terça-feira, julho 05, 2016

San Petersburg : Palácio de Peterhof

Chafariz Gavela - 1721/1723 - Desenho de Pedro, o Grande.

A aristocracia russa, no século 18,  falava francês e sonhava ter sua própria Paris. Pedro, o Grande, determinou, então,  que São Petersburgo fosse construída e que a cidade fosse linda-maravilhosa e parecida com a capital da França. O jardim do palácio dele - óbvio - deveria parecer-se com Versailles.

Esculturas e chafarizes em meio ao verde dos jardins.

Com destaque para seus parques e fontes, o Palácio de Peterhof, residência preferida de Pedro, o Grande, está localizado à margem do Golfo da Finlândia, distante 29 km de San Petersburg. Em estilo barroco, está listado como  Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Seu território tem mais de mil hectares.

Cascata Grande : "S.Sansônio dilacera a goela do Leão."

Os jardins do palácio - séculos 18 e 19 - estão ornamentados por mais de uma centena de esculturas magníficas. O projeto de Pedro, o Grande, é também conhecido pela caída das águas das fontes, aproveitando o declive do terreno, sem instalações de alto custo como  as que foram usadas nos Jardins de Versailles.


Chafariz em meio a bosques...

"Provavelmente, a maior realização tecnológica de Peterhof consiste no facto de todas as fontes funcionarem sem o uso de bombas. A água é fornecida por nascentes naturais e recolhida em reservatórios situados nos Jardins Superiores. A diferença de elevação cria a pressão que activa as fontes dos Jardins Inferiores, incluindo a Grande Cascata. A Fonte de Sansão é abastecida por um aqueduto especial com mais de 4 km., o qual garante água e pressão a partir de uma fonte mais elevada." https://pt.wikipedia.org


A magnífica Grande Cascata

O que se vê hoje, entretanto, é resultado de minuciosas restaurações, pois, durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi bastante danificado. Como fizeram em outros sítios históricos, as tropas nazistas, ao se retirarem, incendiaram o que restava desse grande complexo de jardins e palácios, cuja construção original data de 1725. Por sorte, muitas esculturas haviam sido retiradas e ocultadas - e tudo foi completamente restaurado ou reconstruído.


Delicadeza de chafariz!
Chafariz Sol - 1724





















Em qualquer viagem com tempo delimitado - e penso que todas viagens o são - é preciso fazer escolhas do que ver e do que fotografar o tempo todo. Entre ver o interior dos palácios e os jardins, optei por conhecer melhor os espaços externos. Penso que acertei, não bastassem  fontes, bosques e esculturas, no mês de junho,  havia ainda muitas flores...






Algumas fontes são muito conhecidas pelas brincadeiras que fazem com os visitantes. Uma dessas tem perto dela algumas cadeiras, onde, se uma pessoa senta, recebe imediatamente um jato de água; outra, em forma de árvore, joga água em quem se aproxima de seus galhos. As crianças amam essas folias inesperadas.      

Cascata dos Dragões

De 1737 a 1739, foi construída a Cascata dos Dragões, que ficou também conhecida como a Montanha de Xadrez. Está composta por quatro equipamentos, que lembram um tabuleiro de xadrez, por onde correm abundantes águas. Está ladeada por bela esculturas de mármore branca e por escadarias laterais, de onde se pode ter ampla visão do jardim.


Jardins ainda planejados por Pedro

Há um enredo sugerido ao redor de cada um dos chafarizes de Peterhof. Os visitantes poderão decifrar a cena. Junto às esculturas de Adão e Eva, por exemplo, o cenário sugere aos visitantes uma visão de paraíso. Curioso, entretanto, é que Adão tem umbigo. Como, se ele não nasceu de uma mulher? Estava preso pelo umbigo a quem?


Vista de San Petersburg na outra margem do Golfo da Finlândia

Quem for a San Petersburgo deve visitar Peterhof - e, se possível, permanecer lá um dia inteiro.São muitos hectares de beleza, incluindo mais de cento e vinte fontes, todas imponentes e belas. Merecem uma visita atenta, até para escutar os sussurros das águas. Nessas horas e nesses lugares, procuro não pensar no que essa magnificência representa em trabalho e exploração de milhares de pessoas. E, com outras histórias e denominações, os Czares ( Tzars ) continuam a existir...
  

Psique - cópia do original de Canova




                                   
Sanz, meu querido amigo, impossível resistir o impulso de copiar teu comentário - e com ele encerrar esta postagem. Nem sei se vale pedir desculpas a posteriori...Posso, entretanto, dizer que te admiro muito?

Responder
Temos muito em comum. Tive os mesmos pensamentos nas Igrejas do Pilar, em Ouro Preto, e na de São Francisco, em Salvador. O que não diminui o valor histórico, artístico e arquitetônico dessas obras criadas pelas mãos de homens que não puderam usufruir do seu poder. Não sei se você conhece o ensaio-romance Estética da Resistência de Peter Weiss. Tenho uma boa tradução em espanhol, mas ele próprio considerava que a melhor era a edição em sueco, pois os editores alemães argumentaram que ele não sabia mais escrever em sua língua natal e mexeram no texto. Comecei a ler em sueco o primeiro volume, mas saí de lá antes da edição dos outros dois. Ele se debruça sobre a História da Alemanha e da Europa na era do nazismo, analisando obras do desde a antiguidade grega até aquele presente sombrio, vistas pelos olhos de jovens anarquistas e comunistas.Há um trecho de que gosto muito, logo no começo, que fala do que falamos
agora, de certa maneira. Eles estão em visita ao Museu de Pérgamo, em Berlim:


"Heilmann, el quinceañero, el que apartaba de sí toda incertidumbre, el que no toleraba ninguna interpretación no probada, pero que de vez en cuando también seguía la exigencia poética de anular conscientemente las reglas de los sentidos, el que quería ser cientí­fico y visionario, él, a quien llamábamos nuestro Rimbaud, nos explicaba a nosotros que ya estábamos en torno a los veinte años, y que habíamos deja­do la escuela hacía cuatro, y

que conocíamos el mundo del trabajo y también el desempleo, y Coppi la cárcel durante un año entero por la distribución de escritos contra el Estado, a todos nos explicaba el sentido de esta secuencia en la que la

totalidad de las divinidades conducidas por Zeus avanzaba hacia la victoria sobre una estirpe de gigantes y seres fabulosos. Los gigantes, hijos de la doliente Gea, ante cuyo torso nos encontrábamos, se habían alzado de modo sacrílego contra los dioses, pero bajo esta representación estaban ocul­tas otras contiendas que habían tenido lugar en el reino ...
Los gigantes, hijos de la doliente Gea, ante cuyo torso nos encontrábamos, se habían alzado de modo sacrílego contra los dioses, pero bajo esta representación estaban ocultas otras contiendas que habían tenido lugar en el reino de Pérgamo. Los regentes de la dinastía de los Atálidas hicieron que sus maestros escultores trasladaran al plano de lo que perdura más allá de los tiempos aquello que había transcurrido rápidamente, por lo que miles habían pagado con sus vidas, y con ello erigieran un monumento a su propia grandeza e inmortalidad. El sometimiento de los pueblos galos que penetraban desde el norte se había convertido en un triunfo de pureza nobiliaria sobre fuerzas bárbaras e inferiores, y los cinceles y martillos de los maestros que labraban la piedra y sus oficiales habían mostrado la imagen de un orden inamovible, que había de mantener a los súbditos en sumisa veneración. Acontecimientos históricos aparecían bajo un disfraz mítico, terriblemente tangible, despertando horror y admiración, comprensibles no como algo provocado por los hombres, sino admisibles sólo como producto de un poder supra personal que deseaba un sinnúmero de siervos y esclavos, y unos pocos en las alturas que decidieran los destinos con un gesto de su dedo."

Gracias, querido Sanz.