sábado, julho 06, 2013

A Musical Memphis

Encontro dos rios Mississippi e Ohio
De Paxton, saímos com chuva forte, relâmpagos e trovões - e eu, meio exagerada,  já pensando em como reagir a um tornado. Em Tuscola, pausa para comprinhas no Tanger Outlets , onde encontro sempre velhos conhecidos, como Guess, Gap, Reebok, Nike, Coach, Tommy Hilfiger e Banana Republic. A chuva impediu-nos de visitar Arthur e Arcola, onde estão as comunidades Amishs, sobre as quais já escrevi neste blog.
Mississippi e Ohio - ao fundo, Kentucky
Já referi, no post anterior, ao encontro dos rios Mississippi e Ohio, um lugar muito interessante de ver.  Continuando, após a confluência desses rios, pela interestadual 55, chegamos a Memphis, cidade que me fez lembrar muito de Pedro, meu neto, que, ao redor de 7 anos, gostava de Elvis Presley, o idolo de Memphis, a cidade berço do rock´n´roll, que, segundo dizem,  nasceu dos blues.

Museu do Rock e fábrica de guitarras

Nossa primeira visita foi ao Memphis Rock-´N´- Soul Museum, que está localizado bem em frente à fábrica de guitarras Gibson, bastante conhecida dos amantes desse gênero musical. A exposição do museu é patrocinada pela Smithsonian Institution, o que é uma garantia de qualidade. A visita é guiada por áudio e inclui mais de cinco horas de músicas selecionadas de acordo com as informações que vão sendo dadas.

Quem usou este modelito, Pedro?
Memphis, juntamente com New Orleans e Nashville, constituem as três cidades mais importantes da música norteamericana. A cidade é conhecida também pelas suas lutas em defesa dos direitos civis dos negros - mais de 60% da população - e dos trabalhadores. Enfrentou muitas lutas nos anos 60 e, em 4 de abril de 1968, assassinaram aqui o mais proeminente líder da luta contra o racismo, Martin Luther King Jr.  O Museu Nacional dos Direitos Civis está hoje no prédio do Motel Lorraine, local onde ocorreu o assassinato - o quarto 306 está preservado como era quando o crime aconteceu.

Beale Street
A Beale Street viveu sua melhor fase até os anos 50, entrou, depois, em declínio. Foi o que voltou a ser hoje: o centro animado de um bairro de diversões, com restaurantes, saloons, boates e lojas, entre essas lojas a A.Schawab, um grande armazém daqueles antigos,onde tudo pode ser encontrado. Funciona essa loja desde 1876. Estátuas e esculturas são encontradas ao longo dos quatro quarteirões da Beale. Elvis Presley e W.C. Handy, chamado pai dos blues,   lá estão. A música , nessa rua, parece sair de cada porta.

Elvis Presley na Beale Street
Os amantes de cinema certamente já viram filmes feitos em Memphis, alguns bastante conhecidos, como A Firma, dirigido por Sydney Pollack, com a importante participação de Tom Cruise; Náufrago, filme de Zemeckis, com Tom Hanks no papel de um empregado da FEDEX, empresa multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências. Essa empresa, de fato, existe, é a maior dos USA e foi mesmo iniciada em Memphis, onde mantém sua sede principal.

Memphis a partir do Mississippi
A herança musical recebida por Memphis motiva muitos turistas e viajantes a andarilharem pela cidade. Dizem, no entanto, que as melhores datas para visitá-la são aquelas relacionadas aos festivais - de música, é claro. Em 8 de janeiro, por exemplo, festeja-se o aniversário de Elvis; em maio, durante um mês, acontecem concertos no Memphis in May, quando são também tradicionais os churrascos ao ar livre; em agosto e no fim de semana do Labor Day  ocorre o Music and Heritage Festival. Imagino que beleza deve ficar a Beale Street nesses dias todos.


Ponte que separa  Tennessee  e Arkansas
Memphis está localizada na margem leste do rio Mississippi, constituindo-se no centro regional de três estados: Arkansas, Mississippi e Tennessee. É a cidade mais populosa do Tennessee. Com 700 mil habitantes, está entre as 50 maiores cidades dos Estados Unidos. Sua localização estratégica resultou no crescimento industrial e empresarial, com destaque para a indústria naval e aérea.

Passeio pelo Mississippi, com Ronald e Fábio.
Memphis é musical, colorida, vibrante e está às margens de um belo rio por onde fizemos um passeio de barco, com uma hora e meia de duração. A Beale Street é um encanto de rua que bem merece ser percorrida várias vezes. Há música por todo o canto - uma mistura de ritmos africanos, cantigas espirituais e de trabalho - muitos dos sons de hoje se devem aos antigos colhedores de algodão. Vale dois dias de visita.  Se você, entretanto, curte cerveja, pubs, música e comida apimentadíssima , talvez precise de mais tempo.

Pub na Beale Street
 O clima da cidade lembrou-me Fernando Pessoa:

"Às vezes entre a tormenta,
quando já umedeceu,
raia um a nesga no céu,
com que a alma se alimenta.
E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.
E, quer num quer noutro caso,
como o  mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso."