quinta-feira, setembro 10, 2015

" Aún hay otras alhondigas por incendiar"

Muitas praças e fontes em Guanajuato - lugar de rãs

Incluída pela UNESCO, em 1988, como Patrimônio Cultural da Humanidade, Guanajuato tem atualmente cerca de 750 mil habitantes. No período colonial , era a segunda cidade mais rica do México, só ficando atrás da Capital, a Ciudad de México. Fundada em 1559, foi favorecida pelos imensos depósitos de ouro e prata da região.


Igreja da Imaculada

Por três séculos, foi a capital mundial das minas de prata, chegando a produzir vinte por cento de toda a produção mundial desse minério. México continua sendo um dos principais produtores de prata no mundo. Usualmente a jóias e objetos têm gravado o número 925, o que indica que contêm 925 de prata em cada 1000 gramas. As joias de prata constituem arte maior no país. Há grande variedade e bons preços em muitas cidades.


Colina do Monumento a El Pipila
Centro de Independência, onde as autoridades espanholas fora atacadas pela primeira vez, em 28 de setembro de 1810. Muitos espanhois, sabendo da  proximidade do cerco a Guanajuato, encerram-se com suas famílias e parte de seus exércitos num antigo granadeiro ( silo ), que é uma verdadeira fortaleza de pedra,  denominado Alhondiga de Granaditas.

Antiga Alhondiga de Granaditas

Houve, inicialmente, muitas mortes de insurgentes, mineiros e cidadãos de Guajuanato, que se haviam unido aos rebeldes e que  não podiam aproximar-se da grande porta de acesso ao granadeiro. Eram sempre atingidos. Um mineiro, conhecido como El Pipita, usando pedras atadas ao corpo para proteger-se, avançou sozinho e ateou fogo à porta. Contam que o Padre Miguel Hidalgo tentou conter a fúria de homens....mas em vão...foi um imenso massacre.


Monumento a El Pipila

Nas proximidades de Guanajuato, quando já se pode ter, do alto de uma colina, um belíssimo panorama da cidade, há uma grande estátua de El Pipita, onde na base se lê : Aún hay otras alhondigas por incendiar. Num outro combate, o Mineiro foi capturado e executado  pelas tropas da Coroa. Sua cabeça foi cortada, colocada numa gaiola, e pendurada numa das esquinas do granadeiro. Ali, juntamente com as cabeças de mais três heróis - um deles, Miguel  Hidalgo - as gaiolas permaneceram por 10 anos. Quando houve a Independência, foram transportadas e colocadas no Panteão dos Heróis da Pátria.


Nesta esquina, ficou a cabeça de Miguel Hidango.

A colorida Guajuanato tem  ruas estreitas que descem por ladeiras, como se cobrissem barrancos, e chegam até os túneis feitos nos vãos dos rios que existiram aí antigamente.Nesse amontado de prédios, encontram-se muitos espaços - teatros, museus e galerias principalmente - onde se podem ver  a produção de arte nessa cidade, que tem 40 mil estudantes na Universidade de Guajuanato.

Teatro Juarez - inaugurado em 1903

Impressiona mesmo essa rede de túneis, onde antigamente eram rios, e agora compoem um sistema de trânsito - com  ruas , que seguem por diferentes direções, e esquinas subterrâneas impressionantes. Não se trata de uma cidade subterrânea, construída embaixo do centro histórico, mas de um conjunto mesmo de ruas estreitas - e até escuras - por onde  carros - e pessoas em alguns espaços - conseguem movimentar-se.

Ruas Subterrâneas
Atrações  magníficas ou mesmo pitorescas são muitas. É preciso escolher o que se vai ver...ou ficar mais tempo na cidade. Relacionaremos, a seguir, algumas delas, como : a Basílica de Nossa Senhora de Guanajuato, que alberga uma estátua de madeira, coberta de jóias , que , conta a lenda, ficou escondida, na Espanha, numa caverna rochosa, durante 800 anos, para que os mouros não a encontrassem. Foi doada à cidade por Felipe II da Espanha.

Basílica vista do Monumento a Pipila

Imprescindíveis as visitas ao Teatro Juarez - obra do mesmo período do Mercado Hidalgo - e ao Teatro Principal. O primeiro, inaugurado pelo ditador Marechal Porfírio Días, é luxuoso e com um toque árabe no seu interior vermelho e dourado. O segundo é sede da Orquesta Sinfônica de Guanajuato e acolhe a maioria dos eventos do  conhecido Festival Internacional Cervantino.


Teatro Juarez : detalhe 

A Rua do Beijo - Callejón del Beso - é a rua mais estreita da cidade. Famosa pela lenda - que poderia chamar-se Romeu e Julieta mexicanos -  que conta a história do amor proibido entre uma  menina rica e um mineiro pobre, que, nos balcões de duas casas, uma defronte a outra, trocavam beijos furtivos. O trágico final ...podem imaginar. Casais costumam ir ao cenário e fazer fotos beijando-se. Quem não tiver parceiro, pode pedir o beijo para qualquer desconhecido(a). Sem o beijo, segundo a lenda, terá sete anos de azar.

El callejón del beso

O centenário Mercado Hidalgo, uma das obras realizadas por Porfirio Dias, que dirigiu o México durante 30 anos, é típico em parte pela arquitetura e em parte pelos produtos encontrados - estão anunciados logo na entrada: artesanato, gastronomia mexicana, doces típicos, frutas, verduras e carnes. 

Mercado Hidalgo
O mercado não é um primor de limpeza e conseuervação. Arrisquei ir ao banheiro porque era pago. Surgiu um problema : era pago somente com moedas. Não encontrei nada na minha bolsa. Perguntei a uma vendedora de frutas se ela podia cambiar uma cédula por moedas. Respondeu-me que não porque ainda não vendera nada...mas podia dar - me uma moeda. Deu-me. Chorei. Solidariedade sempre me comove.

Mercado Hidalgo

Na Praça da Paz - que até 1800 se chamava Praça Maior - está uma das casas mais impressionantes que vi, em se tratando de arquitetura residencial. Dizem ser o exemplo mais puro do estilo neoclássico no México. Denominada Casa do Conde Rul em razão do nome que aparece no escudo existente na parte frontal. Bela visita! 


Casa del Conde Rul
Para a sorte da cidade, Diego Rivera nasceu em Guanajuato , em 1886, na casa onde  está agora o Museu que leva seu nome. A planta baixa recria a casa da família Riviera e está mobiliada com antiguidades. Nas plantas superiores, estão obras concluídas e esboços feito  por Rivera, incluindo um nu de Frida Kahló. Perto da casa, uma escultura de bronze, em tamanho natural, do artista.


Casa Museu de Rivera
O Estado de Guanajato tornou-se o meu preferido, não só por suas cidades, mas também por sua paisagem natural e histórica. Lugar para retornar. Encerro com o poema En Paz do mexicano  Amado Nervo.

"Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida.

Porque veo al final de mi rudo camino
que yo fuí el arquiteto de mi propio destino;
que si extraje las mieles o la hiel de las cosas
fué porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales, coseché siempre rosas.

Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno;
¡mas tu no me dijiste que Mayo fuese eterno!
...Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tú solo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fuí amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos em paz"


Amado Nervo - Poeta Mexicano



Cores da Catedral e da cidade