segunda-feira, outubro 11, 2010

Fernando Pessoa

Bela União ao final da tarde
"Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo..."
Fernando Pessoa

domingo, outubro 10, 2010

Texto inacabado

Nesta minha fase de assistir a  filmes antigos, vi  "No amor e na guerra" ( In Love and War, 1996), história baseada na vida de Ernest Hemingway. Conta o intenso romance vivido por ele e por uma médica durante a Primeira Guerra Mundial.
Há passagens que realmente emocionam pela generosidade que as pessoas podem vivenciar mesmo em situações limites.Após ver o filme, estive longo tempo rememorando a generosidade que recebi de muitas pessoas, ao longo da minha vida. Belas lembranças.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Sobre cinema

De 2000 a 2006, vi superficialmente - ou deixei de ver - muitos filmes bons. Eu estava, nesses anos, trabalhando na Bahia, numa atividade constante e envolvente. E, quando eu viajava, raramente ia a cinema, que sempre foi uma das paixões da minha vida.
Agora, aqui na Bela União, com tempo disponível e tranquilidade, fiz uma lista de filmes para ver ou rever. Ontem, assisti a um filme de 2002, dirigido por Nick Cassavetes, tendo como ator principal Denzel Washington. Um Ato de Coragem ( John Q.) impressionou-me pela atualidade do tema, tão discutido agora, com Obama,  nos Estados Unidos. Trata do direito de acesso ao sistema de saúde, a que todos os cidadãos deveriam ter. Discute esse sistema , os planos vigentes, a postura dos médicos, o comportamento da sociedade americana e o próprio sistema econômico. Sem essa discussão, o filme seria apenas razoável. Com ela, tornou-se um filme bem interessante.Vale a pena ver,.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Notícia


Estou na Bela União, com tudo que a primavera me oferece. Clima agradável. Flores diversas.  Árvores ganhando ou renovando folhas. Pássaros fazendo seus ninhos. Um mundo em movimento.Tempo de paz e de trabalho.
Tempo de jogar a semente na terra e esperar a colheita - ela virá. A gente sempre colhe o que semeia.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Sobre comprinhas aqui e ali...



Plantaçoes de chá na China

Por menos que se compre, comprar é um atrativo de qualquer viagem. O desejo de partilhar lugares e conhecimentos com as pessoas amadas leva-nos a adquirir presentes. Minhas compras resumem-se a eles e a pratinhos de parede que eu coleciono. Embora a globalização tenha diminuído o encanto das compras, mesmo assim ainda podemos "garimpar"originalidades.Entre as minhas preferências , estão:
. os torrones de Alicante ou de Jijona;
. os xales do Kullu Valley : o Vale dos Xales na Índia , com desenhos típicos e materias diversos, incluindo os de iak;
.  os cremes de Hungria - Helia D, um maravilhoso e baratissimo creme de girassol;
. o creme de pérola da China: pérolas muito novas, que não servem para fazer jóias, são usadas em cosméticos;
. as cafeteiras da Itália, as bem tradicionais que não são de aço;
. o artesanato de cobre do Chile;
. os bordados em seda de Suzhou, onde frente e verso são admiráveis;
. as bolsas da Kipling, compradas diretamente na Bélgica;
. as sedas de Kanchipuram - e não precisam nem ser os chamados "tecidos eternos", bordados com ouro; podem ser os mais comuns;
. as tornozeleiras de prata do Rajasthan;
. os lençóis de algodão do Egito;
. os azulejos e os doces de Portugal;
. o licor de limão e as cerâmicas da Costa Amalfitana;
. os chocolates belgas e suiços;
. os cristais da República Checa e da Slovakia;


Pérolas usadas em cosméticos




















. a mozzarella di bufala de Napoli;
. o artesanato de bordados da Bulgária;
. os doces da Turquia;
. o azeite de oliva e as azeitonas da Grécia;
. as confecções das Manos del Uruguay e um sabonete tradicional feito nesse querido País;
. os chás de Hangzhou, principalmente o chá verde colhido na primavera;
. o algodão do Peru, considerado o segundo melhor do mundo ( o primeiro é o do Egito);
. os figos recheados e cobertos com chocolate, produzidos em Ooty, nas Montanhas Azuis da Índia.
Ocorre-me essa lista, neste momento, talvez ditada pela saudade de lugares e de vivências. Poderia ser bem maior, mas eu a abandono porque estou pensando no que irei encontrar nos próximos meses. 

segunda-feira, setembro 06, 2010

Notícia



Estou em Torres. Dias frios , mas bonitos. Família reunida. Seria perfeito se não fosse a tosse novamente, tosse quase contínua! Fabianinha diz que '" agora já não é olho gordo; é olho com obesidade mórbida"

sexta-feira, setembro 03, 2010

Sobre a China: comentários e fotos II




Muitas pessoas pediam para serem fotografadas conosco. A grande atração - tanto em mim quanto em Ronald - eram os olhos azuis.



Yongle foi o terceiro imperador Ming. Foi ele que mudou a capital para Pequim. Os treze túmulos Ming estão neste lugar seguindo orientações  Feng Shui.



São belíssimos os vasos feitos com a milenar técnica cloisonné, em que o cobre é pintado e, após a colocação de cada cor, é  queimado .



Na EXPO 2010, quase todos os países da África estavam reunidos num grande stand, muito colorido. Dava gosto ver.




sexta-feira, agosto 27, 2010

Sobre a China: comentários e fotos I

























Suzhou é chamada "A Veneza do Oriente". Pode-se fazer nela um belíssimo passeio de barco até o Grande Canal.

Vi muitos homens lavando roupas no Canal de Suzhou. Batiam nelas com um pedaço de madeira.

Os homens só deixam o cabelo branco aparecer depois que se aposentam. Enquanto trabalham, mantêm os cabelos cuidadosamente pintados.

Comprei sombrinhas lindas sem utilidade para nós: fator solar 50.

Hangzhou é famosa pela fabricação de sombrinhas bordadas, pintadas , rendadas, todas de incrível beleza e delicadeza. Custam pouco mais de 10 dólares.

As mulheres chinesas cuidam-se para manter a pele clara. Nada de bronzeados. Usam roupas ccom mangas longas, luvas e sombrinhas, quando o sol é forte.


























As verduras são cozidas, até mesmo as folhas de alface. Mata-se a verdura para depois comê-la.

A Lei de Planificação Familiar fez do aborto um poderoso meio de controle populacional. Pode ser feito até no último mês de gravidez.

O anticoncepcional é distribuído  gratuitamente.

Contou-me um menino chinês que muitos decidem , na família, quem vai ter filhos para levar o sobrenome.





















As minorias étnicas , que constituem 8% da população, podem ter quantos filhos quiserem..

São 80 milhões de filhos únicos que agora estão tendo seus filhos - uma geração de crianças sem tios e sem primos. Com um bilhão e 400 milhões de habitantes , a China cria suas estratégias de contenção!

Inesquecível as massagens nos pés. Fiz várias. Em Guillin, fiz uma hora dessa massagem e , depois, dormi doze horas sem acordar. Fantástica.


























Ao chegarmos no hotel , em Hangzhou, havia ali uma festa de casamento. Fomos presenteados pelos noivos com lindas caixinhas cheias de confeitos.

A  institiução da gorjeta só existe, na China, em lugares com turistas. Vi uma cena interessante: um estrangeiro deixou o troco de gorjeta para o taxista  e foi embora rapidamente - o taxista correu atrás dele gritando : forget money! forget money!  Em Hong Kong e Macau, a gorjeta está instituída.

A EXPO 2010, em Shanghai , foi a mais bonita das "Expos"que eu vi. O prédio da China será permanente, ficando como espaço cultural.




terça-feira, agosto 24, 2010

Viagem ao Uruguai


Pedro em Montevideo

Após duas semanas de nosso retorno dos Estados Unidos, fomos - Ronald, Pedro,Alda e eu -  fazer, de carro, uma viagem de 8 dias pelo Uruguai.
Pedro, feliz, falava ,com frequência, que era essa a sua primeira viagem internacional - a primeira de muitas outras, segundo ele.
Em Livramento, precisa-se fazer um seguro  - Carta Verde. Um gentil senhor do Hotel Júlio prontificou-se a ajudar-nos. Em menos de uma hora, estávamos com esse documento. Fomos , então, a aduana uruguaia, apresentar os documentos pessoais e do carro , necessários para obter o permmisso. Tudo muito rápido e eficiente.
De Rivera a Montevideo, são pouco mais de 500 Km . Estrada boa a Ruta 5 - bem como haviam nos informado  no Setor de Turismo da Aduana de Rivera.


Ronald na Casapueblo
Fizemos uma parada em Tacuarembó e chegamos em Montevideo,  no Hotel Balfer ,ao  final da tarde. O Balfer ( hotelbalfer@adinet.com.uy ) é um pequeno hotel, duas estrelas, com excelente localização e atendimento - pessoal muito disponível e gentil. Durante vários anos hospedei-me nele, quando vinha reunir-me com o Grupo de Pesquisa "Educação em Área de Fronteira" ou trabalhar na Universidade da República.
Foi uma alegria passear, durante três dias, por Montevideo, cidade tranquila, limpa e bonita. Andei bastante pela Ciudad Vieja, um dos meus espaços preferidos. Lembrei-me, com saudade de Walter, meu querido amigo, que me ensinou a melhor apreciar a arquitetura montevideana.    Pena que a maiorios dos meus amigos estavam viajando. Queria muito tê-los encontrado, Luis,Raquel,Adolfo, Guillermo,Beatriz, Suzana. Voltarei! Voltarei,sim.
Depois de traçar  Montevideo, fomos a Piriápolis e Punta del Este. Visitamos a escultura habitada   , que é a Casapueblo, do artista     Carlos Páez Vilaró. De muito tempo, essa casa é nossa conhecida através de Toquinho e Vinícius:


Alda e Pedro em Colônia
"Era uma casa
muito engraçada,
não tinha teto,
não tinha nada..."
Encantadoras  também foram as visitas seguintes.  Por um acesso bastante fácil, deixa-se Montevideo e entra-se na estrada que vai a Colônia do Sacramento, cidade  merecedora de uma estada de, ao menos,  dois dias - antecedidos de boas leituras sobre sua história,geografia e arquitetura. Colônia foi fundada no século XVII, por ordem do Império Português. Foi motivo de lutas e tratados entre espanhóis e portugueses. Tem um Centro Histórico reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Estivemos, a seguir,  em Carmelo, cidade integrante do Departamento de Colônia, fundada por Artigas,em 1916. O Porto dessa pequena cidade de 16 mil habitantes é fotogênico e interessante de ser visto.


Ponte Internacional em Paysandu
O entorno da cidade de Mercedes tem campos e fazendas que dá gosto ver! As estradas são boas, mas a sinalização deixa a desejar. Por duas vezes, entramos em estradas erradas. Serviu para demonstrar-nos a fineza e a gentileza dos moradores das áreas rurais, que nos deram detalhadas informações.
A visita a Paysandú foi muito interessante. Uma das três maiores cidades do Uruguai, tem bons restaurantes, bom comércio e um certo ar de cidade grande. O pôr-do-sol , visto desde a ponte internacional, é lindo. Rendeu-me fotografias fantásticas. De Paysandu, por uma estrada bonita, mas monótona, chegamos a Tacuarembó, depois Rivera. O roteiro da próxima visita ao Uruguai já está programado : entraremos por Artigas e sairemos pelo Chuí! Prometi a mim mesma explorar mais os países vizinhos, especialmente o Uruguai , a Argentina e o Chile. Há muito o que ver. E há muita semelhança conosco.

sábado, agosto 21, 2010

Visita das Gurias

Sônia,Cleuza, Gilca e eu
Minha mãe costumava  referir-se a suas irmãs como  as gurias, gurias que já ultrapassavam  meio século de vida e que nós, muito jovens, riamos por considerá-las umas velhas.
Pelo fato de eu haver trabalhado em vários estados brasileiros, eliminei muitas marcas regionais da minha linguagem. Passei a usar um padrão linguístico supra-regional, onde algumas palavras, como gurias, entraram em desuso. Depois que voltei a viver aqui, na Bela União, assumi, no dia-a-dia, vocabulário típico desta região.
Evocou-me essa lembrança o comentário que fiz quando Sônia, Cleuza e Gilca saíram daqui: Que bom ver as gurias!
Juntamente com meu querido amigo Cláudio, elas  trouxeram alegria num domingo que passou a ser muito especial - ainda que insuficiente para tantas histórias que sempre temos a contar ou a relembrar.