quinta-feira, novembro 06, 2014

A Berna das Fontes

Fontes de Berna
Não sei bem o que me levou a retornar a Berna. Está longe de ser uma das minhas cidades preferidas na Suiça, apesar de aí ter nascido Paul Klee, grande pintor e grande amigo de Kandinsky,  de ter sido o berço do  delicioso chocolate Toblerone e , ainda mais, de ter Albert Einstein desenvolvido, nessa cidade, a sua Teoria da Relatividade.


Independente dessas famosidades, penso que retorno à cidade pelas suas magníficas fontes.   Minha atração por água já me levou a muitos outros lugares.... Berna , com menos de 150 mil habitantes, está localizada numa península ( quase uma ilha portanto! ) do rio Aar, que tem 195 km de comprimento e passa por outras duas cidades suíças: Interlaken e Tune.


Em 1983, Berna foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. É uma das capitais menores da Europa - é capital do país e do Cantão homônimo. Fundada em 1191, tem um centro histórico muito bem cuidado, com um   traçado urbano que nunca foi mudado. Alemão é a língua oficial do lugar - talvez por isso, minha preferência por Lucerna, onde predomina o italiano.


As fontes , de que gosto tanto, estão ainda 16 em funcionamento. Não escrevo aqui o nome delas em razão das minhas dificuldades com a língua e a escrita...naturalmente! São todas fontes de água potável. É usual ver-se turistas enchendo suas garrafinhas de água.....e seus copos de cerveja.


Chega-se facilmente de trem a Berna, e a estação principal fica junto ao centro histórico, que pode ser todo percorrido numa caminhada não muito extensa. Há vários teatros na cidade e dezenas de cinemas.Há também dois grandes festivais internacionais de cinema, incluindo um festival de curtas, alguns festivais  de jazz e um interessante festival de artistas de rua.


As margens do rio Aar são magníficas, limpas, bem cuidadas e bem delineadas, propiciando lugares lindos para passeios e caminhadas. Nesta estação, quando as cores do outono se mostram com nuances diversas, a vontade é de ficar um pouco mais ali, em meio à natureza e ao silêncio reinante.


A população de Berna é gentil e me parece tranquila. É comum a hiperbólica afirmação de que os habitantes locais, quando morrem, suas almas levam séculos para chegar até o céu - vão devagar! Quem sabe é a mistura do urbano com o rural, a presença das florestas de freixos e carvalhos, a visão dos montes com quase mil metros de altura e da água que jorra com tanta facilidade - tudo isso e muito mais - contribua para a paz que se observa, mesmo em rápidas visitas, pela Praga de Bolso como às vezes a cidade é chamada.



"O rio que passa dura
Nas ondas que há em passar,
E cada onda figura
O instante de um lugar.


Pode ser que o rio siga,
Mas a onda que passou
É outra quando prossiga.
Não continua: durou.

Qual é o ser que subsiste
Sob estas formas de estar,
A onda que não existe,
O rio que é só passar?"

Fernando Pessoa