domingo, dezembro 04, 2016

Fundação Guayasamin : visita recomendada em Quito

Da Série : La  Ternura   

"De pueblo en pueblo, de ciudad en ciudad fuimos testigos de la más inmensa miseria: pueblos de barro negro, en tierra negra, con niños embarrados de lodo negro; hombres y mujeres con rostros de piel quemada por el frío, donde las lágrimas estaban congeladas por siglos, hasta no saber si eran de sal o eran de piedra, música de zampoñas y rondadores que describen la inmensa soledad sin tiempo, sin dioses, sin sol, sin maíz. Solamente el barro y el viento." Oswaldo Guayasamín






Ao planejar uma viagem, até sou bem disciplinada no que se refere a leituras prévias, que me permitirão fazer escolhas de passeios e visitas com mais segurança.  Nesta viagem - Peru, Colômbia e Equador - faltou-me, entretanto, tempo porque ela veio com  menos de um mês de intervalo após a temporada em que estive na Europa. 


Fundação Guayasamín

Detalhei roteiros para Peru e Colômbia - que se tornaram superficiais para o Equador. Relato isso para dizer-lhes que, não fora Fernando, um amigo bem formado e informado, eu teria perdido a visita que mais me encantou: à Fundação Guayasamín, o mais reconhecido pintor e escultor equatoriano. Ao morrer, com quase 80 anos, havia deixado para o Estado sua belíssima casa e seus tesouros de arte e sabedoria. 


Guayasamin

Oswaldo Guayasimin, que era ateu,  também construiu , junto a sua casa, um Templo - que denominou Capela do Homem - em solidariedade aos povos oprimidos e às suas lutas contra a opressão. Na Capela, considerada pela UNESCO   uma obra histórica da cultura e da criatividade contemporâneas, ele pintou as sofridas caras da América Latina, com suas dores e esperanças.
"Si no tenemos la fuerza de estrechar nuestras manos con las manos de todos, si no tenemos la ternura de tomar en nuestros brazos los niños del mundo, si no tenemos la voluntad de limpiar la tierra de todos los ejércitos; este pequeño planeta será un cuerpo seco y negro, en el espacio negro." Guayasamín.


Imagens inspiradas na sua terra e cultura

Guayasamin, o mais velho de dez irmãos, cursou Belas Artes, aproximou-se de suas raízes indígenas e latinoamericanas, conquistou prêmios internacionais e pintou rostos famosos, como Gabriel Garcia Marquez  e Mercedes Sosa - emocionei-me ao assistir a um vídeo que mostra o Artista pintando o retrato de Paco de Lucia, meu ídolo. Inspirado em construções andinas, projetou assim sua casa, que foi construída por um de seus irmãos e que hoje encanta turistas e visitantes locais.






Guayasamín morreu antes da inauguração do Templo do Homem - de acordo com sua vontade, suas cinzas foram depositadas ao pé da árvore da vida, no jardim da casa onde morava, dentro do complexo e de onde se tem uma belíssima vista das montanhas e da cidade de Quito, como se pode ver em algumas fotos. Obs. fotografias , lamentavelmente, são proibidas na parte interna do complexo, sendo permitido fotografar apenas seu exterior.



Urna de Barro

"Yo quiero que a mí me entierren 
como a mis antepasados
en el vientre oscuro y fresco
de una vasija de barro.








Cuando la vida se pierda 
tras una cortina de años
vivirán a flor de tiempo
amores y desengaños.







Arcilla cocida y dura 
alma de verdes collados
barro y sangre de mis hombres
Sol de mis antepasados.









De ti nací y a ti vuelvo
 
arcilla, vaso de barro
con mi muerte yazgo en ti
de tu polvo apasionado. "


https://www.youtube.com/watch?v=6pmji_MAWC0

Sonho e realidade
A Fundação Guayasanim  está localizada no Bairro Bella Vista, em Quito. Abre para visitas diariamente das 10 horas às 17 horas. O ingresso custa 8 dólares e dá direito à entrada nos dois museus e demais espaços. Minha sugestão é que se tenha disponibilidade de, ao menos, duas horas para visitar a casa, a Capela do Homem e o jardim. É visita altamente recomendada.



Escultura de Guayasamin


"La pesadilla del hombre que se extiende, el miedo a una guerra atómica, el  terror y la muerte que siembran las dictaduras militares, la injusticia social que abre una herida cada vez más profunda, la discriminación racial que destroza y mata; están carcomiendo lenta y duramente el espíritu de los hombres en la tierra". Oswaldo Guayasamin