quinta-feira, junho 20, 2013

Chicago, muito além de Al Capone.


Estação de trens em Champaign

A viagem de trem , de Champaign a Chicago, é ótima. São 180 km , percorridos em duas horas de bonitas e tranquilas paisagens. Os trens são bons, confortáveis, mas sem luxo e sem  muitos passageiros; os rituais de embarque e desembarque, bastante  controlados - bem diferentes da Europa onde esse meio de transporte é parte da rotina diária das pessoas. De Champaign a Chicago, para-se somente em quatro estações ferroviárias.

Magnificent Mile
Parece-me que Illinois , sem Chicago, seria um estado nitidamente rural. Com mais de mil cidades pequenas, incluindo a capital, Springfield, Illinois mostra , quase sem interrupções, propriedades rurais com plantações de soja e milho - paisagem linda que , depois de um tempo, começa a ficar monótona. A única alteração que encontro todos os anos é a troca de lugar nas lavouras : onde, no ano anterior, era soja, neste ano é milho e vice-versa.

Magnificent Mile

Venho a Chicago ao menos duas vezes por ano. Ao entrar nessa cidade, vindo da placidez do campo, relembro sempre a mesma história. Morávamos em Alegrete, perto do único cinema da cidade. Aos domingos, quando terminava a sessão da tarde, nossa rua enchia-se de gente. Fabiana, minha filha, ficava encantada com o movimento. Quando ela estava com dois anos, fomos passear na rua da Praia , em Porto Alegre. Ela ia no meu colo, olhando, atentamente, tantas pessoas ao seu redor. Perguntou-me, então, em alto e bom som, denunciando sua condição de criança do interior: Mamãe, terminou o cinema???

Magnificent Mile
Apesar de Chicago ter um sistema razoável de transporte público, convém hospedar-se no centro, tomando como base a Michigan Ave, que tem, no trecho da Magnificent Mile, a minha preferência. No padrão três/quatro estrelas, nossa melhor escolha até hoje foi  Confort Suites. Desta vez, não consegui disponibilidade lá e reservei um hotel da cadeia Best Western , com boa localização ... e pouco mais do que isso.

Centro de Chicago visto a partir do rio

Sempre há algo novo para ser feito em Chicago, ainda que a visitemos muitas vezes. Desta vez, fiz um tour temático , que parte da Avenida Michigan ou do Navy Pier e tem uma hora de duração,denominado Architecture Rivers Tours.  Ao longo da rota, pelo rio Chicago, vão sendo focados edifícios projetados por arquitetos famosos, como Mies van der Rohe, Helmuth Jahn, William Rolabird, Martin Roche e  Frank Lloyd Wright. A cidade é famosa pela sua arquitetura inovadora. Conta-se que, após o grande incêndio de 1871, um grupo de arquitetos, partindo de um desenho feito num quadro-negro, decidiu aceitar o desafio de remodelar a cidade. E conseguiram!

Detalhe da Millenium

Chicago, com aproximadamente três milhões de habitantes, é a terceira maior cidade dos Estados Unidos, logo depois de Nova York e Los Angeles,  Tem muito a oferecer em arquitetura, arte, museus, design, shows, gastronomia, compras, parques e passeios. Marilia Cechela, perspicaz e precisa nas suas observações, ao comentar uma foto que postei no face book, lembrou a frase de Tom Jobim, sobre Nova York:  "Aqueles arranha-céus são tantos que o melhor seria a gente ir deitado no carro!" Afirmação que também cabe para Chicago.


Michigan Avenue
Ao contrário de outras cidades americanas, em Chicago há movimento de pessoas nas ruas, principalmente na Michigan Avenue, onde encontramos muitos conhecidos de vista, como  Cartie, Zara, Louis Vuitton, Coach, Hermes. A parte mais exclusiva  dessa avenida é a “Magnificent Mile” , uma milha  situada na parte norte da Michigan Avenue, entre o rio Chicago e as pistas da Lake Shore Drive. A histórica Tribune Tower e a Water Tower Place, bem como os melhores hoteis e restaurantes estão localizados nesta avenida, que foi quase totalmente destruída por um incêndio, em 1871. Foi reconstruída e tornou-se a rua mais elegante da cidade.

Foto de Fábio Rohde

Situado às margens do Lago Michigan, Chicago oferece vistas belíssimas para todos os lados, especialmente de três lugares - onde nunca fui e tenho medo até de pensar em ir. Uma dessas vistas é da roda gigante imensa que está localizada no Navy Pier. Muitas vezes eu a olhei, mas, por medo de alturas, não a encarei. Outra vista é da cobertura da Sears Tower, prédio com 110 andares, o mais alto de Chicago. A outra, de onde Fábio, meu sobrinho,  fez três das fotos seguintes, é do John Hancock Center, com 94 andares e o segundo edifício mais alto daqui.

Lago Michigan - Foto de Fábio Rohde

A Capital Financeira do Meio-Oeste tem quase 50 km de área à beira d`água e cenários muito diversificados. Basta ver alguns filmes feitos em Chicago para constatar isso. Lembram, por exemplo,  de Curtindo a Vida Adoidado;  Os Intocáveis;  Transformers 3: O Lado Oculto da Lua; O Fugitivo; O Casamento do meu Melhor Amigo; Inimigos Públicos ?

Detalhe do Navy Pier
Quando o Navy Pier foi construído, em 1916, ele era o maior do mundo, com seus 920 metros de comprimento por 120 metros de largura. Mais de vinte mil pilares de madeira foram usados na construção desse pier. Ao longo de sua história, sofreu depredações e reconstruções. Hoje é um  movimentadíssimo centro cultural e de diversões. Fotogênico e agradável, abriga o Chicago Children´s Museum, o Chicago Shakespeare Theater, uma famosa roda gigante e restaurantes, cafeterias, lojinhas e outras atrações típicas de parque. Além disso, ver o mix cultural e étnico que por lá circula, já é um bom divertimento.

O famoso " Feijão Metálico"
É difícil pensar em conhecer Chicago em poucos dias ou numa única visita. Além do John Hancock Center, da Magnificent Mile, da Sears Tower e do Navy Pier, referidos neste texto, há muito, mas muito mais o que ver. Pode-se acrescentar , ainda com várias lacunas, outras atrações como, Chicago Historical Society, a instituição cultural mais antiga da cidade; a Fourth Presbyterian Church; a Water Tower; o interessante Museum of Broadcast Communications - que me fez lembrar da Rosana e da Áurea; o Field Museum ; o Adler Planetarium; os museus de arte e o interessante Museum of Science and Industry.


Ronald no Museum of Science and Industry

No próximo mês , voltarei a Chicago. Certamente irei ao Ghirardelli, a casa do melhor chocolate dos US e que , desde 1852, oferece sua textura e sabor em atrativos arranjos - verdadeira perdição; comerei o tradicional cachorro-quente da cidade, aquele que me faz pensar que a Bahia nem gosta de pimenta; não comerei a tradicional pizza de Chicago por puro conservadorismo - pizza só no sul da Itália. Entrarei em lojas de jazz pelas novidades e clima local. Traçarei a Magnificent Mile como se a percorresse pela primeira vez. E para que este passeio não seja só encantamento, irei ao Consulado do Brasil provar que ainda existo e mereço, portanto, receber uma aposentadoria.







"Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo."