sábado, janeiro 30, 2016

Budapest - 2a. parte

Parque da Cidade

Já me referi aos táxis em Budapest e Praga. Exemplifico. Ao chegar na Estação Central de Budapest - ressabiada como dizem na minha região - escolhi um táxi amarelo, portanto regulamentado, que estava na fila dos táxis - não era um avulso:  roubada na certa. Antes de entrar, perguntei o preço da corrida Estação - Hotel. Respondeu que logo me mostraria a tabela. Assim que entramos, mostrou uma folha xerocada com o preço: 20 euros. Concordei mesmo sabendo q era um absurdo, mas as malas já estavam no carro, nevava muito, estávamos cansados e querendo chegar logo no hotel....

Outro detalhe do Castelo Vajdahunyad

Paguei e disse - com toda a gentileza possível - que Budapest e Praga seriam as melhores cidades da Europa sem os taxistas. Ele também gentilmente aconselhou-me a usar transporte público. Antes de partir para Praga, conversei com o gerente do Hotel sobre o que me acontecera. Ele se prontificou a agendar um táxi, que chegou pontualmente e levou-nos à Estação Central. Fomos pelo taximetro, e eu paguei cerca de 6 euros. Ao menos desta vez foi um  desonesto para um honesto. Farei a média! Na semana em que lá estivemos, caminhamos e usamos metrô - muito bom!


Ponte das Correntes

Uma das atrações bem interessantes de Budapest são as suas pontes. Atravessando o rio Danúbio e ligando Buda a Peste e vice-versa, quatro pontes centrais servem ao trânsito de carros e pessoas e, ainda, embelezam a cidade : a Ponte das Correntes, a Ponte da Liberdade, a Ponte Margareth e a Ponte Elizabeth devem ser visitadas. De frente para a Ponte das Correntes, está o Palácio Gresham - de 1906 - onde hoje há um luxuoso hotel.


Ponte das Correntes

Algumas ruas da capital húngara são , de fato, minhas preferidas. Já mencionei a rua Vaci, a mais turística e que leva à Gerbeaud. Para mim, no entanto, a mais encantadora é a Avenida Andrássy - considerada a via mais elegante da cidade e famosa pelos seus palácios e casarões.  Pedro e eu fomos até ela de Metrô descendo na Estação Praça dos Herois - Hosok Tere em Húngaro - usando a linha amarela, que tem todas as suas estações anunciadas por música.


Pista de gelo nas proximidades do Castelo

Descemos na Hósók Tere  e  fomos percorrer o Parque da Cidade  -  Városliget . onde passamos quase todo o dia. Encontram-se ali  a zoológico, um parque de diversões e um circo tradicional. No Városliget também fica um dos banhos turcos mais famosos de Budapeste, o Szechényi, com suas águas termais entre 30 e 40ºC .Regressamos ao hotel caminhando - seguramente uns 4 quilômetros. Valeu o tempo todo em que lá ficamos - basta estar atento às atrações tanto do Parque quanto das proximidades dele. 

Vajdahunyad Castle
A porta de entrada para o Parque da Cidade é a Praça dos Herois. À esquerda dessa Praça está o belíssimo Museus de Belas Artes; à direita, o Palácio da Arte. Para mim, no entanto, o edifício mais fascinante do Parque é o Vajdahunyad Castle, um falso castelo construído em 1897 para comemorar os mil anos da Hungria. 







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O Castelo agrega diferentes estilos arquitetônicos em homenagem a edifícios famosos que fizeram parte da história húngara, como o Castelo de Hunyad na Transilvânia. De fato, reúne detalhes de duas dezenas de edifícios famosos, com ênfase na era medieval. Inicialmente era um castelo temporário, feito de madeira. Em razão do sucesso obtido, decidiram refazê-lo em pedra. Hoje abriga o Museu da Agricultura Húngara - famoso na sua especialidade.


Detalhe do Memorial do Milênio
Memorial do Milênio

A Praça dos Heróis impressiona pelo amplidão e pelos detalhes. Fica situada no extremo da avenida Andrassy e faz parte do conjunto declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. No centro, está o magnífico Memorial do Milênio. Entre suas muitas atrações, estão as estátuas representativas dos fundadores da Nação Húngara, há mais de mil anos.


Fontes e esculturas



Por toda a cidade , podem ser vistas e admiradas belíssimas obras de arte. Esculturas de diferentes estilos recordam épocas ou eventos históricos - alguns que emocionam muito. Seguindo, por exemplo, pela margem direita do Danúbio, encontra-se uma instalação de chorar...estão ali cerca de 60 pares de sapato de ferro, em homenagem aos 450 mil judeus húngaros mortos no Holocausto. Como sapatos custavam caro na época, os judeus eram obrigados a deixá-los ali...antes de serem assassinados e jogados no rio. Lembrei - me das cadeiras vazias numa praça em Cracóvia...














Pedro testando a confiança da avó!

Enquanto Pedro testava minha confiança no equilíbrio dele, atravessando esse lago por uma barreira de contenção com não mais de 15 centímetros de largura, eu testava minha condição de fazer fotos desse tipo sem tremer....Quando ele pisou no canteiro ao final dessa barra, tive vontade de chorar pela morte que não houve. E ainda não achei meu rivotril das emergências...





Adicionar legenda
Para conhecer a história húngara, é imprescindível uma visita ao Museu do Terror. Já entro nele com vontade de chorar...as imagens externas são informativas do que nos espera. Versa todo o museu sobre os crimes políticos ocorridos no período de 1947 a 1989. A gente sai dele querendo ver a leveza das  invenções húngaras, como o palito de fósforo, a caneta esferográfica, o cubo mágico e a vitamina C, que, em 1927, levou um pesquisador húngaro a receber o Prêmio Nobel...


Danúbio

Ficamos hospedados no Hotel Ibis, na rua  Raday , bem localizado e próximo de uma estação de Metrô - Kalvin. Esse hotel segue as características de todos os Ibis: simplicidade e funcionalidade, além de ter um custo-benefício muito bom. Não comprei nada além de páprica e Helia D - o creme de óleo de girassol de que sempre falo. Pedro gostou mais de Budapest que de Praga - uma opção que eu nunca consegui fazer. A viagem toda foi bastante informativa para meu neto e bonita para nós dois. Gracias a la vida ...


Olhar para os lados, já vale o passeio...

" Não digas nada! 
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender — 




Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada 
Deixa esquecer 




Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 




Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada."

Fernando Pessoa