sexta-feira, setembro 12, 2014

" Oh! Minas Gerais / Quem te conhece / Não esquece jamais..."


Chegando a Belo Horizonte

Faz muitos anos, ouvi de um  paulista esta piadinha infame.
Um senhor pergunta ao jornaleiro:
- Você tem um Estadão atrasado?
- Sim, diz o vendedor, entregando-lhe um  mapa de Minas Gerais.

Cores e formas admiráveis
Pura malvadeza! Minas Gerais é o quarto estado brasileiro em extensão territorial e o segundo em quantidade de habitantes. Com 853 municípios - a maior quantidade em estados brasileiros - é a nossa terceira maior economia , mantida principalmente pela extração de minérios, produção de laticínios e uma crescente indústria de confecções e acessórios.

Minha irmã e eu

É o terceiro maior produto interno bruto do País. Além de ser importante destino turístico, possui notável infraestrutura, com muitas usinas hidroelétricas e uma das maiores malhas rodoviárias do Brasil - apesar de uns trechos precisarem bastante de conservação. A movimentação de pessoas de outros estados aqui, em Minas, vai, entretanto,  além do turismo tradicional.  Está também relacionada à qualificação e ao número de vagas em suas diversas universidades, tanto nos cursos de graduação quanto de pós-graduação.

Patrimônio histórico e religioso
Mantém-se , entretanto , como um lugar bastante discreto ( será que a expressão mineirinho-come-quieto vem desse discrição?) Não é , todavia, um lugar de passagem; é lugar de visita mesmo. Povo gentil, disponível, agradável. Tem muito o que ver. Estive umas dez vezes em diferentes cidades mineiras, mas sempre a trabalho em universidades, portanto com pressa. Desta vez, venho com calma e com o único objetivo de conhecer melhor o Estado -  belezas naturais,  patrimônio histórico e produção artística.

Fantástica vegetação

Sim! e apreciar a deliciosa e variada gastronomia local, como  frango com quiabo, frango ao molho pardo, pururuca e angu. Foram muitas as vezes que carreguei pacotes e pacotes de pães-de-queijo para diferentes países europeus e norteamericanos - grande invenção mineira.. E que tal uma receita de feijoada mineira? Na foto do prato, é apenas um feijão tropeiro, pois consegui fugir da feijoada.

Feijão tropeiro e acompanhamentos

Ingredientes:

1/2 kg de chã-de-dentro
1 kg de feijão preto
1 kg de linguiça
1 kg de lombo de porco
2 orelhas de porco
4 paios
2 pés de porco
2 rabos de porco
Pimenta malagueta, alho, cebola,salsinha.


Tentações...
Como preparar:

Colocar o feijão de molho, de véspera.
Temperar as carnes e cozinhar de véspera.
Cozinhar separados a linguiça e os paios.
Depois de cozidas guardar na geladeira.
No dia seguinte, retirar a gordura talhada que ficou por cima das carnes.
Cozinhar o feijão com um pouco de óleo e todos os temperos. Adicionar as carnes cozidas, inclusive a linguiça e os paios.
Usar de preferência panela de barro.
Deixar em fogo lento por aproximadamente meia hora.


São João del Rei

Sou fascinada pelo acento tônico, pelas elipses e pelo vocabulário - especialmente os diminutivos, como brigadim  e bonitim - peculiares da linguagem mineira, tão bem retratados por João Guimarães Rosa, o escritor (mineiro, é claro) de que o Brasil inteiro se orgulha. Grande Sertão: Veredas é leitura imprescindível  e inesquecível. É de Guimarães o texto a seguir:

Mariana

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."


Inhotim - Brumadinho

E, verdadeiramente, Minas Gerais enriqueceu o País com talentos que se constituem unanimidade nacional em diferentes áreas. Sem nenhuma valoração ou ordem cronológica, assim, aleatoriamente, ocorrem-me nomes como Tomás Antônio Gonzaga, Claudio Manuel da Costa, Antônio Francisco Lisboa, Juscelino Kubitschek, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Cyro dos Anjos, Murilo Mendes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Jota Quest, Selton Mello, Ziraldo e Carlos Drummond de Andrade, que escreveu Ausência, um poema sensível e comovente:

Orquidário
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

Carlos Drummond de Andrade

Zeli , minha irmã e companheira nesta viagem,
Permanecemos oito dias tendo como meta as cidades históricas de Minas Gerais. Tentarei escrever sobre cada uma delas. Se houver tempo....antes da próxima viagem.

Orquídeas belas e variadas