sexta-feira, dezembro 12, 2008

"São Longuinho,São Longuinho..."

Estou irritada comigo. Vivo perdendo coisas. E não é sintoma de envelhecimento : sempre fui assim, distraída.
Quando criança, na fazenda, saíamos a cavalo. Eu sempre seguia outro rumo ou me afastava das outras crianças ou me perdia. Minha justificativa era sempre a mesma: eu estava pensando!
Panelas e chaleiras esquecidas no fogo, janelas e portas abertas, compras em duplicata, troca de nomes, foram fatos normais na minha vida. Quando a Rosana estava grávida do Daniel, fui a um congresso em Fortaleza e comprei para ela dois vestidos. Ao abrir os pacotes, verificamos que eram absolutamente iguais. Outra vez , passei uma temporada de praia chamando o marido de uma amiga pelo nome do ex-marido dela - e me sentia injustiçada porque o homem parecia não gostar de mim.
Entre meus alunos, circulavam muitas histórias sobre minhas distrações. Uma vez estacionei o carro e fui dar aulas. Ao término delas, depois de muito procurar o carro, concluí que havia sido roubado. Ainda bem que, antes que eu avisasse a polícia do suposto roubo, um colega me lembrou que eu o havia deixado na frente de outro prédio.
Não lembro de esquecimentos relacionados a compromissos de trabalho. De lazer, sim. Esqueci-me muitas vezes. Aos meus alunos, eu costuma avisar da minha incapacidade de aprender seus nomes - compensada pela capacidade de identificar -lhes a letra e o estilo textual mesmo depois de muitos anos.
Escrevo sobre isso tentando convencer-me de que não estou com esclerose agora. Fui sempre assim.
Hoje, consultei até o "Santo Google" sobre objetos perdidos. Fiz, então, todas as "simpatias" e rezas ensinadas ali. Desta vez, está sendo dificil porque, além de mim, outras pessoas (Alda, Zeli, Mile, Igor e Lilian) estão me ajudando na procura de um documento valioso: meu passaporte. Faz uma semana que o procuramos. Eu estava certa que o colocara na mala que uso para viajar. Já desfiz essa mala três vezes sem resultado. Nada. E preciso do passaporte. Preciso de visto para o Egito - e o prazo está no limite. Sinto-me cansada e desanimada. Mas continuo procurando.
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PS. Achei o passaporte. Estava na mala onde, por três vezes, eu o procurara.
Agora é pagar as promessas. Começo com os três pulinhos, prometidos a São Longuinho...