terça-feira, maio 06, 2014

Garda, a cidade que deu nome ao Lago.

Chegando em Garda...
O nome Garda originou-se do gótico - a mais antiga das línguas germânicas - ward , que significa guardiã. Com o passar do tempo, o lago, antes chamado Benacus , passou a chamar-se Lago di Garda. A cidade está localizada na região do Vêneto, província de Verona, de onde está distante 27 km. É uma das mais importantes do Lago.

Saindo de Garda...
Essa localidade é bem antiga; e suas histórias, interessantes e curiosas. No final do 2o. milênio a.C. , na transição entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro, houve ali significativo incremento demográfico. Chegaram grupos provenientes do leste - Paleoveneti - que, após alguns enfrentamentos, passaram a dominar o território.
 
Garda é conhecida como a Riviera das Oliveiras
Uma das razões desse domínio foi o conhecimento dos invasores sobre o uso do ferro. Eles também eram mais agressivos e, ao que parece, bem mais preparados estrategicamente. Para terem mais condições de defesa, preferiam habitar os lugares mais altos, onde passaram a construir aldeias fortificadas ( castellieri) . Traziam eles cultura diferente dos antigos moradores locais - como a diferença relacionada aos rituais de morte.

Importante relembrar...
Eles preferiam cremação à sepultura. Nos achados arqueológicos, foram encontradas urnas onde eram depositadas as cinzas de seus mortos. Observem que estamos nos referindo a costumes com mais de três mil anos. Aproveito, então, para relembrar à família e aos amigos que dispenso cerimônias fúnebres, quero ser cremada e minhas cinzas depositadas no mesmo lugar onde estão as cinzas de Ronald. Please!

Muitas portas antigas na cidade

Além de sua cobiçada posição estratégica - as praias do sudeste do Lago - parece-me que as gentes sempre gostaram mesmo de brigas, seja por dinheiro, território, alianças...enfim ...poder! Como hoje - entre parentes, vizinhos, gangs, times de futebol e partidos políticos. Nada demais. Mudaram métodos , procedimentos, ferramentas, discursos - mas a luta continua...

Leão de São Marcos, símbolo da República Veneziana.

Em Garda, como nas demais cidades do Lago , a sequência de lutas foi bastante forte. Além dos imperadores, famílias poderosas, como os Della Scala e Visconti, disputavam espaços e fortalezas e deixaram suas marcas em construções ainda preservadas, mesmo que parcialmente. Em 1866, Garda foi anexada ao Reino da Itália.
Gente como a gente..
Garda , como qualquer cidade de qualquer tempo, além das histórias de guerras e lutas, tem também suas histórias de amor e paixão. Essas histórias deviam alimentar as fofocas da época, pois fofocas giram em torno de sexo e poder - na atualidade, poder representado, principalmente,  pelo dinheiro.

Centro de Garda

Pois aqui em Garda, num belo palácio, viveu Alessandra, filha de um primeiro ministro italiano. Depois da morte do marido, ela tornou-se amante de Gabriele D´Annunzio, poeta e dramaturgo, bastante conhecido também pela sua confusa atuação política. Por Alessandra, D´Annunzio abandonou a atriz Eleonora Duse, sua amante anterior.
Muitos palácios antigos no centro da cidade

Em razão desse romance, o Poeta comprou uma casa em Garbone. A relação, entretanto, durou poucos anos e foi por ele terminada. Alessandra, como convinha na época, retirou-se para um monastério, onde permaneceu até morrer. Gabriele morreu em Gardone Riviera, no dia 1o. de março de 1938.

Sinais da primavera
Atualmente,muitos turistas e visitantes passeiam por Garda, cidade que oferece diversificadas atrações para todas as idades. Há festivais de verão, relacionados às atividade de pesca. Em Marciaga, localidade bem próxima, há bons locais para escalada. Esportes, comércio de produtos regionais  e festas com certeza não faltam. Informei-me ali sobre aluguel de casas por temporada: os preços, similares aos de Torres.

Bye,bye, Garda.


"Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente como as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra 
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas..."

Fernando Pessoa