sábado, outubro 10, 2015

México 2a.parte - por Paulo de Tarso Menini Trindade


Paisagem Mexicana - Patzcuaro
Nos EUA existe toda um movimento "contra o câncer”. Fazem caminhadas, eventos, amarram fitinhas no braço. Há poucos  dias, escutei um pesquisador dizendo que “se fazer caminhada e atar fitinha encontrasse a cura de qualquer coisa, o problema estava resolvido faz tempo”. Também não é por falta de dinheiro para pesquisa: os fundos são enormes. A realidade é que a biologia humana é um sistema extremamente complexo - construir uma estação espacial é fichinha perto disso. O mesmo dá para dizer sobre as “soluções” para os problemas de um país. Não, não é nem simples, nem fácil, e não é só acabar com a corrupção que resolve, é preciso muito mais do que isso.

Paisagem Mexicana - Patzcuaro
Um sintoma da pressão decorrente desse simplismo é o intervencionismo dos governos na economia, com tentativas de administrar tudo diretamente. Essa mão pesada de política econômica sempre foi uma praga no Brasil:  viu-se  muito no governo atual; viu-se mais ainda durante a ditadura militar. Não é um problema ideológico no sentido comum, porque é um erro tanto na esquerda, quanto na direita. Mas é um problema sim (de ideias) porque esse tipo de intervenção tende a desconsiderar os EFEITOS INESPERADOS. 

Paisagem Mexicana - Guadalajara
Um exemplo clássico de efeitos inesperados foi quando o governo colonial da Índia, preocupado com mortes por cobras venenosas, passou a oferecer recompensa para quem trouxesse uma cobra morta. No principio funcionou muito bem, até que as pessoas passaram a criar cobras venenosas para cobrar a recompensa. Quando o governo se enteirou do que estava acontecendo, parou de pagar a recompensa.   Os criadores de cobra, então,  soltaram as que eles tinham porque não valiam mais nada. O resultado final foi um aumento na população de cobras, um gasto público que não chegou a nenhm resultado  e gente que se dedicou a criar cobra quando poderia ter feito alguma coisa mais útil para o bem comum. Quem diz que as coisas são simples é iludido ou ingênuo ou mal-intencionado.

Elementos típicos de paisagens mexicanas
O México passou por uma reforma agrária clássica, das que se falava quando eu era criança. Fizeram exatamente assim: dividiram a terra e deram uma propriedade pequenininha para cada família. Sem entrar no mérito se naquele momento foi a decisão correta ou não, as consequências inesperadas foram duas: a agricultura do México passou a ser muito ineficiente e a pobreza virou endêmica. O que aconteceu foi que cada vez mais a riqueza passou a ser criada por vias intelectuais e não por matérias primas, e a proximidade física das pessoas nas cidades é mais eficientes em disseminar ideias e conhecimento. 

San Miguel de Alende 
As pessoas do campo, gradativamente, foram ficando para trás. A evolução da Agricultura piorou mais isso - é mais eficiente usar uma colheitadeira gigante do que várias pequenas. A agricultura também passou a funcionar como uma indústria, e a economia de escala passou a ser importante, e as pequenas propriedades sairam perdendo. Tudo isto gerou uma enorme população sem dinheiro e sem perspectiva. Triste de ver. ( Continua...)

Paisagem mexicana : Guanajuato
Obs. Este texto é continuação do que foi publicado, pelo Paulo de Tarso ( Patati ), neste blog, em setembro ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/2015/09/mexico-por-paulo-de-tarso-menini.html ) Pouquíssimo entendo do tema, mas continuo curiosa - ainda bem! - e gosto de ouvir e ler opiniões diversas, de diferentes gerações - mais ainda, quando é meu filho que as expõe.Mãe.......