércio. Na época islâmica, tornou-se o principal porto do Emirado de Granada. Os Mouros  ocuparam essa cidade até metade do Séc. XV e  a tornaram um dos centros mercantis mais importantes da Península Ibérica. Esse passado deixou  suas marcas no centro histórico de Málaga, em particular nos arredores da Alcazaba, uma fortaleza que data do ano 1065.

Ruas típicas de Málaga
Os moradores de Málaga - os malagueños - podem orgulhar-se de sua história de força e coragem, demonstradas antigamente, nas batalhas e , modernamente, nos pontos de vista que eles defendem. Resistiram até 1487 aos exércitos  invasores cristãos e também, durante a Guerra Civil Espanhola, enfrentaram os fascistas de Franco - e centenas de nacionalistas foram assassinados. Há pouco, fizeram fortes manifestações contra os efeitos negativos do turismo de massa. Orgulham-se de sua riqueza cultural, com razão, face ao número significativo de museus, teatros e monumentos.

Praia no Mediterrâneo
Estou prevendo um retorno a região de Malaga, para visitar Marbella - pelo seu invejável passado histórico, não pelos famosos que têm lá suas casas, como o malagueño Antônio Banderas; Torremolinos -  onde se realizou, em outubro de 2011, a primeira Expo Gays, que atraiu mais de 15 mil visitantes;  Mijas - que era um pueblito humilde, localizado entre o mar e a montanha, e hoje é o município mais rico da Província. Atraiu, na década de 60,  boêmios e artistas de todo o mundo. Famoso pela natureza e por uma cultura muito particular. Agenda para junho...ou para a próxima vinda à Espanha.

Detalhes da Catedral


"Bom vento do mar,bom vento
Que vens de cima do mar,
Vem dizer ao meu pensamento
Que o melhor é não pensar.

Se acreditar no que existe
Faz triste quem  o não é,
Mais vale ninguém ser triste
E não ter crenças nem fé.

Mas tu, bom vento que vens
De cima de ondas sem fim, 
Nem fé nem descrenças tens
Tomara eu ser assim."


Fernando Pessoa


Arte em espaço público - Mostra de Henry Moore

sexta-feira, setembro 28, 2018

Baeza

Há muito o que ver nesta pequena e linda cidade. Para mim, entretanto, ela será sempre a cidade onde um dia se encontraram - e riram e disseram versos e um deles tocou piano e beberam e comemoraram a vida, sem saber quão breve seria - Federico Garcia Lorca e Antônio Machado. Minha dor e minha homenagem na transcrição de um poema de Lorca:



El corazón, 
Que tenía en la escuela 
Donde estuvo pintada 
La cartilla primera, 
¿Está en ti, 
Noche negra? 

(Frío, frío, 
Como el agua 
Del río.) 

El primer beso 
Que supo a beso y fue 
Para mis labios niños 
Como la lluvia fresca, 
¿Está en ti, 
Noche negra? 

(Frío, frío 
Como el agua 
Del río.) 

Mi primer verso. 
La niña de las trenzas 
Que miraba de frente 
¿Está en ti, 
Noche negra? 

(Frío, frío, 
Como el agua 
Del río,) 

Pero mi corazón 
Roído de culebras, 
El que estuvo colgado 
Del árbol de la ciencia, 
¿Está en ti, 
Noche negra? 

(Caliente, caliente, 
Como el agua 
De la fuente.) 

Mi amor errante, 
Castillo sin firmeza, 
De sombras enmohecidas, 
¿Está en ti, 
Noche negra? 

(Caliente, caliente, 
Como el agua 
De la fuente.) 

¡Oh, gran dolor! 
Admites en tu cueva 
Nada más que la sombra. 
¿Es cierto, 
Noche negra? 

(Caliente, caliente, 
Como el agua 
De la fuente.) 

¡Oh, corazón perdido! 
¡Réquiem aeternam!

Federico Garcia Lorca


Para Lorca, flores eternas